19 de dezembro de 2014

Sociedade Nacional de Belas Artes

O edifício da  “Sociedade Nacional de Belas Artes” - S.N.B.A., situado na Rua Barata Salgueiro, em Lisboa, e projectado pelo arquitecto Álvaro Machado, foi inaugurado a 15 de Maio de 1913 pelo Presidente da República Dr. Manuel de Arriaga, ao mesmo tempo que era inaugurada a sua “10ª Exposição de Arte”. Até então as exposições desta Sociedade eram realizadas na “Escola Superior de Belas-Artes”.

 

«Foi o acontecimento mais palpitante da última semana, que promete interessar Lisboa por alguns dias, a julgar pela afluência do público que concorreu à inauguração o que justamente se entusiasmou com a profusão e belesa dos trabalhos expostos.
Para maior realce da festa, prodominava a concorrencia de senhoras, que são sempre a animação destas reuniões, a nota mais festiva.» in: revista “Occidente”

«Para festejar a inauguração da nova casa da Sociedade Nacional de Belas-Artes que se realisou no dia 15 do corrente com a abertura da sua 10ª exposição de arte, reuniram-se os artistas expositores, em número de 42, em um banquete que se realizou no salão principal das festas, em a noite de 16. Na mesa central tomaram lugar, por convite da direcção, os artistas mais velhos presentes, ocupando o centro sr. Adães Bermudes, presidente da assembleia geral, sr. Veloso Salgado, presidente da direcção, seguindo-se á direita os snrs. Columbano Bordalo Pinheiro, Roque Gameiro, João Vaz e Carlos Parente e á esquerda os snrs. Moura Girão, Ribeiro Cristino, Frederico Ribeiro e David de Mello, sentando-se os restantes artistas sem precedencias estabelecidas.» in: revista “Occidente”

O edifício conta com salões para exposições, salas de reunião e leitura, biblioteca, arquivos e salas para aulas da Sociedade. Na altura da sua construção parte significativa do 1º andar, foi ocupada pela sede da “Sociedade dos Arquitectos Portugueses”, fundada em 11 de Dezembro de 1902 e descendente da “Real Associação dos Arquitectos Civis e Arqueólogos Portugueses”, fundada em 1863. Em 1933 muda para “Sindicato Nacional dos Arquitectos”, para mudar de novo de designação em 1978 para “Associação dos Arquitectos Portugueses”. Actualmente, denominada “Ordem dos Arquitectos”, desde 3 de Julho de 1998, tem a sua sede na Travessa do Carvalho, no edifício dos antigos “Banhos de São Paulo”.

Artigo no “Annuario da Sociedade dos Architectos Portuguezes”, de 1906

A “Sociedade Nacional de Belas-Artes”, associação de cultura fundada em 16 de Março de 1901 - resultando da fusão de duas prestigiosas associações de artistas, a “Sociedade Promotora das Bellas-Artes” (fundada em 8 de Agosto de 1861) e o “Grémio Artístico de Lisboa” (fundado em 1890), este descendente do conhecido "Grupo do Leão" (fundado em 1881) - e reconhecida como Instituição de “Utilidade Pública” em 28 de Outubro de 1914, tem como principal objectivo promover e auxiliar o progresso da arte em todas as suas manifestações, defender os interesses dos artistas e, em especial dos seus associados, procurando auxilia-los, tanto moral como materialmente; cooperar com o Estado e com as demais entidades competentes em tudo que interesse à Arte Nacional e ao desenvolvimento da cultura artística.

Grupo fundador da “Sociedade Promotora das Bellas-Artes”, em 1862

Legenda da foto anterior retirada do Arquivo Municipal de Lisboa: Aça, Zacarias de. 1839-1908, escritor / Branco, José Maria Alves. Fl. 1862, médico / Sousa, Joaquim Pedro de. 18-, artista plástico / Fonseca, Francisco Lourenço da. 1848-1902, pintor / Chaves, José Ferreira. 1838-1899, pintor / Tomasini, Luís Ascêncio. 1823-1902, pintor / Rodrigues, José. 1828-1887, pintor / Castilho, Júlio de. 1840-1919, 2º visconde de Castilho, escritor e olisipógrafo / Rodrigues, Francisco de Assis. 1801-1877, escultor / Beck, Domingos de Sousa e Holstein. 1897-1969, 5º duque de Palmela / Krus, Carlos. Fl. 1862, artista plástico / Prieto, Joaquim Nunes. 1833-1907, pintor / Barbosa, José Gregório da Silva. Fl. 1862.

