28 de julho de 2016

Sport Algés e Dafundo

O “Sport Algés e Dafundo“, foi fundado em 19 de Junho de 1915 e teve origem na fusão de um grupo de futebol chamado “Sporting Club Dafundo”, criado, em 1913, por Domingos Francisco Veloso de Lima e composto, entre outros, por Mário de Almeida, os irmãos Cunha, os irmãos Alfredo, Albano Pimenta Araújo e Rodrigo Bessone Basto, e pelo “Algés Football Club”.

O novo clube, adoptaria como cores o verde e o branco, decidindo dedicar-se à natação, ao polo aquático - ou water polo, como então se dizia -  e às actividades náuticas como a vela e o remo. Como nenhum dos antigos clubes tinha Sede, Domingos Lima alugou uma casa na extinta Vila Matias, n° 31. Em 15 de Outubro de 1916 muda-se para aquela que seria a sua segunda Sede, no ainda existente prédio do n° 7, 1 ° andar, do Largo da Estação. Ali se manteve até à construção do “Estádio Náutico”, e ali se discutiram, como recordava Fernando Sacadura num artigo de memórias inserto na publicação comemorativa do 41° aniversário, muitos problemas ligados à natação, se delinearam organizações afamadas de provas de rio, que emprestaram invulgar movimento e colorido ao Tejo com grandes flotilhas de acompanhamento, se estabeleceram bases de campeonatos de water polo, se meditou sobre estilos de nadar (o findgem era o mais vulgar) e se assentaram as ideias que originaram a construção do Estádio Náutico, que deu apreciável impulso para o desenvolvimento das modalidades. Até à construção da piscina, os nadadores treinavam no rio Tejo, na praia de Algés.

VII Travessia de Lisboa a Nado entre Xabregas e Algés em 1927 (fotos da partida e da chegada)

 

Travessia do Tejo, a partir da praia da Trafaria em 1929

 

O crescimento do “Sport Algés e Dafundo” nos primeiros tempos de vida deve-se fundamentalmente ao facto de entre os seus fundadores se contar o mais extraordinário nadador revelado naquela época, Rodrigo Bessone Basto, vencedor incontestado, de 1916 a 1926, de todas as provas de rio, as famosas travessias, únicas que era possíveis realizar, por não haver piscina. Por outro lado, o “Ginásio Clube Português” organizava todos os anos uma prova marítima da Trafaria ao Bom Sucesso. O vencedor era sempre o às Formosinho.

Mas seria na modalidade de polo aquático, que o “Sport Algés e Dafundo” ganhou o seu primeiro troféu, a  “Taça Maria Emília”, num torneio organizado junto à praia da Cruz Quebrada, em 24 de Setembro de 1916.

Festa em 24 de Janeiro de 1931 no “Sport Algés e Dafundo”

              Inauguração do Campo de Ténis em 1931                            Inauguração da época de natação de 1945

 

Em 5 de Maio de 1928 é feito o lançamento da primeira pedra para a construção do “Estádio Náutico”, com toda a solenidade. Maria Vitória Santos, de 7 anos, a mais jovem nadadora do Clube, cavou com uma enxada o local onde seria lançada a mesma. José Cordeiro Júnior partiu a tradicional garrafa de champanhe. A 10 de Maio, a Câmara Municipal de Oeiras comunica a aprovação dos projectos para a construção da Sede, na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra, e projectada pelo arquitecto Raúl Tojal (1900-1969), ficando isentos das taxas municipais. Comprado o terreno, começaram-se as obras.

Início da construção da Piscina em foto de 30 de Agosto de 1929

A 13 de Julho de 1930, foi a inauguração oficial da Piscina e respectivas instalações de apoio, com a presença do chefe do Estado, General Óscar Carmona e dos Ministros do Interior, Dr. António Lopes Mateus e da Marinha, Luís Magalhães Correia. Trinta e cinco dias depois do banho lustral e catorze meses depois do lançamento da primeira pedra. Mais um recorde do “Sport Algés e Dafundo”.

