30 de janeiro de 2018

“Cityrama” em Lisboa

A empresa "Cityrama - Viagens e Turismo, S.A." foi fundada em 1962, em Lisboa, pelos irmãos Artur e José Capristano, no mesmo ano que fundaram a "Capristanos - Viagens e Turismo, S.A.". De referir que a designação "Cityrama" já era utilizada em Paris e Londres, empresas de visita das cidades em autocarro.

Recordo que a primitiva empresa conhecida por Capristanosfoi fundada como “Capristano & Ferreira, Lda.” no Bombarral, em 1933, cujos sócios fundadores foram Arthur Eduardo Capristano e Joaquim Ferreira dos Santos. Em 19 de Dezembro de 1961, a empresa “Capristanos” é vendida aos Claras Transportes, S.A.R.L.”. A história destas duas empresas podem ser consultadas neste blog nos seguintes links:Capristanose “Claras Transportes

É para o ramo do Turismo que Artur e José Capristano (filhos de Arthur Capristano) decidem mudar. Nos anos 60 do século XX, começava o "boom" do turismo e, em 1962, os dois fundam a “Capristanos Viagens e Turismo, SA” e a “Cityrama - Viagens e Turismo, SA.” A ascensão de ambas é meteórica, segundo Artur Capristano (neto), para quem a mudança de ramo «não foi nada mau negócio». O fundador, Arthur Eduardo Capristano morre a 22 de Julho de 1967. Dois anos depois, os filhos desfazem a sociedade e repartem entre si as duas empresas de turismo. Artur Capristano (filho) morre em 1994, com 71 anos de idade, e o irmão, José, quatro anos depois, aos 78 anos.

Autocarro verde da “Capristanos” em Sintra e autocarro da “Cityrama” em Lisboa

 

A viagem inaugural num autocarro da marca “Saviem” modelo SC1, da "Cityrama" teve lugar em 20 de Abril de 1964, a convite de Artur Capristano e do engenheiro Pardal Monteiro, com partida dos Restauradores.

«A descrição do trajecto é feita em português, sueco, italiano, espanhol, francês, alemão e inglês, por meio de um agradável texto gravado em fita magnética, e escrito, com leveza e espírito e sem empanturradelas históricas, por Francisco Mata.  A locução em português, igualmente agradável, é de Maria Leonor, Fernando Pessa e Moreira da Camara, cujos comentários explicativos alternam com música portuguesa, numa boa montagem de Jorge Alves.
Lugares cómodos, vidros que permitem uma visão ampla, auscultadores para o turista ouvir as explicações na língua que deseje e um itinerário muito bem escolhido fazem do "Cityrama" o veículo ideal para os turistas que visitem Lisboa.
E por cerca de sessenta escudos ficam com uma ideia exacta da cidade.»

Fotogramas retirados de um documentário da RTP, rodado em 3 de Abril de 1974

 

 

O trajecto durava 2 horas e 45 minutos. «É curioso referir que, nesta viagem exclusiva foi uma turista. Por engano metera-se no autocarro. Era uma velha senhora australiana que ficou encantada com o "imprevisto".» citações anteriores in: “Diario de Lisbôa”

“Saviem” SC1 modelo de 1960


Desenho digital gentilmente cedido por Eugénio Santos, via “
Memórias de Empresas e Autocarros Antigos

Na mesma época o “sui generis” autocarro da “Cityrama” em Paris. “Citröen” U-55 com carroçeria “Currus”

 

                                                          1972                                                                                               1973

 

1972

1974

  

O percurso - “Lisboa Sightseeing” - de um autocarro da “Cityrama” em 3 de Abril de 1974, era o seguinte:

Início na Rotunda do Marquês de Pombal; Campo Pequeno, pormenores exteriores da praça de touros; rotunda de Entrecampos, Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular; monumento ao Marechal Carmona, jardim do Campo Grande; Campus da Cidade Universitária, Reitoria e Faculdade de Letras; Avenida de Roma; Praça de Londres, exterior da igreja de São João de Deus e edifício do Ministério das Corporações; exterior do Instituto Superior Técnico; Monumento a António José de Almeida; exterior da Casa da Moeda; exterior e visita ao interior do Museu Nacional dos Coches;  visita à Torre de Belém; monumento aos Descobrimentos; exterior e visita ao interior do Mosteiro dos Jerónimos; Praça do Comércio, estátua equestre de Dom José I; arco da Rua Augusta; Praça D.Pedro IV (Rossio); exterior do Teatro Nacional Dona Maria II; avenida da Liberdade e Marquês de Pombal.

1992

Actualmente, a “Cityrama - Viagens e Turismo, S.A.” está integrada no “Grupo Barraqueiro”, o maior grupo de transportes privados da Península Ibérica, e representante da marca “Gray Line”, uma cadeia de agências presente em mais de 700 destinos mundiais. Atualmente, a “Cityrama” é líder de mercado no segmento de mercado dos circuitos turísticos, onde detém 40% da respetiva quota de mercado.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Fundação Portimagem, Memórias de Empresa e Autocarros Antigos

1 comentário:

LuisY disse...

Bem que me recordo de ver em miúdo esses autocarros da Cityrama nos finais dos anos 60, inícios dos anos 70. Os meus irmãos e eu ficávamos excitadíssimos com aquelas viaturas de amplas superfícies envidraçadas, que nos pareciam moderníssimas e depois lá dentro imensos estrangeiros, com um ar tão diferente do nosso. No fundo, aqueles autocarros representavam a Europa moderna, que visitava um país ainda muito provinciano. Hoje, já não ligamos nada aos modernos autocarros de turistas, pois a cidade está cheia deles e no fundo já não somos tão diferentes deles como isso.

Um abraço