8 de julho de 2015

Concurso “Cabeças no Ar”

Em 1 de Junho de 1939, o jornal “O Século” (1880-1979) promoveu um grandioso concurso apelidado de “Cabeças no Ar”. Entretanto com o início da II Grande Guerra Mundial em 1 de Setembro de 1939, esta empresa devido á dificuldade de importação de diferentes prémios como automóveis, rádios, etc, decidiu suspender este concurso até “melhores dias”, conforme é explicado no recorte da revista “Século Ilustrado” de 30 de Agosto de 1947 que publico a seguir.

“Século Ilustrado” de 30 de Agosto de 1947

                                       

     

Segundo o nosso leitor João Celorico, que teve a amabilidade de me prestar a seguinte informação adicional, acerca deste concurso, na secção de “comentários”:

«Em cada edição do jornal, vinha impresso o desenho da cabeça duma figura pública (talvez só artistas e desportistas). Recordo-me perfeitamente da cabeça do Vasco Santana. Essa figura devia ser recortada e colada, numa caderneta, no corpo a que pertencia. Posto isto e terminada a colecção, era só entregar no “O Século” e esperar pela sorte»

A retoma do concurso “Cabeças no Ar” dar-se-ia em Agosto de 1947, mantendo os mesmos prémios anunciados em 1939, pelo que promoveu uma grande exposição dos mesmos nos pavilhões da “Feira de Amostras” da Feira Popular de Lisboa”, na Palhavã  que tinha sido inaugurada em 13 de Junho de 1943. Os prémios eram tão diversos como: automóveis, motocicletas, bicicletas, barcos à vela, mobílias, rádios, máquinas fotográficas, etc.

Fotos das salas de exposição dos prémios na “Feira das Amostras” da “Feira Popular de Lisboa”, em 1947

 

 

 

 

 
publicidade gentilmente cedida por Pedro Katzenstein

Esta Feira encerraria em 27 de Outubro de 1947, e a empresa do jornal “O Século” que vinha revelando alguns indícios de ambiguidade face à continuidade do regime político em Portugal, que se tinham acentuado depois da Guerra, foi afastada da organização da Feira Popular de Lisboa”, nos anos seguinte, entre 1948 e 1950. Só em 1951, retomaria a tradição, mantendo-a, até 1956, despedindo-se da Palhavã, nesse ano, por sinal o da ocorrência nela da primeira emissão televisiva, pela recém-criada RTP - Radiotelevisão Portuguesa”.

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Ilustração Portuguesa

4 comentários:

João Celorico disse...

Caro José Leite,
A este “post” evocativo do concurso “Andam cabeças no ar”, talvez eu possa acrescentar no que consistia o mesmo.
Assim, em cada edição do jornal, vinha impresso o desenho da cabeça duma figura pública (talvez só artistas e desportistas). Recordo-me perfeitamente da cabeça do Vasco Santana. Essa figura devia ser recortada e colada, numa caderneta, no corpo a que pertencia. Posto isto e terminada a colecção, era só entregar no “O Século” e esperar pela sorte. Ao meu irmão coube a sorte (!) de sair um livro, adequado à época, “A Bomba Atómica”!!!

Cumprimentos,

João Celorico

João Celorico disse...

Caro José Leite,
Por lapso ou porque o jornal faria a publicidade dizendo que andavam cabeças no ar eu terei assumido este nome em vez de somente "Cabeças no ar"

Cumprimentos,
João Celorico

José Leite disse...

Caro João Celorico

Muito grato por mais uma "achega" adicional, que só enriquece a informação disponibilizada.

Os meus cumprimentos

José Leite

N3M disse...

O meu avô era um dos sócios da casa Galeão, antiga loja na baixa lisboeta dedicada ao comércio de peles e malas, cuja publicidade (não muito encapotada) aparece numa das fotos.
Aliás reconheço a foto como sendo uma das zonas de exposição da loja.
Parabéns pelo blogue!