26 de junho de 2016

Hotel da Fonte Santa em Monfortinho

O “Hotel da Fonte Santa”, abriu as suas portas no final de 1940, nas “Termas de Monfortinho”, propriedade da “Companhia das Águas da Fonte Santa de Monfortinho” e projectado pelo arquitecto Vasco Pereira de Lacerda Marques, que também projectou o Balneário das Termas ao mesmo tempo.

 

 

“Hotel Fonte Santa” avistando-se à direita na foto parte do Balneário Termal, em 1941

Primeiro anúncio publicitário no “Diario de Lisbôa” a 29 de Março de 1941 e outro no mesmo jornal, a 20 de Abril de 1941

 

Capela junto ao “Hotel da Fonte Santa”

Inicialmente com 50 quartos, o “Hotel da Fonte Santa” , no início dos anos 90 do século XX passaria para a propriedade do “Grupo Espírito Santo” após este ter tomado o controlo da “Companhia das Águas da Fonte Santa de Monfortinho”, primeiro em sociedade com os herdeiros do Conde da Covilhã, e posteriormente assumindo uma posição maioritária, reforçando a ideia que o Balneário Termal era, sem sombra de dúvida, o motor de desenvolvimento que urgia renovar. Desde logo, este Grupo iniciou obras de renovação que terminariam em 2001.

 

Anúncio de 1 de Março de 1955

 

 

Etiqueta de bagagem

Postais

 

Postais de 1975

 

Entretanto, em 2005, o “Hotel da Fonte Santa”, entraria, também, em obras, uma vez que não podia continuar com as condições da altura, dado não cumprir as normas comunitárias, nomeadamente a área de alguns quartos, a sala de jantar e as cozinhas que estavam desenquadradas, pretendendo a direcção certificar este hotel. Com as obras de adaptação, o “Hotel Fonte Santa” teria o número de quartos reduzido. Assim de 47, passaria a contar com 41, com 11 suites, quando até agora essa altura tinha uma e ficando com a classificação de 4 estrelas. O restaurante ficou com uma área maior e a cozinha foi completamente renovada.

Em 2008, o “Grupo Espírito Santo Saúde” vendeu as “Termas de Monfortinho”, as Águas do Vimeiro e a “Herdade da Poupa”  ao fundo de investimento “AA-Iberian Natural Resources & Tourism S.A.”, um grupo detido por investidores institucionais internacionais. Também em 19 de Março de 2008 foram adicionadas ao despacho conjunto da Direcção Geral de Saúde novas funções e terapias para as águas das termas: doenças metabólico-endocrinas, reumáticas e músculo-esqueléticas, aparelho circulatório, aparelho nefro-urinário e aparelho respiratório.

“Ô Hotel Fonte Santa”, actualmente

 

 

Em 2010 o “Hotel da Fonte Santa”, juntamente com o “Hotel Golf Mar” no Vimeiro, formariam o grupo “Ô Hotels & Resorts” . O “Ô Hotels & Resorts” foi criado para promover o charme cultural das regiões de Monfortinho e Vimeiro.

“Hotel Golf Mar”, na Praia do Porto Novo em Maceira, aquando da sua abertura no início dos anos 60 do século XX

Outra importante unidade hoteleira, das “Termas de Monfortinho”, o “Hotel Astória” seria inaugurado em 4 de Abril de 1948 e cuja história poderá consultar neste blog no seguinte link: Hotel Astória em Monfortinho

“Hotel Astória”

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fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Delcampe.net

24 de junho de 2016

Vila de Sesimbra (7)

“Mercearia Ideal”

Artigo na “Ilustração Portugueza”  em 1922

Obras de construção da estrada de acesso ao Porto de Abrigo e depois de concluída

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Antigo Mercado e ao lado o Restaurante “Âncora” de José da Costa Fortunato

fotos in: Hemeroteca Digital, Sesimbra

22 de junho de 2016

Casa de Fados “Nau Catrineta”

O restaurante típico e casa de fados "Nau Catrineta", foi inaugurada em 12 de Dezembro de 1952, na Travessa de São Miguel, ao Chafariz de Dentro, no Bairro de Alfama em Lisboa.

A "Nau Catrineta" - nome de um poema anónmo e romanceado - foi fundada pelos irmaõs João e Manuel Patrício, que encomendaram o projecto do edifício ao arquitecto Jorge Segurado (1898-1990) e cuja construção ficaria a cargo do construtor Diamantino Tojal.

