4 de outubro de 2015

Theatro-Circo de Price

O original “Theatro-Circo de Price”, foi  fundado em 1853 por Thomas Price, um irlandês domador de cavalos, descendente de uma trupe de acrobatas, chegada a Madrid em 1847. Thomas Price pertencia a uma família inglesa de grande tradição circense, possuindo circos e theatros-circo em Espanha, Portugal e países escandinavos. Thomas Price morreria devido a um acidente, em 1878, sendo sucedido por outro domador de cavalos e cavaleiro, William Parish, casado com Matilde de Fassi, afilhada de Thomas Price.

          

O “Theatro-Circo de Price” teve a sua aparição em Madrid, no Paseo de Recoletos em 1853, tendo sido transferido para a Plaza del Rey, em 1880.

“Circo Teatro de Price” na Plaza del Rey, em Madrid e em 1882

      

O “Theatro-Circo de Price”, em Lisboa, inaugurado em 11 de Novembro de 1860, veio ocupar o lugar da primeira praça de touros em Lisboa a “Praça do Salitre” inaugurada em 4 de Junho de 1790 - também conhecida por “Circo de Cavalinhos”, “Circo de Mme. Tournour”, “Novo Circo Price” e “Lisbon Amphitheatre Anglo Franco Português” - que existiu em Lisboa, na Calçada do Salitre, junto ao “Theatro do Salitre”, também conhecido por “Theatro de Variedades”. A iniciativa do inglês Thomas Price, com o seu grupo de ginastas e acrobatas estrangeiros impressionou a juventude lisboeta da época e esteve na origem do atual “Ginásio Clube Português”.

“Theatro do Salitre” ou “Theatro de Variedades”

“Theatro-Circo de Price”, em Lisboa

Segundo a revista “Illustração Portugueza”: «O Circo Price ficava situado do lado esquerdo da calçada do Salitre, defronte do velho theatro das Variedades. Era mais amplo que o actual Colyseu dos Recreios, e a sua enorme cúpula assentava sobre grossas vigas de madeira.»

Interior do “Theatro-Circo de Price”

  

                                  4 de Fevereiro de 1876                                                    1 de Dezembro de 1876

                             


folheto e bilhete gentilmente cedidos pelo blog “Malomil

No número do “António Maria” de Raphael Bordallo Pinheiro de 2 de Outubro de 1879, pode-se ler:

«No circo, diga-se para honra do nosso publico, emquanto a orchestra executa as delicadas sonatas dos grandes mestres, reina sempre absoluto silêncio, perturbado apenas por um ou outro espectador que ladra ou por um cão que rebola das bancadas. Entretanto, isto que a muitos pode parecer recolhimento, é tambem um quasi nada somnolencia. A cidade mostar assim o seu respeito para com os immortaes classicos: admira-os e dorme.»

 

Como referiu o escritor Eça de Queirós, no livro “Os Maias” e lançado no Porto em 1888, o “Theatro-Circo de Price”  era um espaço extremamente popular, mas um lugar pouco confortável e abafado. Embora sendo originalmente uma sala especializada em circo e ginástica, passou mais tarde a apresentar comédias, zarzuelas, operetas e outros espetáculos populares à época.

Em 7 de Maio de 1880 o “Theatro-Circo de Price”, depois de profundas obras de renovação, seria reinaugurado com a nova denominação de “Coliseo de Lisboa”. Quanto á inauguração escrevia o “Diario Illustrado” em 9 de Maio: 

«Inaugurou-se antehontem o Coliseo de Lisboa, estreiando-se tambem o maestro Langenbach, que vinha precedido da fama que adquiriu na direcção dos brilhantes concertos em Vienna d'Austria, por occasião da ultima exposição.
O velho Circo Price está completamente transformado. A sala do espectaculo, o jardim, o tunnel onde estão diversos jogos, tudo emfim foi arranjado com bom gosto.
Todo o programma executado pela grande orchestra dirigida por mr. Langenbach foi vivamente applaudido, sendo algumas peças bisadas, e entre ellas, na primeira parte, os 'Sonhos de creança', mimosa fantasia de saro, e a mazurka 'Convite para dançar', excelente composição do maestro Langenbach.
No jardim, ao ar livre, desempenhou a banda da guarda municipal com applauso, as peças designadas no programma.
A concorrencia foi grande, os camarotes estavam todos tomados; poucas cadeiras, que são 700, estavam de voluto; na geral era enorme o numero de espectadores.
Vimos no Coliseu grande parte da primeira sociedade de Lisboa, o que nos dá a certeza de que aquella casa de espectaculos vae ser um agradabilissimo ponto de reunião. E na verdade é justo que assim seja; muita ordem, boa musica, excellente serviço, e porte delicado e attencioso dos empregados para com os espectadores, são attractivos na verdade muito poderosos.
Sabemos que a empreza tenciona variar os espectaculos, tornando-os deveras apeteciveis.»

26 de Abril de 1880

                       9 de Maio de 1880                                                                   13 de Maio de 1880

    António Maria.2

Última referência que descobri ao “Circo Price”, no “António Maria” de 10 de Novembro de 1881, juntamente com uma referência ao “Theatro do Gymnasio

Com a expropriação e demolição do “Coliseo de Lisboa”, no início de 1882, inserido no processo de demolição do “Passeio Público” e posterior construção da Avenida da Liberdade, ficou um vazio na capital que só viria a ser em parte colmatado numa primeira fase com a abertura em 1887 do Real Colyseu de Lisboa”, na Rua da Palma, e numa segunda fase, com a construção do apelidado “Coliseu dos Recreios” , localizado na esplanada dos “Recreios Whittoyne”, nos jardins doPalácio de Castelo Melhor e que seria inaugurado em 27 de Maio de 1882, com um sarau “gymnastico-equestre” pelo “Real Gymnasio Club Portuguez”.

Em 14 de Agosto de 1890, seria inaugurado o último e definitivo “Coliseu dos Recreios” de Lisboa, na Rua das Portas de Santo Antão, cuja construção foi iniciada em Janeiro de 1888, pela “Empreza Exploradora de Recreios Whittoyne”, cujo “Coliseu dos Recreios”  tinha sido demolido para dar lugar à Estação do Rossio”, inaugurada em 11 de Junho de 1890.

Artigo na revista “Illustração Portugueza” de 11 de Maio de 1885 recordando o “Theatro-Circo de Price”

De referir que, o original “Circo Y Teatro Price” que se instalou em Madrid, em 1853, ainda hoje existe com a designação de “Teatro Circo Price”, na Ronda de Atocha em Madrid.

“Teatro Circo Price”, na Ronda de Atocha em Madrid

fotos in: Hemeroteca Digital, Arquivo Municipal de Lisboa

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