25 de maio de 2016

Teatro Sá de Miranda

O “Theatro Sá de Miranda”, projectado pelo arquitecto José Geraldo da Silva Sardinha, em Março de 1875, foi inaugurado em Vianna do Castelo, a 29 de Abril de 1885. A sua construção deveu-se ao esforço de um grupo de personalidades desta cidade, liderado pelo conselheiro Antonio Alberto da Rocha Paris,  e que constituiriam para esse fim, a “Companhia Fomentadora Vianense”, em Março de 1875, depois de aprovados os estatutos pelos accionistas no ano anterior.

É um Teatro à italiana com a plateia em forma de ferradura e três ordens de camarotes, com capacidade de 400 lugares. O Pano de Boca foi desenhado por Luigi Manini e pintado por Hercole Labertini, cenógrafos do “Teatro Nacional de S. Carlos”, em Lisboa, e o tecto, uma imagem do céu em trompe l´oeil, com retratos de dramaturgos, foi pintado por João Baptista do Rio.

Gravura, aquando da sua inauguração, na revista “Occidente”

No “Diccionario do Theatro Portuguez” de Sousa Bastos, acerca deste teatro pode-se ler:

«O projecto d'este theatro foi elaborado pelo architecto Sardinha, lançando se a primeira pedra em dezembro de 1875. A iniciativa foi devida principalmente ao conselheiro António Alberto da Rocha Paris, José Affonso de Espergueira, Sebastião da Silva Neves, José Alves de Sousa Ferreira, Major José Maria Pareira Vianna e Dr. José Alfredo da Camara Leme. A sala d'espectaculo é em semi-circulo.Tem 20 frizas, 21 camarotes de 1.ª ordem e 16 de 2.ª todos amplos e luxuosos, dando para espaçosos corredores e para um vasto salão. A plateia tem 82 cadeiras e 132 logares de geral. Estes logares estão muito á vontade e podem elevar-se a perto de 300. A decoração é muito bonita e graciosa. O tecto foi muito bem pintado por João B. do Rio.   

O palco é muito espaçoso. O primeiro scenario da caza foi pintado pelo fallecido Lambertini. Por baixo do palco ha 17 magníficos camarins e diversas arrecadações. Bom machinismo, excellente serviço de ventillação, conveniente illuminação a gaz, nada falta ao elegante theatro, um dos melhores das províncias. Teem ali representado quasi todos os nossos primeiros artistas, todas as companhias do Porto e as principaes de Lisboa. É um theatro verdadeiramente commodo e luxuoso e com bello rendimento.»

Por sua vez a revista “Occidente” concluía a notícia da inauguração do “Theatro Sá de Miranda” do seguinte modo:

«Podem pois ufanar-se esses obreiros do progresso de Vianna, a quem hoje toda a cidade civilisada agradece, nomeadamente aos dois sympathicos cavalheiros, o major de infanteria José maria Pereira Vianna e o dr. José Afredo da Camara Leme, o primeiro dos quaes foi substituir na direcção do referido theatro o chorado benemerito da nossa terra, dr. José Affonso de Espregueira, e o quaes, por uma louvavel força de vontade e dedicação, conseguiram que o theatro se inaugurasse no dia 29 de abril, ante uma assistencia numerosa de espectadores enthusiasmados até ao delírio.»

A Câmara Municipal de Viana do Castelo viria a adquirir o “Teatro Sá de Miranda” em 1985, numa altura em que a sua degradação se acentuava. Desde então tem promovido obras de beneficiação, primeiro, em 1993, dando segurança e comodidade ao público e, numa segunda fase, dotando a caixa de palco dos mais modernos equipamentos cénicos, que permitem pôr em cena os mais exigentes espectáculos.

 

 

             

Presentemente a sua lotação está assim distribuída:

Plateia com 190 lugares
14 Frisas com total de 56 lugares
15 Camarotes de 1ª Ordem com um total de 60 lugares
16 Camarotes de 2ª ordem com um total de 64 lugares
Camarote Presidencial com 6 lugares

       

Fotos in: Hemeroteca Digital, Delcampe.net, Olhar Viana do Castelo, Centro Dramático de Viana

24 de maio de 2016

Antigamente (132)

Foto na Feira das Caldas da Rainha, em 1909

Atelier do pintor Veloso Salgado

Navio “Alferrarede” da “SG - Sociedade Geral “, em foto de 1930

Feira de Beneficência da Estrela, em Lisboa no ano de 1960

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

22 de maio de 2016

Casa de Fados “A Cesária”

O restaurante e casa de fados Casa “A Cesária” situada na rua Gilberto Rola, em Alcântara, teve origem numa tasca existente no século XIX, onde terá cantado pela última vez, em 1877, a célebre fadista Maria Cesaria.

Casa “A Cesária”

 

Acerca da fadista Cesaria, gravura e excerto do livro “Historia do Fado” de Pinto de Carvalho (Tinop), em 1903

Capa e contra-capa da partitura do “Fado da Cesaria”

 

Já no século XX , como possuía dois andares, no rés-do-chão funcionava uma casa típica, que se denominava Casa “A Cesária”, onde se comiam petiscos e se ouvia cantar o fado, funcionando no primeiro andar uma casa de prostituição por onde se entrava por uma porta independente.

Painéis em azulejo da frontaria do edifício da Casa “A Cesária”

  

Com a proibição das casas de prostituição, o seu proprietário Mário Lopes de Oliveira, possuindo alvará de bar consegue licença para ampliar o estabelecimento. O primeiro andar é aberto, ficando com uma varanda com visão para a sala de baixo, que passou a ser o “Pateo das Cantigas”. Era uma casa castiça quer pela construção quer pela sua decoração, dando a sensação de se estar num pátio lisboeta, passando a exibir sessões de Fado diariamente, tendo a lotação esgotada até de madrugada, praticamente sempre.

O fadista Carlos Duarte na Casa “A Cesária”

  

Nos anos sessenta do século XX, passaram pela " A Cesária", quase todos os fadistas da época com principal destaque para Carlos Duarte (filho de Alfredo Marceneiro), que lá ia até à meia-noite, diariamente, cantar o fado, pois no dia seguinte tinha de ir trabalhar, já que não era profissional do fado. A partir de 1967, e após a morte de Carlos Duarte em 1966, Mário de Oliveira contrata Valdemar Duarte, filho de Carlos Duarte, para gerente artístico e fadista desta casa, cargo que viria a abandonar mais tarde.

  

Capa de “LP”

“A Cesária” encerraria definitivamente em 1988. De referir que mesmo ao lado funciona, desde 1963, a casa de fados “O Timpanas” - nome do bolieiro do filme “A Severa” - que em 1970 foi adquirido pelos irmãos Júlio Costa e Carlos Costa do, “Trio Odemira”, que na altura tinham adquirido, também, ao Grupo CUF o restaurante de luxo “Varanda do Chanceler”. Ambos viriam a ser vendidos em 1978, com o último a encerrar definitivamente pouco tempo depois.

Casa de fados “O Timpanas”, com o edifício da antiga Casa “A Cesária” em reconstrução e capa de partitura da canção

Timpanas Timpanas.1

O edifício actualmente, albergando o restaurante “Painel Grill”

fotos in: Arquivo Municipal de LisboaDelcampe.net, Lisboa no Guiness, Museu do Fado

20 de maio de 2016

Cartazes Publicitários (27)

1945 - Produtos “Coração”

1950

1959

“Sagres - C.ª de Seguros Luso-Brazileira” (1917-1976)

18 de maio de 2016

Bombeiros Voluntários do Porto

Em 1870, Alexandre Theodoro Glama encabeçou a criação de um corpo de bombeiros voluntários no Porto, ao qual se juntou Guilherme Gomes Fernandes, Abílio Augusto Monteiro e, mais tarde, em 1872, Hugo E. Kopke e Walter C. Kendall, conforme notícia da constituição do “Corpo de Bombeiros Voluntários” :
«Tendo nós abaixo assignados resolvido empregar todos os esforços para que se organise nesta cidade um corpo de bombeiros á similhança dos da Alemanha, declaramos aos cavalheiros que se dignarem inscrever que, logo que haja numero suficiente de voluntarios, serão convocados para uma reunião, em que se hão-de discutir os estatutos já em elaboração, para depois serem enviados aos poderes publicos, pedindo-lhes a sua aprovação e a competente licença para a definitiva organisação do corpo. Porto, 10 de Dezembro de 1872.»

Primeiro Quartel da “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Porto”, no Pateo do Paraizo

Co-fundador e 1º Comandante Alexandre Glama

  

Foram entretanto colocadas listas para inscrição de voluntários e a 25 de Agosto de 1875 nasceria a “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Porto”. Um dia depois constituía-se oficialmente a colectividade, em sessão realizada no Teatro “Príncipe Real” tendo como primeiro presidente o Visconde de Ribeira Brava, primeiro secretário Guilherme Gomes Fernandes, e como auxiliares da direcção diversos comerciamtes, industriais e capitalistas.

Foi Guilherme Gomes Fernandes (1849-1902), um dos fundadores, que possuidor de grande fortuna custeou a que seria a primeira organização portuguesa de bombeiros voluntários, a “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Porto”.

Comandante Guilherme Gomes Fernandes (1849-1902)

Recordo que foi sob o comando de Guilherme Fernandes  que o "Corpo de Salvação Pública" (antecessor do actual "Batalhão de Sapadores Bombeiros do Porto") que em 18 de Agosto de 1900, os bombeiros portugueses obtiveram o 1º lugar no "Concurso Internacional de Bombeiros" que decorreu em Paris. Mais uma vez este Comandante viria a custear a deslocação portuguesa, ante a recusa da Câmara Municipal do Porto em fazê-lo. Sobre a história deste evento consultar neste blog o seguinte link: “Bombeiros Portugueses na Exposição Universal de Paris de 1900”. A partir de 18 de Agosto de 1923 este passaria a ser o “Dia do Bombeiro”. A partir de 1987 e de 2009, respectivamente, passou a denominar-se “Dia Nacional do Bombeiro” e “Dia do Bombeiro Português”.

Foto de grupo no quartel da “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Porto”

O corpo de bombeiros foi inicialmente instalado no Pátio do Paraíso, na Rua do Bonjardim, (nas imediações do actual quartel). O palacete compreendia o espaço imobiliário ocupado actualmente desde o Teatro Rivoli”, “Caixa Geral de Depósitose o “Café Garça Real” até à “Associação de Jornalistas”. Em 8 (ou 26) de Novembro de 1875, após organização do serviço de socorro, os BVP teriam a sua primeira saída para um Incêndio na Rua do Triunfo.

Gabinete do Comandante

 

                                        Camarata                                                                                Dormitório

 

                                      Salão de jogos                                                                       Salão Nobre

 

Passado ano e meio da sua fundação, em 9 de Abril de 1877, a Assembleia Geral reúne extraordinariamente para dar conhecimento de que, por alvará de 6 de Janeiro de 1877, El-Rei D. Luís I agraciara a Associação com o titulo de “Real”, passando a designar-se desde então como “Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Porto” , em reconhecimento dos grandes serviços prestados. Em 1900, comemorando o seu 25º aniversário, o corpo de bombeiros recebe de D. Carlos I, então Comandante Honorário, uma magnífica aguarela enaltecendo os feitos heróicos a instituição. Sua majestade a rainha D.ª Amélia, madrinha da mesma Associação, oferece aos Voluntários a sua primeira bandeira, por ela desenhada e bordada a fios de ouro e que ainda hoje se encontra no quartel dos “Bombeiros Voluntários do Porto”.

Exercícios no Pateo do Paraizo, em fotos de 1880

Auto-Maca «Sizaire-Brunswick» de 30 hp

Em 1925, o velho Pátio do Paraíso deixou de albergar os BVP, tendo sido vendido pela proprietária, Condessa de Fijó, à Câmara Municipal do Porto. Desde essa data até 1947, os “Bombeiros Voluntários do Porto” ficariam instalados num velho e inestético edifício apelidado de “barracão”. As antigas instalações deram lugar à construção da actual Rua Rodrigues Sampaio, onde se encontra o presente quartel.

 

Foram os “Bombeiros Voluntários do Porto” inovadores em muitas ocasiões. A eles se devem a substituição das viaturas de tracção humana por “Hipomóveis”. Seria deles o primeiro veículo escada “Magirus”, a primeira auto-bomba, a primeira moto-bomba e o primeiro auto pronto-socorro (um “Daimler” de tipo Sport). Em 1879, quatro anos após a sua fundação, a “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Porto” apresentou o primeiro carro de socorro puxado a cavalos existente em Portugal e uma ambulância. Em 1919, a primeira viatura automóvel (auto maca) para serviço de bombeiros existente na cidade do Porto pertencia aos “Bombeiros Voluntários do Porto”.

 

 

A primeira referência a uma secção de “Socorro a Náufragos” dos BVP data de 1888, localizada na Foz. De referir que já em 07 de Março de 1894, “Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Porto” já  tinha sido convidada a aceitar a orientação e organização de uma secção pelo “Instituto de Socorros a Náufragos”, no entanto, só em 1981 inaugurariam actual “Secção de Socorro a Náufragos”, no Lordelo do Ouro.

                                             1961                                                                                        1964

 1964 Ofício

 

Actualmente o corpo de bombeiros dos "Bombeiros Voluntários do Porto", com as suas instalações na Rua Rodrigues Sampaio, conta com 68 bombeiros, 13 veículos, 1 embarcação e respectivos mergulhadores.

Actuais instalações e viaturas

 

 

 

fotos in: Delcampe.net, Arquivo Municipal do Porto, Bombeiros Voluntários do Porto