1 de outubro de 2017

Garagem “Capristanos” nas Caldas da Rainha

Recordo o que escrevi acerca da empresa “Capristanos”, neste blog e no artigo “Capristanos” de 18 de Julho de 2016:

«Arthur Capristano abalança-se, em 1933, na compra da primeira camioneta de passageiros, inaugurando as carreiras Bombarral-Lourinhã e Bombarral-Torres Vedras. A expansão do negócio exige mais dinheiro, impondo a entrada de um sócio capitalista: Joaquim Ferreira dos Santos, dando origem à empresa “Capristano & Ferreira, Lda.”

A sociedade irá manter-se até ao fim dos anos quarenta, altura em que os dois sócios se desentendem e se separam, ficando um com a frota e o outro com os imóveis. Durante dez anos, os “Capristanos” comprometem-se a pagar dez contos mensais (uma fortuna na época) pelas garagens de Joaquim Ferreira dos Santos, que assim fica senhor do património e com rendas garantidas. A sociedade irá manter-se até ao fim dos anos quarenta, altura em que os dois sócios se desentendem e se separam, ficando um com a frota e o outro com os imóveis. Durante dez anos, a empresa “Capristanos” compromete-se a pagar dez contos mensais (uma fortuna na época) pelas garagens de Joaquim Ferreira dos Santos, que assim fica senhor do património e com rendas garantidas.». Acerca da história desta empresa consultar neste blog o seguinte link:Capristanos” .

Com 250 trabalhadores - 125 nas oficinas, 25 nos escritórios e uma centena afecta à exploração, entre motoristas, cobradores, empregados de filiais, ajudantes e fiscais - o Bombarral revela-se demasiado pequeno para os “Capristanos”, que decidem mudar-se para as Caldas da Rainha, onde constroem aquela que será a mais luxuosa estação rodoviária da Península Ibérica e uma das melhores da Europa. O edifício, com a assinatura do arquitecto Ernesto Camilo Korrodi (1905-1955), seria inaugurado em 16 de Janeiro de 1949.

Mais do que uma central de camionagem, o empreendimento foi o primeiro centro comercial da cidade termal. Tinha escritórios, restaurante, café, sala de espera, bilheteiras, tabacaria, barbearia. Vitrinas bem iluminadas serviam de montras às principais lojas caldenses, que ali exibiam os seus produtos, e durante todo o dia os mesmos altifalantes por onde eram anunciadas as partidas e chegadas transmitiam música ambiente. Um verdadeiro luxo para a época.

A "Gazeta das Caldas" de 16 de Janeiro de 1949 sublinhava os «cuidados» da empresa com os seus empregados: «Tudo foi conjugado não apenas para que o pessoal dispusesse de instalações próprias, mas até para que o trabalho fosse mais facilitado. A par das camaratas, do refeitório, de instalações sanitárias, de vestuário individual, da comodidade do uniforme, vemos as oficinas higiénicas, cheias de luz e ar, dotadas de aparelhagem própria para facilitar o trabalho, torná-lo menos violento e perigoso.»

 

A garagem torna-se ponto de passagem obrigatório do roteiro caldense. Aos “Capristanos” ia-se passear e ouvir a música ambiente. No café, aos domingos, actuava uma pequena orquestra, para deleite das elites caldenses. E quando, anos mais tarde, surge a televisão, o primeiro café da cidade a ter um aparelho de televisão foi o dos “Capristanos”. O restaurante, no primeiro andar, era um dos mais conhecidos e caros do país. Há quem garanta que, graças à sua cozinha esmerada, muitos se deslocavam de longe até às Caldas da Rainha de propósito para almoçar ou jantar nos “Capristanos”. E numa época em que um programa de rádio em directo constituía um verdadeiro acontecimento, destas oficinas foi uma vez emitido o então célebre programa “Os Companheiros da Alegria”, de Igrejas Caeiro.

                                 19 de Janeiro de 1949                                                               29 de Dezembro de 1951

              

«Aquela garagem, apesar do movimento de autocarros a entrar e a sair, estava sempre impecavelmente limpa. Podia-se comer no chão. O meu avô, o meu pai e o meu tio eram extremamente exigentes». Artur Capristano (neto) não exagera. pois todos os testemunhos evocam a limpeza da garagem, o brilho dos metais e dos azulejos. «Havia um empregado, de fato de macaco e boné, que passava o dia a limpar os pingos de óleo no chão», conta Alfredo Gonçalves ao jornal “Gazeta das Caldas”.

Actualmente propriedade da “Rodoviária do Tejo” , esta investiu 500 mil euros em obras de modernização e ampliação do velho edifício e inaugurou a “novo” Terminal Rodoviário das Caldas da Rainha em 23 de Fevereiro de 2015. Como resultado destas obras, as antigas oficinas foram demolidas e no seu lugar foi criada uma extensa área, quase toda a céu aberto, com lugar para mais sete linhas de autocarros e outros tantos lugares de estacionamento. O Terminal Rodoviário das Caldas mais do que duplicou a sua capacidade para acolher os autocarros.

 

  

Na ocasião a “Gazeta das Caldas” escrevia: «Estas obras contemplaram sobretudo a parte operacional, mas uma parte do edifício - que foi projectado pelo arquitecto Camilo Korrodi - continua sem aproveitamento. O antigo restaurante aguarda que a Rodoviária do Tejo decida se o vai alugar ou se será utilizado para funções administrativas. Já a loja da louça, no rés-de-chão, poderá vir a ser uma extensão da Mercearia Pena, cujo proprietário, Rui da Bernarda, já explora o café Capristanos ao lado.»

Bibliografia: Foram, consultados artigos no blog do jornal regional “Gazeta das Caldas”, de onde foram retirados alguns textos.

fotos in: Fundação Marques da Silva, Rodoviária do Oeste

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