14 de março de 2014

Ford Lusitana

A marca Ford em Portugal, apareceu a partir de 1908, com a “Garage Americana’” a “Albino Moura & Cª”, no Porto, e mais tarde a “Auto-Aero”, “Manuel Araújo Meneres” e o “Palácio Ford”, que importavam directamente os automóveis dos EUA, até ao aparecimento da “Ford Lusitana”, em Lisboa.

 

A sede da “Ford Lusitana, SARL” , fundada em 11 de Janeiro de 1932, situava-se na Rua Castilho em Lisboa, e foi projectada pelo arquitecto Porfírio Pardal Monteiro em 1930, e cuja construção seria concluída em 1932. Pertença, então, da “Ford Motor Ibérica”, seria mais tarde adquirido pela primeira, quando a sua congénere cessou as suas actividades. As fotos relativas a este edifício, neste artigo, são de 1941.

  

           

 

 

 

A organização da “Ford Lusitana, SARL” manteve-se até 1963, data em que se iniciou a montagem de unidades em Portugal. Mesmo durante a grave crise económica, durante e após a 2ª Guerra Mundial, a Ford manteve as suas operações, embora o fecho de muitas empresas afectasse gravemente o emprego no país. Embora não totalmente imune, a Ford foi uma das poucas empresas, senão a única, que conseguiu manter o seu quadro de pessoal sem ter que recorrer a despedimentos, suspensões ou reduções dos dias de trabalho, apesar da quase paralisação das suas actividades.

 

 

“Lincoln” Zephyr V-12 de 1941

 

 

Um dos ex-libris da “Ford Lusitana, SARL’” foi a fábrica de montagem de automóveis “Ford” na Azambuja, tendo sido inaugurada em 6 de Janeiro de 1964, por Henry Ford II. O primeiro carro a ser montado foi o “Anglia Fascinante”, ao que lhes seguiram os modelos “Cortina”  “Taunus”.

 

A situação económica da “Ford Lusitana, SARL” era então sólida, já que tinha adquirido as instalações à Ford Motor Ibérica e ultrapassado a crise do pós-guerra. O passo seguinte passou por decidir construir a primeira linha de montagem automóvel em Portugal. O arranque das obras teve lugar em 1961, dois anos depois far-se-iam os primeiros testes de produção e em Janeiro de 1964 era inaugurada oficialmente por Henry Ford II. O primeiro veículo montado na Azambuja foi o FordAnglia Fascinante”.

Em termos de Rede Ford, ela é actualmente composta por 33 concessionários, 61 reparadores autorizados, e 33 fornecedores autorizados de peças, que cobrem a totalidade do território nacional. A entidade mais antiga da actual estrutura é a “Garagem Lopes”, em Viseu. Fundada em 1910, esta empresa de aluguer de veículos motorizados viria, em 1924, a tornar-se no primeiro concessionário autorizado da marca no país.

 

Este edifício da “Ford Lusitana, SARL”, em Lisboa, viria a ser parcialmente demolido em 1967, e definitivamente em 1974. No seu lugar viria a ser construído o hotel “Le Meridien”.

A actual “Ford Lusitana, SA” mantém a sua sede na Avenida da Liberdade, em Lisboa.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais)

12 de março de 2014

Grémio dos Seguradores

O "Grémio dos Seguradores", criado por decreto-lei em 20 de Junho de 1934, foi uma associação patronal de carácter corporativo, com funções de interesse público, reguladas pelo decreto-lei de  31 de Março de 1936, de que faziam parte, obrigatoriamente, todas as sociedades nacionais e estrangeiras que exercessem ou viessem a exercer a indústria de seguros em Portugal. O seu primeiro presidente da direcção foi o Professor Marcelo Caetano - futuro Presidente do Conselho de Portugal entre 1968 e 1974 - em cuja qualidade integra pela primeira vez a Câmara Corporativa, sendo que nas restantes foi nomeado pelo Conselho Corporativo.

Entre 3 Junho e 9 de Julho de 1950 a  FIP -Feira das Indústrias Portuguesas realizou, na Praça do Império em Belém, uma exposição industrial, onde o “Grémio dos Seguradores” esteve presente com um stand do qual reproduzo de seguida as respectivas fotografias.

Stand do “Grémio dos Seguradores”  em 1950

 

Nos termos do diploma legal que criou o "Grémio dos Seguradores", este era assistido por um delegado do governo, nomeado pelo Ministério das Finanças de entre os técnicos da Inspecção de Seguros, com poder de conhecer todos os actos e contas e assegurara o seu bom e legal funcionamentos, podendo assistir, para o efeito, a todas as sessões da direcção, comissões permanentes dos ramos, conselho geral e assembleia geral, informando o Governo da actividade exercida pelo Grémio e apresentando mensalmente um relatório.

