6 de dezembro de 2013

Navio-Tanque “Sameiro”

Com o início da 2ª Guerra Mundial em 1939, Portugal não dispunha de navios-tanque para abastecimento de combustíveis líquidos, pelo que o então “Instituto Português de Combustíveis”, recorreu ao afretamento de alguns navios, tarefa muito dificultada com a situação de guerra.

Em 9 de Janeiro de 1943 entra ao serviço o primeiro navio-tanque português o “Sam Bras” (1942-1976), de 7.375 toneladas, com capacidade de transportar 7.000 toneladas de combustível, encomendado pela Armada para abastecimento e apoio logístico. Este foi o primeiro navio tanque a ser construído nos estaleiros do Arsenal do Alfeite, inaugurados em 3 de Maio de 1939.

Navio-tanque “Sam Bras”

      Projecto do navio-tanque “Sameiro”

“Sameiro” em fase de acabamentos nos “Estaleiros Navais do Alfeite” junto com o Aviso de 2ª “Gonçalo Velho”

O navio-tanque “Sameiro” (1946-1960) o segundo  navio a ser construído nos referidos estaleiros, e o maior navio alguma vez construído em Portugal foi lançado à água em 28 de Agosto de 1946, ainda com a bandeira da “Companhia Colonial de Navegação”. Com a presença do Presidente da República o General Óscar Carmona, e o Administrador do Arsenal do Alfeite engº Perestrelo de Vasconcelos, foi madrinha do “Sameiro” D. Gertrudes Tomás, a esposa do então Ministro da Marinha o Comandante Américo Tomás.

«Junto da carreira, onde se ergue o casco do "Sameiro" embandeirado e todo pintado a zarcão, formou, ás 16 horas, um batalhão de Marinha, com bandeira e a banda da Armada, para prestar honras ao sr, presidente da República, que deve chegar ao Arsenal pelas 17 horas. Será madrinha do navio a esposa do sr. comandante Américo Tomás, ministro da Marinha, a quem os conselhos de administração do Arsenal do Alfeite e da Companhia Colonial de navegação oferecem depois da cerimonia, além de grandes ramos de flores, artísticas lembranças.
Depois do navio entrar na agua, facto que se verificará ás 17 e 10, hora do preiamar, usará da palavra, em nome da Companhia Colonial, o seu presidente, sr. Bernardino Alves Correia, para saudar o chefe de Estado e destacar o significado daquele acontecimento, enquadrado no programa de reorganização da nossa marinha mercante.» in. “Diário de Lisboa”.

“Sameiro” (1948-1960)

O “Sameiro” numa pintura de Fernando Lemos Gomes

Contudo, este lançamento não foi isento de problemas e algo frustrado, como noticiava o mesmo jornal “Diário de Lisboa” no dia seguinte 29 de Agosto de 1948:

«Conforme referiram hoje os jornais da manhã, o petroleiro "Sameiro" não chegou ontem a entrar completamente na agua, em virtude de só ter sido possível fazê-lo deslizar pela carreira, quase uma hora depois do momento marcado para o lançamento, quando a maré já estava a baixar acentuadamente.
Foi, portanto, por falta de agua suficiente para o navio flutuar que o "Sameiro" ficou na posição em que se enconta. No preiamar da madrugada de hoje, os rebocadores da Administração do Porto de
Lisboa tentaram reboca-lo, mas sem resultado. Por isso, no preiamar da tarde, com a aplicação de dois poderosos "macacos" electricos, far-se-á um esforço conjunto com os rebocadores, pelo que ha todas as esperanças de safar o navio.»

Pela ocasião foi mandada cunhar uma medalha a assinalar a construção do maior navio feito por operários portugueses num estaleiro português.

Em Janeiro de 1948 é comprado pela “Soponata - Sociedade Portuguesa de Navios Tanque” , que entretanto tinha sido fundada em 13 de Junho de 1947,  tendo iniciado a primeira viagem em 8 de Fevereiro do mesmo ano, a Aruba nas Caraíbas.

Imagens dos interiores do “Sameiro”

 

 

 

  

 

 

  Características do navio-tanque “Sameiro” :

  • Tipo: Navio-tanque
  • Construtor: Arsenal do Alfeite
  • Ano de construção: 1946
  • Registo: Capitania do porto de Lisboa, em 5 de Fevereiro de 1948, com o número G 497
  • Comprimento fora a fora: 138,50 m
  • Boca máxima: 17,84 m
  • Calado: 8,11 m
  • Arqueação bruta: 7.369 Toneladas
  • Capacidade de armazenamento: 13.675 m3 , 10.390 toneladas
  • Aparelho propulsor: Um motor diesel, de 9 cilindros, de 5.400 cv  “Burmeister & Wain”
  • Velocidade máxima: 14,0 nós
  • Tripulantes: 37

Casa das Máquinas

    

Em 27 de Junho de 1951 é lançado à água o navio gémeo do “Sameiro”, o “São Mamede”, também inicialmente destinado à “Companhia Colonial de Navegação”, mas igualmente entregue á “Soponata - Sociedade Portuguesa de Navios Tanque”.

O maior navio-tanque que viria a ser construído nos “Estaleiros Navais do Alfeite” viria a ser o navio “Erati” , no ano de 1956, com 153 metros e 11.253 toneladas de arqueação bruta e capacidade de armazenamento de 16.932 toneladas de combustível.

A “Soponata - Sociedade Portuguesa de Navios Tanque”, adquiriria outro navio tanque com o mesmo nome, o “Sameiro II”, dedicado ao transporte de produtos petrolíferos refinados, tendo sido construído em Itália em 1977.

“Sameiro II”

Sameiro II

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Blogue dos Navios e do Mar

Sem comentários: