28 de Novembro de 2014

Ponte Maria Pia

A “Ponte Maria Pia”, ponte ferroviária que liga as duas margens do rio Douro,  projectada pelo engenheiro Théophile Seyrig e construída pela empresa “G. Eiffel & C.ie Constructeurs”, foi inaugurada em 4 de Novembro de 1877, com a presença do casal real, Dona Maria Pia de Saboia e El-Rei Dom Luiz I. Notícia publicada no jornal “Diario Illustrado”, no dia da inauguração relatava: «Por telegramma recebido do sr. Osbrone Sampaio, administrador da companhia real dos caminhos de ferro portuguezes, consta que sua majestade a rainha se dignou permittir que a ponte do Douro tome o nome de ponte Maria Pia.».

Um pouco à semelhança do que sucedeu noutros recantos europeus, a construção de pontes em Portugal acompanhou o próprio processo de abertura de novas estradas, no âmbito da política do Presidente do Conselho de Ministros, Fontes Pereira de Mello, que tinha tomado posse a 13 de Setembro de 1871 pelo Partido Regenerador, período geralmente conhecido por Regeneração.

E foi neste ambiente, que a primeira ponte metálica lançada em território nacional teve lugar na cidade do Porto, sobre o rio Douro, a conhecida ponte pênsil “D. Maria II”, certamente graças à grande actividade comercial que caracterizava a urbe e à considerável comunidade de origem britânica que aí residia desde há longa data. Com efeito, mesmo que representasse um notório avanço, o prolongamento da linha do Norte até às Devezas, em Vila Nova de Gaia, não parecia satisfazer em pleno os objectivos da cidade do Porto, uma vez que impelia à concentração da actividade comercial em Gaia, ao mesmo tempo que impedia a ligação tão esperada com as linhas férreas do Minho e do Douro, razões suficientes para que cedo se equacionou a possibilidade de inaugurar uma estação de caminho de ferro no Porto, à qual ficaria ligada a das Devezas por uma ponte lançada sobre o rio Douro.

Estação de caminhos de ferro de Vila Nova de Gaia, no princípio do século XX

Vista de comboio atravessando a “Ponte Maria Pia” nos dois sentidos

 

 

Visão da “Ponte Maria Pia” a partir do Porto

1902

O início da construção da ponte ferroviária, a 5 de Janeiro de 1876, resultou de um longo processo de avaliação das propostas apresentadas ao concurso internacional entretanto aberto, com a selecção final e adjudicação do projecto delineado por Gustave Eiffel e Théophile Seyrig  em 1875, com base em critérios estéticos, conceptuais e financeiros, e no qual assumiram um papel de relevo dois engenheiros portugueses, Manuel Afonso de Espregueira, director-geral da “Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portuguezes”  e Pedro Inácio Lopes, responsável do anteprojecto.

Fases da construção da “Ponte Maria Pia”

 

 

O peso da “Ponte Maria Pia”, incluindo arco, tabuleiro e pilares é de 1500 toneladas, tendo sido executada por 150 operários, cuja obra terminaria a 30 de Outubro de 1877. Constituída por um arco parabólico de grande abertura onde apoia um tabuleiro de 354.375m. Apoia-se em três pilares do lado de Vila Nova de Gaia e dois pilares do lado do Porto. Outros dois pilares mais curtos apoiam no próprio arco. Os 5 pilares de apoio de estrutura reticulada e formato tronco-piramidal assentam em alvenaria de granito, tendo o primeiro 14.980m de altura, o segundo e o quinto de 35.980m e o terceiro e o quarto que estão na nascença do arco com 42.980m. Apresenta assim seis vãos, três dos quais de 37.390m do lado de Gaia e dois de 37.400m do lado do Porto, sendo o vão de 167.000m, considerado o de eixo a eixo dos pilares principais. O custo ascendeu a 2.880 milhões de réis a amortizar em 36 anos.