Grémio dos Seguradores.3

 

 

O “Grémio dos Seguradores” seria extinto em 21 de Junho de 1975, por decreto-lei 306/75, consequência da onda de nacionalizações na Banca e nos Seguros.  Dizia o início do mesmo:

“Considerando que, em obediência aos princípios do Programa do MFA, o Governo Provisório incluiu dentro das grandes linhas de orientação do seu programa de acção o propósito de levar a cabo a «extinção progressiva do sistema corporativo e a sua substituição por um aparelho administrativo adaptado às novas realidades políticas, económicas e sociais»;
Considerando que a nacionalização das sociedades de seguros nacionais veio tornar inadiável a necessidade de imediatamente se proceder à extinção do Grémio dos Seguradores e lançar as bases de uma nova estrutura do sector de seguros”

O Grémio viria a ser substituído pelo “Instituto Nacional de Seguros”,  criado por decreto--lei em 13 de Janeiro de 1976. Era o orgão de cúpula do sector, desempenhando funções quer de regulador quer de órgão coordenador, numa lógica de domínio do sector segurador pelo Estado, em razão do capital que detinha nas empresas públicas, e que representavam mais de 70% do total do mercado segurador, e nas empresas mistas.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

9 de março de 2014

Comboio Real Português

O “Comboio Real Português” esteve ao serviço da família real portuguesa, Rainha D. Maria Pia de Sabóia, Rei D. Luiz I, e príncipe D. Carlos.

Este comboio real foi inicialmente formado apenas pela locomotiva “D. Luiz” e pelo “Salão D. Maria Pia”. Esta carruagem, construída em 1858, foi oferecida como prenda de casamento à Rainha por seu pai, o Rei Vítor Manuel II de Itália, em 1862. Foi construída em Bruxelas em meados do século XIX pela “Compagnie Générale de Matériels de Chemin-de-Fer” e comporta vários salões e até instalações sanitárias com água corrente. As suas dimensões são: 9,55x2,73x3,85 (mts)deslocando 15 toneladas de peso.

 

 

A locomotiva “D. Luiz”, construída no ano de 1855 em Manchester, nas oficinas “Beyer Peacock & Cª. Ltd”, e entregue aos “Caminhos de Ferro do Sul e Sueste” em 1862, é a locomotiva a vapor portuguesa mais antiga. Foi-lhe dada o nome de “D. Luiz”, o então infante irmão do rei D. Pedro V. As suas dimensões são: 13,75x2,60x3,72 (mts), deslocando 36 toneladas de peso. Esta locomotiva trabalhou durante mais de 50 anos.

 

 

Por curiosidade, sendo a locomotiva a vapor “D. Luiz” a nº 1 da C.P. a seguir a foto da locomotiva a vapor nº 2 …

A partir de 1877, foi acrescentada a esta composição mais uma carruagem, o “Salão do Príncipe”, para utilização do ainda Príncipe D. Carlos. As suas dimensões são: 9,50x2,69x3,85 (mts), deslocando 15 toneladas de peso.

O “Comboio Real Português”, pertença da “Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado” (FMNF), foi restaurado no início do ano de 2010, sob o patrocínio do Spoorwegmuseum de Utrecht, para integrar a exposição internacional Royal Class Regal Journeys  realizada neste museu, na cidade de Utrecht, na Holanda, entre 14 Abril e 05 de Setembro de 2010.

A intervenção foi realizada por uma equipa da “EMEF” de Contumil - Porto, coordenada pelo Eng.º Carlos Machado, e contou com o apoio do pessoal técnico do “Museu Nacional Ferroviário”, orientado pela Dr.ª Judite Roque, bem como de duas técnicas especializadas no restauro de peles e têxteis. A operação de restauro visou a preparação deste comboio para efeitos expositivos.

 

Este material, de valor inestimável, pertence ao “Museu Nacional Ferroviário” gerido pela “Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado”  no Entroncamento, onde é possível admirá-lo, assim como outras peças de grande interesse.

De referir, que a  “Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado” (FMNF) foi criada por Decreto-lei a  17 de Fevereiro de 2005, tratando-se de uma pessoa colectiva, de direito privado, com duração indeterminada, tendo sido reconhecida de utilidade pública em 7 de Novembro.

«Sendo herdeira e continuadora das acções que, na área da museologia ferroviária e da gestão do património ferroviário, a Refer e sobretudo a CP têm vindo a desenvolver, a FMNF tem por missão o estudo, a conservação, valorização e promoção do património histórico, cultural e tecnológico ferroviário português e por Objectivo Específico a instalação e a gestão do “Museu Nacional Ferroviário”, bem como a conceptualização, dinamização e gestão dos vários Núcleos Museológicos.» in: FNMF

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (estúdio Mário Novais), Mesa do Café, Fundação Museu Nacional Ferroviário