15 de dezembro de 2016

Quadra Natalícia

Caros leitores e amigos

Desejo a todos os leitores, seguidores e amigos, um Natal Feliz e um bom Ano Novo de 2017.

Entretanto vou fazer um interregno na publicação de novos artigos, até ao final do ano. As novas publicações serão retomadas em 2 de Janeiro de 2017.

Os meus melhores cumprimentos.
José Leite

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

13 de dezembro de 2016

Antigamente (138)

Primeiros semáforos em Lisboa com o sentido de trânsito, ainda, pela esquerda na Avenida da Liberdade, em 1927

Comando dos semáforos, ainda manual e à noite

Obs: O sentido de trânsito em Portugal só seria trocado, como hoje o conhecemos, a 1 de Junho de 1928.

Cantina Escolar do Campo Grande, em Lisboa

Praia de Pedrouços, em Lisboa

 

“Capitania dos Portos” em S. Vicente (Cabo Verde)

fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa

11 de dezembro de 2016

Café Suisso

O "Café Suisso" foi fundado em 1848, no Largo de Camões (actual Praça Dom João da Câmara), em Lisboa, por dois irmãos suíços, um dos quais de seu nome João Meng, que tinha uma padaria na esquina da Rua da Escola Polythecnica com a Rua da Penha de França.

Quando o “Café Suisso” abriu, o prédio mandado construir por António José da Silva, um ferrageiro da Rua das Portas de Santo Antão esquina com o Beco do Forno, ainda não estava concluído. No começo, a sua actividade distribuiu-se entre a pastelaria e café, acabando por se resumir exclusivamente a Café.

João Meng, que morava numa sobreloja do Café, era «obsequioso afavel, parecendo ter vindo ao mundo entre uma curvêta e um sorriso, o Meng jámais deixou de superintender no seu botequim, sempre em mangas de camisa. Com o dobar dos annos largou o café a um seu empregado, que, por fallecimento, o legou aos seus creados Leonardo e Antonio. Em 1848, percorriam as ruas tres musicos italianos, um clarinete e dois harpistas, que tocavam no Suisso e a quem o chroniqueiro matutino alludia n'estas linhas: - ‘Dão concertos por qualquer finta no café Suisso da praça de Camões e no Marrare do Polimento’»

No “Novo Guia do Viajante” de 1865

Pormenor da lateral para a Rua Primeiro de Dezembro do “Café Suisso”

Lista dos principais Botequins ou Cafés de Lisboa em 1880

«Nos primeiros anos, o Café estava praticamente deserto durante a tarde. à noite misturavam-se ali fadistas e cocheiros famosos com os estudantes, conselheiros, funcionários público e ministros. Os jogos da moda imperavam pelos quatro cantos da grande sala, iluminada a gás: gamão, xadrez e dominó. Saraiva de Carvalho, antes e depois de ser ministro, era o mais conhecido cliente que jogava gamão. Vencia quase sempre e muitas vezes ensinou ali mesmo o jogo a potenciais adversários do sexo feminino.» in “Lisboa Desaparecida” Vol I.

Nos seus tempos áureos o “Café Suisso”, que se localizava no prédio contíguo ao do famoso Café Martinhoteve como clientes, Rebello da Silva, Saraiva de Carvalho, general Pinto Carneiro, o matemático Marrecas Ferreira, Brito Limpo, Notta Pegado, e outras pessoas ligadas às letras e ciências.

Na revista "Olissipo": «Café Suisso Restaurant - é a tabuleta a toda a largura ocupada pelas quatro portas. Diante abancam cidadãos de respeitável bigode e respeitável "coco", um ou outro chapéu mole, democrático; à roda os criados de peitilho engomado, laço preto e avental branco comprido, a bandeja debaixo do braço, olhando também ... »

Enquadramento do “Café Suisso” e do seu vizinho “Café Martinho” na Praça Dom João da Câmara

Café Suisso.6

«Em 1898, o Suisso cambiou de proprietarios, e hoje vê narcisar-se, nas laminas dos seus espelhos, uma segunda edição, incorrecta d'esses figurões, que o humorista Thackeray daguerreotypou no The Book of Snobs.». A partir desta altura o “Café Suisso” inicia o serviço de restaurante, passando a “Café Restaurant Suisso”

1941

A demolição do edifício do "Café Suisso" e do edifício adjacente onde tinha estado instalado o "Grande Hotel de Inglaterra", depois de decidida em Março de 1948, teria início em 7 de Fevereiro de 1952. Com a demolição do edifício desaparceria o “Café Suisso”.

