29 de outubro de 2015

Exposição Agrícola no Porto em 1903

A "Exposição Agricola e de Productos Mineraes", foi inaugurada por El-Rei D. Carlos I (1863-1908) a 17 de Agosto de 1903, no "Palacio de Crystal Portuense", na cidade do Porto.

Palacio de Crystal Portuense” onde decorreu o certame

As características e organização deste evento, são profusamente relatados no texto da revista “Occidente”, de Agosto de 1903, que transcrevo de seguida:

«A Exposição dividiu-se em duas secções, sete grupos de dezanove classes assim classificadas: productos de origem vegetal; productos agricolas não alimentares; productos alimentares das industrias ruraes e das que se acham em estreita correlação com ellas; productos das industrias não alimentares mais dependentes da agricultura; arvores frutiferas e fructos; productos hortenses e suas sementes; arvores, arbustos, plantas e flores; avicultura e aviarios; materiaes e processos das explorações agricolas e industrias correlativas; engenharia agricola, vehiculos acessorios; material e processos das explorações ruraes e das industrias agricolas; florestas e industrias que d'ellas derivam; caça, pesca, agricultura e colheitas de productos de diversas industrias que ineteressam á população rural do paiz e colonias; productos mineraes; produtos naturaes e agricolas; productos naturaes agricolas preparados pelas industrias immediatamente dependentes da agricultura por aquellas que se acham em estreita correlação com ella e material destinado ao estudo das nossas colonias.»

 

 

Quanto aos expositores, nada melhor que mais uma transcrição da revista “Occidente”

«Das demais installações destacam-se como dignas de especial menção e originalidade as da Real Fabrica de Conservas de Mattosinhos, dos srs. Lopes, Coelho Dias & C.ª, dos srs. Menéres & C.ª; da Real Companhia Vinicola; dos srs. Silva Carneiro & C.ª, com licores, aguardentes, vinhos e cascaria; dos srs. Borges & Irmão, composta de varios vinhos; de cortiça e rolhas dos srs. Barbosa & C.ª; do sr. Manuel d'Albuquerque, de azeites cereaes, fructas, etc.; da Companhia das Lezirias de cereaes, madeiras, cortiças, lãs, palhas, aguardentes, etc.; da Associação Vinicola da Bairrada, de vinhos e champagne; dos srs. Affonso cabral, de produtos das suas prpriedades, de vinhos, azeites, fructas, etc.; do sr. Guilherme da Silva Spartley, de vinho, especialmente Bucellas branco e tinto; dos Armazens Estrella, de vinhos, azeites e vinagres das suas propriedades; da Companhia União Fabril, de cervejas, bebidas alcoolicas, vinhos, etc.; da Companhia Agricola e Commercial dos Vinhos do Porto do Norte de Portugal, de vinhos; da firma Martins, Ferreira & Oliveira, de productos coloniaes; da Sociedade Commercial de Exportação, tecidos para as nossas colonias africanas; da Fabrica Jacintho, productos identicos; da Colonia Agricola Correccional de Villa Fernando, de productos agricolas; do Estabelecimento Humanitario do Barão de Nova Cintra, de industrias caseiras; da firma Silva & Rocha, de carvão das minas de S. Pedro da Cova.
É opinião unanime que no seu genero esta exposição é uma das mais completas que se tem realisado no Porto, não só pela variedade dos productos expostos, como pelo numero e qualidade dos concorrentes.»

           

Expo Agrícola e Industrial do Porto em 1903.8 Pub 14-08-1903

 

E para finalizar ...

«Foi por esta occasião que El-Rei o senhor D. Carlos, usando de uma das suas mais sublimes prorrogativas de monarcha constitucional, concedeu o perdão aos deportados de infantaria 18, o que deu uma nota brilhante a esta festa do progresso.»

Medalha comemorativa da "Exposição Agricola e de Productos Mineraes"

 

fotos in: Arquivo Municipal do Porto, Hemeroteca Digital

28 de outubro de 2015

A Pátria - Sociedade Alentejana de Seguros

" A Pátria - Sociedade Alentejana de Seguros", - inicialmente denominada "Sociedade Alemtejana de Seguros" - foi fundada em 27 de Novembro de 1915, em Évora, com um capital social de 50 contos com a finalidade de «efectuar seguros contra fogo, risco marítimo e em geral contra riscos de qualquer espécie e natureza». Conforme consta do “Livro de Actas”, da sua comissão organizadora e executiva: «nascida no coração do Alentejo, visa principalmente, servir, sob os princípios da previdência, a vasta e rica província de que Évora daí que a sua principal vocação inicial tivessem sido os seguros ligados aos ramos agrícolas».

           

Com 200 acções, o máximo permitido legalmente, ficaram Inácio Fernandes Ramalho de Barahona, João Lopes Aleixo, Joaquim Simões, José António Fernandes Potes, José Rebolado Formozinho, José Joaquim de Oliveira e Júlio Rodolfo Fernandes Potes. José Gomes Severino arrebata 150, Alfredo Augusto Cunhal Júnior 110 e Luís Sangremann Proença 105. É este grupo de homens, entre os quais se notam alguns republicanos, que constituirão o núcleo duro de um total de 837 accionistas, na sua maioria lavradores, grandes proprietários fundiários, comerciantes e industrias da região alentejana. Só em 1926, "A Pátria" realizou 420 contos de capital social e chegou, no ano seguinte, aos 500 contos a que se propusera realizar em 1916.

De referir que antes desta seguradora ser fundada, já existiam em Évora, e todas na Rua de Aviz, agências das seguintes seguradoras: “Portugal”, “Portuense”, “Portugal Previdente” e “La Union e Fénix Espanhola” .

1931

Desde logo, a “Sociedade Alemtejana de Seguros”, com sede na Praça de Giraldo, 24-25, em Évora,  e com vocação principal para seguros da lavoura, tentou, através de negociações com outras seguradoras, centralizar o seguro agrícola em Évora. Não o conseguiu, rejeitando integrar um consórcio que entretanto se tinha formado, na altura, por 13 companhias, para explorar este ramo.

"A Pátria" arrancou a sua actividade com filiais em Lisboa (Rua Augusta), Porto e Elvas. Em 1924 criou 80 novas agências no Norte do país, numa tentativa de alargar a sua rede de implantação, ao mesmo tempo que estabeleceu em Évora, Montemor-o-Novo, Lisboa, e noutros pontos do país, postos médicos para os seus segurados de forma a reduzir as suas despesas.

Até 1926 a esmagadora atividade desta seguradora centrou-se no ramo “Agrícola”, destacando-se os riscos cobertos sobre searas de trigo, de aveia e de cevada, sobre arvoredo (sobreiros) e sobre máquinas. Na actividade intermédia fazia seguros sobre palhas, cortiça, centeio, pastagem, feno, fava, lenhas, etc.

Filial de “A Pátria” num 1º andar da Rua Augusta, em Lisboa, em foto de 18 de Fevereiro de 1957, aquando da visita da Rainha Isabel II de Inglaterra a Portugal

 

 

A distribuição geográfica dos segurados no ramo “Agrícola” apesar da sua predominância ser no distrito de Évora, estendia-se, por ordem da sua importância, aos distritos de Beja, Portalegre, Leiria, Santarém, Castelo Branco, Coimbra, Faro Funchal e Viseu.

A partir de 1920, além do ramo “Agrícola”, a “A Pátria - Sociedade Alentejana de Seguros” estendeu a sua actividade ao efectuar seguros de transportes sobre barcos e mercadorias, sobre a propriedade urbana, furto e roubo e cristal.

Em 1926 quando adquiriu a “Europa” - Companhia de Seguros, "A Pátria" apresentava já uma estrutura mais diversificada das receitas. Em 1929 e no conjunto, o ramo "Automóvel" representava tanto como o ramo "Agrícola" (30%), os quais eram seguidos pelo "Incêndio" (17%), "Desastres de Trabalho" (11%), "Responsabilidade Civil" (8%) e "Vida" (4,5%).

Comemorações das bodas de prata de “A Patria”

1941

 
gentilmente cedidos por Carlos Caria

Em 18 de Outubro de 1952 adquire o "Palácio Barahona" em Évora, onde instalaria a sua sede

Ao longo dos anos 60 do século XX, "A Pátria" beneficiou do crescimento económico do país, traduzindo-se no regular crescimento das suas receitas que, em 1970, ultrapassava os 50.000 contos. Contudo, os resultados financeiros e o crescimento no activo até 1973, expressavam sobretudo a valorização da sua carteira de títulos, distribuídos por bancos e obrigações do Estado, na sua quase totalidade, e nas vésperas de 25 de Abril de 1974 a sua carteira de activos valia 480.000 contos.

          

A evolução dos acontecimentos pós 25 de Abril de 1974, afectou profundamente esta seguradora, fruto, também, da estreita ligação de “A Pátria” ao “Banco da Agricultura” (fundado em 1928) do qual era accionista de referência, desde 1962.

