7 de julho de 2013

Cinema-Teatro Monumental

A elaboração do projecto para o maior conjunto de cinema-teatro existente em Lisboa, partiu de um Despacho do Ministro da Educação Nacional de 24 de Março de 1943, onde se podia ler: "(...) podia considerar-se o eventual funcionamento de uma Casa de Espactáculos como ainda não há em Lisboa, com um conjunto de instalações adequadas á realização ou exibição simultânea de várias formas de actividade artística ou cultural (...) uma casa com salas independentes para teatro de declamação ou música ligeira, concertos e cinema, dotada das dependências correspondentes.”

Dezembro de 1951

 
Abril de 1952

 
Espaço do futuro “Monumental”, era ocupado pelo “Colégio Normal de Lisboa” (em foto de 1939)

 


 
Com base nesta sugestão do Ministro Mário de Figueiredo, o arquitecto Raúl Rodrigues Lima - que já tinha assinado o projecto do Cinema Cinearte, inaugurado em Fevereiro de 1940 - elabora o projecto do Monumental, cinema e teatro, onde, num único edifício existe um teatro para 1182 espectadores, um cinema para 2170, um café-restaurante e uma sala para exposições artísticas.
 
      Raúl Rodrigues Lima (1909-1980)                             Alçado principal sobre a Praça Duque de Saldanha

              Rodrigues Lima            
 
        Alçado sobre a Avenida Fontes Pereira de Melo                             Alçado sobre Avenida Praia da Vitória

 
 
Janeiro de 1983
 
 
 
Na foto anterior, anunciava-se a peça teatral “As Taradas”, com os actores Octávio de Matos e Adelaide João, entre outros. Esta seria a última peça a ser exibida no “Teatro Monumental”, antes deste encerrar definitivamente a 3 de Março de 1983.
 
Nesta planta pode-se ver a disposição das 2 salas de espectáculos

 
Maqueta

 
 
O “Cinema-Teatro Monumental”, localizado na Praça Duque de Saldanha em Lisboa, e propriedade do major Horácio Pimentel, foi inaugurado no dia 8 de Novembro de 1951, «único no seu género em todo o mundo» segundo alguns jornais da época, que acrescentavam: «um luxuoso edifício que, desde as linhas arquitectónicas do exterior à luxuosa comodidade dos seus interiores, oferece o tom moderno e de bom gosto da casa de espectáculos digna de figurar entres as melhores da Europa».
 
Major Horácio Pimentel
 

Espectáculos anunciados para as inaugurações dos Teatro e Cinema Monumental

 
 
Sala do Teatro Monumental    
 
 
 
 
 
Planta e preçário do “Teatro Monumental” em 1953
 
 
 
 
A entrada principal do edifício, comum à salas de Cinema e de Teatro, fazia-se pelo grande vestíbulo principal semi-exterior que, comunicando directamente com a Praça Duque de Saldanha por meio de uma arcaria de volta perfeita, funcionava quase como um prolongamento desta. A sala de Teatro, com eixo central paralelo à Av. Praia da Vitória, possuía dimensões mais reduzidas de modo a aproximar os espectadores do palco. Deste modo, e por forma a rentabilizar melhor o espaço interno, o arquitecto Rodrigues Lima introduziu três balcões que se prolongam lateralmente até ao palco e ainda dois camarotes “avant-scène” ricamente decorados.
 
Enquadramento do “Monumental” na Praça Duque de Saldanha

 
A sala de cinema, com eixo central paralelo à Av. Fontes Pereira de Melo, possuía grandes dimensões permitidas pelo grande ecrã existente e pelos altifalantes que permitiam regular o som de acordo com as dimensões da sala. Comportando dois balcões, esta sala constituía a «referência mais imensa do espaço-cinema em Portugal : a sala cheia parecia uma cidade!» .
 
