24 de maio de 2015

Hotel Metrópole

O “Hotel Metropole”, localizado na Praça D.Pedro IV (Rossio), em Lisboa, foi fundado pelo empresário hoteleiro Alexandre d’Almeida, através da firma recém constituída “Hotéis Alexandre d’Almeida”, que tinha acabado de adquirir, por trespasse o “Francfort Hotel”, com 140 quartostambém ele localizado na mesma Praça, praticamente em frente.

Na foto anterior, por altura da sua inauguração, no piso térreo (e da esquerda para a direita): “Leitaria Luzo Central”, loja de roupas e a farmácia “Azevedo Filhos” .

Foi neste Hotel que depois de muitas vezes nele hospedado, sempre que se deslocava a Lisboa, o médico Professor Dr. Bissaya Barreto faleceu a 16 de Setembro de 1974.

Anúncio em 1917

O primitivo edifício (1º à esquerda na foto) onde viria a ser construído o “Hotel Metropole”

Entradas do “Hotel Metropole” e do “Rocio Hotel” , em 1930

Este Hotel, então de 3ª classe, e com 36 quartos, mobilados com peças originais Art Nouveau, Art Déco e Queen Anne e com gravuras de Almada Negreiros, foi o 2º desta empresa, que viria a ser nos anos seguintes, arrendatária do “Palace Hotel do Bussaco” (1917), proprietária do “Hotel Europa”(1921), em Lisboa, proprietária do Palace Hotel” da Curia (1921) e proprietária do “Hotel Astória  (1926) em Coimbra.

 

 

Ementa de 1960


gentilmente cedido por Carlos Caria

Neste momento o “Hotel Metrópole”, de 3 estrelas, encontra-se a aguardar aprovação por parte da Câmara Municipal de Lisboa para o seu projecto de expansão para um edificio contiguo, acção que duplicará a sua capacidade, passando o número de quartos dos actuais 36 para 67. A expansão permitirá a sua reclassificação para 4 estrelas. Esta unidade hoteleira continua a proporcionar uma experiência ao estilo dos anos 20 do século XX, estando completamente decorada com peças originais da época.

 

 

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hotel Metropole

22 de maio de 2015

Papelaria Fernandes

A “Papelaria Fernandes” foi fundada em 1891, quando Joaquim Lourenço e o seu sobrinho Artur Lourenço fazem uma sociedade tomando de trespasse uma loja na então Rua do Rato, hoje Largo do Rato, em Lisboa.

O nome “Fernandes” foi herdado do anterior proprietário da loja, pelo facto dos clientes assim tratarem Artur Lourenço, o que levou levou os dois sócios a adoptar oficialmente a designação de "Fernandes & Companhia, Lda", em 1919.

“Papelaria Fernandes”, no Largo do Rato

A designação manteve-se até 1957, data em que a empresa foi transformada em sociedade anónima e se passou a chamar "Papelaria Fernandes, SARL", designação até 1986.

A actividade industrial do grupo data de 1917, com o arranque da tipografia e do fabrico de sobrescritos e, mais tarde, com encardernação, litografia, gravura e cartonagem. Já a expansão da rede de lojas acontece a partir de 1931, com a abertura de um primeiro espaço na rua do Ouro.

“Papelaria Fernandes”, na Rua do Ouro, a partir de 1931, mesmo ao lado da Papelaria Progresso

Para consultar a história acerca da “Papelaria Progresso”, fundada por António Vieira” na Rua Áurea em 1908, consultar neste blog o seguinte link: Papelaria Progresso

                                               1931                                                                                 1947

          

Factura de 1955

O funcionário mais antigo da “Papelaria Fernandes”, José Pinto - funcionário há mais de 45 anos - recorda: «o cliente não mexia nos produtos. Ia ao balcão e pedia o que queria, nem que fosse apenas uma borracha. Até havia uma área dedicada apenas aos militares. Relembra como as filas na loja Largo do Rato, onde trabalhou a maior parte do tempo, estendiam-se a perder de vista à hora de almoço, à espera da abertura das portas às 15 horas»

Montras da loja no Largo do Rato

 

                           Loja da Rua do Ouro em 1968                                                                 1965

 

Os anos 70 do século XX, marcaram também a chegada das primeiras máquinas, começando a substituir o trabalho até então 100% manual. Mais tarde houve mesmo uma formação em computadores.

Em 1986, a empresa volta a mudar de designação, desta feita para "Papelaria Fernandes - Indústria e Comércio, SA", e a admissão à cotação na “Bolsa de Valores de Lisboa” dá-se um ano mais tarde. Em 1988, dá-se a entrada da “Inapa” no capital, accionista que passa a controlar a gestão da empresa. Assegura a sua reorganização orgânica, criando várias empresas, entre as quais a “Transfer” (transportes), a “Papelaria Fernandes - Lojas” e a “Fernandes Técnica - Desenho e Reprodução”.

A partir de 2000, a Inapa aliena a sua participação e é substituída pela “Fundação Ernesto Lourenço Estrada” e por Joe Berardo.

Loja do Largo do Rato

 

Loja da Rua do Ouro

 

Loja do Chiado, na Rua da Vitória

 

De referir que a empresa do universo “Papelaria Fernandes - Indústria e Comércio, S.A.” a “Fernandes Técnica - Desenho e Reprodução, S.A. “ manteve uma loja de cariz mais técnico na Rua Silva Carvalho, em Lisboa.

Nove anos mais tarde, a “Papelaria Fernandes” declarou insolvência em Abril de 2009. Em 25 de Agosto de 2010 encerra 12 das 14 lojas, tendo encerrado todas as lojas que detinha em Centros Comerciais. Restaram a loja no Largo do Rato e da Rua do Ouro. Em Outubro do mesmo ano arrancou um novo projeto, pelas mãos de um ex-acionista da Papelaria Fernandes, que não quis deixar morrer este negócio.

Em 13 de Dezembro de 2013, foi inaugurada a loja “Papelaria Fernandes/Moda”, nas antigas instalações da “Papelaria da Moda”, na Rua do Ouro, que se veio juntar às outras três já existentes.

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Papelaria Fernandes

21 de maio de 2015

Porto de Lisboa (23)

Rebocador a vapor “Setúbal” da “APL - Administtração do Porto de Lisboa”

Vapor “Mirandelle” da empresa “H. Hersen”, em 1905

Gare Marítima de Alcântara

Rebocador “Praia Grande” da “SG - Sociedade Geral

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

20 de maio de 2015

Sinagoga de Lisboa

As comunidades judaicas de Lisboa reuniam-se, desde pelo menos o século XIII nas duas sinagogas da “Judiaria Grande” (situada à beira do esteiro da Baixa e Ribeira do Tejo, entre as freguesias da Madalena, e S. Nicolau) e outras já existentes no século XIV na “Judiaria Nova”, ou das Taracenas, e na “Judiaria Pequena” em Alfama. Em 1497 foram extintas as sinagogas e desmanteladas outras estruturas sociais pertencentes aos judeus lisboetas cujo património foi entregue a instituições eclesiásticas e de assistência. Desde então até aos inícios do século XIX não existiu em Portugal culto oficial judaico.

“Judiaria Grande” no centro da gravura com a sua área a ponteado grosso, entre a Rua da Prata e Rua da Madalena

Abolida a Inquisição em 1821, só em meados desse século voltaram timidamente a funcionar em Lisboa algumas sinagogas, em simples apartamentos de habitação, a última das quais no Beco das Linheiras. Deste local foram trasladados solenemente para a “Sinagoga Nova”, em 1904, os rolos da "Thorá", o Livro das Sagradas Escrituras.

Em 1897, é criada em Lisboa uma comissão para a edificação de uma sinagoga, coincidindo este acto com a eleição do 1.º Comité da Comunidade Israelita de Lisboa, cujo Presidente Honorário era Abraham Bensaúde e o Presidente Efectivo, Simão Anahory.

