30 de Outubro de 2014

Antigamente (106)

Esplanada e palco de variedades do Café Ribamar, em Lisboa

«Rovin» D-2, de 1947 (foram fabricados 200 exemplares em França)

 

“Club Naval de Lisboa”

Alfândega e cais de embarque para o ferry que ligava Vila Real de Santo António a Ayamonte (Espanha)

 

Fábrica de bicicletas e motorizadas “Vilar”

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa

29 de Outubro de 2014

Espelho d’Água

O Pavilhão das Diversões Náuticas / Restaurante “Espelho d’Água”, projectado pelo arquitecto António Lino, foi construído em Belém, entre ao “Padrão dos Descobrimentos” e o “Pavilhão das Artes e Indústrias”, tendo aberto em 23 de Junho de 1940. Este pavilhão, inserido num lago destinado a diversões náuticas, fez parte daExposição do Mundo Portuguêsque teve lugar entre 23 de Junho  e 2 de Dezembro de 1940. Este espaço lúdico incluía um restaurante, casa de chá e bar com esplanadas, e um palco para espectáculos situado no edifício isolado a nascente.

“Pavilhão das Diversões Náuticas / Restaurante Espelho d’Água” e lago circundante, em 1940

 

Anúncio na “Revista  dos Centenários” de 30 de Julho de 1940

 

 

Noite de «Music-Hall» no “Espelho d’Água” em 7 de Setembro de 1940

O “Espelho d’Água”, desenhado inicialmente pelo arquitecto António Lino, começou por ser um edifício de dois volumes dedicado a diversões náuticas, segundo o “Plano Geral da Exposição do Mundo Português”, mas foi usado como restaurante e palco de espectáculos, como foi mencionado atrás. De acordo com o inventário da DGEM, «foi das primeiras obras a conhecer ampliação e modificação dentro do plano de aproveitamento e conversão da zona».

“Espelho d’Água” em início de construção, e o “Pavilhão das Artes e Indústrias”

Em 1943 tem lugar a inauguração dum novo restaurante, depois do conjunto arquitectónico ter sido redesenhado e ampliado pelo arquitecto Cottinelli Telmo. Funcionou entre 1943 e 1946. Depois deste restaurante ter falido, foi cedido à Brigada Naval da “Legião Portuguesa  passando a ser designado de “Pavilhão dos Desportos Náuticos”, nome que ainda ostentava em fotos de 1961.

“Pavilhão dos Desportos Náuticos”

 

 

VI Congresso Mundial das Agências de Viagens, em 1972, no “Espelho d’Água”

 

Em 1989, instalou-se no “Espelho d’Água” o “Belém Clube Museu”, um club privado projectado pelo arquitecto Manuel Graça Dias, e propriedade de Fernando Gonçalves. A sua existência foi de curta.

Na década de 90 do século XX, foi recuperado e passa a contar com o restaurante de luxo “Espelho d’Água” e o “T Club”. Mais tarde estes dois equipamentos encerram, e depois de ter albergado um restaurante de comida chinesa, viria a ser ocupado, na zona nascente, pela cervejaria e restaurante “Portugália”.

 

Em 24 de Setembro de 2013, reabriu como “Espaço Espelho d’Água”, depois de ter tido lugar um concurso público de concessão do espaço até 2027, pela “Associação de Turismo de Lisboa” - ATL,  em finais de 2012. Saíu vencedor deste concurso público Mário Almeida, luso-angolano dono do “Espaço Bahia” - um restaurante com zona de concertos aberto há 14 anos na baía de Luanda - que além de proceder a uma reconstrução quase total do espaço, resultado do projecto do arquitecto Duarte Caldas de Almeida, com a consultoria do atelier de designers “Pedrita Studio”, promoveu a ampliação da zona de esplanada e reabertura do espaço ao público. A área do edifício “Espelho d’Água”, com 1.270 m2, passou a contar com cafetaria, esplanada, restaurante, zona de exposições, cinema e vídeo, concertos, atelier e quartos no piso superior para residências artísticas. Na zona nascente, continua a existir a cervejaria e restaurante “Portugália”.