   

Tabuleiro da “Ponte Maria Pia” e ruínas do “Seminário Maior do Porto”, nos anos 40 do século XX

 

Em 1963, foi efectuada uma análise das condições de estabilidade da ponte pelo “Laboratório Nacional de Engenharia Civil” (LNEC), que em consequência dos seus resultados, foi efectuada uma injecção de cimento e refechamento de juntas nas alvenarias e encontros dos pilares e outras reparações com cuidada vistoria de todos os elementos metálicos. Igualmente foi efectuada a remoção da pintura não aderente e substituídos ou beneficiados todos os elementos com corrosão, pintura geral com mínio (aparelho) e duas demãos de tinta metálica de cobertura; reduzido o peso por metro de guardas e passeios, eliminação de estrados de visita do arco e da linha aérea (telefones) e do circuito registador da velocidade das composições sobre a ponte.

 

Inauguração do comboio “Foguete” em 1953 atravessando a “Ponte Maria Pia”

1953 Inauguração do Foguete na Ponte D. Maria Pia

O "Foguete” era constituído por automotora, reboque e automotora, das série My 501-6 e Ry 601-3, construídas em Itália pela «FIAT», em 1953. Este comboio, com interiores modernos e confortáveis, insonorizado, ar condicionado e serviço de refeições no lugar, lançado com grande sucesso na linha do Norte, demorava  4h 20m entre a estações de Santa Apolónia em Lisboa e “Campanhã” no Porto.

Em 1956 seria efectuado um estudo analítico do tabuleiro e vigas principais considerando novas locomotivas eléctricas (Bo Bo) da CP, que levaria a conclusão da electrificação da linha do Norte, e em 1959 seria verificado "in loco" a determinação experimental de tensões como complemento do trabalho analítico anteriormente efectuado.

Locomotivas eléctricas série 2500 (Bo Bo), na Estação de Santa Apolónia

A “Ponte Maria Pia” foi classificada, em 1990, pela “American Society of Engineering” (ASCE) como “Internacional Historic Civil Engineering Landmark”, e no ano seguinte, em 1991, foi decretado o fim da circulação ferroviária na ponte, pelo facto de possuir apenas via única e restrições de velocidade de tráfego, não se podendo ultrapassar por condições de segurança a velocidade de 20 km/h, ou de carga por eixo.

Fotos da “Ponte Maria Pia” em 2012

 

Fotos in: Arquivo Municipal do Porto, Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Cantinho dos Comboios (fotos de Luís Miguel)

27 de Novembro de 2014

Exercícios do BSB de Lisboa em 1930

Em 1930, por ocasião do juramento de novos recrutas do “Batalhão de Sapadores de Lisboa” de Lisboa, teve lugar a simulação de um incêndio, na casa-escola do quartel da Avenida D. Carlos I - construído no antigo Convento da Esperança entre 1899 e 1901 -, onde foram executadas diferentes manobras e exercícios. A este evento esteve presente o Presidente da República, o general Óscar Carmona, que foi até hoje, dos que manteve maior relação com os bombeiros portugueses, tendo estado presente em inúmeros eventos de associações e corpos de bombeiros por todo o país.

 

 

Recordo, que foi neste ano de 1930, que o “Corpo de Bombeiros Municipais de Lisboa” - CBML passou a “Batalhão de Sapadores de Lisboa” - BSB. Em 1928, existiam no CBML 46 veículos de tracção mecânica, 40 de tracção animal e 7 de tracção braçal.

RSB em 1930.4 RSB em 1930.5

 

 

Com a passagem do “Corpo de Bombeiros Municipais de Lisboa” a “Batalhão de Sapadores Bombeiros”, e no ano em que completava 535 anos de existência, o serviço de incêndios sob a jurisdição da Câmara Municipal de Lisboa, sofreu novo incremento, verificando-se, por exemplo, a aquisição de 29 novas viaturas.

