19 de novembro de 2017

Hotel Residencial Infante Santo

O “Hotel Residencial Infante Santo”, projectado pelo arquitecto Alberto Pessoa e propriedade da empresa “F.H. d’Oliveira & C.ª, Lda.”, foi inaugurado no dia 28 de Maio de 1957, na esquina da Avenida 24 de Julho com a Avenida Infante Santo, em Lisboa.

“Hotel Residencial Infante Santo” dias antes da inauguração, e no dia da inauguração

 

A empresa proprietária do Hotel, “F.H. d’Oliveira & C.ª, Lda.”, fundada em 1895 e que actuava no ramo do comércio de materiais para a construção civil, com instalações contíguas ao Hotel, na Avenida 24 de Julho, ao comemorar os seus 60 anos decide entregar o projecto desta unidade hoteleira a construir no seu terreno, ao arquitecto Alberto Pessoa (1919-1985) em 1955. Lembro que este arquitecto já era responsável pelos projectos dos grandes edifícios habitacionais na Avenida Infante Santo.

“F.H. d’Oliveira & C.ª, Lda.”

Terreno onde viria a ser implantado o “Hotel Residencial Infante Santo” e projecto inicial do arquitecto Alberto Pessoa

 

À data da sua inauguração, o “Hotel Residencial Infante Santo”, classificado com 3 estrelas, oferecia 27 quartos, sendo que 5 eram suites e 22 duplos,todos equipados com casa de banho, telefone e TV.  Tinha serviços de cabeleireiro e manicure, lavandaria e pequenos-almoços. No piso da entrada principal pela Rua Tenente Valadim, tinha Bar, Snack-Bar. O “Restaurante Infante Santo” ocupava a loja do edifício era independente do Hotel, tendo sido dado à exploração.

 

Etiquetas de bagagem e anúncio em 9 de Novembro de 1957

Hotel Infante Santo.1 Hotel Infante Santo.5 (9-11-1957) 

Conjunto residencial projectado pelo arquitecto Alberto Pessoa para a Avenida infante Santo

Em 1983 o “INATEL - Instituto para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores” adquiriu este Hotel e a partir desse ano e até ao seu encerramento, em 1998, serviu de Centro de Férias. O seu encerramento como unidade hoteleira ficou a dever-se à evolução da zona onde está inserido, que acabou por se transformar numa área «pouco turística, com muito movimento automobilístico e com a construção de um viaduto que passa ao lado e em frente dos quartos», referia um responsável do Inatel. Isto aliado à sua pequena dimensão (só tinha 30 quartos), que dificultava a sua gestão no âmbito do Turismo Social, e ainda o facto de serem necessárias obras de reabilitação e de actualização de normas hoteleiras acabou por ser decisivo para os responsáveis do Inatel encerrarem o hotel.

Desde o fecho, o edifício foi arrendado ao “Instituto da Segurança Social, I.P.”, «que realizou estudos para o utilizar como equipamento de Solidariedade Social», mas em 2013 seria assaltado e vandalizado.

Estado actual do edifício em fotos retiradas do “Google Maps”

 

Este edifício encontra-se encerrado e pertence à “Fundação Inatel” que o herdou da então “INATEL - Instituto para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores” aquando da mudança de estatutos desta em 25 de Junho de 2008.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa

3 comentários:

APS disse...

Caro amigo José

Mais um artigo seu que me é familiar. Nos anos de 1958/59, tive uma "SOCIEDADE" (não oficializada) com o nome de "ORGANIZAÇÕES ARTÍSTICAS «MONTE CARLO», (coisas da juventude) e o curioso é que fazia-mos as nossas reuniões no Bar desse HOTEL INFANTE SANTO. Eu era Director-Adjunto, mas também cantava, e minha mulher. Ainda tenho o cartão com foto. Ao ver agora estas fotos levou-me a recordar anos para trás. Velhos tempos! Um abraço. APS

José Leite disse...

Amigo Agostinho

Grato pela partilha das suas recordações, neste caso "artísticas" ... -)

Abraço
José Leite

Anónimo disse...

Esse excelente arquitecto foi também autor da sede e do museu Gulbenkian, edifício emblemático de Lisboa, juntamente com os arq° Pedro Cid e Ruy d'Athouguia. Este blog ajuda a lembrar edifícios, mas também pessoas!
Cumprimentos. G.