6 de outubro de 2016

Casa Africana

A “Casa Africana” foi fundada em 1872, pela firma “Loureiro & Paes”, nas lojas do prédio onde se instalaria, a partir de 1875, o “Grande Hotel Duas Nações”, na esquina da Rua Augusta com a Rua da Victoria.

A primitiva “Casa Africana” e um anúncio de 12 de Janeiro de 1896

 

Em 1904, era já propriedade da nova firma “Loureiro, Rumina & Azevedo, Lda.”, da qual era sócio-gerente Antonio Gonçalves d’Azevedo, que tinha adquirido a Manuel Ferreira da Cruz, administrador da massa falida da primitiva sociedade, que entretanto tinha falido.

Dois anúncios de 1905 antes da mudança de instalações

 

A “Casa Africana” muda-se, então, para as lojas do prédio do outro lado (poente) da Rua Augusta, igualmente esquina com a Rua da Victoria, tendo a sua inauguração tido lugar no dia 14 De Dezembro de 1905.

A propósito da inauguração das novas instalações, em 14 de Dezembro de 1905, o jornal “Diario Illustrado” noticiava:

«Os novos armazens da Casa Africana, fundada ha 33 annos, na rua Augusta, d'onde passou para o actual edificio, que tambem tem para alli uma fachada, tendo outra para a da Victoria e uma terceira para a do Arco Bandeira, ficaram hontem concluidas e serão hoje abertos ao publico.
O novo estabelecimento occupa todos os baixos da testa do quarteirão, anteriormente occupados pelas casas Gato Preto, Roda, Santos & Cardoso e Verol»

 

As obras foram projectadas pelo engenheiro Hermenegildo Augusto Blanc. «Todas as installações dos novos armazens são de uma singeleza elegante, estylo inglez, plancados pelo fino gosto do sr. Blanc e executados com esmero pela Marcenaria Portugueza.». Nos painéis das fachadas a famosa imagem de marca deste estabelecimento: o “Preto da Casa Africana”  que transportava os embrulhos e embalagens dos clientes.

O famoso “Preto da Casa Africana”

     

«(...) por todos aquelles mostruarios e prateleiras se veem avalanches de sedas, lãs, velludos e outros tecidos caros.
Nas grandes vitrines destacam-se as mais lindas e finas rendas, os chapéos e confecções modelos, as pelles mais ricas, applicações, passemaneries, fitas , plumas, botões, etc. (…)
O sr. Azevedo estava deveras satisfeito, determinando serviços a uma legião de empregados, verificando que cousa alguma faltasse nos seus respectivos logares e captivando, com a sua comprovada gentileza, os representantes da imprensa, que convidou para visitar a importante Casa Africana, que, sem duvida, fica sendo uma das primeiras do genero no nosso paiz.»

                Stand na “Exposição Industrial” de 1932                                                        1944

  

“Casa Africana” por altura do concurso de montras da “Semana dos Inválidos do Comércio” em Junho de 1933

 

                             1907                                                                                      1908

  

Cartão de descontos de 1956

Com a necessidade de expansão das suas instalações a “Casa Africana” inaugura em 1 de Outubro de 1932, as novas secções que vieram a ocupar os restantes três andares do edifício.

1963

                                             1941                                                                                        1954

  

1977

Em 1925 já tinha uma sucursal na cidade do Porto, na Rua 31 de Janeiro e em 1956 abre uma filial no Centro Comercial do Cruzeiro (primeiro Centro Comercial do país) no Monte Estoril.

                                            1925                                                                                       1959

 

A “Casa Africana” viria a encerrar definitivamente nos finais dos anos 90 do século XX. Hoje as lojas do mesmo edifício estão ocupadas pela “Zara”. Foto seguinte obtida a partir do “Google Earth”

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital, Hemeroteca Digital da CML, Delcampe.net

5 comentários:

Paula Lima disse...

Só ganhei coragem para entrar na Casa Africana já as portas estavam quase a fechar em plenos saldos para fecho. Lá por casa o nível económico não permitia compras por aqui e por isso sempre nos barrámos mentalmente de lá entrar, digo eu. Mas foi muito bom recordar uma loja que associao à meninice/adolescência (os Porfírios faziam mais sucesso a partir de determinada altura, mas aí eram os tamanhos xs que me faziam desistir)

José Leite disse...

D. Paula Lima

Grato pelo seu comentário.

A "Porfírios" era uma loja completamente diferente, mais virada para gente jovem e bem mais pequena.

Os meus cumprimentos

mário matos e lemos disse...

Trabalhei durante pouco mais de um ano nos escritórios da Casa Africana. Foi o meu primeiro emprego mas nem me lembro bem do ano. Talvez 1952, nem vinte anos tinha. Conheci então o principal sócio-gerente, Racine Freire da Cruz, de quem tenho as mais gratas recordações e a quem,infelizmente, nunca soube agradecer, em vida sua, todas as atenções que lhe fiquei a dever. é um remorso que me acompan hará até ao fim. Mário Matos e Lemos

Isabel Santos disse...

Que descoberta engraçada que eu fiz: o meu antigo emprego.
Um dia li no jornal que precisavam de empregada, eu tinha alguma experiência tanto em sapatos como em roupa. Arrisquei e fui à entrevista. Éramos muitas e, uma a uma, eu viã-as a sair desoladas. Chegou a minha vez. Tremia e estava recatada com a minha timidez. Lembro-me de me perguntarem, se estava disponível no momento e à minha resposta afirmativa, mandarem-me descer e dirigir-me à secção de sapatos. Fiquei logo a trabalhar. O movimento era muito e acabei por vender imensos pares de sapatos. Depois disso, corri as várias secções, sempre com muito êxito nas vendas, o que deixava as mais velhas de sobrolho arreganhado.
Um dia eu, a Teresa e a Valéria, fomos chamadas ao 3º andar (?) ao escritório dos patrões. Pouco conhecia as minhas colegas e pouco conhecia os meus patrões, que eram tão temídos por todos os funcionários. Olhavamos as 3 umas para as outras pensando que era o nosso fim. Mas apenas nos foi informado que no dia seguinte iríamos fazer mudar para a loja do cruzeiro n o Monte do Estoril.
E lá fomos, onde nos aguardavam colegas antigos na casa: o Sr. Morais, o chefe; a Florinda e a Gina, que mais tarde foi minha madrinha de casamento e ainda hoje somos muito amigas, assim como da Valéria.
Passamos bons momentos e alguns muitos engraçados.

Valéria Monteiro disse...

Tive conhecimento hoje desta página, pela Isabel Santos, minha grande Amiga e ex colega na Casa Africana do Estoril. Fomos selecionadas para inaugurar a Casa Africana no Cruzeiro, depois de ter sido submetida a um rebranding e dividida em três loja - cujo nome não me ocorre - mas que essencialmente serviam o segmento pronto a vestir de homem, de senhora e uma só para sapatos, malas e acessórios. Foi uma época muito engraçada daquelas lojas, entre 1984 e 89 (período em que lá trabalhei). Tivemos como Mestre a Virginia Coutinho (uma amiga inestimável), um elemento emblemático da Casa Africana, quer de Lisboa quer do Estoril, onde passou a última parte da sua vida profissional.
A Casa Africana era uma instituição, quer para os seus fincionários quer para a Sociedade em geral. Há gerações marcadas pela importância daquela loja no seu quotidiano.
Obrigada pela partilha deste acervo histórico tão valioso para nós.