16 de janeiro de 2018

Music-Hall S. Bento-Rato

O “Music-Hall S. Bento-Rato”, localizado na Rua de S. Bento, em Lisboa, propriedade da firma “Music-Hall S. Bento Rato, Lda.”, foi inaugurado em 4 de Outubro de 1907, com a projecção de “Viagens em Caminho de Ferro”.

Localização do “Music-Hall S.Bento-Rato”, dentro da elipse desenhada na parte inferior de seguinte planta topográfica

Este Teatro foi construído por Paulo Henrique Machado, cujos trabalhos foram iniciados em Junho do mesmo ano, e em 9 de Julho de 1907, o jornal "Diario Illustrado" informava:

«Vão muito adiantados os trabalhos de construcção da grande galeria e casa das machinas que, vindas de Inglaterra, deverão ser assentes por todo o mez, sob a direcção do distincto engenheiro electricista William Scott.
Já começaram tambem os trabalhos de scenographia applicavel a uma das diversões que mais deve enthusismar o publico e que deve produzir um effeito surprehendente.
O novo recinto cuja decoração conforme alguns desenhos que já vimos deve produzir o mais bello effeito será acessívela a todas as classes em vista do preço excessivamente barato porque o publico podesrá assistir a um espectaculo verdadeiramente sensacional.»

Entrada lateral para o pátio do “Music-Hall S. Bento-Rato”

 

Quanto às características do espectáculo inovador que esta sala propunha, transcrevo a nota, bastante elucidativa, acerca das suas características, publicada no dia seguinte á sua inauguração, ocorrida em 4 de Outubro do mesmo ano de 1907, pelo jornal “Diario Illustrado”:

«Inaugurou-se hontem este estabelecimento sito na rua de S.Bento, de ha tanto annunciado, e que apresenta a novidade do espectador fazer a viagem n'uma carruagem de 1ª ou 3ª classe, de forma que recebe a impressão que a vista que vae deslisando no animatographo representa a realidade, dando-lhe, por vezes, vontade, quando chega a uma estação, de desembarcar e beber, pelo menos, um copo de cerveja.
De maneira que assim como ha o mal de mar, é tanta a visão nítida d'essa viagem em caminho de ferro que não duvidamos que chegue a dar a vertigem.
Porteiros, empregados, todos trajam como se fossem alistados n'uma gare, e o  phonographo que se ouve nos intervallos é o mais perfeito que por ahi tem appparecido.
Enfim um espectaculo interessante e que ha-de chamar bastante concorrencia.»

Três anúncio de 5 de Outubro de 1907

 

Os cenários eram da responsabilidade do cenógrafo Luiz Salvador, que estav entre os melhores da época a par de Eduardo Machado, Augusto Pina, Eduardo Reis, e José d'Almeida. Luiz Salvador que tinha cursado na “Academia de Bellas Artes”. «Como scenographo tem apresentado trabalhos importantes nos theatros de Lisboa e Porto, e é hoje dos mais considerados pelo seu talento e seriedade.» in: “Diccionario do Theatro Portuguez” de Sousa Bastos (1908).

Em 1908 a firma “Music-Hall de S. Bento Rato, Lda.”, decide construir, no mesmo pátio um novo espaço a que chamaria “Theatro S. Bento Rato”, que seria inaugurado em 12 de Setembro de 1908, com a revista em 3 actos e 9 quadros “Visões do Rabi”, original de Raymundo Alves e música do maestro Alves Coelho (1882-1931). Foi com este espectáculo que este grande maestro iniciou a sua actividade musical no teatro de revista. Seguir-se-iam mais de 50 revistas, além de operetas e vaudevilles.

                           6 de Setembro de 1908                                                           12 de Setembro de 1908

  

Não sei quando foi o encerramento definitivo do “Theatro S. Bento Rato”, mas que em 1910 já não constava de nenhuma lista em nenhum periódico ou revista, que tive acesso, foi um facto.

