31 de janeiro de 2016

Café Luso

O “Café Luso” também conhecido por «café dos fados» e propriedade de José Lopes Ferreira, abriu as portas na Avenida da Liberdade, em 1927, no edifício que ainda hoje existe e faz esquina com a Travessa do Salitre, onde se situa o Parque Mayer”.

Entrada do “Café Luso”

Estabelecimento que viria a ser ocupado pelo “Café Luso” (dentro da elipse desenhada na foto)

Nota: no edifício da foto anterior, na loja das três montras onde tem o letreiro “Leilão de Livros” e restantes 5 portas da esquina com a Travessa do Salitre, viria a instalar-se o primeiro “Café Lisboa” que, em Junho de 1968, seria transferido para o lado oposto da Avenida da Liberdade.

                                            1933                                                                                       1935

 

Pelo “Café Luso”, passaram grandes nomes do fado como Alberto Ribeiro, Alfredo Marceneiro, Amália Rodrigues, Berta Cardoso, Lucília do Carmo, Frutuoso França e muitos outros. Ficou, por isso, conhecido como a "Catedral do Fado", celebrizou-se pelos afamados concursos de revelação de talentos, e continuou fiel a esse princípio de acolher artistas emergentes, o que explica que grande parte dos nomes que compõem a história do Fado tenham contribuído para a própria história do “Café Luso”. «Os programas do Café Luso não se confundem e são sempre os melhores. Melhores programas, melhor clientela e o maior respeito. »

 

 

Em 3 de Fevereiro de 1940 inauguraria um salão próprio para bailes

Em 31 de Julho de 1940 tem lugar a última sessão de fados nas instalações da Avenida da Liberdade, com a fadista Berta Cardoso, tendo inaugurado as suas novas instalações na Travessa da Queimada, no Bairro Alto, em 18 de Janeiro de 1941, com a designação de “Cervejaria Luso”.

31 de Julho de 1940

Capa de “LP” de Amália Rodrigues” gravado no “Café Luso”

18 de Janeiro de 1941

22 de Janeiro de 1941

A “Cervejaria Luso” viria a ocupar as antigas adegas e cocheiras do Palácio de São Roque, - edifício sobrevivente do terramoto de 1 de Novembro de 1755 - e sob a direcção artística do «cantador» Filipe Pinto e com a sua sala de espectáculos profissional e bem equipada, ficou historicamente marcada por figuras como Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro e tantos outros.

11 de Maio de 1954

“Luso” actualmente

 

 

Depois de modernizado o “Luso”, nos anos 90 do século XX, e gerido por João Pedro Ferreira Borges e seus sócios, tem-se mantido entre as casas de fado mais importantes e de referência de Lisboa.

Foto actual do edifício na Avenida da Liberdade onde se instalou, no 131 e três montras seguintes, “Café Luso” em 1927

fotos in: Museu do Fado, Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa, Luso

29 de janeiro de 2016

Antigamente (126)

“Leitaria da Quinta do Paço” no Amial-Porto. Foi a primeira a distribuir leite engarrafado às leiteiras desta cidade, e uma das primeiras a fabricar Yogurtes, cujos potes eram originalmente fabricados na “Fábrica de Loiça de Sacavém”.


Foto gentilmente cedida por Carlos Caria

Gare da “Estação de S. Bento”, no Porto em 1971

Escola de condução do “Automóvel Club de Portugal”, na Rua Gonçalo Cristóvão, no Porto em 1955

Loja da “Agência Abreu”, na Avenida dos Aliados, no Porto nos anos 60 do século XX

fotos in: Porto Desaparecido

27 de janeiro de 2016

Club Fenianos Portuenses

O “Club Fenianos Portuenses” foi fundado em 25 de Março de 1904, ainda nos tempos da monarquia, com o pretexto de organizar cortejos carnavalescos a exemplo dos que se faziam no Brasil e em Veneza, com o lema, inscrito na sua bandeira, “Pelo Porto”. Os seus estatutos seriam aprovados pelo Governo Civil do Porto em 17 de Junho de 1904 e a sua sede instalada no edifício do “Theatro Aguia d’Ouro”, na Praça da Batalha, na cidade do Porto.

Edifício do “Theatro Aguia d’Ouro”, na Praça da Batalha, onde se instalou o “Club Fenianos Portuenses”, em 1904

No café e restaurante “Aguia d’Ouro”, que tinha aberto as suas portas em Janeiro de 1839 na Praça da Batalha, - onde mais tarde se instalaria no mesmo edifício o “Theatro Aguia d’Ouro” inaugurado em 17 de Junho de 1899 -  frequentado desde sempre por liberais e republicanos, e onde as senhoras fumavam livremente em público, um grupo de personalidades portuenses tomou a iniciativa de se organizar para fundar uma associação para intervir cívica e culturalmente na vida da cidade, não esquecendo a acção recreativa e beneficente.

