31 de outubro de 2014

Oficinas de S. José

Na origem das "Oficinas de S. José" de Lisboa, bem como de outras instituições homónimas espalhadas pelo país, a partir dos anos 80 do século XIX, encontramos uma ideia directamente inspirada no modelo oferecido pela “Oficina de S. José” do Porto (1883) e indirectamente, através desta, no espírito e nas obras educativas promovidas por São João Bosco a favor dos jovens mais pobres e abandonados da sociedade.

A sua fundação deve-se à iniciativa conjugada de Isabel Maria de Lacerda Castelo Branco e do padre Francisco Herculano Cordeiro. 0 primeiro passo consistiu na abertura de uma escola primária no Bairro da Lapa, Rua das Praças, n. 36, em 1885, à qual foi dado o nome de “Colégio do Sagrado Coração de Jesus”.

Antigo “Colégio do Sagrado Coração de Jesus” , já como  “Escola Central nº 17”, na Rua das Praças

Em 1 de Outubro de 1890, foram inauguradas duas oficinas (marcenaria e sapataria), funcionando durante alguns meses na Rua de Sant'Ana à Lapa, 50. Nessa altura regista-se a mudança do nome para “Oficinas S. José”. Em 23 de Abril de 1893, efectua-se a mudança para a Rua do Sacramento à Lapa, onde os Salesianos assumiram a orientação pedagógica em 1896, cujo director foi o Padre Pedro Cogliolo

A inauguração do novo edifício, localizado na Praça S. João Bosco no Alto dos Prazeres, em Lisboa, tem lugar em 19 de Março de 1906. Na sequência da revolução política de 5 de Outubro de 1910, o edifício é requisitado para "Centro de Hospitalização Militar" e para o "Batalhão de Sapadores dos Caminhos de Ferro". Em 1925, com a chegada do salesiano Aquiles Marchetti, as artes gráficas tomam grande impulso e desenvolvimento.

Oficinas de S. José na Praça S. João Bosco no Alto dos Prazeres em Lisboa, em fotos de 1953

 

 

 

 

 

 

 

 

Em Outubro de 1964, a “Paróquia de Nossa Senhora dos Prazeres” foi confiada aos Salesianos. A partir dos inícios da década de 70 do século XX, o ensino profissional, que caracterizou as Oficinas de S. José desde os seu primórdios, desaparece por completo. Pouco a pouco vai sendo reduzido o internato e o ensino torna-se exclusivamente liceal.

O estabelecimento de ensino particular denominado “Salesianos de Lisboa” encontra-se situado na Praça S. João Bosco, nº 34, em Lisboa, entre a Rua Saraiva de Carvalho e a Rua Coronel Ribeiro Viana, perto do Cemitério dos Prazeres.

«O estabelecimento dos Salesianos de Lisboa, propriedade da Província Portuguesa da Sociedade Salesiana, é hoje uma escola que ministra o ensino básico e secundário a cerca de 2 000 alunos de ambos os sexos. Como colégio, começou a funcionar em inícios dos anos 70 do século passado» in site: Salesianos de Lisboa.

 

«Ancorando-nos num passado por onde nos recusámos apenas a passar, num presente que é dádiva, e olhando para um futuro ao qual gostamos de chamar esperança, convocámos uma vez mais o coração, a sua linguagem e a sua pedagogia, para abraçar a pessoa inteira nas suas várias dimensões, inspirar alunos e educadores, e moldar as lentes com as quais vemos diariamente a escola e o mundo.
Todos os dias, nesta escola salesiana, centenas de jovens encontram razões fortes para abraçarem o lema deste ano letivo:
“SER FELIZES”. Talvez isso baste.» José Morais, Director Pedagógico

Bibliografia: Site Salesianos de Lisboa

Fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Salesianos de Lisboa

30 de outubro de 2014

Antigamente (106)

Esplanada e palco de variedades do Café Ribamar, em Lisboa

«Rovin» D-2, de 1947 (foram fabricados 200 exemplares em França)

 

“Club Naval de Lisboa”

Alfândega e cais de embarque para o ferry que ligava Vila Real de Santo António a Ayamonte (Espanha)

 

Fábrica de bicicletas e motorizadas “Vilar”

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa

29 de outubro de 2014

Espelho d’Água

O Pavilhão das Diversões Náuticas / Restaurante “Espelho d’Água”, projectado pelo arquitecto António Lino, foi construído em Belém, entre ao “Padrão dos Descobrimentos” e o “Pavilhão das Artes e Indústrias”, tendo aberto em 23 de Junho de 1940. Este pavilhão, inserido num lago destinado a diversões náuticas, fez parte daExposição do Mundo Portuguêsque teve lugar entre 23 de Junho  e 2 de Dezembro de 1940. Este espaço lúdico incluía um restaurante, casa de chá e bar com esplanadas, e um palco para espectáculos situado no edifício isolado a nascente.

