1 de abril de 2011

Paquete “João Belo” e a CCN

”João Belo” , foi talvez o primeiro paquete português a vapor, de 6.475 tons, digno desse nome, pertença da “Companhia Colonial de Navegação’” (CCN) e adquirido em 1928, depois dos navios de passageiros «Amboim»  e «Loanda», ambos adquiridos em 1925.

                                                                                 Paquete «João Belo»

                                  

Características:  Arqueação bruta: 6.475 toneladas  -  Comprimento: 130 metros  -  Máquinas: 2 a vapor de tríplice expansão com 2.800 CFI  -  Velocidade: 11 nós  -  Passageiros: 340

Comprado em Julho de 1928 à “Ellerman Lines” , o paquete «João Belo», ex- «City of Genoa», ex-«Windhuk», ex-«Gertrud Woermann», era um antigo paquete alemão, construído no estaleiro Blohm & Voss em 1905-1906 para a Woermann Line e  vendido em Abril de 1907 à Hapag.

Atribuído em 1919 à Grã-Bretanha, no âmbito das reparações de guerra, o navio foi comprado pela “Ellermann Lines” em 1921. Apesar das sucessivas mudanças de armador, foi sempre utilizado na carreira de África.

                      Visita oficial do Ministro da Marinha Comandante Mesquita Guimarães paquete «João Belo»

                                        

                                                              Serviço de Correio de bordo do «João Belo»

                                                                                                                                      

O nome do navio foi atribuído pela “Companhia Colonial de Navegação’” em homenagem ao comandante João Belo, que enquanto ministro das Colónias, em 1926, promoveu importantes medidas de fomento e apoio da navegação portuguesa para África, e tendo apoiado muito a CCN. O capitão-de-mar-e-guerra João Belo (1876-1928) que prestou serviço nas campanhas de Namarráis e de Gaza em Moçambique. Além de ministro das Colónias, foi governador de Moçambique e impulsionou o plano de farolagem.

                                                                        Interior do Paquete «João Belo»

         

         

A frota da “Companhia Colonial de Navegação”, foi aumentada em 1929 com a aquisição dos paquetes gémeos, «Mouzinho» em Novembro e do paquete «Colonial» em Dezembro.

A partir de 1930 juntamente com o «Mouzinho» o paquete «João Belo» iniciou as carreiras para Moçambique. Este navio foi abatido ao efectivo em 1950.

A “Companhia Colonial de Navegação”, foi criada em Angola, na cidade do Lobito, a 3 de Julho de 1922, pela “Sociedade Agrícola de Ganda”, “Companhia do Amboim”  de Angola e a  “Ed. Guedes Lda.”, para explorar o serviço de ligações marítimas entre a metrópole e as colónias africanas. O seu fundador foi Bernardino Correia, que se manteve no “comando” desta empresa até ao falecimento em 1957.

                                                        Publicidade de 2 das empresas fundadoras da CCN

                                  

Os dois primeiros navios foram o o cargueiro britânico «General Allenby» que rebaptizado de «Ganda»  que tinha sido adquirido pela “Sociedade Agrícola da Ganda”  em 1920, e o o navio de passageiros «La Plata»  rebatizado de «Guiné» adquirido pela firma “Ed. Guedes, Lda.”.

                        Publicidade em 1933                                                                  Publicidade em 1939

 

                                                                             Frota da CCN no ano de 1953

                      

O paquete ‘Uíge’ entraria ao serviço em 1954. Em 1959, 1968 e 1971 foram construídos nos estaleiros navais de Viana do Castelo, por encomenda da "Colonial, os grandes cargueiros a motor «Lobito», «Porto» e «Malange’»respectivamente.

A frota seria enriquecida com o paquete «Infante D. Henrique»  (ver post intitulado Paquete “Infante Dom Henrique” ) com 23.306 toneladas, em 1961, e seria o último paquete de passageiros adquirido pela CCN.

 Visita do Presidente Craveiro Lopes acompanhado pelo Ministro da Marinha Américo Tomaz ao paquete “Santa Maria”

 

                               
                                Estas 3 fotos gentilmente cedidas por Sotero Ribeiro

Nos anos de 1969 e 1972 são adquiridos pela CCN os cargueiros «Bailundo» e «Bernardino Correia»  respectivamente. Em 1972 e 1973 foram adquiridos, em segunda mão, dois pequenos cargueiros a motor, gémeos, construídos na Alemanha, baptizados com os nomes de dois famosos vapores, já abatidos: «Pungue» e «Lugela». Foram os dois últimos navios a integrar a frota da “Companhia Colonial de Navegação”.

                                         Companhia Colonial de Navegação na Rua de São Julião, em Lisboa

                                
                                              fotos anteriores: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

A “Companhia Colonial de Navegação” em 1974, funde-se com a “Empresa Insulana de Navegação”  e nasce a “Companhia Portuguesa de Transportes Marítimos”.  A 3 de Maio de 1985 esta nova companhia é extinta em simultâneo com a “Companhia Nacional de Navegação’”.                                                

Também foi dado o nome de «João Belo» a uma fragata da Marinha de Guerra Portuguesa, pertença da classe de fragatas com o mesmo nome: «Classe Comandante João Belo’».

Para a elaboração deste artigo foi consultado também o livro: «Paquetes Portugueses», de Luís Miguel Correia, Edições Inapa, Lisboa, 1992

15 comentários:

Laurus nobilis disse...

Belo espaço! Vou ser visita regular!

José Leite disse...

Grato pelas suas amáveis palavras

Cumprimentos

José Leite

Anónimo disse...

Sede da C.C.N.
Rua de S.Julião, 63
LISBOA

J. Isidoro

José Leite disse...

Grato pela informação

Cumprimentos

José leite

Jose Valarinho disse...

Em junho de 1941 0 paquete "João Belo" que navegava para Cabo Verde como transporte de tropas foi intersectado por um submarino alemão, não tendo havido mais incidentes para alem de terem chamado a bordo o comandante das tropas portuguesas. O meu pai era militar e seguia a bordo. Agradecia alguma informação sobre este incidente
J: Valarinho

José Leite disse...

Caro José Valarinho

Estive a consultar um dos livros que o meu falecido pai, me deixou intitulado "Ao Serviço da Pátria", edição de 1944, de Costa Júnior.
Alem fornecer uma listagem de todos os navios de todo o tipo, que tiveram incidentes ou foram afundados pelos alemães na II Guerra Mundial, relata com detalhe "aventuras" vividas por alguns vapores.
Não encontrei nenhuma referência ao Paquete João Belo.

Cumprimentos

José Leite

Anónimo disse...

Caro José Leite,
boa tarde.
Serve o presente para solicitar que rectifique o título "Frota da CNN no ano de 1953".Permita-me que recorde que o Vera Cruz, Uige, Santa Maria, Império e Pátria pertenciam à CCN e não CNN.
Obrigado pela atenção,
Costa dos Reis

José Leite disse...

Caro Costa dos Reis

Grato pela sua correcção. Foi um lapso ao escrever, pois estava a tratar doutro artigo acerca dum paquete da CNN e ...



Cumprimentos

José Leite

Luis disse...

O paquete João Belo transportou em 1949 o Orfeon Académico de Coimbra numa viagem por Africa, que deu origem a um livro da autoria do Dr. Almeida Santos.
O meu Pai fez parte dessa viagem e ainda hoje a recorda.

ANTÓNIO DA SILVA MARTINS disse...

Já que também se fala na Fragata João Belo, seria um prazer para todos os admiradores deste vaso de guerra, actualmente ainda a navegar com bandeira do Uruguay, que algo sobre ela se publica-se neste fantástico espaço, que tenho seguido por "mail's".
Já pesquisei, mas ainda não consegui fotos sobre a sua partida para o Ultramar em 20/12/1968.
Tem o nosso blogue à disposição para algo que seja do vosso interesse (http://fragatajoaobelo.blogspot.pt/)
Muito agradecido pelos mai'ls enviados

José Leite disse...

Caro António Martins

Grato pelo seu comentário e pelas suas palavras.

Não sei que e-mails se refere mas eu não envio e-mails para ninguem.

Quanto á fragata João Belo vou ter em consideração a sua ideia, e ver o que consigo.

Cumprimentos

ANTÓNIO DA SILVA MARTINS disse...

José Leite, ao dizer que recebia e-mails, referia-me aos artigos do blog "Restos de Colecção", que têm sido enviados para mim, por mail, para o meu correio electrónico, talvez por ser subscritor?!
As minhas desculpas por só agora ter respondido ao seu comentário.
Muito bom trabalho desenvolvido neste blog.
Obrigado

José Leite disse...

Caro António da Silva Martins

Desculpe, não tinha percebido a questão dos e-mails.

Muito grato pelo seu comentário e pelas suas palavras.

Os meus cumprimentos

J.Leite

Carlos Duque disse...

Sou filho de um antigo comandante da CCN, considerado um dos comandantes mais novos do país, de nome Fernando Pires Duque, que terminou a sua carreira de mar como comandante do "Infante D. Henrique", mas por mais que procure ainda não consegui encontrar nenhuma referencia e ele.
Será que me conseguiria ajudar?

Carlos Duque

José Leite disse...

Caro Carlos Duque

Eu não o consigo ajudar mas tente entrar em contacto com o autor do "Blog dos Navios e do Mar", Luís Miguel Correia, no seguinte link:

http://lmcshipsandthesea.blogspot.pt/

Os meus cumprimentos