“Espaço Espelho d’Água”

 

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Espaço Espelho d’Água

28 de Outubro de 2014

Prémios Valmor de Arquitectura (3)

Terceiro artigo, duma série de quatro, onde publico mais uma série de fotos, dos primeiros 50 anos (1902-1952) do “Prémio Valmor de Arquitectura”. Acerca da história deste prémio consultar neste blog o seguinte link: “Prémios Valmor de Arquitectura (1)”.

Prémios Valmor de Arquitectura de 1917 a 1930

1917 - Prédio de António Macieira Júnior (Arq. Ernesto Korrodi), na Rua Viriato
1919 - Casa de Alfredo May de Oliveira (Arq. Álvaro Augusto Machado), na Avenida Duque de Loulé

1917 Rua Viriato (Ernesto Korrodi) 1919 Avenida Duque de Loulé (Álvaro Augusto Machado)

1921 - Palácio de João Ulrich (Arq. Tertuliano Marques), na Rua Cova da Moura
1923 - Prédio de Luís Rau (Arq. Porfírio Pardal Monteiro), na Avenida da República

1921 Cova da Moura (Tertuliano de Lacerda Marques) 1923 Avenida da República (Porfírio Pardal Monteiro)

1927 - Pensão Tivoli e futuro Liz Hotel (Arq. Manuel Norte Júnior), na Av. da Liberdade (ao lado do Cinema-Teatro Tivoli)
1928 - Palacete Vale Flor da Sociedade Agrícola Vale Flor (Arq. Porfírio Pardal Monteiro), na Calçada de Santo Amaro

1927 Pensão Tivoli (Manuel Joaquim Norte Júnior) 1928 Calçada de Santo Amaro (Porfírio Pardal Monteiro)

1929 - Casa de Félix Lopes (Arq. Porfírio Pardal Monteiro), na Avenida 5 de Outubro
1930 - Casa de Sacadura Cabral (Arq. Raúl Lino), na Rua Castilho

 1930 Rua Castilho (Raúl Lino).1

Observação: não foram atribuídos prémios nos seguintes anos : 1918, 1920, 1922, 1924,1925 e 1926.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

26 de Outubro de 2014

Teatro da Trindade

O "Theatro da Trindade" foi inaugurado em 30 de Novembro de 1867, pela "Sociedade do Theatro da Trindade", cujo director era Francisco Palha e associado aos capitães Francisco e Fortunato Chamiço, Duque de Palmela, Frederico Biester, Oliveira Machado, Freitas Guimarães, Ribeiro da Cunha, António Thomaz Pacheco, entre outros. O nome provem de um antiquíssimo “Convento da Trindade”, erguido no logradouro que então era arrabalde da cidade.

O local escolhido foi o terreno do antigo Palácio dos Condes de Alva, onde em 1735 o empresário italiano Alessandro Paghetti havia criado a “Academia da Trindade”, «o primeiro teatro popular de Ópera» que funcionou apenas três anos, tendo sido encerrada em 1738. «Foi em uma das casas alugadas defronte do convento da Trindade, a que deram o nome de Academia, que pela primeira vez se representou, para o publico, a opera italiana em Lisboa» in: "O Real Theatro de S. Carlos" livro de Francisco da Fonseca Benevides. Após o terramoto de 1755 o local albergava apenas restos do palácio e alguns casebres, que em 1865 deram lugar às obras de construção do novo Teatro.

Gravuras de 1867

 

Fotografias de 1911

 

 Publicidade na revista “O Binóculo” de 1870

Acerca do director e um dos proprietários do “Theatro da Trindade”, Gomes de Brito, redactor do «hebdomadario de caricaturas» de Raphael Bordallo Pinheiro, e de seu nome “O Binóculo”, em 10 de Dezembro de 1870:

«O sr. Francisco Palha tem uma casa para dar expectaculos ao publico; e como homem de gosto, homem intelligente, e o mais acabado dos empresarios, espreita o gosto publico e serve-o a seu modo. O publico paga? Pois bem sirva-se o publico. O publico gosta? Pois bem attenda-se o publico. E quando o pubico se abhorrecer cá estou para lhe espreitar o appetite, para lhe variar os acepipes, e tambem, o que é justissimo, para receber os proventos, e auferir os lucros do meu trabalho e disvêlo. O que o digno empresario não faz é impingir a ninguem gato por lebre, permita-me os termos. Quando houver de ser gato, descanse que elle terá o cuidado e a honradez de o fazer annunciar.»

