13 de março de 2015

Nota aos leitores

Caros leitores e amigos,

Por me encontrar ausente no estrangeiro, por um período de 1 mês, a publicação neste blog "Restos de Colecção" ficará suspensa.

No entanto continuarei a responder, diariamente aos e-mails e comentários, como habitualmente.

Os meus cumprimentos
José Leite

11 de março de 2015

Jerónimo Martins & Filho

O actual Grupo “Jerónimo Martins”, teve origem na “tenda” (loja) fundada por um galego, de seu nome Jeronymo Martins, na Rua Ivens, ao Chiado, em 1792. Vendia um pouco de tudo, enchidos, sacas de trigo e de milho, molhos de velas de sebo, boticões de vinho, vassouras, etc.

Jeronymo Martins

Jerónimo Martins

Em 1797 passou-se para a Rua Garrett, no edifício em que se manteria até ao grande incêndio, em 25 de Agosto de 1988 que destruiria alguns edifícios da Rua Garrett, e boa parte dos edifícios da Rua do Carmo e Rua Nova do Almada.

Depois da partida da família real para o Brasil, os liberais assumem o poder e, durante todo este período, a Lisboa mais requintada continua a abastecer-se, muitas vezes a crédito, no “Jeronimo Martins”. A realeza também não dispensa os seus produtos e D. Fernando, o viúvo de D. Maria II e regente do Reino na menoridade de Pedro V, concede a Jerónimo Martins o alvará de fornecedor da Casa Real, porque «há por bem e lhe apraz». Jeronymo Martins não sobreviverá para receber esta honraria, que seria concedida a seu filho Domingos.

1899

1902

                        1902                                                   1907

 Jerónimo Martins & Filho 1907 

1909

    

A loja do Chiado disponibilizava já uma grande variedade de produtos, e num anúncio do “Jornal do Comércio” convida-se à compra de «verdadeiros queijos de Gruyère, londrino e parmesão, barrilinhos de superiores azeitonas de Marselha, salames de Lyão e d'Itália, latas com sardinhas de Nantes, anchovas de Marselha, passas de Málaga, vinho de Champagne, genebra da Holanda, cognac de França... e tudo o mais que se possa imaginar».

1910

Esta casa ficou sempre na família Martins até à morte de João António Martins em 1881, que não deixando descendentes, entregou a casa aos funcionários mais antigos, que mantiveram a sua designação.

A solução para a loja da Rua Garrett, no Chiado, viria do Norte do país, através de Francisco Manuel dos Santos, avô de Alexandre Soares dos Santos e de Elysio Pereira do Vale. Os dois sócios proprietários dos “Grandes Armazéns Reunidos”, uma sociedade anónima de responsabilidade limitada, criada no Porto, em 1920, tinham partido do nada e erguido a pulso as suas carreiras e tomam as rédeas da "mercearia fina". Nasce a empresa com o nome "Estabelecimentos Jerónimo Martins & Filho".

Francisco Manuel dos Santos e Elysio Pereira do Vale

Foi desta aquisição que nasceu a ligação da “Jerónimo Martins” aos “Grandes Armazéns Reunidos” e constituiu também um factor de crescimento do Grupo. Foi decidida uma reestruturação e o alargamento da rede de lojas retalhistas, eliminando a transacção e armazenagem de produtos não-alimentares, numa estratégia que propiciou uma recuperação lenta mas constante.

Loja “Jerónimo Martins & Filho,Lda.”, na Rua Garrett, nos anos 20 do século XX

Interior da loja

 

                           

Ficam à frente desta empresa Francisco Manuel dos Santos, avô de Alexandre Soares dos Santos (actual presidente do conselho de administração do “Grupo Jerónimo Martins”), e Elysio Pereira do Vale. Em 1930 a “Jerónimo Martins & Filho, Lda.” é a primeira casa a pagar subsídio de Natal aos trabalhadores e a criar uma cantina nas suas instalações do Chiado.

“Tienda” nas Festas da Cidade em Junho de 1935

Os anos da II Guerra Mundial são de grande carência de todo o tipo de produtos, entre os quais a margarina que passara entretanto à categoria de produto imprescindível. Francisco Manuel dos Santos deixa a liderança do negócio ao seu genro, Elísio Alexandre dos Santos. Este, faz uma viragem estratégica da empresa apostando na área industrial, com a abertura da fábrica de margarinas e óleos alimentares “FIMA - Fábrica Imperial de Margarina, Lda.” em 1944, que foi consolidada através da parceria com a Unilever em 1949 e que dura até aos dias de hoje.

1943

O “Grupo Jerónimo Martins” entra definitivamente na actividade industrial, através da joint-venture com a multinacional “Unilever”, cujos produtos comercializava desde 1926. A “FIMA”, apesar de ter sido constituída vários anos antes, só pôde começar a laborar quase no final da II Guerra Mundial na Europa. A essência do sucesso da duradoura parceria com a “Unilever” explica-se pelo excelente relacionamento, alicerçado no espírito de abertura, confiança e respeito mútuo e orientado por uma visão de longo prazo.

Sede e escritórios na Rua Ivens, em 1952

 

 

 

 

Em 1952, a empresa "Jerónimo Martins & Filho, Lda.", exportava a sua vasta gama de produtos - víveres, coloniais, papelaria, perfumaria, produtos químicos, e especialidades farmacêuticas - para o estrangeiro, ilhas e colónias portuguesas, mantendo escritório em New York, agentes gerais em Angola e Moçambique e representantes na Madeira, Açores, Cabo Verde, Guiné, S.Tomé e Macau.

Armazéns na Rua do Assúcar, em Lisboa

 

 

 

 

 

Em 1953 a “Olá” gelados, é adquirida por esta joint-venture a partir de uma pequena empresa de gelados, a “Esquimó”, que já detinham, assim como a “Iglo”  de produtos congelados em 1970.

O antigo Presidente do Conselho de Administração da “Jerónimo Martins & Filho, Lda.”, Alexandre Soares dos Santos, toma as rédeas do negócio da família, após a morte de seu pai, em 1968. Elísio Alexandre dos Santos (pai) visita o filho no Brasil - que era na altura director de marketing da “Unilever-Brasil” - e morre durante essa viagem.

Tal como pretendia a família, e após concedida a exigência de lhe serem reconhecidos plenos poderes de administração, Alexandre Soares dos Santos ingressa finalmente no negócio familiar.

Alexandre Soares dos Santos

Foi o homem que primeiro percebeu que o futuro de “Jerónimo Martins” passaria pela construção de uma forte presença na distribuição moderna, numa altura em que o peso da área industrial do Grupo nos resultados era total. A visão e a ousadia da sua liderança, que perdura há 47 anos, e a capacidade de inspirar e conduzir milhares de colaboradores ao longo de décadas, fizeram da “Jerónimo Martins” o que o Grupo é hoje. Exemplo disso são o caso da cadeia de supermercados “Pingo Doce” e da cash & carry “Recheio”, a presença do Grupo na Polónia, desde 1997,  através da “Jerónimo Martins Polska”, com a cadeia de lojas de conveniência “Biedronka”, e últimamente na Colômbia com a cadeia de lojas de bairro  “Ara”.

A 13 de Dezembro de 2013, Alexandre Soares dos Santos é substituído na presidência do Conselho de Administração da “Jerónimo Martins”, pelo seu filho Pedro Soares do Santos.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

10 de março de 2015

Estabelecimentos Comerciais de Lisboa (38)

Sucursal do jornal “O Século”, na Rua Saraiva de Carvalho em 1913

“Rouparia Central”, na Rua Aurea

“José D’Elvas Portugal”, na Rua Augusta

Loja de Malas

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

8 de março de 2015

Standard Eléctrica

A “Standard Eléctrica, SARL” foi fundada pela multinacional “ITT Corporation”, em 1932, com sede na Rua Augusta, em Lisboa, e com instalações fabris inicialmente em Cabo Ruivo, passando para a nova fábrica projectada pelo arquitecto Cottinelli Telmo, na Avenida da Índia, a partir de 1948.

 

Na sequência da realização da "Exposição do Mundo Português de 1940" em Belém, a Avenida da Índia era uma das artérias da capital recentemente nobilitadas, integrada no plano para a faixa ribeirinha compreendida entre Alcântara e o porto de pesca de Pedrouços que foi elaborado pela "Comissão Administrativa do Plano de Obras da Praça do Império e Zona Marginal de Belém" dirigida pelo arquitecto Cottinelli Telmo e pelo engenheiro Sá e Melo

Na sequência em 1944 o arquitecto José Ângelo Cottinelli Telmo (1897-1948), dá início ao projecto do edifício de acordo com um "esquema de planta" elaborado pela delegação da “Standard Eléctrica” em Madrid e destinado à construção de uma instalação industrial na zona ribeirinha ocidental de Lisboa. Em 1948 são concluídas as obras iniciadas três anos antes.

1947

Projecto inicial do arquitecto Cottinelli Telmo

 

Nesta nova fábrica da “Standard Eléctrica”, lança-se na produção industrial de equipamento de telecomunicações para os “CTT” e “TLP” e de equipamentos de rádio para as Forças Armadas e, mais tarde, na produção de televisores.

1948

Em Junho de 1968, inaugura uma fábrica em Cascais, onde, actualmente, se encontra sedeada, e amplia a sua gama de fabrico aos semicondutores destinados ao mercado de exportação.

 

 

 

 

A “ITT Corporation” no ano de 1973, já detinha em Portugal as seguintes empresas: “Standard Eléctrica SARL”, “ITT Semicondutores”, “Rabor- Construções Eléctricas SARL”, “Hotéis Sheraton de Portugal SARL”, “Oliva Comercial SARL”, “Oliva Industrias Metalúrgicas SARL”, e “Imprimarte - Publicações e Artes Gráficas SARL” que editava as listas telefónicas “Páginas Amarelas”.

A “Standard Eléctrica, S.A.” viria a ser incorporada, na “Alcatel Portugal, S.A.”, subsidiária da francesa “Alcatel”, - hoje “Alcatel Lucent” resultado da fusão entre as empresas “Alcatel” e “Lucent Technologies” - e que viria a ocupar as instalações da antiga “Standard Eléctrica”, em Cascais.

Stands da “Standard Eléctrica” na “FIL - Feira das Indústrias de Lisboa

Na segunda metade da década de 70 do século XX o edifício da “Standard Eléctrica” na Avenida da Índia é desafectado do seu uso inicial e, na sequência do processo de descolonização que se seguiu à revolução de Abril de 1974, o edifício foi utilizado como depósito de mercadorias, provenientes das ex-colónias de Portugal em África. Seguiu-se um período de abandono, de vandalização e progressiva degradação da construção. Em 1977 a Câmara Municipal de Lisboa aprova um projecto que prevê a demolição das antigas instalações da “Standard Eléctrica” e a construção de edifícios em torre no seu lugar, o que gerou uma grande polémica, pelo que não teve sequência.

Em 1980, o edifício acolhe provisoriamente uma extensão da “Escola Secundária Rainha D. Amélia” (cuja sede ocupa então o palacete Ribeira Grande na Rua da Junqueira) e posteriormente, passa a ser utilizado como escola da “Orquestra Metropolitana de Lisboa” e do “Hot Clube de Portugal”, tendo sido também pontualmente usado como local de exposições de iniciativa municipal, nomeadamente o “Salão Lisboa de Ilustração e Banda Desenhada”. Em 1991 instala-se no piso térreo a “Escola de Comércio de Lisboa”, e no ano 2000 os arquitectos Gonçalo Byrne, Manuel Mateus e Francisco Mateus projectam um edifício destinado à nova sede da “Orquestra Metropolitana de Lisboa” (“Casa da Música de Lisboa”) a ser construído no lote da antiga “Standard Eléctrica”, no terreno livre existente à retaguarda, projecto que também não teve sequência.

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian