28 de fevereiro de 2016

Papelarias Emílio Braga

A “Papelaria Emílio Braga, Lda.” foi fundada na Rua Nova do Almada, em Lisboa, por Emílio da Silva Braga, em 1918. Com as suas oficinas de tipografia situadas na Rua do Arco do Bandeira, especializou-se em cadernos para fins comerciais, legais e “livros” de contabilidade,  sendo desde logo considerada uma das melhores papelarias de Lisboa.

Loja da “Papelaria Emílio Braga, Lda.” na Rua Nova do Almada

Oficinas tipográficas na Rua do Arco do Bandeira

A propósito da recém inaugurada loja, na Rua Nova do Almada,  a revista “Illustração Portugueza” escrevia:

« (...) A nova casa honra o desenvolvimento citadino.
A sua instalação, harmoniosa de simplicidade e de elegancia, fica bem ao 'dècor' da grande artéria em que demora.
Um interior a estuque branco, alindado  de florões no teto, e a branco Ripolin e ouro nas 'vitrines', nos mostruarios e nos balcões, guardada uma colecção infindavel de artigos de escritorio e de lavores, em que se distingem os acessorios de pintura e arte aplicada e os livros de escrita comercial. A encadernação que produz estes e outros livros é uma secção que trabalha num fundo dependente do estabelecimento e o qual é dotado de todos os maquinismos modernos que exige a maior perfeição do seu genero industrial.
A Papelaria Emilio Braga, Lda tambem possue secção de tipografia, para o que dispõe da sua oficina na Rua do Arco do Bandeira, provida de duas 'Diamantes', uma 'Liberty', uma maquina de cilindros, grande, uma 'Rapid' e uma guilhotina.
Com tais recursos mecanicos, não admira que a nova firma possa incumbir-se de trabalhos que, após a execução, resultam verdadeiros 'specimens' tipograficos.»

Nas minhas pesquisas encontrei no jornal “O Tempo” datado de 7 de Fevereiro de 1889, o seguinte anúncio de uma «Typographia e Papelaria» propriedade de Alfredo da Costa Braga, com loja na na Rua Nova da Palma …

7 de Fevereiro de 1889

… o mesmo acontecendo com o seguinte anúncio no jornal “Folha de Lisboa” datado de 10 de Dezembro de 1900, desta vez  de uma outra “Typographia”, com “succursal” na Rua Nova do Almada e pertença de J. da Costa Braga. Pelo facto de os apelidos serem iguais ao de Emílio da Silva Braga,  e a área de negócio ser a mesma, sugere-me, repito sugere-me, que Emílio da Silva Braga fosse familiar directo destes dois proprietários, talvez filho de um deles.

10 de Dezembro de 1900

1944

Equipe de futebol do pessoal da “Emílio Braga & C.ª, Lda.”, com Emílio Braga (filho) no centro da foto

Anos mais tarde a “Emílio Braga & C.ª, Lda.”, já pelas mãos do Emílio Braga (filho), muda de instalações para uma loja na Rua de São Julião, a par de uma filial que mantinha na Rua Alexandre Herculano. Em 16 de Maio de 1952, mudaria de novo a sua loja-sede da Rua de São Julião para a Rua da Madalena, assim como as suas oficinas tipográficas.

Nova loja na Rua da Madalena

 

 

Entrevista de Emílio Braga (filho) à rádio, em 1 de Janeiro de 1956

 

Oficinas tipográficas na Rua da Madalena, nº 99

11 de Dezembro de 1951

30 de Maio de 1952

Foi nas caves das oficinas tipográficas da "Emílio Braga & C.ª, Lda." da Rua da Madalena nº 99, que foi produzido o material de campanha do General Humberto Delgado às presidenciais de 1958, à luz de velas e isqueiros a fim de iludir a polícia política.

Emílio Braga (filho) que seria, igualmente, proprietário do “Grande Hotel” em Caldas de Felgueiras, permaneceria á frente da empresa "Emílio Braga & C.ª, Lda." até 1960.

Na mesma década inaugurava nova filial, desta vez na Avenida de Roma, que se manteria até há poucos anos

Nas portas dos seus estabelecimentos os placards publicitários informavam que … «Nestas casas não se paga luxo» e «A casa que mais barato vende». Em 1953, seria punida pelas autoridades por «expôr gravuras coloridas indecentes pelo excesso de nudismo».

Filial da Rua Alexandre Herculano

Quase a completar um século de existência, a “Papelarias Emílio Braga Lda.” pertençe à quarta geração da família e continua a fabricar o mais emblemático dos seus produtos: o famoso “Galocha”, baptizado a partir da técnica empregue, a “encadernação de galocha”. Trata-se de um caderno de bolso, distinto e característico, de capa dura e resistente forrada a papel “chagrin” e com lombada e cantos reforçados em tecido colorido, ainda hoje de produção totalmente artesanal.

Livros com a famosa “encadernação de galocha”

Actualmente a empresa “Papelarias Emílio Braga, Lda.”, como já referido anteriormente, a dois anos de completar o centenário da sua fundação, mantém apenas a sua loja na Rua Ary dos Santos, no Prior Velho, promovendo as suas vendas também no seu site na internet.

Exterior e interiores da loja da “Papelarias Emílio Braga, Lda.” 

