19 de novembro de 2014

Mercado de Alcântara

O “Mercado de Alcântara”, projectado pelo arquitecto José Alexandre Soares. foi inaugurado em 31 de Dezembro de 1905, junto ao local onde primitivamente tinha existido a “Ponte de Alcântara”, na confluência da Rua de Alcântara com a Rua da Fábrica da Pólvora.

 

Quanto à “Ponte de Alcântara”, bastante antiga, foi alargada em 1743 e, em 1744 foi inaugurada a estátua obra do italiano João António de Pádua. Junto da ponte deram-se três batalhas: a primeira entre as tropas do Prior do Crato e o exército do Duque de Alba, em 25 de Agosto de 1580. As outras duas entre as forças da Leal Legião Lusitana e os invasores franceses em Maio e Junho de 1809.

“Ponte de Alcântara” num desenho de Nogueira da Silva

Inauguração, na “Illustração Portugueza” (Apesar da «chronica» nada ter a ver com o acontecimento vale a pena ler)

Quanto à cerimónia de inauguração o jornal “Diario Illustrado” noticiava:

«O mercado que foi construído com uma actividade que muito honra a casa constructora Cardoso Dargent & Cª; tem três fachadas, sendo duas principaes, as que olham para as ruas de Alcantara e da Fabrica da Polvora, e abrange uma área de 900 metros quadrados, tendo 32 lojas na medida de 2x3m, incluindo 4 torreões de 9 metros quadrados de superfície, e 41 mezas para venda de peixe, as quaes medem 0m,80 de largura por 0m,75 de fundo, com um aparador na rectaguarda, e o espaço preciso para o vendedor, o que prefaz 3 metros.(…)
Cerca do meio-dia chegaram os srs. marquezes d'Avila e Bolama, conselheiro Antonio d'Azevedo Castello Branco, presidente da camara, que eram aguardados pelos srs. Theodoro Pinto Basto, Ferreira da Silva, direcção do mercado, srs.Brito Nogueira, Carlos Xavier, Nunes Sequeira, pessoal superior da camara municipal, prior de Alcantara, monsenhor José Alexandre de Campos, e varios industriais do bairro de Alcantara. (...)
O sr. prior d'Alcantara, apoz este acto, convidou o sr. presidente da camara, vereadores e outras pessoas a tomarem uma taça de champagne, levantando-se n'essa ocasião varios brindes.»

 

O “Mercado de Alcântara” manteve-se neste local até ao início dos anos 50 do século XX, altura em que seria demolido e no seu lugar serem construídos, cerca uma década mais tarde, os acessos rodoviários àPonte Salazar”, inaugurada em 1966. Actualmente o seu espaço é ocupado pela Praça General Domingos de Oliveira, vulgo “Rotunda de Alcântara”.

1954

Demolição do “Mercado de Alcântara”

Construção dos acessos à Ponte Salazar

 

Novo “Mercado de Alcântara” (provisório), na Rua da Fábrica da Pólvora junto à futura Avenida de Ceuta

fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital

8 comentários:

jmsc disse...

Nasci em 1954, na freguesia de Alcântara, e já só me consigo recordar do denominado mercado provisório na actual avenida de ceuta, junto ao pátio cabrinha, em frente às actuais instalações do Banco Alimentar.
Cordiais saudações
João Cotrim

José Leite disse...

Caro João Cotrim

Grato pela sua informação adicional.

Os meus cumprimentos

José Leite

José Leite disse...

Caro João Celorico

Peço desculpa mas em vez de "publicar" eliminei o seu comentário sem querer.

Mas tem toda a razão, enganei-me ao digitar e em vez de "finais dos anos 50 do século XX", digitei "anos 60".

Os meus cumprimentos

José Leite

João Celorico disse...

Caro José Leite,

Bem haja pela confirmação. Tirou-me um "peso" de cima. Começava a duvidar de mim!
Se pretender enviarei o comentário de novo.

Li a "Crónica". Escrita pelo Rocha Martins, não era de esperar diferente, mas por aqui se vê que o nosso problema é de raiz. Infelizmente, parece não haver nada a fazer! A História repete-se, por muito que nos queiram fazer crer no contrário.

Também tive o prazer de ouvir a sua entrevista com o José Candeias. Parabéns pelo que vem fazendo!

Cumprimentos,
João Celorico

José Leite disse...

Caro João Celorico

O "peso" também não seria nada de grave pois o erro nunca seria de "lesa Pátria" e como dizia o "outro" ... "podia ser pior".

Mas vale mais certo que incerto.

Peço desculpa por alguns erros que cometo, mas como fez o favor de ouvir a entrevista que dei ao José Candeias, decerto calculará que isto vai-se tornando "complicado" apesar de ainda ir "só" nos 56 ...

Espero ir contando com a sua preciosa e bem-vinda colaboração.

Os meus cumprimentos

José Leite

xunandinha disse...

Eu só lembro do mercado provisório e o unico piso que gostava de ir era o das flores

José Costa disse...

Caro José tem algum documento que comprove que os sucateiros de Alcântara e Alvito foram deslocalizados para Sacavém, por altura da construção dos acessos à ponte?

José Leite disse...

Caro José Costa

Não tenho nada acerca do que me pede.