27 de julho de 2015

Restaurantes “Tágide” e “Palm Beach”

O restaurante-boîte “Tágide”, terá aberto as suas portas em 1950,  no Largo da Biblioteca, em Lisboa, tendo como um dos proprietários, Campos Ferreira que por sua vez era sócio da firma representante de vinhos, “A. Serra Campos Ferreira, Lda.”, situada na Rua António Maria Cardoso, ao Chiado. Campos Ferreira viria a ser responsável pela contratação de grandes artistas internacionais que actuaram na famosa boîte “Tágide”.

Restaurante-boîte “Tágide”

 

Campos Ferreira

 

A “Tágide” nos anos 50 e 60 do século XX,  era a melhor e mais bem frequentada boîte de Lisboa, onde atuavam os melhores artistas nacionais e estrangeiros. Inaugurada com o conjunto liderado pelo maestro Jorge Brandão (falecido em 21 de Outubro de 2010 na África do Sul). Este conjunto, durante anos teve oportunidade de acompanhar artistas da maior craveira internacional, tais como Charles Aznavour, Gilbert Bécaud, Mireille Robert, Georges Ulmer, Jaqueline François, Paul Peri, Ana Maria Gonzalez e muitos outros, a par também dos portugueses Simone de Oliveira, Madalena Iglésias, Rui de Mascarenhas, Maria de Lurdes Resende, etc.

Primeira referência publicitária ao “Tágide”, em 30 de Dezembro de 1950

Boîte “Tágide”

 

Charles Aznavour actuou na boîte “Tágide” entre 16 e 24 de Maio de 1953

Publicidade em 17 de Maio de 1953 e fotografia com dedicatória a Campos Ferreira

    

5 de Março de 1955

«(…) criações e intervenções imaginativas, conjuntamente com ensaios de dançamento e apoio e aplauso a espectáculos de variedades em que intervieram destacados cantores e ilusionistas, malabaristas e fadistas, aldrabilhas e outros artistas.»

O restaurante-boîte “Tágide”, mantinha estreitas ligações com o restaurante-boîte “Palm Beach”, inaugurado em 1942, na Praia da Conceição, em Cascais, para quebrar a hegemonia do Casino Estoril na vida nocturna, conforme a publicidade da época o demonstrava. Resta-me saber se essa ligação seria a nível de propriedade ou apenas a nível de gerência de exploração, que não consegui apurar.

Segundo o mesmo autor da citação anterior: «O Palm Beach era bonito mas era coisa ligeira, para principiantes e meninas em princípio de carreira».

1958

“Palm Beach” na Praia da Conceição, em Cascais

                                     Restaurante                                                                                  Boîte

 

Na revista “Panorama”, em 1942

Prancha de saltos e o “Palm Beach” ao fundo

                                5 de Novembro de 1960                                                  31 de Dezembro de 1960

 

Quanto ao “Palm Beach”, depois de grande êxito nas décadas de 60 e 70 do século XX, transformou-se num local de musica rock por onde passaram muitos DJ, até que ficou abandonado no início do século XXI. Viria a transformar-se na “Capricciosa Pizza D.O.C. & Co." inaugurada em 13 de Outubro de 2010.

De regresso ao “Tágide” … Depois de ser tomada a decisão, em 1970,  de converter o restaurante-boîte “Tágide”, exclusivamente em restaurante de luxo, todo o espaço foi alvo de uma profunda transformação, em 1973, passando a funcionar apenas como restaurante, cuja qualidade foi distinguida com vários prémios, nomeadamente uma “Estrela Michellin” que tendo sido o primeiro restaurante de Lisboa a ser galardoado a ostentou entre 1981 e 1992. Na época, a decoração do restaurante esteve a cargo do decorador Duarte Pinto Coelho, que aliou o requinte da decoração a obras de arte de valor incontornável: painéis de azulejo do século XVIII, fontes de pedra do século XVII e belíssimos lustres do século XVIII, que ainda hoje lá permanecem.

Quando da reabertura do restaurante “Tágide”, em 1974, - já no renomeado Largo da Academia das Belas Artes - a firma proprietária tinha vários sócios, sendo um deles o banqueiro Jorge de Brito - fundador em 1972 do BIP  - Banco Intercontinental Português - que, durante toda a vida do “Tágide” enquanto restaurante, foi sempre sócio. Jorge de Brito fez questão de chamar os melhores profissionais, quer na área da restauração (o antigo gerente Álvaro Silva esteve ligado a outros projectos igualmente de prestígio como o “Terraço” do Hotel Tivoli, o restaurante “Aviz” e o “Pab”), quer ao nível da decoração (como o decorador de renome internacional, já atrás mencionado, Duarte Pinto Coelho).

Em 2007, o “Tágide” - já sob a gerência de Suzana Barros de Brito, nora de Jorge de Brito - foi remodelado, mais uma vez, apostando numa decoração que aliou a tradição à modernidade, com apontamentos inusitados como os quadros de Maria João Brito e o candeeiro colorido de Tim Madeira. à frente da sua cozinha o Chef Luís Santos. Em 2014 teve lugar a sua última remodelação.