 

fotos in: Papelarias Emílio Braga, Hemeroteca Digital, IÉ-IÉ, A Vida Portuguesa

26 de fevereiro de 2016

Antigamente (128)

Primeiro “OPEL”  em Portugal, de José Gonçalves de Guimarães Serôdio (Conde de Sabrosa) em 1911 e stand da “OPEL” em Lisboa

 

“Associação Industrial Portuense” fundada em 1849, na Rua Entreparedes, no Porto

“Hotel Ribeiro” fundado em 1879 em Vilar de Veiga, no Gerez e respectiva publicidade em 1931

 

“Casa Bancária José Augusto Dias, Fº & Cª” fundada em 1886 na Praça Almeida Garrett, no Porto

fotos in: Arquivo Municipal do Porto, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Fotográfico do ACP

24 de fevereiro de 2016

Estalagem do Castelo do Bode

A “Estalagem do Castelo do Bode”, localizada junto à Barragem do Castelo do Bode”, em Tomar,  foi inaugurada em 1 de Janeiro de 1954. Projectada pelo arquitecto Jacobetty Rosa, foi construída em 1946, para servir de alojamento e restaurante, aos engenheiros e quadros superiores responsáveis pela construção da “Barragem do Castelo do Bode”, que decorreu entre 1946 e 21 de Janeiro de 1951, data da sua inauguração.

Após ter sido inaugurada a Barragem, e praticamente 3 anos depois, a Estalagem, restaurante e bar, seria reconvertida em “Estalagem do Castelo do Bode”, com os seus 8 quartos (5 duplos e 3 single), após algumas adaptações e equipada com mobiliário desenhado por José Espinho e fornecido pelos Móveis Olaio”.

Planta inicial da Estalagem

                        Foto de 29 de Julho de 1949                                                  Foto de 09 de Julho de 1950

  

Foto por altura da inauguração da “Barragem do Castelo do Bode” em 21 de Janeiro de 1951

Interior da “Estalagem do Castelo do Bode”

 

 

Anúncio de 1955                                                             Etiqueta de bagagem

     

Criada a “Enatur - Empresa Nacional de Turismo E.P.” como empresa pública em 1976, passando a deter e a gerir o património das Pousadas de Portugal,  a “Estalagem do Castelo do Bode” passa a “Pousada de São Pedro” e passa, igualmente, a integrar o universo das Pousadas de Portugal. Nesta altura a Pousada é ampliada passando a oferecer 17 quartos e 1 suite.

Nesta altura, era lembrada a frase de António Ferro, antigo e falecido director do “SNI - Secretaria Nacional de Informação” : «Quando um hóspede deixar de ser tratado pelo nome, para ser conhecido pelo número de quarto que ocupa, estaremos completamente desviados do espírito das Pousadas.»

Em 2003 tem lugar a nacionalização da “Enatur”, em que o Estado alienava 49% do capital social. Saiu vencedor o grupo “GPP - Grupo Pestana Pousadas”, constituído pelo Grupo Pestana (59,8%), Grupo CGD (25%), Fundação Oriente (15%) e mais duas empresas com 0,2% (“Agência Abreu” e “Portimar”). Assim em 1 de Setembro de 2003, o GPP tornou-se responsável pela exploração da Rede atual de Pousadas por um período de 15 anos, com possibilidade de extensão por mais 5 anos, caso fosse cumprido um plano de expansão complementar (mais 2/3 Pousadas ou mais 200 quartos) e, também, com a possibilidade de extensão por mais outros 5 anos caso seja cumprido o plano de internacionalização das Pousadas de Portugal

Pouco tempo depois, a “Pousada de São Pedro” foi colocada à venda por 1,1 milhões de euros, e poucos meses após o seu encerramento, em Outubro de 2003, altura em que o grupo Pestana já geria a rede das Pousadas de Portugal. Na altura o grupo hoteleiro considerou, com base numa análise económica efectuada anteriormente pelo Estado, que a pousada não tinha condições de sobrevivência, já que desde 1993 que o equipamento obtinha resultados operacionais negativos.

Após  anos de encerramento a “Pousada de São Pedro” á adquirida, por 1 milhão de euros,  pelos  tomarenses António Lourenço dos Santos (ex-Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros) e Ana Vian Costa (enfermeira), - a quem ficou entregue a montagem e a direcção técnica desta pousada - que passam a ser os promotores de um projecto inovador para a região, e que consistiu na recuperação e remodelação da Pousada  e adapta-la a Pousada para Seniores. Para tal fundam, em 2006, a “ABES - Companhia de Assistência, Bem Estar e Serviços para Seniores” que viria a inaugurar em 29 de Junho de 2008, a nova “ABES Pousada Para Seniores”.

“ABES - Pousada Para Seniores”

Do ponto de vista do alojamento as instalações da Pousada contam com o edifício principal, que dispõe, em dois andares de 17 quartos e uma suite. Existe ainda um edifício anexo que dispõe de 7 quartos duplos. Todos os quartos possuem casa de banho, instalações para telefone e TV, e climatização controlada. As instalações comuns são amplas e funcionais, dispõem de excelente localização panorâmica, estando em sintonia com as exigências de um estabelecimento hoteleiro de categoria superior. Conta com assistência de enfermagem, e serviços de reabilitação funcional, nomeadamente ginástica e hidroterapia, tendo para tal, sido construído um ginásio e uma pequena piscina de hidromassagem. A presença médica é bissemanal.

Interior da “ABES - Pousada Para Seniores”

fotos in: Memória Digital de Thomar, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, ABES Pousada