21 de dezembro de 2014

Quadra Natalícia

Com o Natal a aproximar-se, e como já vem sendo meu costume, aproveito este artigo natalício para desejar a todos os leitores e seguidores deste blog, um Natal Feliz e Boas Festas.

Aqui ficam algumas fotos, de anos idos, alusivas a esta quadra religiosa e festiva na cidade de Lisboa.

Praça Marquês de Pombal

                     Movimento natalício na Rua da Prata, em 1957                                  Natal do polícia sinaleiro

   

       Festa de Natal da PSP no “Coliseu dos Recreios”, em 1926                                  Venda de perús

 

Presépio no alto do “Parque Eduardo VII”, em 1968

 

Iluminações da Rua da Prata e na Rua do Carmo, em 1959

 

Rossio (Praça D. Pedro IV)

Rossio e Rua do Ouro

 

A publicação regular de novos artigos é hoje interrompida, sendo retomada no próximo Domingo, dia 28 de Dezembro.

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

19 de dezembro de 2014

Sociedade Nacional de Belas Artes

O edifício da  “Sociedade Nacional de Belas Artes” - S.N.B.A., situado na Rua Barata Salgueiro, em Lisboa, e projectado pelo arquitecto Álvaro Machado, foi inaugurado a 15 de Maio de 1913 pelo Presidente da República Dr. Manuel de Arriaga, ao mesmo tempo que era inaugurada a sua “10ª Exposição de Arte”. Até então as exposições desta Sociedade eram realizadas na “Escola Superior de Belas-Artes”.

 

«Foi o acontecimento mais palpitante da última semana, que promete interessar Lisboa por alguns dias, a julgar pela afluência do público que concorreu à inauguração o que justamente se entusiasmou com a profusão e belesa dos trabalhos expostos.
Para maior realce da festa, prodominava a concorrencia de senhoras, que são sempre a animação destas reuniões, a nota mais festiva.» in: revista “Occidente”

«Para festejar a inauguração da nova casa da Sociedade Nacional de Belas-Artes que se realisou no dia 15 do corrente com a abertura da sua 10ª exposição de arte, reuniram-se os artistas expositores, em número de 42, em um banquete que se realizou no salão principal das festas, em a noite de 16. Na mesa central tomaram lugar, por convite da direcção, os artistas mais velhos presentes, ocupando o centro sr. Adães Bermudes, presidente da assembleia geral, sr. Veloso Salgado, presidente da direcção, seguindo-se á direita os snrs. Columbano Bordalo Pinheiro, Roque Gameiro, João Vaz e Carlos Parente e á esquerda os snrs. Moura Girão, Ribeiro Cristino, Frederico Ribeiro e David de Mello, sentando-se os restantes artistas sem precedencias estabelecidas.» in: revista “Occidente”

O edifício conta com salões para exposições, salas de reunião e leitura, biblioteca, arquivos e salas para aulas da Sociedade. Na altura da sua construção parte significativa do 1º andar, foi ocupada pela sede da “Sociedade dos Arquitectos Portugueses”, fundada em 11 de Dezembro de 1902 e descendente da “Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses”, fundada em 1863. Em 1933 muda para “Sindicato Nacional dos Arquitectos”, para mudar de novo de designação em 1978 para “Associação dos Arquitectos Portugueses”. Actualmente, denominada “Ordem dos Arquitectos”, desde 3 de Julho de 1998, tem a sua sede na Travessa do Carvalho, no edifício dos antigos “Banhos de São Paulo”.

Artigo no “Annuario da Sociedade dos Architectos Portuguezes”, de 1906

A “Sociedade Nacional de Belas-Artes”, associação de cultura fundada em 16 de Março de 1901 - resultando da fusão de duas prestigiosas associações de artistas, a “Sociedade Promotora das Bellas-Artes” (fundada em 8 de Agosto de 1861) e o “Grémio Artístico de Lisboa” (fundado em 1890), este descendente do conhecido "Grupo do Leão" (fundado em 1860 )- e reconhecida como Instituição de “Utilidade Pública” em 28 de Outubro de 1914, tem como principal objectivo promover e auxiliar o progresso da arte em todas as suas manifestações, defender os interesses dos artistas e, em especial dos seus associados, procurando auxilia-los, tanto moral como materialmente; cooperar com o Estado e com as demais entidades competentes em tudo que interesse à Arte Nacional e ao desenvolvimento da cultura artística.

Grupo fundador da “Sociedade Promotora das Bellas-Artes”, em 1862

Legenda da foto anterior retirada do Arquivo Municipal de Lisboa: Aça, Zacarias de. 1839-1908, escritor / Branco, José Maria Alves. Fl. 1862, médico / Sousa, Joaquim Pedro de. 18-, artista plástico / Fonseca, Francisco Lourenço da. 1848-1902, pintor / Chaves, José Ferreira. 1838-1899, pintor / Tomasini, Luís Ascêncio. 1823-1902, pintor / Rodrigues, José. 1828-1887, pintor / Castilho, Júlio de. 1840-1919, 2º visconde de Castilho, escritor e olisipógrafo / Rodrigues, Francisco de Assis. 1801-1877, escultor / Beck, Domingos de Sousa e Holstein. 1897-1969, 5º duque de Palmela / Krus, Carlos. Fl. 1862, artista plástico / Prieto, Joaquim Nunes. 1833-1907, pintor / Barbosa, José Gregório da Silva. Fl. 1862.

 

Regressando à “Sociedade Nacional de Belas Artes”, de referir que o pintor José Malhôa foi o seu primeiro director, secretariado pelo arquitecto Rosendo Carvalheira. Entre outras actividades, para cumprir os fins enunciados, a S.N.B.A. propunha-se realizar anualmente diversas exposições de arte. E assim fez, mais ao menos ao ritmo das estações do ano: Salões da Primavera e do Inverno. A primeira exposição realizou-se logo em 1901, inaugurada pelo rei D.Carlos I, que era igualmente um dos artistas expositores. Até 1910, foram oito os Salões realizados, dos quais ficaram para memória futura os respectivos catálogos. Mais tarde, a S.N.B.A. acolheu exposições como o “I Salão dos Independentes” (1930) e as “Exposições Gerais de Artes Plásticas” (1946-1956), onde se revelou a oposição possível às orientações estéticas oficiais ditadas pela política do espírito do “Estado Novo”.

Alguns eventos e exposições na “Sociedade Nacional de Belas Artes”, na primeira metade do século XX

"I Salão de Outono da Elegância Feminina & Artes Decorativas" promovido pela revista “Voga"", em Novembro de 1928

 

Conferência inaugural de “Malhôa o Pintor e a sua Obra”

Conferencia inaugural de Malhô o pintor e sua obra

Presidente da República general Óscar Carmona inaugurando a exposição de T.S.F. em 1929

 

Exposição de pinturas e esculturas em 1933

“Salão Internacional de Arte Fotográfica” em 1938

  

Exposição conjunta dos pintores José Veloso Salgado e José Simões de Almeida

“Exposição Geral de Artes Plásticas”, em 1947

 

No final dos anos 1950, a S.N.B.A. foi sacudida por uma vontade de renovação artística e apresentou nas suas salas três importantes exposições : “I Salão dos Artistas de Hoje” (1956), o “I Salão de Arte Moderna” (1958) e “50 Artistas Independentes” (1959). Em 1984, as salas da S.N.B.A. foram ocupadas pelas criações dos “Novos-Novos” como Fernanda Fragateiro, Pedro Cabrita Reis, Rui Sanches e Miguel Branco, entre outros.

Menção Honrosa em 1942 e catálogos de exposições disponíveis na “Biblioteca de Arte” da Fundação Gulbenkian

 

Capa e Editorial do primeiro número do Boletim da S.N.B.A. de seu nome “Arte”

 

A “Sociedade Nacional de Belas Artes” actualmente

 

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Sociedade Nacional de Belas Artes

18 de dezembro de 2014

Relógio Padrão da Hora Legal

«Quer acertar o relógio? Use o do Cais do Sodré como padrão». Antes de haver sinal rádio e, mais tarde, o sistema de posicionamento global via satélite (GPS), os navios que partiam do porto de Lisboa necessitavam de acertar os seus cronómetros de bordo em terra para, mais tarde, calcularem a longitude no alto mar.

Até meados do século XX, a determinação da hora legal era uma tarefa exclusivamente do foro Astronómico, pois a observação rigorosa das estrelas permitia acertar os relógios de então com uma precisão muito superior ao que estes possuíam. Com o advento da electrónica e de outros padrões internacionais de medição do tempo, o “Observatório Astronómico de Lisboa” equipou-se com relógios atómicos e de quartzo, que permitem manter a hora com uma precisão da ordem do microssegundo.

“Observatório Astronómico de Lisboa” na Tapada Real da Ajuda

Quanto à adopção da “Hora Legal” em Portugal alguns factos e datas:

1884 - Reunião do Congresso internacional de Washington, em que se adoptou o sistema de fusos horários;
1911 (24 de Maio) - Promulgação do decreto da República Portuguesa, estabelecendo em todo o território nacional, desde 1 de Janeiro de 1912, a hora legal, pelo tempo médio de Greenwich
1912 (15 de Outubro) - Conferência internacional da hora realizada em Paris;
1914 (  Junho) - Inauguração do "Posto do Relógio Padrão da Hora Legal”, na Praça Duque de Terceira em Lisboa.

Relógio de Sol “Meridiana dos Remolares” que ocupou até 1874 o centro da Praça dos Remolares, futura Praça Duque de Terceira

Praça dos Remolares, futura Praça Duque de Terceira, e pontão de embarque, que depois do aterro seria ocupado pela sede da “Administração-Geral do Porto de Lisboa” e pelo "Posto do Relógio Padrão da Hora Legal”

Com o fim de emitir a Hora Legal para a cidade e, especialmente, para os navios ancorados no Tejo, foi construído em 1914 o "Posto do Relógio Padrão da Hora Legal»,  na zona do Cais do Sodré e contíguo ao edifício da “Administração- Geral do Porto de Lisboa”, equipado com um relógio mecânico, ligado directamente por cabo eléctrico ao “Observatório Astronómico de Lisboa”, situado na Tapada da Ajuda. Desta Posto partia um sistema semafórico, ao longo da costa, até Belém, para indicação luminosa da Hora a quem estava ancorado no rio.

2º “Balão da Hora” no “Arsenal da Marinha”, recebia o sinal horário enviado pelo “Observatório Astronómico de Lisboa”

Edifício da “Administração-Geral do Porto de Lisboa”

Artigo na revista “Illustração Portugueza” em Dezembro de 1913

Relógio do Cais do Sodré.1 (Dez. 1913)

"Posto do Relógio Padrão da Hora Legal”

Enquadramento do "Posto do Relógio Padrão da Hora Legal”, na Praça Duque de Terceira

A revista “Occidente” descrevia assim o “Posto do relógio padrão da Hora Legal”

«Dois corpos compõe o edifício do Posto: a torre, pouco elevada, rectangular, do relogio-padrão; e a barraca contígua que amplia a instalação e, porventura, suficientemente, para os correspondentes serviços: uns relativos á conservação da hora legal; outros, interessantes á distribuição dos signaes horarios.»

Rui Agostinho, director do “Observatório Astronómico de Lisboa” - entidade que tem a responsabilidade de difundir a hora certa no País - contava ao “Diário de Notícias” «depois do 25 de Abril o relógio esteve praticamente ao abandono». Em 2000, o então director do OAL, Nuno Marques, pediu à “Administração do Porto de Lisboa” para retirar do local a designação "hora legal", inscrita sobre a pala metálica que protegia o exemplar. «O relógio avariava, estava parado, depois arrancava, estava desfasado e confundia as pessoas».

A guarita do Cais do Sodré exibiu, até 2008, o título de “Hora Legal”. No entanto, o “Observatório Astronómico de Lisboa” pediu que esta designação fosse retirada, pois o relógio nunca tinha funcionado em condições. O local está sujeito a grandes amplitudes térmicas e nem a pala que foi acrescentada à estrutura impediu que o mecanismo sofresse com isso. Por outro lado, as trepidações cada vez mais fortes, fruto da passagem do trânsito rodoviário, também afectavam a marcha do mecanismo.

Em 21 de Janeiro de 2009 e ao fim de quase 40 anos, o “Posto do Relógio Padrão da Hora Legal” ,voltou a ter a “Hora Legal”. A “Administração do Porto de Lisboa” anunciava a reactivação a sincronização do mecanismo com o “Observatório Astronómico de Lisboa”, passando esta a ser feita via Internet.

Foi necessário esperar quase um ano para encontrar uma solução que permitisse ao relógio do Cais do Sodré aceder à hora legal. O novo equipamento, vindo da Suíça, da marca “Tissot”, foi montado em finais de Novembro pela empresa portuguesa “Tempus”.

Este relógio recebe sistematicamente a “Hora Legal” e processa um ajuste automático da hora interna, garantindo, assim, a sua exactidão. Esta interface tem um relógio electrónico próprio, com uma unidade de energia eléctrica independente. Deste modo, se houver um corte de energia na zona, os ponteiros param, mas reposicionam-se na hora correcta assim que seja restabelecido o fornecimento de energia. A única desvantagem é que o aparelho não tem ponteiros dos segundos. Se quiser acertar o seu relógio, terá que esperar atentamente pelo movimento do ponteiro dos minutos.

Enquadramento actual

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, A Imagem da Paisagem