 

Entretanto em 16 de Março de 2012, foi inaugurado o novo espaço “Tágide Wine & Tapas Bar”, - ocupando um espaço do restaurante “Tágide” que era destinado a grupos – tendo sido projectado pela arquitecta Teresa Monteverde que se inspirou nos anos 50 do século XX para a sua concepção e decoração.

“Tágide Wine & Tapas Bar”

Interiores do “Tágide Wine & Tapas Bar”

 

Em 2014, passou a ser disponibilizada uma viatura de 3 rodas da marca “Piaggio” para que, de forma itinerante, possa oferecer sugestões para acompanhar um copo de Vinho do Porto: rebuçados de ovo, bombons de azeite ou um queijinho amanteigado. Mesmo não comendo nada, poderá beber um Porto tónico ou outros cocktails - tudo com Vinho do Porto, evidentemente.

fotos in: Delcampe.net, Garfadas on line, Restaurante Tagide, IÉ-IÉ

24 de julho de 2015

Campolide Cinema

Em 4 de Janeiro de 1925, é inaugurado o “Cine-Tortoise” , na Rua Leandro Braga no bairro de Campolide, em Lisboa. A gerência deste pequeno cinema de bairro, ficou a cargo de Manuel Pinto Lello sócio gerente da distribuidora e produtora “Tortoise-Filmes”, e como director técnico o artista plástico Ruy Teixeira Bastos.

 

   

Em 1927 o “Cinema Tortoise”  muda a sua designação para “Cinema Tenor Romão”, do qual o cantor de ópera, Romão Gonçalves era proprietário e empresário, e reabre em 19 de Outubro do mesmo ano. «Muito extravagante e muito popular, pelas suas exuberâncias de indumentária, pelas atitudes e pela preocupação, sem grandes resultados, de ser tomado como um emérito cantor de ópera». Um nome e uma imagem que ficaram ligados a várias fitas - a primeira referenciada, “Romão, Chauffeur e Mártir”, feita em frente do  “Ritz Club”, mas que só estreou em Lisboa ( no Salão Central) uma semana após o lançamento no Porto ( no Jardim Passos Manoel) em Fevereiro de 1920. O “Cinema Tenor Romão” teria uma existência efémera e encerraria a 26 de de Dezembro de 1927.

19 de Outubro de 1927

Esta sala de espectáculos, depois de ter passado para a propriedade de Aurélio Perime Benitez, que, reabriu em 15 de Fevereiro de 1928, tendo sido mudada, mais uma vez, a sua designação para “Campolide Cinema”.

15 de Fevereiro de 1928

Mais tarde, no final da década de 50 do século XX, é construído um novo edifício no lugar do antigo, passando a ter capacidade para 414 espectadores distribuídos pela plateia e o 1º balcão, com instalações mais modernas e confortáveis.

Nas vitrines exteriores, na foto anterior, publicidade aos filmes “Umberto D” , de Vittorio de Sica, de 1952 e “Frou-Frou” , de Augusto Genina, de 1955. Recordo que mesmo em cinemas de estreia (não o caso deste) os filmes chegavam a ser estreados em Portugal anos depois de terem sido estreados no seu país de origem.           

Fotos do interior do “Campolide Cinema”, com capacidade para 414 espectadores

Planta da sala do “Campolide Cinema”

Este cinema encerrou em 1977, e anos mais tarde o edifício foi ocupado por uma empresa de artes gráficas. Segundo me informaram, o edifício viria a ser demolido, há poucos anos.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

22 de julho de 2015

Estações dos CTT do Chiado e Santa Justa

Em Janeiro de 1963, era inaugurada a nova “Estação Urbana de Santa Justa”, dos CTT em Lisboa. Na pagela de inauguração que abaixo publico pode-se ler:

«A nova estação de Santa Justa que é hoje inaugurada, é a 45ª e destina-se a servir a baixa comercial de Lisboa. Foi Possível instala-la a 550 metros de cada uma das três estações que até agora serviam os utentes dessa área, no Terreiro do paço, no Socorro e nos Restauradores.»

Interior da Estação dos CTT de Santa Justa inaugurada em Janeiro de 1963

Pagela da inauguração

Estação CTT Santa Justa.3

Estação CTT Santa Justa.4

A nova “Estação Urbana do Chiado” dos CTT, em Lisboa, inaugurada em Dezembro de 1963 e instalada na esquina da Praça Luís de Camões com a Rua da Horta Seca, foi resultado da reinstalação da "Estação Urbana do Chiado", existente no mesmo local desde 1932, em edifício adaptado aos serviços pela "Delegação dos Edifícios para os Serviços dos CTT", dependente da "Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais".

Interior da Estação dos CTT do Chiado inaugurada em Dezembro de 1963

Pagela da inauguração

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Portuguesa das Comunicações