Actual edifício (cor de rosa) no espaço outrora ocupado pelo “Theatro S. Bento Rato” (via “Google Maps”)

Fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa

14 de janeiro de 2018

Junta Nacional do Vinho

A “Junta Nacional do Vinho” (JNV) foi criada por Decreto-Lei, em 19 de Agosto de 1937, instalando a sua sede a partir de 1938, num edifício de três andares de traça arquitectónica característica dos palacetes do final do século XIX, na Rua Mouzinho da Silveira, em Lisboa.

Sede da JNV na Rua Mouzinho da Silveira

Entretanto a sua antecessora  “Federação dos Vinicultores do Centro e Sul de Portugal” (FVCSP) a organismo de coordenação económica, também por Decreto-Lei. À JNV seriam atribuídas competências mais alargadas e área muito mais vasta. Enquanto a FVCSP tinha a sua área geográfica limitada a 62 concelhos, onde intervinha por intermédio de 46 grémios concelhios, a JNV, com sede em Lisboa, abrangia 201 concelhos agrupados em 16 Delegações e 31 Subdelegações, ligados por 58 delegados estatais e 64 agentes concelhios.

Quanto à “Federação dos Vinicultores do Centro e Sul de Portugal” (FVCSP) de referir que foi a primeira estrutura corporativa para regular o mercado dos vinhos correntes criada por Decreto-Lei de 17 de Novembro de 1933, ao mesmo tempo que era criado o “Grémio do Comércio e de Exportação de Vinhos (GCEV) e reestruturada a organização de produção e comércio dos vinhos de pasto das regiões de Bucelas, licorosos de Carcavelos e Moscatel de Setúbal, com a criação dos grémios regionais de viticultores e de exportadores constituindo Uniões Vinícolas Regionais.

Tomada de posse da “Federação dos Vinicultores do Centro e Sul de Portugal”

No mesmo diploma governamental que criava a “Junta Nacional do Vinho” (JNV), era igualmente prevista a criação do “Fundo Corporativo da Vinicultura”, como património colectivo dos vinicultores agremiados, a ser administrado pela JNV. Este Fundo, financiado pelos vinicultores através do pagamento das taxas, «servirá para realizar a função económica atribuída à Junta.» Constituía reserva para defesa colectiva da produção e destinava-se à concessão de créditos aos vinicultores inscritos nos grémios da lavoura, podendo ser utilizado na aquisição de vinhos e derivados das intervenções. Para além deste Fundo, constituíam receitas da JNV o valor das taxas, das multas, os juros capitalizados e outros
rendimentos ou subsídios não definidos.

Decreto-Lei 27 977 de 19 de Agosto de 1937

  

A área de influência ou de acção da “Junta Nacional do Vinho” (JNV) exercia-se sobre os vinhos comuns de todo o território nacional, cuja área correspondia à maior parte da produção vinícola do país, excluindo as regiões demarcadas de então  -Dão, Vinhos Verdes, Douro, Moscatel de Setúbal, Bucelas, Carcavelos e Colares - bem como a Madeira e os Açores. Mais tarde, e apesar de algumas resistências das regiões demarcadas, a JNV acabou por alargar a sua acção, no que respeita à regulação do mercado, a todas as regiões produtoras do continente e ilhas, com excepção da região do Douro. No caso do Dão e dos Vinhos Verdes, a acção da JNV restringiu-se apenas às intervenções nos mercados, em  coordenação com os organismos próprios das regiões.

1940

1958

Cartazes da autoria de Mário Costa, em 1938

  

Postal

 

Em 1940, a Madeira passou a estar sob a coordenação da JNV, consequência da desorganização que imperava no sector vitivinícola da Região, numa base transitória, que se prolongou até à criação do “Instituto do Vinho da Madeira”, em 1979.

Neste mesmo ano, é apresentado à Câmara Municipal de Lisboa, pela “Junta Nacional do Vinho” (JNV), um primeiro projecto datado de Maio de 1940, e assinado pelo arquitecto Cassiano Branco e pelo engenheiro Pedro Cavalleri Rodrigues Martinho, para a construção de 2º edifício no extremo oriental do mesmo quarteirão da inicial na Rua Mouzinho da Silveira. Curiosamente, apenas os desenhos de alçado e corte são assinados pelo arquitecto, supondo-se que a planimetria terá sido desenvolvida por aquele engenheiro, no âmbito da Secção de Obras da Junta, socorrendo-se de Cassiano Branco para o contributo estético. As obras tiveram início em 1942 e concluídas em 1943.

