1 de março de 2015

Colégio Valsassina

As origens do “Colégio Valsassina”, fundado em 1932, na Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa, remontam a 1898, altura em que a professora Susana Duarte fundou uma pequena Escola Primária na Rua de Santa Marinha, na Freguesia da Graça. Tendo casado com o professor Frederico César de Valsassina, a então Escola Primária foi alargada ao Ensino Liceal para a preparação individual de alguns alunos.

“Colégio Valsassina” na “Quinta das Therezinhas”

Devido ao número crescente de alunos, a Escola transferiu-se para uma moradia em Benfica, nessa altura um bairro periférico de Lisboa, e já com cursos regulares, Primário e Secundário. Chamava-se então “Escola Moderna”. Foi encerrada em 1918, por dificuldades associadas aos efeitos da I Guerra Mundial e à situação económica do País, incluindo a falta de apoio ao Ensino Particular.

“Escola Moderna”, em Benfica

 

Anúncio de 1 de Outubro de 1914

Em 1919, ainda em Benfica, o professor Frederico César de Valsassina reabre novas salas de estudo para preparação individual de alunos, tendo-se posteriormente instalado na Praça Luís de Camões, no centro de Lisboa. Esta situação manteve-se até 1931. Em Setembro de 1932, já com o nome de “Escola Valsassina”,  instalou-se na Av. António Augusto de Aguiar n.º 130, tendo sido autorizada a funcionar como Escola Primária e Salas de Estudo.

Frederico César de Valsassina (1884-1951)

Em Outubro de 1934 a Escola transferiu-se para o “Palácio Lousã” situado na mesma Avenida António Augusto de Aguiar mas no n.º 148, onde começou a verdadeira existência do “Colégio Valsassina”. Dispondo de magníficas instalações para a altura, permitiu o lançamento de um projecto educativo inovador, com todos os tipos de Ensino - Infantil, Primário e Liceal - para cerca de 300 alunos e com regime de internato para  cerca de 80 alunos a partir dos finais dos anos 40 do século XX e até Setembro de 1959.  Em 1948 começou a funcionar a “Colónia de Férias” nas Azenhas do Mar, em Sintra, com uma capacidade que foi sendo continuamente melhorada e renovada para mais de 60 alunos.

Anúncio em 1 de Outubro de 1940

Edifício na Av. António Augusto de Aguiar como “Escola Valsassina”, e desocupado  para demolição

  

Devido à grande procura de terrenos no centro da cidade e dado o edifício onde funcionava o Colégio estar arrendado e o proprietário mostrar desejo de o demolir, a família procurou um local onde pudesse vir a ser construído um novo Colégio e desenvolvido o projecto educativo em curso. Em Novembro de 1948 foi adquirida a “Quinta das Therezinhas”, junto à Avenida Gago Coutinho, onde funciona actualmente o “Colégio Valsassina”. Durante o período de 1948-1959 funcionaram em simultâneo duas secções: uma na Avenida António Augusto de Aguiar com a designação de “Colégio Valsassina” e outra na “Quinta das Therezinhas” com o nome de “Colégio Suzana de Valsassina”.

Azinhaga de acesso ao “Colégio Suzana de Valsassina”, com início na Avenida Gago Coutinho

A partir de 1 de Outubro de 1959 as duas secções fundiram-se numa única, passando o “Colégio Valsassina” a funcionar somente na “Quinta das Therezinhas”, na altura já com cerca de 500 alunos, incluindo internato.

Colégio Valsassina.9   Colégio Valsassina.9.1

 

Entretanto, após a morte do Professor Frederico Valsassina em 1951, o seu neto, Frederico Lúcio de Valsassina Heitor, que se tinha licenciado em matemática após ter iniciado estudos em engenharia no Instituto Superior Técnicoem Lisboa, passou a colaborar nos destinos do Colégio, assumindo a direcção pedagógica. Em 1954 casou com Maria Manuela, educadora, que viria a assumir a partir dos anos 60 a coordenação dos ensinos infantil e primário. Ambos desenvolveram e aprofundaram o projeto educativo do Colégio, com base na profissionalização gradual de um corpo docente de qualidade e assente numa formação humanista de cariz laico.

Frederico Valsassina Heitor (1930-2010)

O “Colégio Valsassina” modernizou-se e expandiu-se, atingindo cerca de mil alunos no final dos anos 60 do século XX, tendo entretanto sido construídos quatro novos pavilhões - liceal, infantil, internato e ginásio - projectados pelos arquitectos Raul Tojal e Manuel Carvalho. O reconhecimento público do trabalho então desenvolvido foi manifestado pela atribuição, em 1958, do grau de “Oficial da Ordem de Instrução Pública” ao seu então Director, Mário Heitor.

 

 

Nos finais dos anos 70, após a sua morte e num novo contexto político e socioeconómico em Portugal, o internato e a Colónia de Férias foram extintos e o “Colégio Valsassina” voltou a expandir-se para a sua capacidade e configuração actual, com cerca de 1400 alunos, 50% dos quais nos ensinos infantil e primário. Em 1976 é concedido ao Colégio o chamado ”paralelismo pedagógico” por tempo indeterminado, tendo sido atribuída em 1984 ”autonomia pedagógica” para o Sector Primário, a qual seria alargada a todo o ensino ministrado no Colégio em 1986. O contínuo reconhecimento público ao trabalho do Colégio foi então manifestado pela atribuição, em 1985, do título de “Membro Honorário da Ordem de Instrução Pública” .