"Grande Hotel de Inglaterra" antes da sua demolição e após a mesma já com o “Café Suisso” encerrado

 

Os dois prédios já demolidos e o projecto dos novos edifícios que viriam a ser construídos

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Digital

6 de dezembro de 2016

Claras Transportes

A empresa “Claras Transportes S.A.R.L.”, com sede no Largo General Baracho, em Torres Novas, teve origem em 1854, quando João Rodrigues Clara iniciou um serviço de trens de aluguer para passageiros entre Torres Novas e a Ponte da Asseca, em ligação ao canal da Azambuja.

Em 1866, ano oficial da fundação da empresa “João Rodrigues Clara”, iniciavam-se as carreiras de trens entre Torres Novas e as estações ferroviárias de Torres Novas e Entroncamento. Em 1912, a firma tomava o nome de “Izidro Rodrigues Clara”, filho do fundador, e introduzia os veículos automóveis, mantendo todavia os antigos trens.

Sede da “João Clara & Cª. (Irmãos), Lda.” no Largo General Baracho, em Torres Novas e provavelmente em 1938

Em 1920, é criada a empresa “João Clara & C.ª (Irmãos), Lda.”, mantendo a sua sede em Torres Novas no Largo General Baracho. A sua filial em Lisboa passaria, em 1942, para uma garagem privativa na Rua Andrade, aos Anjos, e anos mais tarde para a Rua Cidade de Liverpool, também no Bairro dos Anjos.

Autocarro “Ford” da “João Clara & Cª. (Irmãos), Lda.”

                                              1942                                                                                        1955

    

                          Autocarro “REO” de 1937                                                Passeio num autocarro “Borgward”

 

Em 1958, na sua evolução natural funda a “Claras Turismo” que em Lisboa abre a sua loja na Avenida Fontes Pereira de Melo. Viria a ser uma aposta estratégica que se reforçaria com a  compra, no ano de 1961, da empresa de transporte de passageiros Capristanos”, - com origem na firma “Capristano & Ferreira, Lda.” fundada no Bombarral em 1933 - com sede nas Caldas da Rainha, a que se seguiram outras aquisições. Em 1964, junto ás suas instalações em Leiria, constroem a “Estalagem Claras”, na Avenida Heróis de Angola.

Loja da “Claras Turismo”, na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa

Julho de 1963 na revista “Olissipo”

4 de Julho de 1964

1963

No final dos anos 60 do século XX  até 1971, a empresa entra numa fase de expansão e adquire as seguintes empresas de transportes:

“Empresa de Viação de Vila Nova de Oliveirinha, Lda.” de Tábua
“Manuel Martins & Sebastião Martins, Lda.”, de Castelo Branco
”União Automóvel Leiriense, Lda.”, de Leiria
”Francisco Ferreira Vinagre.” de Santarém
“Henriques, Lda.” de Torres Vedras
”Empresa de Transportes Mecânicos Luso-Buçaco, Lda.”, do Luso
”Empresa Marins”, de Castelo Branco

Horários de 1968 e 1970

Em 1971, a empresa “João Clara & C.ª (Irmãos), Lda.”, mudaria a sua designação para “Claras Transportes, S.A.R.L.”. Nesta altura já era a maior empresa de autocarros de transporte de passageiros do país, com mais de 500 autocarros, 439 carreiras e 1.074,4 quilómetros concessionados. Nesta altura, já tinham o terminal da zona Sul em Lisboa na Rua Cidade de Liverpool, transferido, mais tarde para a Avenida Casai Ribeiro, excepto o “Sol Expresso” que fazia parte do “Grupo de Empresas Transportadoras Privadas” que tinha o seu terminal na rua de Entre- Campos (junto à Praça do Campo Pequeno) e, mais tarde, na Avenida Duque de Ávila, 12.

Autocarro “Guy” dos “Claras” e da “Cityrama” na Praça dos Restauradores, em Lisboa

 

Autocarro “AEC UTIC” 740

1971

1972

Em 12 de Junho de 1975, seria, nacionalizada e incorporada na “RN - Rodoviária Nacional, E.P.”. Em 1 de Fevereiro de 1991 transformar-se-ia na “Rodoviária Tejo, S.A.”.

Autocarro “AEC UTIC” U2037

Modelo similar ao do desenho anterior já com a designação de “RN - Rodoviária Nacional”

        

Agradecimentos:
Bilhetes, emblemas, chapas e condecoração publicados neste artigo foram gentilmente cedidos por Carlos Caria.
Horários gentilmente cedidos por Jorge Monteiro via Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Desenhos digitais publicados, foram gentilmente cedidos por Eugénio Santos, via “
Memórias de Empresas e Autocarros Antigos”.

Bibliografia: Mediotejo.net e Cabo Carvoeiro Memórias

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Memórias de Empresas e Autocarros Antigos, Fundação Portimagem, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdios Mário Novais)