                                                   1881                                                                               1890

     

Publicidade á peça "A Moura de Silves" estreada em 26 de Novembro de 1890

O projecto do "Theatro da Trindade" foi da autoria do arquitecto Miguel Evaristo de Lima Pinto, que concebeu o teatro mais cómodo, elegante e tecnicamente avançado da capital no seu tempo. De assinalar o belo frontão da sala, da autoria de Leopoldo de Almeida, colocado nos anos 30 do século XX e os 12 medalhões do tecto, representando dramaturgos, segundo projecto de José Procópio, discípulo dos grandes cenógrafos Rambois e Cinatti.

Quanto ao seu interior, a revista “Archivo Pittoresco” nº 37 de 1867 descrevia-o do seguinte modo:

«É dividida a platéa em tres partes. A 1ª, mais chegada ao palco, compõe-se de 76 cadeiras de braços, feitas de mogno; 500 réis é o seu preço para cada noite de espectaculo. A 2ª, consta de bancos de mogno com costas, e assentos de palhinha, em que ha 176 logares ao preço de 400 réis; esta é a chamada superior. A 3ª, que é a geral, tem 200 logares, em bancos da mesma madeira, e sendo o preço de 200 réis.
Tem a sala de espectaculos frisas, uma galeria ou balcão por baixo da ordem nobre com 80 cadeiras eguaes ás que estão na platéa, e cujo preço é de 600 réis; 22 camarotes na ordem nobre, além de 2 da familia real, ao quaes corresponde interiormente uma sala, quarto de toucador, camarim e cópa; 24 camarotes na 2ª ordem; 14 camarotes na 3ª ordem, 7 de cada lado de uma galeria denominada paraiso, com logar para 200 espectadores, que pagarão 100 réis cada um.
(...) Consta-nos que o custo deste edifício, por effeito de uma severa economia e zelosa vigilancia na direcção e fiscalisação das obras, não excedeu a 80:000$000»

Artigo integral acerca do “Theatro da Trindade” na revista “Archivo Pittoresco” nº 31 de 1867

Revista “Sal e Pimenta” estreada em Julho de 1894

 

O espectáculo de abertura foi o drama em 5 actos, "A Mãe dos Pobres", original de Ernesto Biester. Foi nesta peça que o actor Taborda, nas suas memórias, lembra que «a primeira voz que se ouviu neste teatro foi a minha». Foi também exibida na inauguração, a comédia num único acto "O Xerez da Viscondessa", tradução de Francisco Palha.

O “Salão da Trindade”, anexo ao Theatro, foi o primeiro a inaugurar, abrindo as portas ao público no Carnaval de 1867 com uma série de bailes de máscaras. Destinado a bailes, concertos e conferências, tinha cerca de 200m² e uma galeria sobre colunas à volta do espaço, assim como um anfiteatro para a orquestra e, mais tarde, um proscénio.

Entrada do "Salão da Trindade"

Sala do "Salão da Trindade" e cartaz publicitário de 1881, da autoria de Rafael Bordallo Pinheiro

 

1884

E depois das sessões, a “Casa de Pasto Flor dos Theatros”” para satisfazer as necessidades e prazeres gastronómicos dos espectadores,  mesmo «ali ao lado», em 1877

1908

1911

A primeira “Companhia do Theatro da Trindade” era composta pelos artistas Delfina do Espírito Santo, Rosa Damasceno, Emília Adelaide, Emília dos Anjos, Gertrudes Carneiro, Lucinda da Silva, Tasso, Izidoro, Eduardo Brazão, Leoni, Bayard, Lima, Queiroz, entre outros. Nos meses que se seguiram, de consolidação de elenco e de equipa, foi assinalável o êxito do espetáculo “As Pupilas do sr. Reitor”, adaptação por Ernesto Biester do romance de Júlio Dinis, onde brilharam Rosa Damasceno e Brazão. Mas foi com a aposta na opereta que Francisco Palha encontrou a verdadeira fonte de sucessos do “Theatro da Trindade”. A opereta “O Barba Azul”, estreado a 13 de Junho de 1868, ficou em cena durante meses e revelou o talento de Ana Pereira, - do elenco da companhia “Sociedade do Theatro da Trindade” -, que nos anos seguintes ali brilhou, «fadada para as cenas de capricho, de gracejo, e de fantasia (...), a actriz do repertório de Offenbach».