Viaturas adquiridas pelo “Batalhão de Sapadores Bombeiros”

A renovação do equipamento dos bombeiros originou um concurso ao qual responderam 14 fabricantes, tendo ganho a “Mercedes-Benz”, juntamente com equipamento específico de combate a incêndio de “Carl Metz”.

Na foto anterior, temos na primeira linha, da direita para a esquerda, o carro do comandante, o de comandante de companhia e um dos carros de subalterno de serviço. Todos contêm material de combate a incêndio, na devida proporção. Na segunda fila, um pronto-socorro, uma escada “Magirus” e, provavelmente, um auto-tanque.
Os 29 carros tinham a seguinte tipologia:
Carros do primeiro e segundo comandante - 2
Carros dos comandantes de companhia - 5
Carros dos subalternos de serviço - 5
Prontos-socorros - 15
Auto-tanques - 2

Estas viaturas estiveram expostas no Terreiro do Paço, antes do Desfile de Sapadores Bombeiros em 1931
Em “Mercedes-Benz em Portugal “de Adelino Dinis.

 

RSB em 1930.10

Foi, também, neste ano a 18 de Agosto de 1930, que foi fundada a “Liga dos Bombeiros Portugueses”, passando a ser confederação das associações e corpos de bombeiros de qualquer natureza, voluntárias ou profissionais.

“Liga dos Bombeiros Portugueses”, foi fundada num momento de alguma desorganização dos bombeiros voluntários, motivada pela falta de uma associação que, a nível nacional, congregasse, representasse e desse novo impulso às instituições então existentes. Pensava-se, na altura, que a militarização dos bombeiros em geral fosse o melhor caminho a seguir. Deveu-se, contudo, ao general Óscar Carmona, o afastamento de tal ideia.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

26 de Novembro de 2014

Lima Mayer & C.ª

A empresa de reprografia “Lima Mayer & Cª.” foi fundada por Augusto de Lima Mayer e secundada por seu filho Thomaz Maia de Lima Mayer, com a sua fábrica instalada em Cabo Ruivo, Lisboa.

Nos anos 80 do século XX, Thomaz de Lima Mayer, depois de regressar do Brasil, - país onde criou uma empresa que chegou a líder no fabrico de campos de ténis sintéticos, a “Lisonda”, e que mais tarde venderia -, voltou para apoiar o pai na empresa de reprografia “Lima Mayer & Cª”. Esta empresa chegou a ser líder do fornecimento de ozalide (papel usado para cópias na actividade de arquitectura e engenharia) no mercado nacional.

 

 

 

Nesses anos 80 do século XX,  surgiram os equipamentos digitais de reprodução que mudaram o sector. A opção foi encontrar um parceiro internacional que tivesse o know-how e quisesse ter acesso aos clientes. A parceria foi feita com a empresa holandesa da “Océ Holding B.V.”, que mais tarde fez uma «proposta irrecusável»" para comprar a empresa. Thomaz de Lima Mayer ficou como director-geral durante alguns anos. Depois a estratégia da “Océ Holding B.V.” viria a mudar e Lima Mayer saiu do grupo em 2000, tendo decidido lançar outro negócio próprio.

 

 

  

  

 

A “Quinta de São Sebastião” em Monforte,  - que integrava uma das mais tradicionais e prestigiosas casas agrícolas do Alto Alentejo, pertencendo ao Marquês da Praia e Monforte -  tinha regressado à família da mulher anos após a «reforma agrária», e tornou-se no projecto pessoal, que após uma pesquisa aprofundada e um plano estratégico se centrou no vinho. É assim que, Thomaz Maia de Lima Mayer, gestor licenciado em engenharia agrónoma, do negócio de família na reprografia passou para o vinho, numa quinta de família com 700 hectares. Os “Vinhos Lima Mayer”, mantêm uma produção limitada que aposta na qualidade e virada para o mercado internacional.

Thomaz Maia de Lima Mayer e esposa, Maria José de Lima Mayer

Thomaz Lima Mayer

Vinhos “Lima Mayer”

Vinhos Lima Mayer

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian