18 de outubro de 2015

“Pathé” e “Imperial” Cinemas

O "Pathé Cinema" localizado na Rua Francisco Sanches, em Lisboa, e propriedade da empresa "Pathé Cinema Lda.", foi inaugurado no dia 1 de Outubro de 1925. Com o seu nome associado à famosa empresa cinematográfica francesa "Pathé Frères" dos irmãos Émile e Charles Pathé, a capacidade total da sua sala era de 737 espectadores, assim distribuídos: 504 cadeiras na plateia, 132 lugares nos balcões, 69 nas fauteils e 32 em 8 camarotes.

O “Pathé Cinema” na lista dos cinemas de Lisboa, no jornal “Vanguarda” de 17 Junho de 1929

Em 1930, a empresa proprietária procedeu a profundas alterações na sala de espectáculos como na modernização dos equipamentos e instalação do sistema sonoro, obedecendo às exigências relativas à segurança e conforto dos espectadores em conformidade com o Regulamento dos Teatros, publicado em 1927, como também no Decreto-Lei que cria, posteriormente, a Inspecção-Geral dos Espectáculos. Por consequência, as modificações eram visíveis através do maior espaçamento entre as cadeiras, a introdução de coxias laterais, a largura estipulada para as escadas de acesso e as medidas adoptadas relativamente à iluminação suplementar e a instalação de bocas-de-incêndio. O seu nome seria alterado para "Imperial Cinema".

Novamente alterado, em 1953, o “Imperial” sob o projecto do arquitecto Fernando Silva (o mesmo que tinha projectado o "Cinema São Jorge", inaugurado em 1950), a sua sala ficaria reduzida a 586 lugares assim distribuídos: 145 nos balcões, 417 na plateia e 24 nos 6 camarotes. Este cinema chegou a ser considerado um dos mais luxuosos cinemas de bairro de Lisboa, com bar bem recheado e poltronas confortáveis.

Planta de 1953

Em 1957 o edifício é demolido e no seu lugar, e no do prédio contíguo entretanto adquirido pela empresa “Pathé Cinema, Lda.” viria a ser construído um novo "Imperial", projectado pelo arquitecto Fernando Silva, tendo reaberto em 16 de Março 1966 com o filme “Beija o Sangue das Minhas Mãos”. O novo “Imperial” oferecia 405 lugares na plateia e 345 no balcão.

No “Diario de Lisbôa” de 15 de Janeiro de 1957, com a legenda errada ao indicar “Cine Ideal” em vez de “Imperial”

1966

1966

    
Bilhete e programa gentilmente cedidos por Carlos Caria

12 de Outubro de 1967

Depois de uma grande remodelação, iniciada em Julho de 1973, focada na comodidade além de outras benefeciações, reabriria em 19 de Dezembro de 1973, agora com a sua designação original de "Pathé". Deixava de ser um cinema de reprise para passar a ser um cinema de estreia, exibindo filmes das distribuidoras "Filmes Castello Lopes" e "Filmes Lusomundo".

1977

Bilhetes e Programa

       

Depois de entrar em decadência, o cinema “Pathé” encerraria em 1987. Depois de ter funcionado como discoteca no início da década de 90 do século XX, encerraria definitivamente e entregue ao abandono, situação em que ainda se encontra …

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Malomil, IÉ-IÉ

3 comentários:

Anónimo disse...

As cadeiras do Pathé (versão 1973) eram das poucas que "afundavam" sob o peso do espectador. Um conceito interessante já que assim as cadeiras com crianças ficavam mais altas (porque o seu peso não era suficiente para as fazer descer), compensando de certa forma a sua menor altura.
Salvo erro, apenas o "Londres" apresentava também esta "inovação".

Esta é mais uma memória que resta hoje enterrada naquilo em que se transformaram hoje aquelas salas.
Quanto às crianças, sentam-se hoje em cima das cadeiras por abrir ou entretêm-se com o smartphone, afinal, esta história do "cinema" serve mesmo é para comer pipocas, os filmes vêm-se lá em casa no tablet ou no portátil...

A.Castanheira

José Leite disse...

Caro A. Castanheira

Está certo! O outro cinema com esse tipo de cadeiras foi o "Londres".

Quanto ao resto é a triste realidade que temos ....

Os meus cumprimentos

José Leite

José Carlos Igreja disse...

Vi aqui muitos filme