25 de setembro de 2016

Pastelaria “Mexicana”

A Confeitaria "Mexicana" abriu as suas portas em 28 de Dezembro de 1946, na Avenida Guerra Junqueiro, junto à Praça de Londres, em Lisboa. Tratava-se, então, de uma confeitaria, pastelaria e leitaria criada por uma sociedade formada pelos construtores civis de Tomar, José Vicente e seu genro Adelino Antunes, que tinham construído o prédio, e os primos do primeiro, Augusto Godinho e Manuel Penteado. A propriedade do prédio, entretanto, passaria para a “Caixa Sindical de Previdência dos Profissionais Barbeiros e Cabeleireiros”.

“Confeitaria Mexicana”, estabelecimento com o toldo à esquerda na foto

A cave da loja albergava a fábrica de pastelaria, que com a "Confeitaria Nacional" localizada na Praça da Figueira, era uma das duas únicas pastelarias de Lisboa que fabricava a sua oferta de pastelaria e afins. Especialidades como confeites de Páscoa em chocolate, bolo-rei, pingos de tocha, sombreros e os boleros eram receitas originais da "Mexicana".

Localização da “Mexicana” à esquerda da foto. No prédio no centro da foto o “Restaurante Portugal” inaugurado em 1949

Entre 1961 e 1962 a "Mexicana" é alvo de uma profunda reforma e ampliação, cujo projecto ficaria a cargo do arquitecto modernista Jorge Ferreira Chaves (1920-1981). Reforma que se traduziria na criação da esplanada, uma primeira sala com serviço de pastelaria e cafetaria, um novo salão de chá ao fundo do estabelecimento, um restaurante na cave (que só abriria nos anos 70) e um salão de festas e banquetes no primeiro andar.

Para além da coluna escultórica que Jorge Ferreira Chaves desenhou, introduziu elementos decorativos concebidos por João Câmara e Mirya Toivolla que executaram o mural do restaurante localizado na cave, e o vitral policromo na entrada das instalações sanitárias de autoria de Mário Costa. Querubim Lapa (1925-2016) criaria para este espaço dois grandes painéis cerâmicos em azulejos policromos: um que se situa na entrada do estabelecimento, em tons de azul e amarelo/dourado e outro, no salão de chá, intitulado "Sol Mexicano", obra impressionista que evoca os cactos dos desertos e o sol daquele país. Outros elementos decorativos a referir, como o passarinhário com periquitos e o mobiliário (mesas, cadeiras e móveis de apoio) desenhados por José Espinho e fabricado pela empresa "Móveis Olaio".

 

 

A “Mexicana” foi local de encontro de vários artistas ligados ao Surrealismo e ao Neorealismo bem como de arquitectos da geração que fixou o Movimento Moderno em Portugal, entre os quais o próprio Jorge Ferreira Chaves cujo atelier se situava nas imediações. Pelo requinte e qualidade da sua arquitectura, e após a obra de 1961/1962, foi o primeiro estabelecimento deste tipo a obter o estatuto de "Utilidade Turística", atribuído pelo “SNI - Secretariado Nacional de Informação”. Este estatuto reduzia significativamente as obrigações fiscais da empresa, porém viria a ser retirado, ao fim de poucos anos, por a gestão do estabelecimento não corresponder ao nível exigido.

24 de Dezembro de 1971

Em 1994 seria apresentada por Manuel Ferreira Chaves, filho do arquitecto Jorge Chaves, e pelo arquitecto Michel Toussaint a candidatura a “Monumento de Interesse Público”. Depois de dez anos em apreciação na Secretaria de Estado da Cultura, o despacho foi assinado a 25 de Março de 2014. A classificação atribuída, salvaguardou o património da pastelaria, o passarinhário, o mobiliário (cadeiras e mesas) e o bengaleiro do restaurante, no piso de baixo.

Atualmente local de reunião da tertúlia tauromáquica "A Mexicana". Nesta foto de 2013 reunião no piso do restaurante

Em 2015, a pastelaria "Mexicana" propriedade dos herdeiros dos fundadores, é adquirida por Rogério Pereira, proprietário da "Carcassone", pastelaria e cafetaria na Avenida da Igreja, no bairro de Alvalade, em Lisboa. Depois de encerrada, a “Mexicana”, é alvo dum processo de recuperação, seguindo o projecto  de 1962. A fábrica de pastelaria que ainda se mantinha intacta desde 1946, é remodelada e actualizada, na cave é criada uma "Taberna" permitindo aos clientes comer "fora de horas" e no piso térreo apenas se procede a pequenas alterações de fundo, mais visíveis a nível da sala de entrada. A sua reabertura teve lugar em 5 de Dezembro de 2015.

Fernando Medina (Presidente da CML), Rui Nabeiro (“Delta Cafés”) e Rogério Pereira. Na foto da direita Querubim Lapa ao centro com sua mulher Suzana Barros e Rogério Pereira

 

 

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

2 comentários:

Anónimo disse...

As pastelarias/cafés Monumental, Monte Carlo, Mexicana e Luanda vieram substituir os cafés da baixa de Lisboa onde se faziam as tertúlias antes da década de 50. Os dois primeiros já desapareceram. Felizmente, ainda restam os outros dois.

Beatriz disse...

Quero ir quando for a Lisboa!

Abraços imensos do Brasil

Bia <º(((<