Dez anos mais tarde, em 10 de Junho de 1995, Frederico Valsassina Heitor foi agraciado com o grau de “Comendador da Ordem de Instrução Pública”. Entretanto, o seu filho João, bisneto dos fundadores, que colaborava na direcção do Colégio desde 1976, assumiu, no ano 2000, a direcção Pedagógica do Colégio, na qual passou também a colaborar a Professora Maria Alda Soares Silva. Frederico Valsassina Heitor estabeleceu então uma sociedade famíliar para assumir os destinos do Colégio, á qual presidiu até á sua morte inesperada em 2010. A partir de 2009 tinha passado a contar também com a colaboração da sua neta Maria, iniciando assim o envolvimento da 5ª geração sucessiva da família Valsassina que tem norteado os destinos do “Colégio Valsassina”.

“Colégio Valsassina”, actualmente

 

 

Bibliografia: texto histórico retirado e adaptado do site do “Colégio Valsassina”

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Colégio Valsassina

27 de fevereiro de 2015

Igreja de São João de Deus

A “Igreja de São João de Deus”, projectada pelo arquitecto António Lino, e construída pelo construtor Diamantino Tojal, foi inaugurada a 8 de Março de 1953, na Praça de Londres, em Lisboa, com a bênção do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira. Estiveram também presentes na cerimónia, o Ministro das Obras Públicas, engº José Frederico Ulrich, o Governador Civil de Lisboa, dr. Mário Gusmão Madeira, o Presidente da Junta de Província da Estremadura, coronel Santos Pedroso, o veredor da Câmara Municipal de Lisboa, arquitecto Vasco Palmeiro (Regaleira).

 

Inauguração, com a cerimónia da benção pelo Cardeal Patriarca de Lisboa D. Manuel Gonçalves Cerejeira

  

São João de Deus (1495-1550)

No sítio onde hoje se encontra a Igreja de São João de Deus, tinha sido outrora, uma vacaria erguida por João do Outeiro. Era um espaço riscado pela Estrada das Amoreiras e Rua Alves Torgo e entremeadas de outros caminhos estreitos. Algo difícil de se imaginar hoje. Naquele lugar, hoje Praça de Londres, haveria de se implantar o «maior redil de almas de Lisboa».

 

Com os crescimento de Lisboa ao norte de Arroios, no início dos anos 50 do século XX, foi necessário estabelecer novas paróquias. Só Arroios, no censo de 1950, contava com 70.966 habitantes. O Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Gonçalves Cerejeira,  decretaria a constituição de novas paróquias: Santa Joana Princesa, Santa Tereza (hoje “Igreja dos Santos Doze Apóstolos”), Santo Anjo de Portugal, São João Evangelista e São João de Deus, entre outras. Esta Igreja foi construída sem sacrifícios dos paroquianos, o dinheiro veio, em parte substancial, da indemnização do Estado pela demolição da “Igreja de Nossa Senhora do Socorro”, no Martim Moniz.

«António Lino foi o arquitecto escolhido para irmanar a modernidade com o recolhimento, a beleza com a sobriedade, o monumental com o funcional. Rodeou-se de nomes que eram ou viriam a ser famosos: o engenheiro Gonçalo Teixeira da Mota, os escultores Leopoldo de Almeida e Soares Branco (este ainda no início da carreira), o ceramista Jorge Barradas e o pintor Domingos Rebelo, autor do tríptico em que se descreve a vida de João Cidade, nascido em Montemor-o-Novo, que haveria de consagrar, como João de Deus, a maior parte da sua vida ao povo de Granada.» in “Diário de Notícias”

Nestes painéis, obra de Mestre Domingos Rebelo (1891-1975), podemos encontrar a ilustração dos momentos fundamentais da vida de São João de Deus. Os painéis encontram-se por trás do altar da igreja, ocupando grande parte da altura interior.

«É grande o templo, como grande é a paróquia. Entre os serviços de culto, as actividades pastorais e tarefas administrativas espalhadas por dezenas de salas em três pisos - mais a residência paroquial - cruzam-se, nos corredores, mais de 200 pessoas, sendo 9 empregadas, 2 sacerdotes fixos e 3 em colaboração.» in “Diário de Notícias”

Na época da construção, António Lino explicou o seu desejo de aproximar os fiéis do altar, vencendo a afastamento obrigatório que existia em relação à assembleia, circunstância que só foi alterada uma década depois com o Concílio Vaticano II.

 

 

 

Neste mesmo dia 8 de Março de 1953, seria inaugurada a "Igreja de São João de Deus" junto ao “Hospital Pediátrico São João de Deus”, dado em 1943 pela “Ordem Hospitaleira de S. João de Deus”, em Montemor-o-Novo, «terra da naturalidade do santo, e que foi construída por dádivas dos montemorenses, e do produto de várias festas populares e do esforço e dedicação dos irmãos da ordem hospitaleira, fundada por S. João de Deus.», inserida nas comemorações da data do nascimento deste santo.

"Igreja de São João de Deus" junto ao “Hospital Pediátrico São João de Deus” em Montemor-o-Novo

A “Igreja São João de Deus” foi sujeita, no ano 2000, a obras de restauro e conservação. As comemorações do Jubileu do Ano 2000 puderam assim encontrar a igreja com o exterior e interior com um aspecto completamente renovado.

 

 

 

fotos in: Paróquia São João de Deus, Arquivo Municipal de Lisboa