O projecto da “Sinagoga de Lisboa” foi da autoria de um dos mais notáveis arquitectos da época, Miguel Ventura Terra

Depois do terreno para edificar a “Sinagoga de Lisboa” "Shaaré Tikvá" (Portas da Esperança) ter sido comprado em nome de pessoas particulares, o edifício teve de ser construído dentro de um quintal murado, dado que não era permitida a construção de qualquer templo não católico com fachada para a via pública. Situado na Rua Alexandre Herculano, nos antigos terrenos de Valle de Pedreiro, junto ao Rato, foi lançada a primeira pedra em 1902. A Sinagoga “Shaaré-Tikvá” (Portas da Esperança) foi inaugurada em 18 de Maio de 1904.

                                     Primeira pedra em 1902                                 Cerimónia do lançamento da primeira pedra

   

Colónia Israelita em Lisboa em 1904

Sinagoga em 1904 nas traseiras da Casa Ventura Terra “Prémio Valmor de Arquitectura” 1903

Notícia da inauguração no jornal “Diario Illustrado”

Inauguração.1

A “Sinagoga de Lisboa” nos anos 50 do século XX

A nova Sinagoga, para substituir a antiga no Beco dos Apóstolos, foi mandada construir por uma comissão nomeada pela colónia israelita de Lisboa, representada por Leão Amzalak, e feita por subscrição aberta entre a mesma colónia. Foi projectada para comportar 400 homens no pavimento principal e 200 senhoras nas galerias do pavimento superior.

Além do templo, propriamente dito, contem sala para casamentos, de espera, para reuniões, vestiários, habitação completa do rabi e outras dependências.

A “Sinagoga de Lisboa” nos anos 50 do século XX

Existem diferentes tipos de sinagogas, mas todas estão subordinadas a algumas regras:

- Nenhuma sinagoga pode ultrapassar o Templo em grandeza e beleza.
- Nas sinagogas de rito ortodoxo existe uma separação (‘mehitsa’) entre homens e mulheres que pode tomar a forma de um balcão próprio ou de um pequeno muro.
- As sinagogas têm de estar viradas para leste, ou seja, para Jerusalém, nomeadamente a Arca Sagrada que contém os rolos da Tora.
- É totalmente proibido qualquer tipo de imagens humanas. A decoração é feita através dos símbolos da vida judaica: a Estrela de David, o candelabro («menorah»), o próprio “chofar” (chifre de carneiro utilizado em Rosh-Hashaná e Kipur, cujo toque invoca a misericórdia de Deus, lembrando o sacrifício de Isaac).

o “Epal” (Arca de Lei)

A arca, representa a ligação entre Deus e o Povo Judeu. Nas portas da arca estão inscritos os 10 mandamentos. Nesta arca são guardados os pergaminhos sagrados, os rolos da "Thorá", o Livro das Sagradas Escrituras, que são retirados e lidos pelo rabi durante as orações.

Lanche na colónia israelita, nos jardins da Sinagoga com Simy Benoliel e Esther Benoliel na foto

Casamento hebraico na Sinagoga de Lisboa em 1915

“Sinagoga de Lisboa”, actualmente

            Entrada discreta na Rua Alexandre Herculano                                                 Exterior da Sinagoga

 

Interior da Sinagoga de Lisboa

 

Em 2006 evocaram-se os 500 anos do massacre de judeus em Lisboa. Reza a história que entre os dias 19 e 21 de Abril de 1506, quatro mil judeus foram perseguidos, mutilados e queimados vivos na capital, o chamado “pogrom’”de Lisboa.

Damião de Góis, Garcia de Resende e Alexandre Herculano foram algumas das vozes que relataram esse massacre de quatro mil judeus, em 1506. Na “Igreja de São Domingos”, na Baixa lisboeta, alguém gritou ter visto o rosto de Cristo iluminar-se no altar. A fé cegou os populares, que rejeitaram a explicação, dada por um judeu convertido, de que era um reflexo do sol. O ‘blasfemo’ foi arrastado, com o irmão, até ao Rossio, onde ambos foram espancados até à morte. Seguiram-se três dias de perseguições, violações e morte. As vítimas foram homens, mulheres e crianças, todos judeus. Frades dominicanos terão incitado a populaça que repetiu à exaustão: «Morte aos Judeus, morte aos hereges!»

A “Igreja de São Domingos” numa gravura do Rossio antes do terramoto de 1755. Agua-tinta, desenho à pena a nanquim de Zuzarte, século XVIII, fragmento

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Sinagoga de Lisboa