27 de setembro de 2016

Hotel Europa

O “Hotel de L’Europe” abriu as suas portas na Praça Luís de Camões, em Lisboa, em Abril de 1921 e propriedade da empresa “Hoteis Alexandre d’Almeida”. Juntamente com este Hotel esta empresa já detinha neste ano de 1921, o Hotel Metropole” (1914) no Rossio, o “Francfort Hotel” (1917) no Rossio e era arrendatária doPalace Hotel do Bussaco” (1917). Anos mais tarde mudaria a sua designação para “Hotel Europa”.

Hotel Europa

Hotel de L'Europe 1921.4    Hotel Europa.1 (Maio de 1921)

Hotel de L'Europe 1921.1 Hotel de L'Europe 1921.2

Anúncio em 24 de Dezembro de 1921

1921 Hotel Europa (24-12)

Janeiro de 1927

Hoteis Fernando de Almeida (Janeiro de 1927)

O primeiro “Hotel de l’Europe” - inicialmente designado de “Grande Hotel de l’Europe” - de Lisboa, propriedade de Ferdinand Piper tinha-se instalado, em 1896 no 1º andar do  “Palácio dos Barcelinhos” propriedade do Visconde de Ouguella, que se tornou conhecido depois de aí se terem instalado osGrandes Armazéns do Chiado”.

1896

1896 Grand Hotel de L'Europe

Hotel de L'Europe 1910.0

Anúncio de 1898 e Menú do jantar de 9 de Junho de 1900

1898 Hotel de L'Europa 1900 Hotel de L'Europe.1 

Lembro que o espaço ocupado “Grande Hotel de l’Europe”, desde 1883 até 1912, já tinha sido ocupado pelo “Grande Hotel Gibraltar”, inaugurado em 24 de Julho de 1874, e posteriormente pelo “Hotel Universal”, e propriedade de J.B. Podestá.

1874

1874 Grande Hotel Gibraltar (Julho) 

SAMSUNG               Hotel Universal.1

O “Hotel de l’Europe” , na Praça Luís de Camões, classificado de 2ª categoria ainda figurava com este nome em finais de 1930, após que mudaria de designação para, ”Hotel Europa”. Funcionou até 1980, ano em que encerrou definitivamente.

Enquadramento do “Hotel Europa” na Praça Luís de Camões e incêndio numa mansarda do hotel

Hotel Europa.4 CFT164 024504 002

Hotel de L'Europe 1921.3

1923 Conta 1923 Menú 

Postal.1Postal.2

Etiqueta

No seu lugar, abriria em 25 de Maio de 2005,  o “Bairro Alto Hotel”, propriedade da família Tavares da Silva e membro da cadeia “The Leading Hotels of the World”. O projecto deste primeiro «boutique hotel» português de 55 quartos e quatro suites, ficou a cargo dos arquitectos José Pedro Vieira e Diogo Rosa Lã, da “Bastidor Interiores e Design”.

Bairro Alto Hotel.1

Bairro Alto Hotel.2 Bairro Alto Hotel.3

Os azulejos do restaurante Flores do Bairro, do Café Bar e do Terraço têm marca lusa, assim como os atoalhados e a loiça da “Vista Alegre”. Cada quarto tem pintado um fresco de um pássaro diferente, desenhado pela artista Virgínia Mota. No lobby duas esculturas de Rui Chafes, enquanto que as fotografias do restaurante, da mezzanine e da sala de reuniões têm a assinatura de Rui Calçada Bastos. Nos quartos mansardas, as fotografias são da autoria de Nuno Cera. Os paladares portugueses do restaurante Flores, sob a direcção do chefe Vasco Lello.

Bairro Alto Hotel.4 Bairro Alto Hotel.5

Bairro Alto Hotel.8

Bairro Alto Hotel.6 Bairro Alto Hotel.7

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Garfadas on line, Moussia, Bairro Alto Hotel

25 de setembro de 2016

Pastelaria “Mexicana”

A Confeitaria "Mexicana" abriu as suas portas em 28 de Dezembro de 1946, na Avenida Guerra Junqueiro, junto à Praça de Londres, em Lisboa. Tratava-se, então, de uma confeitaria, pastelaria e leitaria criada por uma sociedade formada pelos construtores civis de Tomar, José Vicente e seu genro Adelino Antunes, que tinham construído o prédio, e os primos do primeiro, Augusto Godinho e Manuel Penteado. A propriedade do prédio, entretanto, passaria para a “Caixa Sindical de Previdência dos Profissionais Barbeiros e Cabeleireiros”.

“Confeitaria Mexicana”, estabelecimento com o toldo à esquerda na foto

A cave da loja albergava a fábrica de pastelaria, que com a "Confeitaria Nacional" localizada na Praça da Figueira, era uma das duas únicas pastelarias de Lisboa que fabricava a sua oferta de pastelaria e afins. Especialidades como confeites de Páscoa em chocolate, bolo-rei, pingos de tocha, sombreros e os boleros eram receitas originais da "Mexicana".

Localização da “Mexicana” à esquerda da foto. No prédio no centro da foto o “Restaurante Portugal” inaugurado em 1949

Entre 1961 e 1962 a "Mexicana" é alvo de uma profunda reforma e ampliação, cujo projecto ficaria a cargo do arquitecto modernista Jorge Ferreira Chaves (1920-1981). Reforma que se traduziria na criação da esplanada, uma primeira sala com serviço de pastelaria e cafetaria, um novo salão de chá ao fundo do estabelecimento, um restaurante na cave (que só abriria nos anos 70) e um salão de festas e banquetes no primeiro andar.

Para além da coluna escultórica que Jorge Ferreira Chaves desenhou, introduziu elementos decorativos concebidos por João Câmara e Mirya Toivolla que executaram o mural do restaurante localizado na cave, e o vitral policromo na entrada das instalações sanitárias de autoria de Mário Costa. Querubim Lapa (1925-2016) criaria para este espaço dois grandes painéis cerâmicos em azulejos policromos: um que se situa na entrada do estabelecimento, em tons de azul e amarelo/dourado e outro, no salão de chá, intitulado "Sol Mexicano", obra impressionista que evoca os cactos dos desertos e o sol daquele país. Outros elementos decorativos a referir, como o passarinhário com periquitos e o mobiliário (mesas, cadeiras e móveis de apoio) desenhados por José Espinho e fabricado pela empresa "Móveis Olaio".

 

 

A “Mexicana” foi local de encontro de vários artistas ligados ao Surrealismo e ao Neorealismo bem como de arquitectos da geração que fixou o Movimento Moderno em Portugal, entre os quais o próprio Jorge Ferreira Chaves cujo atelier se situava nas imediações. Pelo requinte e qualidade da sua arquitectura, e após a obra de 1961/1962, foi o primeiro estabelecimento deste tipo a obter o estatuto de "Utilidade Turística", atribuído pelo “SNI - Secretariado Nacional de Informação”. Este estatuto reduzia significativamente as obrigações fiscais da empresa, porém viria a ser retirado, ao fim de poucos anos, por a gestão do estabelecimento não corresponder ao nível exigido.

24 de Dezembro de 1971

Em 1994 seria apresentada por Manuel Ferreira Chaves, filho do arquitecto Jorge Chaves, e pelo arquitecto Michel Toussaint a candidatura a “Monumento de Interesse Público”. Depois de dez anos em apreciação na Secretaria de Estado da Cultura, o despacho foi assinado a 25 de Março de 2014. A classificação atribuída, salvaguardou o património da pastelaria, o passarinhário, o mobiliário (cadeiras e mesas) e o bengaleiro do restaurante, no piso de baixo.

Atualmente local de reunião da tertúlia tauromáquica "A Mexicana". Nesta foto de 2013 reunião no piso do restaurante

Em 2015, a pastelaria "Mexicana" propriedade dos herdeiros dos fundadores, é adquirida por Rogério Pereira, proprietário da "Carcassone", pastelaria e cafetaria na Avenida da Igreja, no bairro de Alvalade, em Lisboa. Depois de encerrada, a “Mexicana”, é alvo dum processo de recuperação, seguindo o projecto  de 1962. A fábrica de pastelaria que ainda se mantinha intacta desde 1946, é remodelada e actualizada, na cave é criada uma "Taberna" permitindo aos clientes comer "fora de horas" e no piso térreo apenas se procede a pequenas alterações de fundo, mais visíveis a nível da sala de entrada. A sua reabertura teve lugar em 5 de Dezembro de 2015.

Fernando Medina (Presidente da CML), Rui Nabeiro (“Delta Cafés”) e Rogério Pereira. Na foto da direita Querubim Lapa ao centro com sua mulher Suzana Barros e Rogério Pereira

 

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

23 de setembro de 2016

Antigamente (135)

Bomba de gasolina da “Sonap”, em 1956, na “Sorel” em Lisboa

III Rallye de Aveiro, em 1954

Paragens da “CARRIS” na praça dos Restauradores

Posto fronteiriço da Guarda Fiscal em Vilar Formoso

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo ACP