Inauguração da Piscina com as bancadas ainda não concluídas e nadadores participantes

 

 

Colaboraram nesta inauguração o “Club Sportivo Pedrouços”, o “Sport Lisboa e Benfica”, o “Clube Nacional de Natação”, o “"Clube de Futebol “Os Belenenses” e o “Casa Pia Atlético Club”. A primeira prova realizada foi uma corrida de 4x200. Ganhou a equipa do SAD composta por Azinhais dos Santos, Alfredo da Conceição, Hermano Patrone e Manuel Cardoso.

“Estádio Náutico” já concluído

 

 

 

Prova de Pólo Aquático em 1945

Em 9 de Novembro de 1931 o “Sport Algés e Dafundo” passa a gozar do estatuto de utilidade pública.

Resenha histórica na “Gazeta dos Caminhos de Ferro” em 1959

Na história mais recente do “Estádio Náutico”, de destacar a inauguração da Piscina de Inverno, em 1968 e a construção da cobertura da Piscina, em 1977, onde foram instalados um Pavilhão Gimnodesportivo e dois novos e amplos ginásios, bem como diversas estruturas de apoio.

 

E não só de desporto viveu o “Sport Algés e Dafundo”, já que desde 1928 exibia cinema tendo para tal adaptado uma das bancadas a essa finalidade. Mas em 17 de Maio de 1936, inaugura o seu Cinema “Stadium” com 821 lugares e 14 camarotes, Entre as suas finalidades essenciais contava-se a promoção de um espaço de lazer e recriação cultural dos associados e a criação de uma fonte de receitas estável para o Clube.

“Stadium” ainda com o écran e cadeiras de madeira iniciais

“Stadium” depois de renovado

Planta e preços de 1953


bilhete e programa gentilmente cedidos por Carlos Caria

Os anos seguintes vieram a provar plenamente a visão dos seus criadores. Em 1945, o Cinema continuava como principal fonte de receita do Clube. O seu movimento anual ascendeu aos 700.000$00 e o lucro da gerência correspondente foi de 222.051$43, quase o dobro do ano anterior. Durante cerca de duas décadas, o Cinema “Stadium” constituiu-se um importante polo dinamizador da comunidade envolvente e, através da publicidade e das receitas directas, um elemento fundamental na consolidação financeira do Clube. No entanto, a partir dos anos 60, com a proliferação de espaços alternativos e a inauguração da Televisão, a atracção exercida pelo cinema do Algés foi-se tornando progressivamente menor, com a consequente diminuição das receitas. Assim, apesar de continuar a ser utilizado para celebrações esporádicas e para a cedência a instituições interessadas, o Cinema “Stadium” deixa de apresentar filmes com programação regular, apresentando-os pontual esporadicamente até meados dos anos 80 do século XX.

Hoje, o “Sport Algés e Dafundo”  é um clube desportivo amador, de perfil ecléctico e vocação competitiva e olímpica. Praticando muitas e diversas modalidades desportivas, nos mais diversos escalões etários, é uma colectividade com grande impacto na juventude da sua região (mais de 2.000 atletas em actividade), não só do ponto de vista desportivo, como também do da integração social dos jovens.

         

A par das suas prestações nacionais, possui ainda um palmarés invejável no que respeita a provas internacionais. Para além de inúmeras participações em campeonatos europeus e mundiais, esteve representado com 47 atletas seus de Natação, Ginástica Rítmica, Judo e Vela nas diversas edições dos Jogos Olímpicos desde 1952, a esmagadora maioria dos quais continuou a praticar no Clube ou transitou para a equipa técnica das respectivas modalidades.

