28 de dezembro de 2017

Recreios Whittoyne

O Circo e Teatro "Recreios Whittoyne", propriedade de sociedade por accções "Empreza Exploradora de Recreios WHittoyne", fundada pelo palhaço Henry Whittoyne, foi inaugurado em 6 de Novembro de 1875, nos jardins do "Palácio Castelo Melhor" - concluído em 1858 - actual "Palácio Foz”.

A empreza "Empreza Exploradora de Recreios Whittoyne" foi criada em 22 de Dezembro de 1874, tendo as suas primeiras acções sido colocadas à venda a partir desse dia, usufruindo os seus accionistas de uma entrada gratuita semanal, além do livre acesso aos ensaios. As restantes acções foram oferecidas para subscripção pública, no dia seguinte 23 de Dezembro. Ainda antes da inauguração do Circo-Teatro a primeira administração já se tinha demitido, razão pela qual, em 10 de Setembro de 1875, era convocada uma reunião para eleição da nova administração ...

22 de Dezembro de 1874

23 de Dezembro de 1874

10 de Setembro de 1875

Estas primeiras instalações eram compostas por um circo, teatro, café, restaurante, casa de jogos diversos, alamedas e jardins iluminados, etc.

6 de Novembro de 1875

30 de Dezembro de 1875

«Desmanchado o circo do Price veiu este alugar parte do edificio, com jardins, e ali inslailou os celebres Recreios de Withoyne, que fizeram as delicias da rapaziada de ha vinte e tantos annos. Construíram lá dentro um grande theatro, onde houve enchentes e delirantes applausos  quando lá se fez ouvir Moriones e outras artistas hespanholas, com as suas desenvoltas zarzuellas. Alli se representaram dramas e vaudevilles, com a graciosa Pepa, quando Salvador Marques leve a empreza. Tudo lá vae. . . Hoje o que ali está é o sumptuoso palácio do marquez da Foz, e o grande hotel contíguo. No fim de contas a gente vê com certa magoa estas transformações que levam na corrente em cada escombro alguma coisa da nossa vida, das nossas crenças, da nossa mocidade ! . . .» in: “Lisboa Antiga e Lisboa Moderna” (1900)

5 de Julho de 1878

Estas instalações seriam substituídas pelo Grande Colyseu, que vira a ser designado de “Colyseu dos Recreios” e cuja construção, no mesmo local, teve início em 6 de Junho de 1881 sob projecto do arquitecto Parente, com um custo total de 26 contos de réis. Seria inaugurado, em 27 de Maio de 1882, com um sarau «gymnastico-equestre» pelo "Real Gymnasio Club Portuguez", em benefício dos Albergues Nocturnos.

Notícia da inauguração na revista “O Antonio Maria” de Bordallo Pinheiro

Nestas novas instalações, actuaram além de companhias de ginástica, acrobáticas e equestres, algumas de ópera, opereta e zarzuela. A propósito da sua inauguração, a revista "Occidente" comentava:

«O coliseu é um recinto vasto: a arena é mais pequena que a do antigo circo de Price, mas em geral o circo é muito maior e comporta muito mais espectadores. Tem quatro qualidades de logares: 560 cadeiras, logo em torno da arena; 200 fauteuils por detraz das cadeiras na disposição em que o circo de Price eram os camarotes, 2000 logares de geral, pelo mesmo systema d'aquelle circo, e por cima da geral 62 camarotes n'uma ordem só.
Estes camarotes fazem mau effeito porque estão collocados a uma grande altura, mais altos que a 2ª ordem de S. Carlos e as divisorias convergindo todas para o centro da arena, tornando-os muito incommodos para os espectaculos que se derem no theatro.
Em frente do palco, por cima da entrada principal do circo, ficam os camarotes reservados para el-rei D. Luiz e para el-rei D. Fernando, para o proprietario do terreno dos Recreios, a filhinha do falecido marquez de Castello Melhor, e para a direcção da sociedade exploradora dos Recreios Whittoyne composta hoje dos srs. José Miguel Marques Rego, Julio Cesar da Silva e José Carlos Gonçalves.
A ornamentação do coliseu é pobre, mas da pior das pobrezas, d'aquella que finge rica e que no fim de contas sae carissima mais tarde.
Como circo o coliseu preenche as condições necessarias, mas como theatro deixa muito a desejar.
Parece-nos que foi um erro, na nossa terra e no nosso tempo, ao construir uma grande casa de espectaculos, pensar mais em fazel-a um circo de que um theatro.
No deliniamento do coliseu dos Recreios fez-se isso. Não é um theatro circo: é um circo, que em caso de necessidade arremedeia para theatro. (...)
O palco é acanhado, não tem urdimento que comporte o movimento theatral, o tablado não tem o declive proprio, de modo que as figuras que n'elle trabalharem, quando estiverem em varios planos empastam-se.
A sala depois de armada em platea é plana sem declive, de modo que os espectadores de traz difficilmente poderão ver o que se passa no palco, vendo apenas as cabeças dos espectadores que lhes ficarem á frente.
Dos camarotes muitos d'elles são inteiramente perdidos para os espectaculos theatraes, porque não se vê d'elles o palco.
Do aspecto geral do coliseu da sua architectura e ornamentação dá conta a nossa gravura.»

