1917
1918
1922
1930
O “Laboratório Farmacológico de J. J. Fernandes, Lda.” sediado na Rua Filipe da Mata , no Bairro do Rego em Lisboa, terá sido criado por volta de 1918 pelo farmacêutico José Joaquim da Costa Fernandes, associado a João António Correia dos Santos, oficial do exército e professor de Química no Colégio Militar.
“Laboratório Farmacológico de J. J. Fernandes, Lda.” na Rua Filipe da Mata
O laboratório apresentou uma importante dinâmica científica desde os primeiros tempos, com a edição do “Boletim Farmacológico” e o registo de várias patentes de invenção. Este laboratório terá sido o primeiro a introduzir em Portugal o fabrico de drageias utilizando cobertura de glúten e queratina e terá dado um novo impulso ao fabrico de comprimidos.
O “Laboratório Farmacológico de J. J. Fernandes, Lda.” possuía um farmácia para venda ao público, na Rua Alves Correia (entre o Rossio e a Rua de Santa Marta), que anos mais tarde regressando à sua antiga toponímia Rua de São José.
O período do pós-guerra surgiu como um dos mais promissores para a indústria farmacêutica portuguesa, dominando um ambiente de grande optimismo entre os próprios industriais, que esfriou com a diminuição da protecção às especialidades farmacêuticas nacionais pela nova pauta aduaneira de 1923.
1933
Lembro que a indústria farmacêutica começou-se a desenvolver em Portugal na última década do século XIX, com a aprovação em 1892 da pauta aduaneira proteccionista de Oliveira Martins. O primeiro investimento importante na indústria farmacêutica portuguesa foi a “Companhia Portuguesa Higiene”, uma sociedade anónima fundada em 1891, a partir da firma “Estácio & Cª.” do farmacêutico Emílio Faria Estácio (1854-1919).
Stand da “His Master’s Voice” na “Exposição da TSF” em 1930
“Grande Bazar do Porto”, na Rua Augusta em Lisboa em 1929
Gira-Discos portátil “Mediator” Amplificador de Válvulas “Quad”
Estabelecimento Mariano Teixeira, Lda. Disco de 45 R.P.M. da editora americana “United Artists”
Interior de uma Televisão Televisão “Siemens”
Linha de montagem de televisões em Portugal
No dia 3 de Julho de 1780, no reinado de D. Maria I, no contexto dos problemas sociais decorrentes do terramoto de 1755 que devastou a cidade de Lisboa, foi fundada a “Real Casa Pia de Lisboa” por iniciativa de Diogo Inácio de Pina Manique (1733-1805), Intendente Geral da Polícia.
Provisoriamente instalada nos velhos quartéis do Castelo de S. Jorge recebe crianças, órfãs e abandonadas, além de mendigos e prostitutas, em sectores diferenciados. A abertura solene e inauguração de novas instalações para crianças teria lugar em 29 de Outubro de 1780.
Treze anos depois da sua fundação, em 1793, a “Real Casa Pia de Lisboa”, de humilde recolhimento de crianças órfãs e abandonadas, tinha-se transformado numa grande Instituição de Solidariedade Social, uma escola moderna, com mais de um milhar de alunos.
Em resultado das invasões francesas e da ocupação de Lisboa pelos exércitos napoleónicos, o General Junot instala no Castelo de São Jorge as suas tropas. As crianças da Real Casa Pia foram desalojadas e distribuídas por asilos, paróquias e conventos em 1807. Outras ficaram simplesmente na rua.
Em 31 de Agosto de 1811 a “Real Casa Pia de Lisboa” instala-se no Convento de Nossa Senhora do Desterro dos religiosos de São Bernardo. Aqui o currículo académico ficou distante daquele que se podia encontrar na primitiva «Universidade plebeia» do Castelo de São Jorge. Limitava-se às primeiras letras, Latim, Desenho e aprendizagem de ofícios (geralmente fora da Instituição). Os mais dotados continuavam a ser encaminhados para Aulas Públicas externas, embora em escasso número. Este Convento seria extinto em 1834 e mais tarde convertido no Hospital do Desterro (encerrado em 2007).
Convento de Nossa Senhora do Desterro
O decreto de 28 de Dezembro de 1833, da Secretaria de Estado dos Negócios Eclesiásticos e da Justiça, viria a ordenar a transferência da “Real Casa Pia de Lisboa” para o Mosteiro dos Jerónimos. A sua instalação nos Jerónimos não esperou pela expropriação do Mosteiro, então habitado por pouco mais que meia dúzia de monges. A Igreja passaria a servir de igreja paroquial da nova freguesia de Belém. Perde-se grande parte do seu valioso recheio.
Nas imagens anteriores as obras de remodelação iniciadas em 1860, com o levantamento e desenho da fachada sul do Mosteiro pelo arquitecto Rafael Silva e Castro, copiado em 1898 pelo arquitecto Domingos Parente da Silva. Entre os anos de 1863 e 1865 reorganizou-se o andar superior do antigo dormitório e desenham-se as janelas. Entre 1867 e 1878 estes cenógrafos vão reformular profundamente o anexo e a fachada da igreja, dando ao monumento o aspecto actual.
Em Abril de 1834, D. Pedro IV visita a “Real Casa Pia de Lisboa”, e o Colégio de Catecúmenos e o Colégio de Surdos - Mudos e Cegos anexam-se à “Real Casa Pia de Lisboa”. A 9 de Maio de 1835 foi promulgada uma ambiciosa reforma que procurava restaurar a Instituição, devolvendo-lhe o prestígio que tivera no tempo de Pina Manique.