Entradas para o Cinema e Teatro Monumental, ao fundo bilheteira do Teatro

 
 
 
Passando o vestíbulo da entrada, existia um grande foyer que se desenvolvia por dois pisos. No piso térreo os acessos à sala eram feitos por quatro portas que davam acesso directo às plateias tanto do Cinema como do Teatro.
A partir do foyer do 1º andar, além do acesso ao 1º balcão  a partir de duas portas, dava acesso a um vestiário, um toucador para senhoras, ao bar, às instalações sanitárias e á escada que dava acesso ao último piso onde se encontravam a cabine de projecção e o escritório da gerência. Neste 1º piso, fazendo parte integrante do foyer, existiam, um salão de estar e outro de exposições. Estes equipamentos eram comuns ao Cinema e Teatro.
 
               O gigantesco foyer do primeiro balcão era imponente, com mármore, dourados, estátuas e lustres

 
 
 
Salão de Chá

   
 
A revista “Imagem” em 1950 escrevia: «Um dos mais arrojados empreendimentos dos nossos dias». Podia-se também ler num jornal da época: «Único no seu género em todo o mundo, um luxuoso edifício que, desde as linhas arquitectónicas do exterior á luxuosa comodidade dos seus interiores, oferece o tom moderno e de bom gosto da casa de espectáculos digna de figurara entre as melhores da Europa».

Antes da transformação para ecran gigante “Cinemascope”

 
 
 
 
Planta e preçário do “Cinema Monumental” em 1953
 
 
Adivinhando as necessidades futuras, esta sala viria a acolher todas as novidades a nível de ecrãs de cinema: ecrã gigante, “Cinemascope”.

 
Ecrã gigante “Cinemascope”

 
                                                                         Sala do Cinema Monumental

 
 
                                        Entradas para o 2º balcão do Cinema e Teatro e camarotes do Teatro
                  
                                   
 
                                          Sala de estar e entradas do 2º Balcão do Teatro e do Cinema

 Cinema Monumental.38
 
Cabine de projecção

 
 
 
Grandes filmes passaram por esta casa de espectáculos como: “E tudo o Vento Levou” (1939) de  George Cukor, Victor Fleming, Sam Wood; “Os Dez Mandamentos” (1956) de Cecil B. DeMille; “Ben-Hur” (1959) de William Wyler; “Spartacus" (1960) de Stanley Kubrick; "West Side Story" (1961) de Jerome Robbins e Robert Wise; “Lawrence de Arábia” (1962) de David Lean; “Cleopatra” (1963) de Joseph L. Mankiewicz; "My Fair Lady" (1964) de George Cukor; “Doutor Jivago” (1965)  de David Lean; "2001: Odisseia no Espaço" (1968) de Stanley Kubrick; “Um Violino no Telhado" (1971) de Norman Jewison; "Papillon" (1973) de Franklin Schaffner; "Star Wars" (1977) de George Lucas, entre outros.
 
 
 
 
 
 
Lembro que, antigamente a grande maioria dos filmes estreavam em Portugal, muitos meses depois, se não anos depois, de serem estreados nos Estados Unidos, ou noutros países. Exemplos: "West Side Story" (1961) de Jerome Robbins e Robert Wise, estrou em  Abril de 1963, “Doutor Jivago” (1965) de David Lean, estreou em Outubro de 1966. Casos raros de estreia no mesmo ano ocorriam em Portugal. Caso disso foi o filme "My Fair Lady" (1964) de George Cukor, que estreando em de Outubro de 1964 nos Estados Unidos, estreou no mesmo ano em Portugal, em 4 de Dezembro, conforme anúncio seguinte.
 
4 de Dezembro de 1964

 
Mais tarde, o Salão de Chá, cuja foto foi publicada mais acima, seria transformado para uma pequena sala-estúdio, o “Satélite”. Esta sala-estúdio, foi inaugurada em 25 de Fevereiro de 1971 com o filme “Coisas da Vida” ( “Les Choses de la Vie” ) com Romy Schneider e Michel Piccoli, e cuja receita reverteu a favor da “Cruz Vermelha Portuguesa”.