“Pavilhão das Diversões Náuticas / Restaurante Espelho d’Água” e lago circundante, em 1940

 

Anúncio na “Revista  dos Centenários” de 30 de Julho de 1940

 

 

Noite de «Music-Hall» no “Espelho d’Água” em 7 de Setembro de 1940

O “Espelho d’Água”, desenhado inicialmente pelo arquitecto António Lino, começou por ser um edifício de dois volumes dedicado a diversões náuticas, segundo o “Plano Geral da Exposição do Mundo Português”, mas foi usado como restaurante e palco de espectáculos, como foi mencionado atrás. De acordo com o inventário da DGEM, «foi das primeiras obras a conhecer ampliação e modificação dentro do plano de aproveitamento e conversão da zona».

“Espelho d’Água” em início de construção, e o “Pavilhão das Artes e Indústrias”

Em 1943 tem lugar a inauguração dum novo restaurante, depois do conjunto arquitectónico ter sido redesenhado e ampliado pelo arquitecto Cottinelli Telmo. Funcionou entre 1943 e 1946. Depois deste restaurante ter falido, foi cedido à Brigada Naval da “Legião Portuguesa  passando a ser designado de “Pavilhão dos Desportos Náuticos”, nome que ainda ostentava em fotos de 1961.

Publicidade em 24 de Julho de 1943

Nunca livre de alguns contratempos … em 9 de Novembro de 1945

 

“Pavilhão dos Desportos Náuticos”

 

 

Em 1972 instalar-se-ia neste espaço o restaurante “O Peixe”

VI Congresso Mundial das Agências de Viagens, em 1972, no restaurante “O Peixe”

 

24 de Dezembro de 1972

Em 1990, instalou-se no “Espelho d’Água” o “Belém Clube-Museu”, um club privado projectado pelo arquitecto Manuel Graça Dias, e propriedade de Fernando Gonçalves.

“Belém Clube-Museu”, inaugurado em 1990

A revista “Architécti” , que gentilmente o Arquitecto Manuel Graça Dias me facultou, descrevia assim este projecto:

«O projecto deste clube, ligado simultaneamente aos negócios, ao ócio e à cultura, estabelecia como mínimos a existência de algumas salas (reunião, leitura), de um grande bar, de um anfiteatro e de um pequeno restaurante.»

Interiores de “Belém Clube-Museu” (fotos da revista “Architécti”)

 

 

 

Quanto à decoração a mesma revista descrevia:

«De salientar que este clube se define como um acontecimento marcadamente cultural e artístico; algumas obras de arte foram previstas integrar, à partida, o projecto de arquitectura para lá de outras, móveis, que poderão vir a ser expostas.
Sol Lewwitt, já ocupou uma das paredes do restaurante, Matt Mullican fará uma obra para o bar, Juan Muñoz, integrar-se-á na sala de bilhares. No corredor principal podem ver-se fotografias da dupla Glack & Gutman e, Joseph Kossut, trabalha numa proposta para a sala de leitura.
Em resumo: uma intervenção esparsa, espalhada, com vista à criação de ambientes diversos e diferentes que convidem a um perpétuo retorno, instalados difusos numa memória de conforto e cultura - a possível definição de Clube, em 1990.»

A sua existência foi de curta. e na mesma década de 90 do século XX, foi de novo, remodelado passando a contar com o restaurante de luxo “Espelho d’Água” e o “T Club”. Mais tarde estes dois equipamentos encerram, e depois de ter albergado um restaurante de comida chinesa, viria a ser ocupado, na zona nascente, pela cervejaria e restaurante “Portugália”.

 

Em 24 de Setembro de 2013, reabriu como “Espaço Espelho d’Água”, depois de ter tido lugar um concurso público de concessão do espaço até 2027, pela “Associação de Turismo de Lisboa” - ATL,  em finais de 2012. Saíu vencedor deste concurso público Mário Almeida, luso-angolano dono do “Espaço Bahia” - um restaurante com zona de concertos aberto há 14 anos na baía de Luanda - que além de proceder a uma reconstrução quase total do espaço, resultado do projecto do arquitecto Duarte Caldas de Almeida, com a consultoria do atelier de designers “Pedrita Studio”, promoveu a ampliação da zona de esplanada e reabertura do espaço ao público. A área do edifício “Espelho d’Água”, com 1.270 m2, passou a contar com cafetaria, esplanada, restaurante, zona de exposições, cinema e vídeo, concertos, atelier e quartos no piso superior para residências artísticas. Na zona nascente, continua a existir a cervejaria e restaurante “Portugália”.

“Espaço Espelho d’Água”

 

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Horácio Novais), Arquivo Municipal de Lisboa, Espaço Espelho d’Água