16 de novembro de 2011

Biblioteca Nacional de Portugal

Em 1796 é criada, por alvará de 29 de Fevereiro, a “Real Bibliotheca Pública da Corte”, herdando por orientação as linhas que lhe haviam sido traçadas por António Ribeiro dos Santos, por fundos aqueles que haviam pertencido à Real Mesa Censória (extinta dois anos antes) e por instalações provisórias a ala Ocidental da Praça do Comércio: tratava-se de dar forma a uma biblioteca pública, repositório da literatura e demais produção escrita científica representativa dos diversos campos do saber.

Capa e primeira página do Alvará de 29 de Fevereiro de 1796

A partir de 1834, a instituição viveu o seu primeiro grande desafio, com o afluxo de numerosos volumes e de documentação avulsa, proveniente dos antigos conventos e mosteiros do país, extintos nesse ano. Por forma a abarcar essas inúmeras colecções, a Biblioteca mudou também de local, abandonando as primeiras instalações do Terreiro do Paço para, em 1836, ocupar o Antigo Convento de São Francisco da cidade de Lisboa. A partir deste ano passa a designar-se “Biblioteca Nacional de Lisboa”.

Convento de São Francisco e antiga “Real Bibliotheca Pública”, no Largo da Biblioteca Pública

 

A ocupação do edifício do extinto Convento de São Francisco é distribuída por diversas instituições, reservando-se o 1.º piso para a Biblioteca, o 2.º para o “Depósito das Livrarias dos Extintos Conventos” e os demais espaços para a “Academia das Belas Artes” e para a Administração Geral do Distrito de Lisboa. Em 1841 o “Depósito das Livrarias dos Extintos Conventos” é incorporado na “Biblioteca Nacional de Lisboa”: no total, 176 700 volumes passam para a gestão da Biblioteca, além dos fundos entretanto acrescentados, onde se contam por importantes livrarias como a dos Clérigos Regulares da Divina Providência (Teatinos) ou de colecções, como a de Frei Manuel do Cenáculo. Ao longo do século e meio seguinte, os seus directores (entre os quais se contam nomes tão importantes para a Cultura Portuguesa como Jaime Cortesão ou Gabriel Pereira) não cessaram de engrandecer a instituição com novas colecções, mas também com Inventários dos núcleos já existentes e com exposições bio-bibliográficas

Instalações da “Biblioteca Nacional” no Convento de São Francisco

                                     Sala Camoniana                                                                   Sala das Bíblias                     

 

Sala de Leitura

Em 1936 mantêm-se os problemas ligados à conservação, bem como inúmeras dificuldades de organização geral dos serviços e de atendimento público, e em 1946, quando António Ferrão assume a Inspecção das Bibliotecas e Arquivos, ordena um inquérito aos estabelecimentos dependentes daquela inspecção. A questão do edifício da Biblioteca voltava à ordem do dia. Por consequência em 1950 retoma-se o processo, sendo nomeada uma Comissão destinada a pronunciar-se sobre a melhor solução, quer dizer, reconversão do edifício do Convento de São Francisco ou construção de novo complexo. Em 1951 a referida Comissão pronuncia-se a favor da construção de novas instalações para a “Biblioteca Nacional”.

O estado de conservação … em que se encontrava a “Biblioteca Nacional” em 1949

     

  

A elaboração do projecto é entregue ao arquitecto Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957), em 1952, cujo contrato assina a 4 de Setembro, e a direcção, execução e fiscalização da obra fica a cargo da DNISP. Em 1955 o ante-projecto concluído, é aprovado pelo Ministro das Obras Públicas, engenheiro Arantes de Oliveira, em Abril. O local escolhido foi o Campo Grande. O plano geral do ajardinamento dos espaços exteriores ficaria a cargo do arquitecto paisagista António Viana Barreto.