Entrada do Theatro com a ópera cómica “Capital Federal” em cartaz, estreada em 8 de Janeiro de 1903

Planta original dos lugares na sala de espectáculos do “Theatro da Trindade”

Peça “O Barbeiro de Sevilha” em 1909

Capa de partitura de música da revista “O Dia de Juízo” estreada em Outubro de 1915

A 22 de Janeiro de 1921 o proprietário Serrão Franco, vendeu o “Teatro da Trindade”, por 350 contos, à “Anglo-Portuguese Telephone Company”, que ali instalaria os seus escritórios. O “Salão da Trindade”, palco de eventos como a palestra de Serpa Pinto sobre as colónias em 1879, a apresentação do fonógrafo de Edison em 1879, a conferência dos exploradores Hermengildo Capelo e Roberto Ivens, à qual assistiu a Família Real em 1880, foi totalmente demolido. Sabendo que a nova empresa proprietária necessitaria apenas do espaço do Salão e anexos, o empresário José Loureiro propôs a aquisição da parte do teatro, que foi aceite. Como tal, em 9 de Novembro de 1923 o “Teatro da Trindade” foi vendido a José Loureiro pela quantia de dez mil libras esterlinas e foram iniciadas as obras de remodelação do interior do edifício, dirigidas pelo engenheiro Alexandre Soares - data desta altura o famoso frontão com a Trindade, da autoria de Leopoldo de Almeida, que ainda hoje encima o proscénio.

Edifício da APT contíguo ao Teatro da Trindade, e descarga do material para o sistema automático de telefone (1930)

Notícia na revista “Illustração Portugueza” em 1923

Reabriu em 5 de Fevereiro de 1924, com a peça de Eduardo Schwalbach "Fogo Sagrado". Nele foram apresentados espetáculos de teatro declamado e teatro musicado, fantasias, óperas e dramas, mas foi com a opereta que fez mais sucesso e atraiu um público fiel. Acolheu companhias fulcrais da cultura portuguesa, como a “Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro”, a “Companhia Portuguesa de Ópera”, “Os Comediantes de Lisboa” ou o “Teatro Nacional Popular”, além das sessões de animatógrafo e cinema, que ajudaram a ultrapassar períodos de crise financeira.

Estreia da peça “Fogo Sagrado a 5 de Fevereiro de 1924

Programa e publicidade à peça “O Rei”, estreada 26 de Janeiro de 1945, pela companhia “Os Comediantes de Lisboa”

 

O "Teatro da Trindade" representa um modelo arquitectónico de Teatros oitocentista à italiana, que resistiu à especulação imobiliária, às novas centralidades urbanas e até à menor adequação da estrutura de camarotes à exploração cinematográfica: pelo contrário - o cinema é exibido pela primeira vez no Trindade em 1913 e nos anos 30 e 40 do século XX, sob a designação de "Cine-Teatro da Trindade", depois ser equipado com um moderno sistema de projecção de cinema em 1938, torna-o também numa sala de cinema. Assistiu-se lá a um certo surto de estreias de filmes portugueses, com destaque para o excelente “Amor de Perdição”, de António Lopes Ribeiro (1943) estreia de Carmen Dolores.