Sala “Satélite”



 
Na lateral da Avenida Fontes Pereira de Melo, este edifício albergou o  café, casa de chá e  restaurante “Monumental”, igualmente propriedade do major Horácio Pimentel e explorado por Amadeu Dias, que já detinha a exploração dos 3 bares do conjunto cinema/teatro "Monumental", Abriu as suas portas em 17 de Setembro de 1955, tendo a propósito, o “Diário de Lisboa” , neste dia, escrito:

«O projecto inicial da obra era da autoria de sr. arquitecto Rodrigues Lima, pois fazia parte do bloco das casas de espectáculo. O seu proprietário confiou, porém, o seu desenvolvimento, dentro das novas exigências funcionais da exploração, ao notável decorador José Espinho e a Fred Kradolfer, outro artista de extraordinários méritos, que resolveram, com inteligência e gosto, os problemas de decoração, construção e mobiliário.»

Café-Restaurante “Monumental” em Janeiro de 1983

Café Monumental.2
 
Publicidade ao Café-Restaurante Monumental

1961 Café Restaurante Monumental
 
Factura em 13 de Julho de 1969

 
Outro cinema famoso de Lisboa o Império ,que viria a ser inaugurado em 24 de Maio de 1952, teria também a exemplo deste, um grande café-restaurante de seu nome “Império”, felizmente ainda existente.
 
Peça “Meu Amor é Traiçoeiro” estreada em 7 de Junho de 1962, publicitada também nas paredes exteriores do edifício

      
 
                                               Programas das três salas que albergou o conjunto Monumental

  
 
              
 
                                                       Dois espectáculos no Teatro Monumental  em 1966


                  
 
O anúncio anterior faz referência a um dos grandes acontecimentos que ocorreram nos ano 60 do século XX, no “Cinema-Teatro Monumental”, o “Concurso IÉ-IÉ” de 1966, que pode ser pormenorizadamente recordado num artigo neste blog, no seguinte link: “Concurso «IÉ-IÉ» em 1966”.
O arquitecto Rául Rodrigues Lima, ainda antes de morrer em 1980, projectou uma profunda remodelação deste espaço a fim de o integrar nos novos tempos. A sala de espectáculos seria dividida em pequenas salas, à semelhança do que se viria a passar com o Cinema São Jorge”, e a entrada aproveitada para instalação de pequenas lojas. Mas … como escreveu Luís de Camões: «Que outro valor mais alto se alevanta »…

                                               Notícia no “Diário de Lisboa” em 26 de Novembro de 1983

                                  
 
Como já foi referido anteriormente, o “Teatro Monumental” encerrou primeiro, em 3 de Março de 1983, e o “Cinema Monumental”  só viria a encerrar a 27 de Novembro do mesmo ano. O último filme a ser exibido foi “ O Vale Perdido” …
A ordem da demolição surgiu em 1984. No mesmo local viria a ser construído um moderno edifício, também chamado “Monumental”, com escritórios, centro comercial  e quatro salas de cinema, de seu nome actual ”Medeia Monumental”, sendo a maior das quais uma sala cine-teatro com 378 lugares.
 
                                                                              Edifício Monumental

 Edifício Monumental.2
 
                                 
 
Do antigo conjunto “Cinema - Teatro Monumental”, restaram a esfera a esfera armilar, que se encontra actualmente, ao lado do Padrão dos Descobrimentos, e as estátuas que decoravam a fachada do edifício, e que se encontram nos jardins contíguos à Igreja de São João de Deus, na Praça de Londres.
 

30 comentários:

Manuel Tomaz disse...

