25 de agosto de 2011

Primeiros Aeroplanos em Portugal

A primeira experiência de aviação e primeira tentativa de voo em Portugal, teve lugar no antigo Hipódromo de Belém, a 27 de Outubro de 1909 pelo piloto francês Armand Zipfel, pilotando um aeroplano “Voisin Antoinette” de 40 CV.

                                                      Apresentação do "Voisin Antoinette”

                                      

                                                                        Armand Zipfel

                                       

                                                                            A tentativa …

                                               

A experiência foi deste modo relatada:  «(...) Não foi das mais felizes a primeira experiencia de aviação realisada no nosso paíz. O apparelho depois de deslizar suavemente pelo solo, uns 30 metros, elevou-se até 10 metros de altura, n'uma distancia total de 300 approximadamente, para afinal,ou por causa do vento ou em virtude de falsa manobra do aviador, cahir no solo, partindo-se-lhe varias peças e salvando-se Zipfel, por milagre. Foi annunciada a segunda experiencia que o vento não deixou realizar.»

Em 11 de Dezembro de 1909, o inventor português João Gouveia, que fabricava papagaios voadores desde 1907, apresentou à Academia de Ciências o seu projecto de avião "Gouveia" com 9 metros de envergadura equipado com um motor "Anzani" de 26 cv. Constrói um hangar, no Seixal em 1911, onde montou o avião e fez experiências, tendo acabado por abandonar o projecto, devido a avarias e falta de meios financeiros.

                                                       João Gouveia e seu aeroplano “Gouveia”

                           

A “Creche O Comércio do Porto”, fundada pelo jornal “O Comércio do Porto”, comprou em Agosto de 1912, em Paris o primeiro aeroplano de Portugal. Foi adquirido e escolhido pelo Dr. Cisneiros Ferreira correspondente deste jornal em Paris.

Tratava-se do biplano, o "Farman-Maurice’", com 15 metros de envergadura, equipado com um motor Renault de 70 cv., atingindo a velocidade de 80 quilómetros por hora. Podia transportar carga útil até 300 quilos. Este modelo era o mesmo que estava a ser utilizado pelo exército italiano na guerra da Turquia.

                                                              Biplano “Farman-Maurice”

                                

Chegado á cidade do Porto foi exposto no Palácio de Cristal. O produto recolhido pelos seus voos no Porto e em Lisboa, reverteram a favor do fundo da “Creche O Comércio do Porto”. Esta creche acolhia os filhos das mulheres que trabalhavam na faina no Rio Douro.

                                                    O “Farman-Maurice” no Palácio de Cristal

                                  


Os voos seriam realizados por Leopold Trescartes, Paulham e Garros. Primeiro voo na cidade do Porto, foi no campo do Castelo do Queijo ao qual assistiram mais de 60.000 pessoas. O aviador Leopold Trescartes, realizou dois voos. No primeiro voo o aviador foi só, mas no segundo foi acompanhado por Luís Marques Merino, elevando-se o aparelho a  uns 300 metros de altitude, pairando no ar um quarto de hora, fazendo várias evoluções sobre a cidade do Porto, Foz e Matosinhos.

                                               Voo no Porto, no campo do Castelo do Queijo

                                                    

Depois de transportado de comboio até à cidade de Lisboa realizou no Hipódromo de Belém o seu voo, no dia 27 de Setembro de 1912. Este voo durou apenas sete minutos devido ao forte vento que se fazia sentir.

                                                              Voo no Hipódromo de Belém

                                   

Lembro que o primeiro português a obter o brevet de piloto aviador em 26 de Dezembro de 1912, foi D. Luiz de Noronha, que fez o curso de engenheiro aviador militar em Chalons, França. Para tal frequentou as melhores escolas de aviação de França e trabalhou nas melhores fabricas de aeroplanos a fim de ganhar experiência.

                                                 Engenheiro aviador militar D. Luiz de Noronha

                                   

Também Alberto Sanches Castro, frequentou um curo de piloyto aviador em França mas desistiu por razões económicas. Mas foi este português que em 10 de Setembro de 1912, efectuou o primeiro voo português em aeroplano com motor, num monoplano "Antoinette" equipado com um ‘Antoinette Vee-8’, com 50 cv, no Mouchão da Póvoa numa pista de 1.200 metros de extensão.

                                                                   Alberto Sanches de Castro

                                                 

                                                                     Monoplano “Antoinette”

                                    

A "Revista Aeronáutica" descrevia o feito no seguinte texto: «os voos realizados foram quatro, todos em linha recta, sem viragens, sendo dois no sentido leste-oeste, e dois em sentido contrário. A maior distância de voo foi de 450 metros, percorrida em 30 segundos, e a maior altura obtida foi de 5 metros».

Em 28 de Setembro de 1912 chega a Lisboa o monoplano "Deperdussin" tipo B que por intermédio do jornal “O Século” tinha sido oferecido ao governo português pelo coronel brasileiro Albino da Costa como prova do não esquecimento das suas origens lusitanas (Cedrim, Server do Vouga). 

                                     

Este monoplano com 8,5 metros de envergadura, estava equipado com um motor "Gnome’"de 80 CV, que lhe permitia atingir uma velocidade máxima de 170 km/h. Em 10 de Março de 1911 bateu o record do mundo em velocidade, de Busson a Reims; em Maio no raid Paris-Roma o aviador Viard fez o percurso no mesmo aparelho e em junho ganhou os longos percursos de Paris-Liége, 320 quilómetros e Calais-Paris 250 quilómetros.

                                                              Monoplano “Deperdussin”, tipo B

                                     

fotos e excertos de alguns textos in: Hemeroteca Digital

Este biplano em Junho de 1913 foi integrado na "Companhia de Aerosteiros", tendo em Janeiro de 1916 sido entregue à "Escola de Aeronáutica Militar" de Vila Nova da Rainha

E em Lisboa a 8 de Outubro de 1912  era desembarcado o biplano "Avro 500"  com a designação de “República”, adquirido em Inglaterra, por 900 libras numa subscrição aberta pelo directório do Partido Republicano e destinado ao exército « (…) o qual se tem elevado com êxito do aeródromo de Belém e pairado sobre a cidade. No seu primeiro voo conduziu o senador sr. José Nunes da Mata n’uma larga travessia.».

                                                                           Biplano “Avro” 500

                               

Este biplano tinha 9 metros de envergadura e estava equipado com um motor "Gnome" de 5o cv, que permitia atingir uma velocidade máxima de 98 km/h. Aliás foi este tipo de avião o primeiro a exceder a velocidade de 100 milhas (cerca de 160 km/h).

                                                                    O “República” levantando voo

                                 

                                                             Amaragem do “República” no rio Tejo

                                          
                                         Foto in: Ex-Ogma

« (…) A 17 de  Outubro querendo o aviador fazer uma prova de resistência, que realizou n'um voo esplendido até Aldegalega, Mouchão da Póvoa e Alcochete, passando sempre sobreo o Tejo, na companhia do sr. Marques da Costa, o motor sofreu uma «panne», sendo obrigado a fazer uma descida precipitada, que o habil piloto conseguiu com o maior sangue frio, por «étapes», até que baixou próximo da Torre de Belem, na água, a uns quarenta metros da praia, vindo para terra em botes os tripulantes do "Republica", que nem sequer se molharam.»

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