“Amor de Perdição”, realizado por António Lopes Ribeiro em 1943

                                Pano de Publicidade                                                         Exposição, no foyer em 1938

 

Estreia do filme “Três Espelhos” no Cinema “Trindade” em 1947

Exterior e assistência nos anos 60 do século XX

 

Em 1940, outro projeto teve estreia no “Teatro da Trindade”: os “Bailados Portugueses Verde Gaio”, companhia de dança impulsionada por António Ferro, na altura Diretor do “SPN - Secretariado de Propaganda Nacional”. A reação do público foi fraca, sobretudo em comparação com o sucesso que tiveram, pouco tempo depois, “Os Comediantes de Lisboa”, companhia dos irmãos Francisco Ribeiro (Ribeirinho) e António Lopes Ribeiro. Estiveram no Trindade entre 1944 e 1947, apresentando temporadas brilhantes apenas equiparadas, alguns anos depois, pelo “Teatro d’Arte de Lisboa” (em 1955-56) e o “Teatro Nacional Popular”, (entre 1957 e 1960) - este último responsável, a 18 de Abril de 1959, pela primeira encenação de Beckett em Portugal, com “À Espera de Godot”.

  

Lembro que Eça de Queirós , em “Os Maias“ coloca no Trindade o longo “sarau de beneficência” de onde saem, ao fim da noite João da Ega e o sr. Guimarães - e daí decorre, como sabemos, o desenlace do tragédia do incesto, com a revelação de cartas onde se demonstra que Maria Eduarda é irmã de Carlos da Maia. Aliás, já em “A Tragédia da Rua das Flores” Eça refere, e logo no inicio um espectáculo do Trindade, o que mostra a importância do teatro na época.

Foi longo o historial de empresários, actores e dramaturgos, que vão dos iniciais Francisco Palha e José Loureiro, a Sousa Bastos, Amélia Rey Colaço, Francisco Ribeiro (Ribeirinho) que ali dirigiu a companhia "Teatro Nacional Popular", ou Orlando Vitorino com o “Teatro d’Arte de Lisboa”, Couto Viana com a "Companhia Nacional de Teatro"… e actores como Palmira Bastos, Eduardo Brazão, Assis Pacheco, Álvaro Benamor, Cármen Dolores, Eunice Muñoz, Rui Mendes, Raul Solnado…

                                                                                            1956

                Estreada em 27 de Novembro de 1957                                                     1 de Março de 1962

         

Cenário para exibição de uma peça

Em 1962 o Teatro da Trindade mudou de novo de mãos. Os herdeiros de José Loureiro venderam-no, por 8000 contos, à FNAT, atualmente designada INATEL. Sofreu novas obras de remodelação em 1967 e, embora com novos equipamentos técnicos, a atenção recaiu sobre a decoração, coordenada por Maria José Salavisa – a sala, antigamente em tons de vermelho e dourado, vestiu-se de dourado e azul. O novo Trindade, com novas cores, acolheu a Companhia Portuguesa de Ópera e todas as suas produções até à sua extinção, em 1975. Pelo meio, um pequeno período de temporadas partilhadas com a Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro (entre 1970 e 1974), que havia sido desalojada do Nacional pelo incêndio em 1964 e que passara, entretanto, pelo Teatro Avenida e pelo Teatro Capitólio antes de se apresentar no Trindade. O 25 de Abril trouxe de novo ao Teatro da Trindade a variedade de espetáculos e companhias, com apresentações de ópera, teatro profissional e amador, cinema, bailados, operetas, a par das conferências e exposições.

                                              
                                              bilhete gentimente cedido por Carlos Caria

“Teatro da Trindade”, actualmente

 

Uma nova remodelação, desta vez profunda, teve lugar entre 1991 e 1992, com obras no telhado, na fachada, no átrio, na sala de espetáculos, no palco, no foyer, nos camarins, nas oficinas – no fundo, em todo o edifício, procurando torná-lo mais funcional e adequado às novas exigências de um teatro lisboeta daquela dimensão: o estúdio de ensaios foi transformado na “Sala-Estúdio”, destinada à apresentação de teatro experimental; o bar foi ampliado, possibilitando a realização de eventos e pequenas apresentações; novas instalações de luz, som e canalização; assim como novas instalações para os serviços administrativos.

 

 

O actual dono, a "Fundação INATEL", não só tem mantido o edifício em actividade e sempre bem preservado, como ainda criou a “Sala Estúdio”, um Bar e o Salão Nobre.

Bibliografia: Centro Virtual Camões - “Teatro em Portugal - Espaços”

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Mário Marzagão Alfacinha, Cinema aos Copos, Instituto dos Museus e da Conservação, Biblioteca Nacional de Portugal, Opsis