9 de novembro de 2017

Francisco Batista Russo & Irmão

A empresa “Sociedade Comercial e Industrial de Automóveis Francisco Batista Russo & Irmão, S.A.R.L.” teve a sua origem na firma “Francisco Batista Russo e Irmão”, fundada na Rua das Picoas, em Lisboa em 1926, por Francisco Baptista Russo (pai), iniciando a sua actividade com a importação de pneus da marca inglesa “Avon”. De referir , e a título de curiosidade, que este senhor - natural de Vila de Aldeia Galega do Ribatejo, actual Montijo - antes de se dedicar ao ramo automóvel, dedicou-se à indústria de panificação, e numa Sociedade com um irmão, possuía também debulhadoras para descasque do trigo.

“Francisco Batista Russo & Irmão, S.A.R.L.”  na Rotunda de Cabo Ruivo em 1970

Em 1954, com a empresa já nas mãos dos irmãos Francisco e Horácio Batista Russo, inicia a importação dos camiões “MAN” de origem alemã, com a sua sede instalada na Avenida António Augusto de Aguiar, 19 r/c. E pouco tempo depois, inicia a comercialização da scooter de marca alemã “Diana”.

18 de Maio de 1957

O ano de 1956 será um ano de viragem da “Francisco Batista Russo & Irmão”, ao iniciar a importação exclusiva  de automóveis e motos, da marca bávara “BMW”. O primeiro modelo a ser comercializado em Portugal seria o famoso e original “Isetta” seguindo-se-lhe os “BMW 503” e “BMW 507”.

1956

6 de Outubro de 1956

17 de Novembro de 1957

BMW “Isetta” no Aeroporto de Lisboa em 1960

É neste ano, ao comemorar os seus 30 anos, que a “Francisco Batista Russo & Irmão” inaugura, em 6 de Maio, o seu stand de automóveis e motos “BMW”, e camiões “MAN”, na Avenida António Augusto de Aguiar, 3, no edifício contíguo ao Hotel Eduardo VII”.

  

Recordo que anos mais tarde os irmãos Horácio Batista Russo e Fernando Batista Russo, por desavenças sepraram-se e Horácio continuou com o império Batista Russo, já representante das marcas “BMW”, “MAN”, “Steyr” e “Saviem”, chegando a importar os primeiros automóveis da marca japonesa “Toyota” para Portugal.  O Francisco fundaria, ainda nos anos 60 do século XX, com outros sócios a empresa “Univex”, com as representações das marcas “Fiat”, “Steyr” e “Fuso”, comércio e reparação de camiões.

28 de Junho de 1960

21 de Julho de 1962

Em 1958 decidem construir o seu “ex-libris”, as oficinas da “Francisco Batista Russo & Irmão” na Rotunda de Cabo Ruivo, em Lisboa, cujo projecto de arquitectura da autoria do arquitecto Joaquim Ferreira daria entrada na CML em 6 de Setembro de 1958. Iniciada a sua construção em finais de 1960 ficaria concluída em 1962, ano da sua entrada em funcionamento, tendo como seu director técnico José do Couto Nogueira. Foi em 1960 que esta empresa passaria a “Sociedade Comercial e Industrial de Automóveis Francisco Batista Russo & Irmão, S.A.R.L.” .

 

Por esta altura, constroem uma instalação fabril em Vendas Novas, a “VN - Montagem e Reparação de Automóveis Batista Russo Lda.”, para montagem dos camiões “MAN”, “Steyr” e “Atkinson” que iniciaria a sua laboração em Dezembro de 1963, mesmo antes da sua inauguração oficial. Mais tarde seriam, também, montados nesta unidade fabril, os automóveis “BMW” dos modelos 1600 e 2002.

5 de Dezembro de 1963

Linha de Montagem em Vendas Novas

 

  

Concurso da pasta dentífrica “Signal”  num anúncio de 1969

Nos ano 90 do século XX, a “Sociedade Comercial e Industrial de Automóveis Francisco Batista Russo & Irmão, S.A.”, entra em insolvência.

Quanto à linha de montagem da “VN - Montagem e Reparação de Automóveis Batista Russo Lda..”, seria utilizada para a montagem dos veículos todo o terreno “UMM - União Metalo-Mecânica”, modelo “Alter II”, iniciada Janeiro de 1993  e finalizada em Dezembro do mesmo ano. No ano 2000 ainda seria retomada a montagem deste modelo já renovado.

No século XXI esta unidade industrial passa a montar veículos comerciais da marca japonesa “Izuzu”, chegando a ocupar, em 2013, o 4º lugar entre as montadoras de veículos comerciais, ligeiros e pesados, em Portugal. Por deslocalização desta linha de produção da “Izuzu” para Itália, em Dezembro de 2013, esta unidade industrial encerraria definitivamente em 2014 e seria pedida a sua insolvência em 2015.

Quanto às instalações de Cabo Ruivo, actualmente ao abandono à espera de algum projecto de reconversão ou substituição do edifício … pela sua importância no comércio automóvel, muito pela importação exclusiva de marcas conceituadas europeias, mas também pela venda de produtos portuguesas, o edifício ficaria para sempre associado ao esplendor económico e industrial dos anos 60 do século XX, tornando-se emblemático referência ao local, que ficaria popularmente conhecido, até hoje, como "Rotunda do Batista Russo".

2015

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Municipal de Lisboa

1 comentário:

Pedro disse...

Lembro-me bem desse espaço.