Não imagino quantas vezes entrei no Monumental, mais no Cinema, mas também no Teatro. Isto na década de 60, depois a minha alterou-se e aí terminou. Às novas instalações, nunca as visitei. Quanto ao Café-Restaurante, o que mais frequentava era o "Monte Carlo", ali mesmo ao lado ( hoje uma loja Zara...). Nessa altura, aquele Café funcionava também como: sede de partidos políticos clandestinos; clubes de futebol; críticos de cinema, teatro e televisão; agencias de emprego por conhecimento, etc.. Assim era a vida naqueles tempos!
Os meus cumprimentos,
Manuel Tomaz,

José Leite disse...

Caro Manuel Tomaz

Grato pelas suas recordações e informações adicionais.

Os meus cumprimentos

José Leite

José Couto disse...

Que MARRAVILHA de Edifício que era o Monumental!
Parabéns por mais esta excelente entrada.
Cumprimentos do
José Couto
Porto

José Leite disse...

Caro José Couto

Pois ... era ... ou melhor foi ...

Grato pelo seu comentário

Os meus cumprimentos

José Leite

hollycity disse...

Extraordinária reportagem revivalista a qual muito agradeço...o meu pai o decorador José Espinho que está mencionado não só foi o decorador de interiores do cinema e Teatro,mas tambem do Café Monumental e só recentemente a sua obra foi reconhecida com uma serie de eventos e exposições e livro lançado.Bem haja.
Cumprimentos

Manuel Espinho

Anónimo disse...

Boa tarde .Muito obrigado pela expressiva reportagem revivalista.Apenas gostaria de fazer uma pequena rectificação sobre uma passagem do texto.O meu pai José Espinho foi o decorador (hoje chamam lhes arquitetos de interiores) integral da obra (cinema ,Teatro e Café Monumental),Fred Kradolfer pintor e ceramista suiço radicado em Portugal e colaborador do meu pai em outras obras(Htel Continental em Luanda,Estoril Sol etc)apenas pintava ou paineis ou quadros( o Estorl Sol possuia 300 aguarelas -1 em cada quarto-Sendo José Espinho o designer exclusivo de mobiliario da Fábrica Olaio.todas as peças da referida obra(mobiliário) foram desenhadas por ele.Aproveito para mencionar já que o meu pai convidava variadissimos artistas nacionais para rechearem as suas decorações com obras proprias ,que havia uns grandes paineis que ombreavam o palco do cinema da autoria da pintora Maria Keil e que depois foram retirados .Desconheço o seu paradeiro.
Obrigado e bem haja

Manuel Espinho

José Leite disse...

Caro Manuel Espinho

Não tem que agradecer.

Muito agradeço a gentileza do seu comentário e informação adicional.

Os meus cumprimentos

José Leite

Ines Pimentel disse...

Bom dia
Obrigada pelo artigo e sobretudo pelas fotografias, o Monumental faz parte das memórias de todos os Lisboetas de uma certa geração.
Poder-se-ia imaginar que o proprietário deste lindíssimo cinema sofria de megalomania,mas a sua humildade era ainda maior do que a sua obra, pelo que, o seu nome nem é referido quando falamos do Monumental, do Cinearte e do Europa, frutos do seu sonho, e propriedade sua. Na simplicidade que lhe era reconhecida andou pendurado nos eléctricos de Lisboa até falecer, com cerca de 80 anos, não sei precisar... deixou grandes saudades na sua imensa família de 8 filhos e 40 e tal netos,e a sua morte desamparou imensas famílias que apoiava financeiramente! Deixo aqui estas palavras, não por soberba, apenas porque me orgulho, demais do meu avô Horácio Pimentel que faleceu há 49 anos (mais coisa menos coisa)!PS o laboratório Sanitas também era seu, de raiz!
Um boa dia para si
Inês Pimentel

José Leite disse...

D. Inês Pimentel

Muito grato pela informação adicional, e pelas suas amáveis palavras.

Também quero agradecer a recordação de Horácio Pimentel, mais um português que infelizmente se juntou ao rol dos "esquecidos".

Felizmente nem todos o esqueceram ...

Os meus cumprimentos

José Leite

J.C.Branco disse...

A sua demolição foi um crime de lesa-pátria. Não me lembro da história mas estou quase certo se disser que a demolição só existiu com a conivência do então presidente da CML. Quem foi o criminoso ?

Irene Pimentel disse...

Acabo, novamente, de consultar o seu blogue, que me é sempre muito útil, além de ser magnífico. Tal como a minha prima Inês, queria aqui também recordar o nosso avô, Horácio Pimentel, proprietário e fundador do cine-teatro Monumental.

José Leite disse...

D. Irene Pimentel

É muito gratificante, saber que, mesmo sendo familiares, as pessoas são públicamente recordadas.

Grato pelas suas amáveis palavras.

Os meus cumprimentos

José Leite

Salamander disse...

Monumental é também este trabalho. este blogue grandioso em favor da cultura portuguesa. Gostaria de ver informação e imagem acerca do chamado teatro de mágica, bastante popular no séc.XIX e também anúncios de espetáculos de ilusionismo, de mágicos antigos, exibidores de lanterna mágica e afins.

José Leite disse...

Salamader

Grato pelo seu comentário.

Quanto ao seu pedido, à medida que me for aparecendo material que justifique um artigo digno, assim o farei.

Os meus cumprimentos

José Leite

cabindês disse...

Tenho 78 anos e orgulho-me de ter vivido uma época áurea da cidade de Lisboa e de Portugal, em que se privilegiavam os valores. Felicito-o pelo magnífico blogue que construiu que deverá ser divulgado para conhecimento das novas gerações e que eu farei.

José Leite disse...

Caro Rui Serrano

Muito grato pelas suas amáveis palavras em relação ao meu trabalho.

Os meus cumprimentos

José Leite

P M Pepe disse...

Parece quase criminoso ver como foi possível deitarem abaixo um edifício destes, tão majestoso, tão definitivo, perene.

Unknown disse...

Primeiro deixe-me agradecer-lhe este espólio fotográfico maravilhoso.
Como foi bom rever o Monumental nos seus tempo áureos...
A primeira vez que fui ao Monumental ainda não andava sequer... o meu querido e falecido Pai trabalhou lá muitos anos... o Monumental era a sua 2ª casa... a 2ª casa da nossa família...
só quem por lá andou horas perdidas poderá perceber as minhas saudades...
as festas de Carnaval, passagem de ano... as festas de aniversário e tantas outras...
quantas memórias e saudades...
obrigada :))

Anónimo disse...

Duas correções que a sua boa reportagem merece.
O Cinema Satélite nasce num espaço que era o Salão de Chá e do qual existem duas fotografias acima identificadas como bar, existiam realmente 3 bares, um por piso, mas não eram nesta localização.
Esses bares e o Café Monumental, foram explorados pelo Amadeu Dias, mas este nunca foi o seu proprietário, mas sim o Major Horácio Pimentel, dono de todo o edifício.
Um comentário anterior pergunta pelas estátuas, posso esclarecer que há data da demolição foi feito um levantamento pelo Arq. Bairrada de diversas peças que deveriam ser entregues à Câmara Municipal de Lisboa e entre elas estavam todas as estátuas interiores e exteriores, candeeiros de latão do hall das bilheteiras, corrimãos em latão das escadas de acesso ao 1balcão, alguns apliques de latão e meios lustres, etc.
Estas peças foram entregues e penso que algumas estátuas foram colocar a num espaço publico e que o resto ainda estará em armazém...
Cpts

José Leite disse...

Caro(a) Anónimo(a)

Muito grato pela sua gentileza nas suas correcções, sempre bem-vindas sempre que se justifique.

Os meus cumprimentos

José Leite


Alfredo Anciaes disse...

Caro José Leite,

Vivi na Av. Duque D`Ávila, quase na esquina com a Av. República e junto ao Saldanha e Monumental. Era para o Café Monumental que ia tomar o meu café e ler algo (jornal ou materiais de estudo).

Apreciei o ambiente do Café frequentado nos anos 70`s e inicios de 80 por gente de cultura e modos de vida diversos. Era espaçoso, brilhante, tal como o Cinema e Teatro Monumental, fazendo parte de um conjunto, grande e magnífico. Para lá destes atributos,o edifício era uma rocha autêntica. Passava pelo local, mais ou menos, todos os dias quando foi demolido e posso atestar, pelos meses que demorou a sua demolição que não vislumbro coisa mais sólida do que aquela. Deste modo, porque é que foi demolido? Só lhe posso dizer (pela demolição do Monumental e pelos entraves na Rua do Carmo que depois permitiu que o fogo se alastrasse por falta de acessos aos Bombeiros) que o Presidente da Câmara, Abecassis e "entourage" nunca foram por mim apreciados.

Estas duas obras, uma de demolição e outras de entraves com o centro da Rua do Carmo construído com empecilhos, foram para mim, autênticos crimes de análise e abusos de confiança em relação à população.

O Monumental era ainda uma obra muito funcional, moderna e seguríssima. A sua demolição deveria ter passado pela barra dos Tribunais. É o que penso e sou normalmente tolerante e não justicialista.

Um abraço e parabéns pelo seu magnífico trabalho.

José Leite disse...

Caro Alfredo Anciães

Muito grato pelo seu elucidativo comentário, e pelas suas generosas palavras em relação a este blog.

Os meus cumprimentos

Anónimo disse...

No Monumental, para além de cinema numa sala e teatro na outra, vi e ouvi: Louis Armstrong, Benny Goodman, no início dos anos 60 as memoráveis tardes de sábado com rock português, etc, etc. Foi um crime destruir aquelas salas e clara que nunca mais lá houve teatro.
João Guerra

. disse...

Boa tarde,
Não posso dizer que frequentei este belíssimo edifício, pois nasci depois dessa época, mas é uma pena ver coisas tão belas e que projectaram a cultura de um "pequeno" país serem assim destruídas... em prol de quê??

Estive a ver este magnífico artigo e fiquei maravilhada com a sala inicial do Monumental, com que estupidez foi feita a sua demolição?!!...
Não há beleza ,rigor e cuidado em tantos detalhes que se comparem, hoje em dia.
Não sou dessa época, mas a minha mãe é e acho revoltante perder a nossa cultura e bem-estar. Se existisse mais gente como eu, que se revolta contra estas vergonhas, secalhar ainda hoje este belo edifício se mantinha em pé... Querem destruir mais monumentos nacionais?? Porque não a AR? Com muita tristeza destes "imbecis" agarrados ao dinheiro, e esquecem todo o resto... Mas infelizmente é o dinheiro que governa não a Humanidade, e nem me venham falar de racionalidade, pois basta ver que ela não existe!

Com os melhores cumprimentos e agradecida por esta magnífico artigo.

Joana G.

José Leite disse...

D. Joana G.

Eu é que agradeço a gentileza do seu comentário.

Os meus cumprimentos

José Leite

josé Júlio da Costa-Pereira disse...

Magnifica esta "postagem" de imagens e comentários.Pena não se faça refeência ao "Fradique-Que é "chic" a valer" Mais tarde Café Monte Carlo.Um Ícone daquuela área que vivi na minha mocidade onde ainda hoje vivo,quando estou em Portugal,Saldanha a minha aldeia.
José Júlio da Costa-Pereira

José Leite disse...

Caro Costa-Pereira

Grato pelo elogio.
Quanto ao "Monte Carlo" estava instalado prédio contíguo, pelo que não abordei.

Os meus cumprimentos

Alberto Freire disse...

A destruição do cinema e teatro Monumental foi um crime inqualificável. Lisboa e todos nós ficámos mais pobres.

José Leite disse...

Caro Alberto Freire

Se tivesse sido só este "crime" ... e já não era pouco.

Cumprimentos

Majo Dutra disse...

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Gostei de rever o velho monumental.

Os melhores cumprimentos.
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