 

Regressando à “Sociedade Nacional de Belas Artes”, de referir que o pintor José Malhôa foi o seu primeiro director, secretariado pelo arquitecto Rosendo Carvalheira. Entre outras actividades, para cumprir os fins enunciados, a S.N.B.A. propunha-se realizar anualmente diversas exposições de arte. E assim fez, mais ao menos ao ritmo das estações do ano: Salões da Primavera e do Inverno. A primeira exposição realizou-se logo em 1901, inaugurada pelo rei D.Carlos I, que era igualmente um dos artistas expositores. Até 1910, foram oito os Salões realizados, dos quais ficaram para memória futura os respectivos catálogos. Mais tarde, a S.N.B.A. acolheu exposições como o “I Salão dos Independentes” (1930) e as “Exposições Gerais de Artes Plásticas” (1946-1956), onde se revelou a oposição possível às orientações estéticas oficiais ditadas pela política do espírito do “Estado Novo”.

Alguns eventos e exposições na “Sociedade Nacional de Belas Artes”, na primeira metade do século XX

"I Salão de Outono da Elegância Feminina & Artes Decorativas" promovido pela revista “Voga"", em Novembro de 1928

 

Conferência inaugural de “Malhôa o Pintor e a sua Obra”

Presidente da República general Óscar Carmona inaugurando a exposição de T.S.F. em 1929

 

Exposição de pinturas e esculturas em 1933

“Salão Internacional de Arte Fotográfica” em 1938

  

Exposição conjunta dos pintores José Veloso Salgado e José Simões de Almeida

“Exposição Geral de Artes Plásticas”, em 1947

 

No final dos anos 1950, a S.N.B.A. foi sacudida por uma vontade de renovação artística e apresentou nas suas salas três importantes exposições : “I Salão dos Artistas de Hoje” (1956), o “I Salão de Arte Moderna” (1958) e “50 Artistas Independentes” (1959). Em 1984, as salas da S.N.B.A. foram ocupadas pelas criações dos “Novos-Novos” como Fernanda Fragateiro, Pedro Cabrita Reis, Rui Sanches e Miguel Branco, entre outros.

Menção Honrosa em 1942 e catálogos de exposições disponíveis na “Biblioteca de Arte” da Fundação Gulbenkian

 

Capa e Editorial do primeiro número do Boletim da S.N.B.A. de seu nome “Arte”

 

A “Sociedade Nacional de Belas Artes” actualmente

 

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Sociedade Nacional de Belas Artes

3 comentários:

João Menéres disse...

Conheço muito bem !
Bela e valiosa postagem !

Rui Granadeiro disse...

Caro José Leite,

Em primeiro lugar manifestarei o apreço e simpatia pelo seu trabalho que, desde há alguns anos, tenho vindo a acompanhar e que se tornou um lugar recorrente.


Em complemento a este artigo, e relativamente ao Grupo do Leão, aqui lhe deixo uma ligação a uma série de apontamentos sobre esse mesmo grupo, que se quisermos oficializar a sua fundação, será em 1881 (e não 1860), o ano da primeira exposição: Chamar-lhe-ei o Grupo do Leão...

Cumprimentos

José Leite disse...

Caro Rui Granadeiro

Muito grato não só pelas suas amáveis palavras como pela chamada de atenção para o ano (1860) errado.

Não sei como aconteceu, mas ... aconteceu! Se fosse 1860 alguns dos constituintes do grupo seriam ainda de tenra idade ...

Inclusivé, estive recentemente a elaborar uma artigo acerca da "Cervejaria Leão d'Ouro", que publicarei oportunamente, e no qual abordo o assunto.

Com os meus agradecimentos, os meus cumprimentos

José Leite