Interior da sede do “Club Fenianos Portuenses” ainda na Praça da Batalha

 

 

«Um conjunto de quatro dos fundadores, por volta de 1903, cidadaõas portuenses e futuros “Fenianos”, procuraram obter os conhecimentos necessários para a organização de um corso carnavalesco com a exuberância do carioca e a beleza estética dos de Veneza, tendo realizado uma viagem ao Brasil para esse efeito.
A escolha do nome advém do facto de a maioria das colectividades ligadas à organisação de desfiles de Carnaval ter no seu nome a designação “Fenianos”. A partir desta colaboração nasce, cerca de um ano depois, o “Club Carnavalesco Fenianos Portuenses”, mais tarde “Club Fenianos Portuenses”. O objectivo principal era devolver à cidade o Carnaval à altura da sua sensibilidade artística.» in: site do Clube Fenianos Portuenses

 

“Sabonetes finissimos” …

Capa de título de 5 Obrigações de 1921

O “Club Fenianos Portuenses” realizou o primeiro cortejo carnavalesco logo em 5 de Março de 1905, com marcha de tochas, (aux flambeaux), com a contribuição de grandes artistas, tais como Rafael Bordallo Pinheiro, Manuel Gustavo, filho de Bordallo Pinheiro, Augusto Pina, Teixeira Lopes e muitos outros. Foi uma iniciativa que teve uma grande adesão popular e repercussões em toda a região.

Carnaval de 1905, realizado pelo “Club Fenianos Portuenses”

               Direcção do “Club Feninaos Portuenses”                                           Carro de “Fenianos”

 

Cartaz alusivo e respectiva regulamentação oficial no jornal portuense “A Voz Publica”

            

Carro do Infante Dom Henrique, ainda no Palácio de Cristal                           Desfile dos carros alegóricos

 

Desfile no “Esteroscopio Portuguez” de Aurelio Paz dos Reis

E para quem não estivesse interssado no desfile carnavalesco no Domingo de Carnaval …

No campo cívico influenciou o poder político para abolir as portagens que na época existiam para atravessar a Ponte D. Luís, que afectavam directamente milhares de pessoas que se deslocavam entre a cidade do Porto e Vila Nova de Gaia, e para concretizar a sua ligação com transportes eléctricos. Teve, igualmente um papel importante na conquista do “descanso dominical”. Materiais de cortejos foram cedidos à cidade de Lisboa para ajudarem na realização das festas a Santo António. Defendeu a ideia da criação de sociedades de previdência social.

Mas nem tudo foram festas … notícia na revista “Illustração Portugueza” de 24 de Março de 1919

Em 1907 o Club recebeu uma delegação do “Grande Club de Lisboa” que veio para participar nas suas festas. Foi recebida pela Câmara Municipal com grande significado político, e em  defendeu a criação de um sanatório marítimo para tratamento de crianças, que veio a ser uma realidade passados alguns anos, que foi o “Sanatório Marítimo do Norte”, em Francelos, tendo sido seu fundador o ilustre médico Dr. José Ferreira Alves, feniano, democrata e revolucionário. A convite da Câmara Municipal do Porto colaborou nas Festas pela instauração da República Portuguesa, organizando eventos para as pessoas junto à sua sede, na Praça da Batalha.

          

Desfile e carro de honra do “Club Fenianos Portuenses” no Carnaval de 1954

 

1954

          

1955

         

Em 1935, a sede do “Club Fenianos Portuense” muda-se para o edifício actual na, actual, Rua Clube dos Fenianos, 29. Embora hoje se permitam como sócio as mulheres tanto como os homens e qualquer pessoa independente da sua convicção política, antigamente era o local para os liberais e os republicanos portuenses. Isso fez com que o Club fosse o alvo de muito antipatia dos monarquistas e, mais tarde, da ditadura militar.

Actual sede do “Clube Fenianos Portuenses”, na Avenida dos Aliados

 

Actualmente, os grandes trunfos da associação são a escola de dança e o “CIF - Clube Ilusionista Fenianos”. Estas são as actividades que reúnem mais público jovem, num club onde a maior parte dos cerca de 500 associados tem mais de 55 anos e que chegou a ter 14 mil associados.

No início do século XX, «tinha até mais sócios do que o Futebol Clube do Porto». «Hoje as pessoas têm mais oferta, estão integradas noutras comunidades, têm televisão e Internet 24 horas por dia e não têm de estar integradas numa associação para fazerem passeios... Além disso, antigamente a vida fazia-se na baixa», comenta o presidente dos Feninanos, Álvaro Nazareth, a explicar a perda de protagonismo. Mas também faz questão de vincar que o “Club Fenianos Portuenses” não têm apenas passado, e continuam activos. «Fazemos conferências, visitas guiadas históricas e lançamentos de livros, regularmente; formámos há pouco uma escola de música; acolhemos também recentemente o Grupo Coral do Porto e organizamos exposições», enumera o dirigente.

Interior actual da sede

 

 

 

O plano de acção para os próximos tempos inclui a divulgação da biblioteca do Clube, onde se pode encontrar também uma edição rara de Os Lusíadas, com litografia de Emílio Biel, e a obra completa de Voltaire. O site do Clube promete novidades para breve acerca de uma "escola de teatro".

fotos in: Delcampe.net, Arquivo Municipal do Porto, Clube Fenianos Portuenses