14 de fevereiro de 2018

Papelaria Palhares

A "Papelaria Palhares", situada na Rua do Ouro, em Lisboa, e propriedade da firma "Papelaria Palhares & Comandita" de António Palhares e seu filho Júlio Palhares, abriu as suas portas em 12 de Agosto de 1891.

Publicidade em 8 de Janeiro e 8 de Setembro de 1899

        

Para ilustrar a descrição desta famosa Papelaria, vou transcrever excertos (em itálico) retirados do texto dum artigo do jornal “Folha de Lisboa”, publicado em 1901.

«No dia 12 de Agosto de 1891, inaugurava-se em Lisboa a papelaria, typographia e litographia Palhares, e comquanto o estabelecimento já então patenteasse todo o fino gosto que tinha presidido á sua montagem, estava-se muito longe de esperar que elle, devido apenas á força de vontade de um homem á sua incessante lucta, chegasse ao grau de posperidade que hoje tem, e que, no seu genero, o torna um dos primeiros, senão o primeiro de Lisboa.

A casa Palhares, tão conhecida como um dos seus donos o nosso amigo Antonio Palhares, e uma das mais bem sortidas em artigos do seu commercio, em que predomina a papelaria, objectos de escriptorio, no que tem um sortimento do mais elevado bom gosto. Está o seu fundador relabionado com as fabricas e fornecedores mais abalisados do estrangeiro, e por isso ha ali sempre as ultimas novidades da moda, encontrando a élite da sociedade, o que ha de mais elegante, gracioso e fino para a correspondencia, etrennes, adresses, etcbem como tudo quanto se exige em comptoir de luxo.

Escrevaninhas exoticamente elegantes, papel que parece fabricado por mãos de fadas, emfim tudo quento o bom gosto pode produzir, a par com o solidamente util e commodo.
Entre os artigos mandados fabricar exclusivamente pelo sr. Antonio Palhares figura o papel para cartas denominado - Rainha Dona Amelia, - que é um verdadeiro primor.»

Respectiva gravura a ilustrar o texto

Anúncio de 10 de Agosto de 1901

No livro "Portugal; diccionario historico, chorographico, heraldico, biographico, bibliographico, numismatico e artistico" de Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, Vol I - 1904, pode-se ler:
«Almanach Palhares, burocratico, commercial e industrial, profusamente illustrado - Propriedade de A. Palhares e A. Morgado. Coordenado por Santonillo e A. Morgado. Lisboa, 1º anno, 1898; está publicado o 5º anno (1903), formando um grosso volume.»

A "Papelaria Palhares" estava, também, especializada em trabalhos litográficos, sendo fornecedor de diversos organismos do Estado, escolas, bancos e os principais estabelecimentos comerciais de Lisboa.

  

 

«Em trabalhos typographicos está a casa da rua do Ouro a altura de excutar todo o genero de trabalhos, principalmente no genero de phantasia, para o que dispõe de pessoal habilitado, machinas do mais moderno systema e lindissimas collecções de typos e vinhetas, rivalisando com os melhores estabelecimentos graphicos da capital e extrangeiro, como dá prova o artistico Almanch Palhares, um dos mais elegantes e bem feitos livrinhos que, n'este genero, se publicam entre nós.
É grande e muito graciosa a colecção de chromos para brindes e boas festas, não havendo talvez outro estabelecimento onde se encontre tão copiosa variedade e de tão esmerado gosto.»

“Almanach Palharaes de 1903”

                27 de Março de 1903                                                            22 de Dezembro de 1904

 

1905

Postais da autoria de Stuart Carvalhais editados pela “Papelaria Palhares”

        

Menú do almoço de 70º aniversário de António Palhares

Em 1 de Novembro de 1906, a revista “A Construção Moderna”, publicava um projecto do arquitecto Costa Campos, que visava a transformação da frente do estabelecimento, com a implantação de uma estrutura em ferro, e redesenho do seu interior, com novo mobiliário em madeira.

1 de Novembro de 1906

30 de Julho de 1910

Em 29 de Junho de 1916, o jornal "A Capital", num extenso artigo acerca das lojas existentes na Rua do Ouro, relatava:

«A Papelaria Palhares é das mais antigas casas da especialidade existentes em Lisboa. A sua reputação vem de longa data e pôl-a em relevo é prestar justiça a um dos melhores estabelecimentos da rua do Oiro, onde tem os nos. 141 e 143.
A Papelaria Palhares reformou ha pouco ainda todas as suas installações modernisando-se por completo.
O Almach Palhares deu a esta casa bastante voga, e entre os artigos que ahi se encontram figuram os seus papeis de phantasia, magnificos «bibelots», artigos de pintura. etc.»

Julho de 1922

A “Papelaria Palhares”, encerraria definitivamente poucos anos após o anúncio anterior, de 1922.

Antiga loja da “Papelaria Palhares” à esquerda da “Papelaria Fernandes” na foto 1968

Fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Municipal de Lisboa, Biblioteca Nacional Digital

2 comentários:

Anónimo disse...

Bom dia.
É curioso escreverem rua do Ouro (ou Oiro) e não rua Áurea, que é a designação da placa toponímica que que ainda lá está e pensei que fosse dessa época. Saberá quando terão resolvido mudar o nome?
Excelente informação da minha cidade, como sempre.
Cumprimentos
Gonçalo

José Leite disse...

Caro Gonçalo

Quanto à questão que me coloca, aconselho-o a visitar o blog "Ruas de Lisboa com Alguma História", no seguinte link:

http://aps-ruasdelisboacomhistria.blogspot.pt/search?q=rua+%C3%81urea

Lá obterá a resposta bem completa.

Os meus cumprimentos
José Leite