Refeitório e Camarata da Real Casa Pia de Lisboa
Data do ano de 1834 a construção na “Real Casa Pia de Lisboa” e nos terrenos contíguos ao Mosteiro dos Jerónimos, do primeiro Ginásio, destinado à prática desportiva que há conhecimento em Portugal, apesar de ter tido diversas utilizações ao longo do tempo, nomeadamente como Sala de Banhos e Salão de Festas. E em 1835 é criado o Conservatório de Música, sob a direcção de João Domingos Bontempo.
Ginásio da Real Casa Pia de Lisboa
A segunda metade do século XIX, na “Real Casa Pia de Lisboa”, ficou assinalada pelas provedorias de José Maria Eugénio de Almeida (1859-1872) e Francisco Simões Margiochi (1889-1897). É neste período que a Instituição alarga as suas instalações para os terrenos anexos ao Mosteiro dos Jerónimos, cuja cerca, bem maior do que o espaço que actualmente pertence à Instituição, incluía toda a encosta do Restelo. A primeira Escola Normal portuguesa, integrada na Casa Pia, começa a funcionar em 1878. Desenvolve-se o ensino artístico, musical, técnico-profissional e agrícola, nos quais a Casa Pia se mostraria pioneira. Esse pioneirismo revelou-se também na ginástica e na prática desportiva, que iriam dar excelentes frutos nas primeiras décadas do século seguinte.
Os alunos educados na Casa Pia nas primeiras décadas do século XX, prosseguiram no caminho da formação integral que sempre foi apanágio casapiano. São estes jovens, - entre os quais Cândido de Oliveira, António Pinho, Ricardo Ornelas, Clemente Guerra, e Mário da Silva Marques, o primeiro nadador olímpico português - viriam a fundar em 14 de Julho de 1920 o “Casa Pia Atlético Club” , a Associação Pós-Escolar da Casa Pia de Lisboa.
Auto de fundação do “Casa Pia Atletico Club”
Equipe de futebol de 1898 Primitivo campo de jogos do “Casa Pia Atletico Club”
Logo no ano da fundação, na época 1920-21, o “Casa Pia Atletico Club” venceu, e sem derrotas, os principais campeonatos; Distrital de Lisboa e Taça Associação, um feito nunca igualado pelos três "grandes" de Lisboa, Benfica, Sporting e Belenenses.
Em 1935, o Estado Novo dá início a uma profunda reforma da Assistência, encarregando o respectivo Director-Geral, Braga Paixão, de a preparar e executar. Esta reforma haveria de mudar radicalmente a Instituição Casapiana.
Autocarro para transporte de casapianos Átrio da Real Casa Pia de Lisboa em 1907
Edifício da Provedoria da “Casa Pia de Lisboa”
São concentrados na Casa Pia de Lisboa todos os estabelecimentos de educação e assistência social dependentes da Direcção-Geral de Assistência: cada uma dessas instituições passaria a ser considerada secção da Casa Pia de Lisboa. Em 1940, o próprio Dr. Braga Paixão assumiu as funções de Provedor.
A reforma Braga Paixão (concluída no final de 1942) integrava os seguintes institutos na “Casa Pia de Lisboa”: Asilo D. Maria Pia, Asilo Nuno Álvares, Instituto de Surdos-Mudos Jacob Rodrigues Pereira, Asilo de Nossa Senhora da Conceição, Asilo de Santa Clara e o Asilo 28 de Maio. A “antiga Casa Pia” passava a ser a “Secção de Pina Manique”.
Nas décadas finais do Estado Novo, a “Casa Pia de Lisboa” reforçou esta tendência autoritária, centralista e nacionalista e a Instituição atravessou um período cinzento, sem chama, com as crianças e jovens sofrendo algumas privações. Do ponto de vista pedagógico, todavia, a qualidade do ensino, particularmente do ensino técnico-profissional, manteve-se, o que permitiu conservar muito do prestígio herdado da “antiga Casa Pia”.
A partir das Provedorias de Baptista Comprido, Damasceno de Campos e Luís Rebelo, no começo dos anos 80 do século XX, procurou-se pôr ordem na Casa Pia, reorganizá-la e modernizá-la em termos de espaços físicos, apetrechá-la para uma educação adaptada aos novos tempos.
Aligeirou-se o Internato, substituindo as enormes e caóticas camaratas de 60 ou 70 alunos, por lares com pouco mais de uma dezena de crianças ou jovens, incluindo alguns lares fora dos colégios; alargou-se a oferta educativa, sobretudo através da criação de novos cursos técnico-profissionais; abriram-se mais e melhores perspectivas de prosseguimento de estudos; reabilitaram-se os espaços dos diferentes colégios e construíram-se outros de raiz; prosseguiu-se e cimentou-se uma política de colaboração entre a “Casa Pia de Lisboa” e as diferentes instituições de ex-alunos.
Catalina Pestana foi a primeira mulher Provedora da “Casa Pia de Lisboa”, entre 2002 e 2006. É então criado o Conselho Técnico-Científico encabeçado pelo Engenheiro Roberto Carneiro, que analisou a situação da Casa Pia e propôs um conjunto de medidas reformistas. Daqui resulta o relatório: “Casa Pia de Lisboa - Um Projecto de Esperança”.
Entretanto, a Resolução do Conselho de Ministros de 6 de Janeiro de 2006, determina a reestruturação da Casa Pia de Lisboa e, por Decreto-Lei nº10/2006 de 13 de Janeiro, é criada a Comissão Instaladora da Casa Pia de Lisboa presidida por Maria Joaquina Madeira, na sequência, foi aprovada a Lei Orgânica e os Estatutos da CPL.
Nota: Texto baseado, em parte, na história disponível no site da Casa Pia de Lisboa.
fotos in. Centro Cultural Casapiano, Casa Pia Atlético Clube, Monumentos Desaparecidos, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian