29 de outubro de 2014

Espelho d’Água

O Pavilhão das Diversões Náuticas / Restaurante “Espelho d’Água”, projectado pelo arquitecto António Lino, foi construído em Belém, entre ao “Padrão dos Descobrimentos” e o “Pavilhão das Artes e Indústrias”, tendo aberto em 23 de Junho de 1940. Este pavilhão, inserido num lago destinado a diversões náuticas, fez parte daExposição do Mundo Portuguêsque teve lugar entre 23 de Junho  e 2 de Dezembro de 1940. Este espaço lúdico incluía um restaurante, casa de chá e bar com esplanadas, e um palco para espectáculos situado no edifício isolado a nascente.

“Pavilhão das Diversões Náuticas / Restaurante Espelho d’Água” e lago circundante, em 1940

 

Anúncio na “Revista  dos Centenários” de 30 de Julho de 1940

 

 

Noite de «Music-Hall» no “Espelho d’Água” em 7 de Setembro de 1940

O “Espelho d’Água”, desenhado inicialmente pelo arquitecto António Lino, começou por ser um edifício de dois volumes dedicado a diversões náuticas, segundo o “Plano Geral da Exposição do Mundo Português”, mas foi usado como restaurante e palco de espectáculos, como foi mencionado atrás. De acordo com o inventário da DGEM, «foi das primeiras obras a conhecer ampliação e modificação dentro do plano de aproveitamento e conversão da zona».

“Espelho d’Água” em início de construção, e o “Pavilhão das Artes e Indústrias”

Em 1943 tem lugar a inauguração dum novo restaurante, depois do conjunto arquitectónico ter sido redesenhado e ampliado pelo arquitecto Cottinelli Telmo. Funcionou entre 1943 e 1946. Depois deste restaurante ter falido, foi cedido à Brigada Naval da “Legião Portuguesa  passando a ser designado de “Pavilhão dos Desportos Náuticos”, nome que ainda ostentava em fotos de 1961.

Publicidade em 24 de Julho de 1943

Nunca livre de alguns contratempos … em 9 de Novembro de 1945

 

“Pavilhão dos Desportos Náuticos”

 

 

Em 1972 instalar-se-ia neste espaço o restaurante “O Peixe”

VI Congresso Mundial das Agências de Viagens, em 1972, no restaurante “O Peixe”

 

24 de Dezembro de 1972

Em 1990, instalou-se no “Espelho d’Água” o “Belém Clube-Museu”, um club privado projectado pelo arquitecto Manuel Graça Dias, e propriedade de Fernando Gonçalves.

“Belém Clube-Museu”, inaugurado em 1990

A revista “Architécti” , que gentilmente o Arquitecto Manuel Graça Dias me facultou, descrevia assim este projecto:

«O projecto deste clube, ligado simultaneamente aos negócios, ao ócio e à cultura, estabelecia como mínimos a existência de algumas salas (reunião, leitura), de um grande bar, de um anfiteatro e de um pequeno restaurante.»

Interiores de “Belém Clube-Museu” (fotos da revista “Architécti”)

 

 

 

Quanto à decoração a mesma revista descrevia:

«De salientar que este clube se define como um acontecimento marcadamente cultural e artístico; algumas obras de arte foram previstas integrar, à partida, o projecto de arquitectura para lá de outras, móveis, que poderão vir a ser expostas.
Sol Lewwitt, já ocupou uma das paredes do restaurante, Matt Mullican fará uma obra para o bar, Juan Muñoz, integrar-se-á na sala de bilhares. No corredor principal podem ver-se fotografias da dupla Glack & Gutman e, Joseph Kossut, trabalha numa proposta para a sala de leitura.
Em resumo: uma intervenção esparsa, espalhada, com vista à criação de ambientes diversos e diferentes que convidem a um perpétuo retorno, instalados difusos numa memória de conforto e cultura - a possível definição de Clube, em 1990.»

A sua existência foi de curta. e na mesma década de 90 do século XX, foi de novo, remodelado passando a contar com o restaurante de luxo “Espelho d’Água” e o “T Club”. Mais tarde estes dois equipamentos encerram, e depois de ter albergado um restaurante de comida chinesa, viria a ser ocupado, na zona nascente, pela cervejaria e restaurante “Portugália”.

 

Em 24 de Setembro de 2013, reabriu como “Espaço Espelho d’Água”, depois de ter tido lugar um concurso público de concessão do espaço até 2027, pela “Associação de Turismo de Lisboa” - ATL,  em finais de 2012. Saíu vencedor deste concurso público Mário Almeida, luso-angolano dono do “Espaço Bahia” - um restaurante com zona de concertos aberto há 14 anos na baía de Luanda - que além de proceder a uma reconstrução quase total do espaço, resultado do projecto do arquitecto Duarte Caldas de Almeida, com a consultoria do atelier de designers “Pedrita Studio”, promoveu a ampliação da zona de esplanada e reabertura do espaço ao público. A área do edifício “Espelho d’Água”, com 1.270 m2, passou a contar com cafetaria, esplanada, restaurante, zona de exposições, cinema e vídeo, concertos, atelier e quartos no piso superior para residências artísticas. Na zona nascente, continua a existir a cervejaria e restaurante “Portugália”.

“Espaço Espelho d’Água”

 

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Horácio Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Espaço Espelho d’Água

1 comentário:

Vespinha disse...

Podia ter sido concebido hoje, tão moderno que já era!