 

 

As modalidades desportivas do “Sport Algés e Dafundo” englobam, actualmente: Natação, Polo Aquático, , Basquetebol, Vela, Judo, Taekwondo, Fitness, Ginática Rítmica, Hidroginástica, Musculação e Hydrorider.


gentilmente cedido por Carlos Caria

No Ensino também com a Ocupação de Tempos Livres de crianças que frequentem o 1º e 2º Ciclos do Ensino Básco e acompanhamento pedagógico e apoio escolar.

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Bibliografia: site “Atletismo Magazine Modalidades Amadoras

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdios Mário Novais),  Hemeroteca Digital, Arquivo do Dário de Notícias, Sport Algés e Dafundo, Malomil

27 de julho de 2016

Vila de Sesimbra (8)

Praia da lota e um burrito carregando uma caixa do belo peixe espada

Autocarro da empresa “Covas & Filhos, Lda.” e horário de 1952

 

Prancha de saltos frente à “Praia da Califórnia”

Largo da Marinha e “milhões” de autocarros de forasteiros

fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Delcampe.net

25 de julho de 2016

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

A “Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves”, também conhecida por "Casa Malhoa", foi mandada construir em 1904 pelo pintor José Vital Branco Malhoa (1855-1933), na, então, Avenida António Maria d’Avellar (actual Avenida 5 de Outubro) e Rua Pinheiro Chagas, junto ao Palacete Silva Graça”, com a finalidade de ser sua residência e atelier, tendo sido a primeira «Casa de Artista» de Lisboa. Com projecto do arquitecto Joaquim Manuel Norte Júnior (1878-1962), e a sua construção a cargo de Frederico Augusto Ribeiro é finalizada em 1905 e ganha o "Prémio Valmor de Arquitectura" de 1905.

 

Notícia da atribuição do “Prémio Valmor” no “Annuario da Sociedade dos Architectos Portuguezes” em 1905

Foto da casa de José Malhoa, no Annuario e anuncio do construtor da mesma em 1905

 

Na revista “Illustração Portuguesa” de Novembro de 1906

Em 1919, José Malhoa mudou-se para a Praça da Alegria, Em 1920, mudar-se-ia de novo, e definitivamente, para uma casa na Travessa do Rosário, na freguesia de São José, até à sua morte em 1933. Entretanto  a sua  casa na Avenida António Maria d’Avellar é adquirida em hasta pública pelo Dr. Anastácio Gonçalves, médico oftalmologista e grande coleccionador de obras de arte.

Dr. Anatácio Gonçalves pintado por José Malhoa em 1932

 

Casa na Travessa do Rosário onde José Malhoa viveria entre 1920 até à sua morte em 1933

 

Em 1969, por vontade expressa do colecionador, o edifício é legado ao Estado Português para aí se criar um Museu, que abriria ao público em 1980 com a designação de “Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves”.

 

    

 

Em 1996, com projeto dos arquitetos Frederico e Pedro George, foram realizadas obras de ampliação e beneficiação, anexando-se ao edifício original uma moradia contígua também assinada pelo arquitecto Norte Júnior. O novo espaço proporcionou o alargamento da área de acolhimento do visitante com loja, cafetaria e zona para exposições temporárias. A “Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves” reabriu em Dezembro de 1997 com a sua configuração actual.

 

 

 

 

O conjunto de cerca de 3.000 obras de arte compõe-se por três grandes núcleos: pintura portuguesa dos séculos XIX e XX, porcelana chinesa e mobiliário português e estrangeiro. Existem ainda importantes núcleos de ourivesaria civil e sacra, pintura europeia, escultura portuguesa, cerâmica europeia, têxteis, numismática, medalhística, vidros e relógios de bolso de fabrico suíço e francês. Para além das obras reunidas pelo colecionador, a “Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves” encerra ainda um significativo espólio documental e um conjunto de desenhos, aguarelas e pequenos artefactos pertencentes ao espólio do pintor Silva Porto.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Hemeroteca Digital de Lisboa, Património Cultural