2º edifício da JNV

Em 1944, entra em funcionamento um terceiro edifício, que não é mais que um anexo de dois andares. Inicialmente contemplava apenas um andar e era designado por “Edifício João Seabra”, que teve como finalidade dar prossecução ao “Fundo João Seabra”. O engenheiro João Jacinto Seabra desempenhou as funções de Vice-Presidente da JNV. Quando
morreu deixou uma verba considerável referente aos seus últimos vencimentos, a qual foi constituído em “Fundo”, administrado pelo Organismo. Este “Fundo” perdurou até ao à actualidade, embora a sua verba tenha sido incorporado recentemente no orçamento do “Instituto da Vinha e do Vinho” (IVV).

Este “Fundo” tinha como objectivo inicial, prestar assistência médica aos funcionários atacados de tuberculose. Neste sentido, o projecto contemplava dois consultórios, uma sala de tratamentos e sala de espera, bem como uma secretaria e depósitos de material. Posteriormente este edifício foi aumentado com mais um andar para instalar
alguns serviços da JNV.

3º edifício da JNV, o “Edifício João Seabra” ainda em construção e concluído em 1944

Quanto às competências da “Junta Nacional do Vinho” (JNV)«coordenar a acção de todos os organismos corporativos da produção e comércio de vinhos e seus derivados, na área da sua influência»; bem como «orientar e fiscalizar», em colaboração com os serviços públicos competentes e com os citados organismos corporativos, «a produção e comércio de
mostos, vinhos e aguardentes;»
e ainda «reprimir e punir as fraudes e transgressões» às leis ou regulamentos em vigor, com penalidades que podiam ir desde a suspensão até dois anos ou mesmo cessação definitiva do exercício da actividade.

Brigadas de Fiscalização da JNV

 

Entretanto a JNV  prosseguiu as acções iniciadas pela extinta “Federação dos Vinicultores do Centro e Sul de Portugal” (FVCSP) no apetrechamento de capacidade de armazenagem e implementou, ao longo da sua vida, uma rede de instalações devidamente equipadas, tais como “laboratórios enológicos, adegas, depósitos e caves, razão pela qual adquiriu um vastíssimo património vitivinícola de Norte a Sul do País, inserido nas principais regiões produtoras.

Desfile em 21 de Outubro de 1956

 

Catálogo de vinhos com capa da autoria de Mário Costa, em 1948

 

                                Adega de J. C. Botelho                                       Adega Triunfo, na Rua dos Bacalhoeiros em Lisboa

 

                                               1949                                                                                          1955

 

Com a adesão de Portugal à Comunidade Europeia, em 1 de Janeiro de 1986, introduziu-se uma nova perspectiva na economia portuguesa. A “Junta Nacional do Vinho”(JNV” foi adaptada às novas funções resultantes da adesão de Portugal à “Comunidade Económica Europeia” (CEE), no referente à reestruturação dos organismos de coordenação económica, sendo substituída por um novo organismo designado por “Instituto da Vinha e do Vinho” (IVV), criado por Decreto-Lei de 22 de Setembro de 1986 e dando assim resposta à importância que o sector vitivinícola detinha na agricultura portuguesa, pois há muito que era manifestada a conveniência de existir um único organismo com acção sobre a vinha e o vinho. O seu objectivo, entre outros, de continuar a coordenar os organismos de coordenação económica da produção e comércio de vinho e seus derivados, possuindo 16 delegações que se foram constituindo nos mais importantes concelhos vitivinícolas, e 117 adegas cooperativas.

1990

IVV em Almeirim

 

IVV em Torres Vedras

 

“Museu do Vinho” em Alcobaça

 

Instalações actuais do “Instituto da Vinha e do Vinho”

Bibliografia: Foi consultada, e de onde foram retiradas alguns excertos de textos e fotos, a “Dissertação apresentada à Universidade Aberta para obtenção do grau de Mestre em Estudos do Património: Acção e Património da Junta Nacional do Vinho  (1937-1986)”, de Maria da Conceição Freire de Brito Pereira. Lisboa - 2007.

Fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

11 de janeiro de 2018

Tabacaria Mónaco

A “Tabacaria Monaco”, propriedade de João Cezar Viera da Cruz, abriu as suas portas, na Praça D. Pedro IV (Rossio), em Lisboa, no ano de 1875. Esta veio ocupar uma pequena loja, onde anteriormente estava instalada uma pequena mercearia de um tal José Dias. A este propósito o livro “Estroinas e Estroinices; ruina e morte do Conde de Farrobo”, de Eduardo Noronha (1922) relatava: «No sitio onde hoje se encorredoura a tabacaria Mónaco, vendia  géneros alimenticios o José Dias, que por ter sempre trez réis para dar de troco, grangeou a alcunha do Consciência.»

“Tabacaria Monaco” à esquerda na foto da “Sucursal de O Século”

Por morte do seu fundador, que atendia desde as 4 horas da manhã com a chegada dos jornais até às 11 horas da noite,  a “Tabacaria Monaco”, apelidada de "Capela de São João Baptista dos Charutos", passou para as mãos de seu filho Júlio Cesar Vieira da Cruz. «De muito novo foi Vieira da Cruz para o estabelecimento de seu pae, depois de ter cursado o lyceu com uma applicação grande d'onde lhe veio razoavel copia de conhecimentos litterarios que possue, d'onde trouxe em fim,um peculio de illustração muito solido e assás desenvolvido. Contava elle quinze annos de edade.»

Julio Cezar Vieira da Cruz

Anúncio em 1877

 

Com a morte de sua mãe, seguida da de seu pai, em 1890, Vieira da Cruz «poz-se á testa da tabacaria Monaco, e desde então melhor poude comprehender a segurança d'aquellas sympathias que semeara. O seu estabelecimento continuou a ser o que era, augmentando de dia para dia a escolhida clientella que o velho Cruz se esforçara sempre por aquirir.»

Em 1892, Júlio Cesar Vieira da Cruz, inicia as grandes obras de restauração e ampliação para a Rua do Príncipe (actual Rua 1º de Dezembro), da “Tabacaria Monaco”, transformando o antigo pequeno espaço na “Galeria Monaco”. Para isso convida o renomeado arquitecto e técnico de obras públicas, Rozendo Garcia de Araújo Carvalheira, para conduzir as mesmas. «Os seus riscos, casando-se com os magnificos trabalhos de Raphael Bordallo Pinheiro e Antonio Ramalho, Frederico Augusto Ribeiro e Thiago Antonio Silva formaram um bello conjuncto que à Galeria Monaco veiu dar o tom agradabilissimo d'uma obra d'arte completa.» Esta passagem de texto e as anteriores in: jornal “Folha de Lisboa” de 12 de Agosto de 1894.

Arquitecto Rozendo Garcia de Araújo Carvalheira

Rozendo Carvalheira

A, então, “Galeria Monaco”, seria inaugurada, com pompa e circunstância em 1 de Agosto de 1894, à qual acorreram mais de 4 mil pessoas, levando Raphael Bordallo Pinheiro a comentar em rodapé de uma gravura, no seu “António Maria” e que publico de seguida, «a abertura da sua casa foi acontecimento de maior monta que a abertura do Parlamento».
Por outro lado, o jornal “Diario Illustrado” escrevia: «Viu coroado o sr. Cruz tanto trabalho e tanto dinheiro, porque o apertão que hontem lá havia á porta, só é proprio das egrejas na Semana Santa e das portas de casa rica, em dia de casamento ! Hontem só entrava aos lotes de 10 individuos. O serviço era feito por 2 policias a cada porta. Ingresso pelo Rocio.»

No “António Maria” de Raphel Bordallo Pinheiro, em 18 de Outubro de 1894

                     Jornal “A Vanguarda” de 1 de Agosto de 1894                   Jornal “Diario Illustrado” de 1 de Agosto de 1894  

   

Para a inauguração foi editado um jornal, número único, comemorativo e oferecido aos clientes, de seu nome “Monaco”

 

                              12 de Agosto de 1894                                                            17 de Fevereiro de 1895

 

Anúncio de 16 de Fevereiro de 1896 e a revista “A Construção Moderna” que «assigna-se, vende-se e recebe annuncios na tabacaria Monaco, Rocio»

 

O teto, em abóboda de berço, foi desenhado e pintado por mestre António Ramalho, que pintou, igualmente os espelhos do interior; os painéis de azulejos quer das molduras das duas entradas, quer dos interiores, e alusivos à actividade deste estabelecimento,foram da autoria de Raphael Bordallo Pinheiro e fabricados pela “Fábrica de Faianças das Caldas da Rainha”. Não esqueçendo os tempos de progresso que se viviam, junto ao friso do tecto foram instalados fios telegráficos, nos quais poisadas andorinhas em cerâmica, também da autoria Bordallo Pinheiro. Progresso que a “Galeria Monaco” oferecia aos seus clientes mais assíduos: o «moderníssimo» telefone, ligado à “The Anglo Portuguese Telephone Company, Limited” recém criada, e ainda em fase de arranque. O interior cujo mobiliário da autoria de Frederico Augusto Ribeiro, foi, também, enriquecido com esculturas de Pedro Reis, das quais se salienta o busto em bronze do Príncipe do Alberto I do Mónaco, que está na origem do nome da Tabacaria, por ocasião da sua vista a Portugal, iniciada no mesmo dia da sua abertura.

Publicação dos telegramas da chegada do yacht do Príncipe do Mónaco a Lisboa, em 1 de Agosto de 1894

Em 8 de Janeiro de 1899 o jornal "Folha de Lisboa" informava:

«O sympathico proprietario da Monaco dá hoje um baile no seu estabelecimento, para o qual estão feitos numerosos convites.
É condição obrigatoria para os convidados comprar primeiro charutos e jornaes, os quaes serão vendidos por gentis pastorinhas vestidas á moda do Paraizo ...
Cada pastorinha terá uma parra, e debaixo da parra uma caixinha de luxo, aonde se poderão esfregar os phosphoros ...
Quem usar de amorphos escusa de lá ir, pois como se sabe estes phosphoros só acendem em caixa propria ...»

“Tabacaria Mónaco”, a renovada sucursal do jornal “O Século” e o café “Nicola”

Tabacaria Mónaco.1

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Pelo poeta Fernando Caldeira (1842-1894):

Quando eu vou n’essa incerteza
Do flaneur, sem fim, sem rumo,
Ao acaso e de surpresa
Me assalta a minha tristeza,
Entro na Monaco e fumo.

No livro “Camões Estudo Histórico-Poético” das Obras Completas de António Feliciano de Castilho pode-se ler:

«Em 29 de Julho de 1904 publicava o Diário de Noticias o seguinte artigo: Casa onde morreu o Poeta Visconde de Castilho.
Em I ou 2 de Agosto soube da existência d'este artigo em casa de um meu velho amigo; corri á tabacaria Mónaco, mas não pude já alcançar o Diário de 29; o snr. Cruz teve a bondade de mandar um caixeiro correr os kiosques do Rocio, mas debalde. Só no dia seguinte consegui obter de um meu excellente visinho e provado amigo o que desejava. Fiquei consternado; mas que podia? nada absolutamente.»

Em 1916, Júlio César Vieira da Cruz trespassa a “Galeria Mónaco" a José Rodrigues Marecos, proprietário da “Tabacaria Marécos” na Rua Aurea. As herdeiras, sem descendência, deixaram em testamento a “Tabacaria Mónaco” aos funcionários da casa. Em 2005, Carlos Oliveira, que ali trabalha desde os 16 anos, ficou com 80% da sociedade.

“Tabacaria Marécos”, na Rua Aurea

A “Tabacaria Monaco”, actualmente

Actual.1 Actual.2

 

 

 

Fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital, Arquivo Nacional Torre do Tombo