Alçado principal Nascente

Alçado Poente

Alçado Norte

Maquetas do novo complexo da “Biblioteca Nacional”, do artista Ticiano Violante

No Verão de 1956 o projecto definitivo encontra-se concluído, iniciando-se a construção; desde o ano anterior que os trabalhos preparatórios se encontravam em curso, incluindo aquisição de terrenos, sondagens geológicas e terraplanagens gerais. Entretanto em 1957 morre o arquitecto Porfírio Pardal Monteiro, pelo que o projecto além de ter sofrido um atraso de quase dez anos, será entregue ao seu sobrinho António Pardal Monteiro.

 

Em 14 de Outubro de 1968, inicia-se a transferência da “Biblioteca Nacional” para o novo edifício e em 1969 são feitos os baixos-relevos por Leopoldo de Almeida. Em 8 Fevereiro de 1969 visita oficial do Presidente do Conselho de Ministros, professor Marcelo Caetano, acompanhado pelos ministros das Obras Públicas e Educação Nacional, dispondo o edifício de alguns serviços já a funcionar embora ainda não estivesse concluída a mudança das colecções do Convento de São Francisco para o edifício do Campo Grande e inaugurado o novo complexo.

O novo complexo da “Biblioteca Nacional” de Portugal, é finalmente inaugurado a 10 de Abril de 1969, dezassete anos depois, com a presença do Presidente da República Almirante Américo Thomaz e o Presidente do Concelho de Ministros o professor Marcelo Caetano.

Biblioteca Nacional” em 1969

Como obra de Estado intimamente vinculada ao Modernismo oficial, a “Biblioteca Nacional” contou com vários artistas plásticos, que conferiram ao conjunto uma uniformidade estilística só possível no quadro das obras de patrocínio público do Portugal da 2ª República. Assim, sob a coordenação de Raul Lino, trabalharam Guilherme Camarinha (autor da notável tapeçaria historicista alusiva ao génio nacional, que tutela a Sala de Leitura Geral), Lino António (a quem se ficou a dever os murais do vestíbulo), Martins Correia (que realizou as estátuas exteriores), Leopoldo de Almeida (autor dos baixos relevos da fachada principal), entre muitos outros, responsáveis pelos mais variados aspectos, como o mobiliário, a iluminação, etc.

                                   Sala de Leitura                                                                                   Bar

 

Estátuas de Martins Correia

                 Eça de Queirós                     Fernão Lopes                         Gil Vicente                      Luís de Camões     

As instalações da “Biblioteca Nacional” revelaram-se modelares para a época. O depósito central, composto por dez pisos e uma capacidade superior a 2 milhões de livros, é do tipo de torre, integralmente construída em betão armado. A ele associam-se diversos espaços de leitura e outras áreas documentais (Periódicos, Reservados, Iconografia...), serviços de inventário, catalogação e oficinas, assim como vários átrios públicos, organizados em três andares essenciais. Mas o edifício foi pensado para muito mais que uma Biblioteca, sendo numerosos os gabinetes para investigadores e para pessoal especializado, contando-se ainda um auditório com capacidade para cerca de 240 lugares e espaços para exposições temporárias.

Entrada principal com fresco de Lino António e mobiliário de Daciano Costa

Salão Nobre ou do Conselho com tapeçaria de Carlos Botelho

 

Sala de Leitura Geral com tapeçaria de Portalegre de autoria de Guilherme Camarinha

Sala de Leitura de reservados

      Interiores                                                                               Auditório

 

Vestíbulo da entrada para o Auditório com painel de azulejo de Jorge Barradas

Interior do edifício “Depósito Central”

Em 2004 entre o património bibliográfico e documental da “Biblioteca Nacional de Portugal”, conta-se o fundo geral, composto por dois milhões e quinhentas mil obras, acondicionado na torre do depósito, onde ocupa mais de 30 km de prateleiras.

“Biblioteca Nacional de Portugal” actualmente

Obs: Projectos, maquetas e algumas fotos a cores foram retiradas do livro “Para o projecto global-nove décadas de obra - Arte, Design e Técnica na Arquitectura” do atelier Pardal Monteiro Vol I - Doutoramento em Design de João Pardal Monteiro pela Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. Lisboa, Dezembro de 2012.

fotos in: Biblioteca Nacional de Portugal, Monumentos, Arquivo Municipal de Lisboa

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