5 de julho de 2016

Cinema São Jorge

O Cinema “São Jorge”, fruto de uma ideia que toma forma quando o industrial João Rocha faz sociedade com a empresa distribuidora de filmes “Rank British Picture Corporation” constituindo, para o efeito, a “Sociedade Anglo-Portuguesa de Cinemas, Lda.” que promoveria a sua construção. foi inaugurado em 24 de Fevereiro 1950, com a exibição do filme “Os Sapatos Vermelhos” com Moira Shearer. Foi a maior sala de cinema de Lisboa com capacidade para 1858 espectadores.

  

Filme da inauguração

Os primeiro ante-projectos para Cinema “São Jorge” foram desenvolvidos em 1947. Um projecto pelo arquitecto britânico Leonard Allen, que tinha ampla experiência na construção de edifícios congéneres no estrangeiro, e o outro pelo arquitecto português Fernando Silva. Acabaria por ser o arquitecto português Fernando Silva que elaboraria o projecto definitivo. A sua construção ficou a cargo da empresa “Manuel Nunes Tiago - Construções Civis e Industriais, Lda.”

                                                                     Desenhos do projecto, em 1947

 

O Cinema “São Jorge” veio ocupar o terreno antes ocupado pelo “Palacete do Barão de Samora Correia”

A lotação do Cinema “São Jorge” estava assim distribuída: 913 espectadores na Plateia e 914 espectadores distribuídos pelos Balcão de Luxo, Balcão Central e Balcão Superior

Sala de projecção e espectáculos

Plantas e preçário de 1953

Foi o primeiro a ter ar condicionado e sistema de aspiração interna para eliminação de poeiras. Construído com capitais luso-britânicos, no período de apenas um ano (entre 1949 e 1950), era dotado de um palco, dois foyers, sala de projecção privada, instalações para a gerência e salas de apoio técnico. Tinha uma excelente acústica e proporcionava aos visitantes um cenário de grande beleza e conforto. Lisboa via, no Cinema “São Jorge” uma obra superior - quer pela qualidade dos materiais quer pela modernidade das linhas - facto que valeu ao seu arquitecto, Fernando Silva, o “Prémio Municipal de Arquitectura” em 1951.

                                                      Entrada do Cinema “São Jorge” e escadaria para o 1º Balcão

 

 

Como atracção extra, durante os intervalos dos filmes, o escocês Gerald Shaw vinha tocar música num órgão eléctrico - ele próprio uma obra de arte - que se elevava do palco, para surpresa de todos.

                                                                      Bar e foyer do Balcão Superior

 

 

 

O Cinema “São Jorge” sofreu obras profundas em 1981, da responsabilidade do arquitecto Artur Pinto Martins e transformado em 3 salas de cinema. Na antiga Plateia nasceram 2 salas, a “Sala 2” com 250 lugares e a “Sala 3” com 181 lugares. No antigo Balcão nasceu a “Sala 1”, actual “Sala Manoel de Oliveira”, que é maior sala de cinema de Lisboa com 848 lugares.

O “São Jorge”, viria a ser adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa, em 1991, adaptando o espaço a um leque alargado de espetáculos, como o teatro e a música, para além do cinema. Em 2003, a “EGEAC - Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural” passou a assegurar a gestão do São Jorge, que depois de um período de encerramento para obras de beneficiação, reabriu ao público em Maio de 2006. Hoje em dia o “São Jorge” é palco de festivais de cinema, ante-estreias de filmes, concertos de música etc.

 Fotos do “São Jorge” actualmente

Foyer da “Sala Manoel de Oliveira” no 1º andar

“Sala Manoel de Oliveira”

 

                                           “Sala 2”                                                                                   “Sala 3”

 

Antiga Publicidade 

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Cinema São Jorge

2 comentários:

Portuguesinha disse...

Posso dizer que as cadeiras são do mais desconfortável onde já me sentei. Difícil ficar ali horas.
Será que foram alvo de reestruturação em 81? Parecem idênticas, embora decerto que o revestimento não deve ser... O será? 1981-2016: mesmo tecido vermelho?

José Leite disse...

Creio que as cadeiras são as mesmas, pelo tipo delas. Quanto ao tecido vermelho é que não é o original.

Cumprimentos