   

Largo do Chafariz de Dentro, em Alfama avistando-se o letreiro indicativo do restaurante

  

O "Diario de Lisbôa" noticiava a sua inauguração com entusiasmo:

«Há hoje festa na Alfama, com colchas nas janelas da Travessa de S. Miguel e alegria no bairro, todo orgulhoso pela inauguração da "Nau Catrineta", casa de castiça fachada e lusitano interior evocando o mar.

Em tempos que já lá vão
A fome tornou-se preta.
Fizeram da sola pão,
na velha “Nau Catrineta”

Hoje, porém é diferente:
Nem fome nem sacrifício.
Toda a gente está contente
Na nova nau do Patrício

Estas são duas quadras da ementa da "Nau Catrineta", e os irmãos Patricio, que embarcaram na aventura, convidaram para o almoço inaugural amigos e jornalistas, olissiponenses e enamorados da tradição que manifestaram o seu entusiasmo pela iniciativa, realmente digna de ser festejada pelo bom gosto que revela.»

Ao almoço de inauguração presidiu o famoso olissipógrafo e jornalista Gustavo Matos Sequeira (1880-1962). De referir que a direcção artística desta casa ficou a cargo de Filipe Pinto, que já tinha desempenhado idênticas funções noutra casa típica o "Luso", sendo descrito como «fadista clássico conhecido pelo "Marialva do fado" e bem experimentado na direcção dos elencos da canção nacional».

10 de Dezembro de 1952

                                  10 de Dezembro de 1952                                             30 de Dezembro de 1952

       

Postal com vistas do Interior da “Nau Catrineta” antes da primeira remodelação de 1955

29 de Dezembro de 1954

Pouco tempo depois da sua inauguração, a "Nau Catrineta"  encerraria para remodelações. Reabriria em 21 de Outubro de 1955, com nova decoração da responsabilidade de Manuel Lima e Jorge de Sousa, enriquecida com um painel decorativo de Manuel Lima e outros da autoria Dário Vidal e Octávio Clérigo.

“Nau Catrineta” após a primeira remodelação de 1955

«(...) reabre com remodelações que tornam a casa mais acolhedora, bem aquecida por revestimento de madeira, "a camara de bordo" e "a ponte de comando" está em plano mais alto, no 1º andar, onde se podem efectuar almoços e jantares particulares, ou continuar os iniciados cá em baixo. (...)
Aos cultores da tradição do Fado e aos apreciadores de boa mesa e do puro sumo de uva, recomenda-se a visita à "Nau Catrineta", que, como poderão ver, traz muito que contar nesta sua triunfal reabertura.» in "Diario de Lisbôa"

                     5 de Dezembro de 1959                                                     23 de Janeiro de 1960

      

Capa de “EP” gravado ao vivo na “Nau Catrineta”

Depois de encerrada, novamente, a “Nau Catrineta” reabre em 1 de Julho de 1961, podendo-se ler a propósito no “Diario de Lisbôa”:

«Em toda a decoração, bem imaginada em momento de feliz inspiração pelo arquitecto Moreira Santos e pelo artista Manuel Caldeira, o mar profundo, esse mar bem português, está sempre presente. (...)
Da velha "Nau Catrineta" de Alfama, nada resta, a não ser o nome. A nova gerência da casa, que nada tem a ver com a s anteriores, caprichou em apresentar um ambiente inteiramente novo e conseguiu-o plenamente.»

1 de Julho de 1961

Notícia da inauguração no “Diario de Lisbôa” em 2 de Julho de 1961

A partir desta data não consegui saber mais nada acerca desta casa de fados. Numa lista de casas de fado lisboetas, editada em Dezembro de 1970 no “Diario de Lisbôa”, a “Nau Catrineta” já lá não figurava. Depois de encerrada uma série de anos, reabriria, em 14 de Setembro de 1981, com nova designação: “O Poeta”. Neste novo estabelecimento, com gerência de Fernanda do Carmo,  reaparceria depois de uma longa ausência,  a famosa fadista Berta Cardoso (1911-1997), que, por motivos de doença, em finais dos anos setenta do século XX, deixara a “Viela” - ex “Casa da Celeste” - outra casa de fados, na Rua das Taipas, e propriedade do fadista Sérgio Dâmaso.

Maria Pereira e Berta Cardoso na “Nau Catrineta”

23 de Junho de 1965

14 de Setembro de 1981

Pelo que consegui saber, “O Poeta” encerraria poucos anos depois e o edifício seria demolido, nos anos 90 do século XX.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Delcampe.net, Fadocravo