Localização dos “Recreios Whittoyne” dentro da elipse desenhada

Por outro lado Maria Rattazzi, no seu livro (traduzido) “Portugal de Relançe” de 1880, comentava:

«M. Whittoyne era um clown inglez que encantava o publico dos circos pelas suas deslocações, arleqninadas e pantomimas. Dotado do instincto mercantil da sua pátria, teve a habilidade de farejar capitalistas e de conseguir interessal-os na ideia de criar um jardim de verão, com diversões, jogos e theatros; o que prova a sua intelligencia e constitue o seu melhor elogio, por que não é negocio de pouca monta, segundo me informam, resolver um portuguez que tem dinheiro a empregar os seus fundos de maneira diversa que não seja a do empréstimo com a hypotheca privilegiada, a juro de 20 por cento! Mas como descobrir, como obter ura jardim no centro de Lisboa? Não era fácil empreza.
Procurou-se, investigou-se por muito tempo; cançados de explorar, foram por fim assentar vistas n'uma propriedade do marquez de Castello Melhor, n'uma collina cortada a pique, para a qual se sobe por quinze ou vinte lances d"escada, habilmente dissimulados, mas cujos declives era suavisar. Encontrado o local, tratou-se de recrutar accionistas; constituiu-se uma empreza e emittiram-se acções de 100 francos, que tiveram fácil collocação, porque representavam uma multidão de direitos qual d"elles mais próprio para engodar, a entrada livre, o passeio, o concerto, etc; emfim, a colónia viu apparecer successivamente sobre as suas cristas, um pouco espantadas, um theatro de madeira e de cartão pintado, uma .«galeria de lona pintada, kiosques de papulão pintado, um circo lilliputeano de papel pintado, e tudo isto subordinado a uma administração igualmente de papelão pintado, porque, pouco tempo depois da abertura d'esse maravillioso Eldorado que promettia todos os prazeres, e que se inaugurara ao som dos hymuos de risonhas esperanças, vendiam-se as acções, nas ruas de Lisboa, a 25 sous cada uma. Ora, ahi está o que sào as cousas! Assim passa a gloria n'este mundo! Sic transit gloria mundi!
Da derrocada financeira da empreza, restou, porem uma cousa: uma palmeira magnifica, objecto de todos o mais notável do estabelecimento, o único que realmente não é de papel, papelão ou cartão pintado. Os outros cartões subsistem ainda, verdade é; mas quão distantes das primeiras esperanças e como as suas frescuras estão baças e amortecidas! O theatro que aberto a todos os ventos se assemelha a uma estufa em que as vidraças estivessem quebradas, é explorado por acrobatas, velocipedistas, bezerros de três cabeças e outros phenomenos e uma companhia de zarzuela hespanhola (opereta). Merece esta menção honrosa; representam por vezes peças originaes que não carecem de brio e de bom sainete.
A clientela habitual dos Recreios não é absolutamente de primeira plano; aos domingos de verão uma excellente banda de musica regimental attrahe algumas pessoas de todas as classes ao jardim convertido em centro commercial de cocottes de toda a proveniência e natureza, convertendo-se assim em uma espécie de Bolsa galante; as vendedoras d'agua trajam á moda de vivandeiras, no género do vestuário da Isabel do Jockey-Club, e constituem uma das curiosidades d'aquelle recinto e das duas pseudo-divisões.
N'uma palavra, a invenção do clown inglez é pouco bafejada pela aura da fortuna; o jardim é um verdadeiro calvário.»