Em 31 de Dezembro de 1979, ”A Pátria” - Sociedade Alentejana de Seguros”, desparece, por decreto-lei, resultado da fusão entre a “Mundial Confiança” e “A Pátria”, mantendo nome de “Mundial Confiança”.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Chapas Clube Chapas

27 de outubro de 2015

Porto de Lisboa (25)

Obras de construção do cais da Rocha do Conde d’Óbidos e da doca de Alcântara, iniciadas em 1887

Entreposto do Porto de Lisboa em 1899

Paquete “Colonial” no Cais da Fundição

Descarga de navio de pesca

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa

25 de outubro de 2015

Faculdade de Direito de Lisboa

A “Faculdade de Estudos Sociais e de Direito” foi fundada em Junho de 1913, por iniciativa do Doutor Afonso Costa (1871-1937), Presidente do Ministério do V Governo (1913-1914) da República instituída em 5 de Outubro de 1910. Não dispondo de instalações próprias, inaugurou aulas no edifício da antiga “Escola Politécnica”, após o que transitou para o “Palácio dos Viscondes de Valmor”, sito no Campo dos Mártires da Pátria, onde permaneceu até 1957.

“Faculdade de Direito” no “Palácio dos Viscondes de Valmor” no Campo de Sant’Anna

A “Faculdade de Estudos Sociais e de Direito”  abriu as suas portas em 15 de Dezembro de 1913, com o Doutor Afonso Costa como seu director. O seu regulamento era semelhante ao de Coimbra, sendo aplicada a reforma dos assuntos jurídicos, de 1911, da autoria do Prof. Álvaro Machado Vilela. Os professores, escolhidos por concurso público, seriam: Albino Vieira da Rocha, Fernando Emídio da Silva, José Ludgero Soares das Neves, António Abranches Ferrão e J.M. Vilhena Barbosa Magalhães. A frequência escolar era de algumas dezenas de alunos.

Grupo de estudantes e professores, em 1928

Os novos edifícios da “Faculdade de Letras de Lisboa” e da “Faculdade de Direito de Lisboa”, no Campo Grande, foram concluídos em 1957. Mais concretamente, o edifício da "Faculdade de Direito de Lisboa", foi inaugurado em 14 de Outubro de 1957. Estes edifícios monumentais foram projectados pelos arquitectos Porfírio Pardal Monteiro e António Pardal Monteiro e cuja decoração reuniu grandes artistas plásticos da época, a exemplo de Almada Negreiros, Lino António, Barata Feyo e António Duarte.

Edifício da “Faculdade de Direito de Lisboa” na “Cidade Universitária de Lisboa” em 1957

 

 

Em fase final de construção

Três anos depois, em 1960 é estabelecida legalmente a “Cidade Universitária”, e no dia 2 de  Dezembro de 1961 é inaugurado o edifício da “Reitoria da Universidade de Lisboa” e com ele a “Aula Magna”. Lembro que neste ano o Reitor da “Universidade de Lisboa” era o Professor Marcello Caetano, que viria a ser nomeado Presidente do Conselho, em 27 de Setembro de 1968.

Edifício da “Reitoria da Universidade de Lisboa”

 

Já nos últimos anos do século XX foi iniciada a construção de um novo edifício, anexo ao primeiro, que, modernizando a Escola, a dotou de uma biblioteca presencial, de um auditório informatizado e de uma sala de audiências para simulação de julgamentos. Ao longo dos jardins e corredores deste novo cenário, projetado pelos arquitectos. Rui Barreiros Duarte e Ana Paula Pinheiro, podem contemplar-se obras de arte - cerâmica, pintura, escultura, gravura - executadas por docentes e alunos da Faculdade de Belas-Artes de Lisboa ao abrigo de um original Protocolo celebrado entre as duas instituições. Andreas Stocklein, Annamarie Jankovics e Pedro Saraiva constituem seguramente nomes a reter.

Interior da “Faculdade de Direito de Lisboa” antes da sua inauguração em 14 de Outubro de 1957

“Passos Perdidos” no hall principal

 

Painel de Lino António nos “Passos Perdidos” no hall principal. Destacando as raízes medievais da “Universidade de Lisboa”, D. Dinis segura o documento, ato este a que assistem o clero, a nobreza e cavaleiros, que haviam solicitado a criação do Estudo

 

 

“Juramento das Ordenações pelo Rei D. Manuel” - Tapeçaria mural de Lino António executada na “Manufactura de Tapeçarias de Portalegre”

 

 

Ao comemorar o centenário da sua existência, durante o ano de 2013, mantém a “Faculdade de Direito de Lisboa” protocolos de cooperação com o Brasil, a China, os Estados Unidos da América e assegura cursos de mestrado e de doutoramento em diversos países de Língua Oficial Portuguesa - Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa,  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)