12 de Junho de 1880


O “Colyseu dos Recreios”, assim designado, teria uma vida curta já que em virtude da construção da estação central ferroviária do Rossio, estes viriam a ser expropriados. O seu último espectaculo ocorreu em 9 de Julho de 1887, com a exibição da ópera “La Traviata”. Oito dias depois já estava demolido. Recordo que estas construções eram em madeira pelo que a sua demolição era rápida, assim como quando ocorria um incêndio as consequências eram devastadoras.

Anúncios da última representação em 9 de Julho de 1887 e da sua total demolição, uma semana depois (!)

   

14 de Dezembro de 1888

Entretanto a "Empreza Exploradora de Recreios Whittoyne", é extinta e criada a “Sociedade de Recreios Lisbonense”. Esta adquire um terreno na, então, Rua de Santo Antão e promove a construção do actual “Coliseu dos Recreios”, inaugurado em 14 de Agosto de 1890, e cuja história poderá consultar neste blog, no seguinte link:  "Coliseu dos Recreios de Lisboa

Fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital

26 de dezembro de 2017

Confeitaria Nacional

A "Confeitaria Nacional", foi fundada por Balthazar Roiz Castanheiro, "Juiz mais velho" da “Irmandade de Nossa Senhora da Oliveira”, Padroeira dos Confeiteiros, em 22 de Dezembro de 1829, na Rua da Bitesga, em Lisboa.

Balthazar Roiz Castanheiro

Foi na “Confeitaria Nacional”, que inicialmente só tinha duas portas e ocupando apenas uma parte das lojas, que foram instalados os primeiros telefones de Lisboa, entre a sua fábrica e a Confeitaria. Mais tarde, depois de constituída a “Anglo-Portuguese Telephone Company”, em 14 de Setembro de 1887, foi entregue a essa Companhia a sua conservação, e ainda hoje se mantém esse telefone privativo, com um número simbólico, sem ligação para a rede.

Balthazar Roiz Castanheiro morre em 1869, e o seu filho mais novo, Balthazar Castanheiro Júnior herdou a empresa, que desde logo primou pela irreverência e pela inovação.

Balthazar Castanheiro Júnior

Em 1871 foi inaugurada na “Confeitaria Nacional” a iluminação a gás, «do qual se gastaram em Setembro 373 m3 a 60 reis cada, fornecidos pela “Companhia Lisbonense d’Iluminação a Gaz”. Com o aluguer do contador (para 50 luzes), pagou-se nesse mês a “elevada” quantia de 22$980».

Gravura no jornal “Diario Illustrado” em 22 de Dezembro de 1872

Em 1872 é aberto um salão no primeiro andar, com tamanho requinte que mereceu notícia de primeira página no jornal "Diario Illustrado" de 22 de Dezembro de 1872, que comentava:

«Dotado d'aquella perspicacia, que sabe segredar ao commerciante intelligente as suas verdadeiras conveniencias, o sr. Castanheiro emprehendeu e realisou n'esse mesmo anno importantes melhoramentos no seu estabelecimento, que occupa hoje, além das lojas desde nº 57 a 63, uma grande parte do 1º andar, aonde fundou um elegante salão, com gabinetes explendidos.
N'este pavimento vende no verão, alem de todos os refrescos, vinhos especiaes e pastelaria que ali encontram durante todo o anno, sorvettes de variadas especies, carapinhadas, soda nevada e a deliciosa bebida gelada a que os hespanhoes chamam ‘chufas’.»

Factura de 1872

22 de Dezembro de 1872

O prestígio conquistado entre os lisboetas levou a “Confeitaria Nacional”, em 1873, a pedir o estatuto de fornecedor da Casa Real Portuguesa, declarando ter «bom crédito e reputação comercial». O estatuto foi-lhe concedido por alvará do Rei D. Luis I. Nos anos que se seguiram a “Confeitaria Nacional” conquistou diversos prémios em exposições internacionais internacionais:  Viena de Áustria em 1873; Filadélfia em 1876; Paris em 1878 e Lisboa em 1884.

24 de Dezembro de 1875

 

 

Foi Balthazar Castanheiro Junior que trouxe de Paris para Portugal, em 1875, o “Bolo-Rei”, confeccionado com base no francês “Gateau des Rois”, tendo sido a “Confeitaria Nacional” quem introduziu o famoso “Bolo-Rei” em Portugal, e cuja receita ainda é a mesma utilizada na sua confecção actualmente.

24 de Dezembro de 1912

Em 1913, Rafael Castanheiro Viana, bisneto do fundador, assume o negócio. Com uma visão inovadora, promove, desde logo, a “Confeitaria Nacional” nos meios publicitários e jornalísticos da época. Informado das novas técnicas de publicidade, nos anos 40 do século XX, Rafael Castanheiro encomendou um novo logotipo estilizado, que marcou o seu período de gestão. Ainda hoje o logotipo da “Confeitaria Nacional” é baseado neste.

“Confeitaria Nacional”, na Rua da Betesga, no início do século XX

 

23 de Dezembro de 1929

“Confeitaria Nacional” em 1937

Anúncio publicitário em 1930

Edifício da “Confeitaria Nacional”, na Praça da Figueira em 1950

Actualmente a “Confeitaria Nacional” diversificou e abriu novas instalações sucursais da casa-mãe. A referir a “Confeitaria Nacional Belém”, junto à Torre de Belém com cais privativo para o seu barco “Confeitaria Nacional River Cruise”. A “Confeitaria Nacional Aeroporto”, no Aeroporto da Portela, em Lisboa e o “Confeitaria Nacional Quiosque” implantado no “Amoreiras Shopping Center”, em Lisboa.

 

 

“Confeitaria Nacional Belém”, com cais privativo para o seu barco “Confeitaria Nacional River Cruise”.

 

“Confeitaria Nacional Aeroporto” e o “Confeitaria Nacional Quiosque” 

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Lojas com História, Biblioteca Nacional Digital, Confeitaria Nacional

20 de dezembro de 2017

Quadra Natalícia

Nesta nova quadra natalícia, venho desejar a todos os leitores, seguidores e amigos deste blog, um Feliz Natal e um Bom Ano Novo de 2018.

Fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa

17 de dezembro de 2017

Casa do Povo d’Alcantara

A primeira loja “Casa do Povo d’Alcantara” abriu as suas portas em Abril de 1899, num gaveto entre a Rua do Livramento (actual Rua Prior do Crato) e a Rua Cascaes (actual Rua João de Oliveira Miguens).

                                    13 de Abril de 1899                                                                            1905

     

Este estabelecimento era propriedade de João de Oliveira Miguens (1867-1907), figura destacada do directório do “Partido Republicano Português”, Grão-Mestre da Maçonaria e que, em 1902, por ocasião do Convénio, organizou uma tentativa de levantamento armado em Alcântara. Assim se explica que pouco depois da implantação da Republica, em 1910, julgou por bem a Câmara Municipal de Lisboa atribuir o seu nome a uma Rua adjacente à sua antiga propriedade.

João Oliveira Miguens (1867-1907)

A “Casa do Povo d’Alcântara” era uma loja de piso térreo e que comercializava, sobretudo, tecidos e roupas, além de alfaiataria e camisaria, e em que os seus os fregueses recebiam pratos-brinde executados pela Fábrica de Louça de Alcântara, fundada em 1885.

No dia 18 Fevereiro de 1905 foi a esta a casa comercial que Manuel Gourlade, tesoureiro do “Grupo Sport Lisboa” pagou 12 mil réis, pela compra das primeiras 12 camisolas de flanela vermelha para o clube, fundado, em Belém, menos de um ano antes, em 28 de Fevereiro de 1904. A factura ainda existe e tem um merecido lugar de destaque no acervo do actual “Museu Cosme Damião”, do “Sport Lisboa e Benfica”.

Entretanto, com a morte de João de Oliveira Miguens em 7 de Janeiro de 1907, a loja "Casa do Povo d'Alcantara" é demolida e é iniciada, em 1906, a construção, a cargo de Guilherme Francisco Baracho,  de um novo e grandioso edifício em ferro e betão, com projecto dos arquitectos franceses Ch. Vieillard e F. Touzet, que demorou 14 meses e cujo custo, «comprehendendo o edificio, mobiliario, installações, etc., orça por uns cem contos de réis.». As instalações eléctricas ficaram a cargo de Alfredo de Brito. Recordo que tanto os arquitectos como o construtor, foram, igualmente, responsáveis pela construção da garagem Auto-Palace na Rua Alexandre Herculano e inaugurada em 1908.

“Casa do Povo d’Alcantara”, aquado da sua inauguração em 21 de Junho de 1907

8 de Agosto de 1907

Este novo edifício, e nova "Casa do Povo d'Alcantara", inaugurado em 21 de Junho de 1907, era propriedade de 32 sócios, «sendo seus directores os srs. Barroso & C.ª e José Antonio da Trindade, e formando o conselho fiscal as firmas: Oliveira Soares & C.ª, Santos Mattos & C.ª e Pacheco & Pinto.» além da mãe do falecido fundador. A gerência foi entregue a José António Trindade, que tinha sido o primeiro funcionário da antiga loja.

Edifício da "Casa do Povo d'Alcantara"

Localização do edifício da "Casa do Povo d'Alcantara", dentro da elipse desenhada

Quanto ao edifício, o jornal “Vanguarda”, assim o descrevia:

«O edificio magnifico, occupa um enorme espaço de terreno das ruas do Livramento e Cascaes, tendo onze vãos, dois dos quaes, um para a primeira rua indicada, com o nº 137, que dá acesso ao publico e outro com o nº 36, na segunda, para serviço do pessoal, despacho de fazendas, etc., constituindo os restantes os mostruarios externos do estabelecimento.
A armação, balcões, mostruario e mais mobiliario elegantissimos, são de carvalho do norte envernizado e os sobrados, á ingleza.
Ao fundo do estabelecimento ha uma larga e bem lançada escadaria desdobrada em dois lanços, que communica os tres pavimentos, vendo-se n'uma sobre-porta, á direita, o retrato do fundador da casa.
No primeiro pavimento acham-se installadas as secções de modas, fanqueiro, retrozeiro, perfumaria, luvaria, gravataria, etc., no segundo os de alfaiataria, camisaria, sapataria, chapelaria e sombreireiro, e no terceiro tudo quanto constitue a guarnição d'uma casa, desde a sala até á cozinha.
Pela porta da rua Cascaes entra-se para os despachos de fazenda, no pavimento terreo e no primeiro andar; e para os escriptorios e administração, no segundo andar.»

Lateral (à esquerda na foto) para a Rua de Cascaes

 

Cupão de desconto

22 de Dezembro de 1907

Última referência publicitária a que tive acesso, no Almanaque do jornal “O Mundo” para 1913

A existência da “Casa do Povo d’Alcântara”, não foi muito longa e, depois de encerrada e o seu interior ser profundamente transformado, tornou-se no café-concerto “Rialto”, inaugurado em 12 de Junho de 1937 e propriedade da firma “Tavares & Ferreira, Ltda.”. A sua existência foi ainda mais curta.

11 de Junho de 1937

1937

 

Se a existência da “Casa do Povo d’Alcântara”, não foi muito longa, então a do “Rialto” … e em 18 de Setembro de 1942, é fundado o “Atlético Club de Portugal”, fruto da fusão entre o “Carcavelinhos Football Club” e o “União Foot-ball Lisboa”, e instala a sua sede no edifício onde tinha funcionado a “Casas do Povo d’Alcântara” e o “Rialto”, razão pela qual, ainda hoje, este edifício é designado, oficialmente, por “Edifício do Atlético Clube de Portugal”.

Em 1945, o “Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa” compra o edifício promovendo um projeto de remodelação da responsabilidade do arquitecto António Lino que, entre outras alterações transformará as antigas portas do piso térreo em montras. Em 1990, é a vez da “Escola Superior de Artes Decorativas” da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva instalar-se nos pisos superiores onde ainda hoje se mantém.

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital