21 de novembro de 2014

Eclipse do Sol em 1912

As conclusões e estudos preliminares ao eclipse do Sol no dia 17 de Abril de 1912, tiveram início no “Real Observatorio Astronomico de Lisboa” na “Real Tapada d’Ajuda” em Lisboa, dos quais foi extraída e publicada uma brochura.

“Observatório Astronómico de Lisboa” na Tapada da Ajuda

 

Astrónomo Frederico Oom no telescópio do Observatório

 

Estudos preliminares e observações

 

Registo do eclipse.2

Artigo perliminar publicado na revista “Illustração Portugueza”

 

No dia 17 de Abril de 1912, dois dias depois do naufrágio do paquete “Titanic”, três expedições estrangeiras - uma russa, uma francesa e uma inglesa - e uma nacional, a da Universidade de Coimbra, encontravam-se em Ovar, ou na sua vizinhança, para observar o invulgar eclipse total do Sol que iria ocorrer naquele dia. O interesse pela observação do eclipse fez com que a “CP - Companhia de Caminhos de Ferro Portugueses” organizasse comboios especiais para Ovar.

Populares em Ovar assistindo ao eclipse

Conjunto de astrónomos estrangeiros e o português (à direita na foto) que se deslocaram a Ovar

Este acontecimento não gerou, no entanto, o entusiasmo provocado pelo eclipse solar observado em 28 de Maio de 1900. Nessa altura, cerca de 25.000 pessoas, entre os quais se contavam os príncipes reais D. Luís Filipe e D. Manuel, deslocaram-se a Ovar para assistir ao fenómeno. Um resultado devido, na nossa opinião, às diferentes características dos dois eclipses.

Um eclipse solar assim chamado, é um raríssimo fenômeno de alinhamentos que ocorre quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol, ocultando completamente a sua luz numa estreita faixa terrestre. Do ponto de vista de um observador fora da Terra, a coincidência é notada no ponto onde a ponta o cone de sombra risca a superfície da Terra.

Estiveram em Ovar Pierre Salet, do Observatório de Paris, Donitch e Pahlen , da Academia de São Petersburgo , o inglês Worhington, Costa Lobo (lente da Universidade de Coimbra) e Pedro Cunha (que chefiou a missão científica da Faculdade de Ciências de Lisboa) , além de missões da Escola Naval e do Instituto Superior Técnico . Assistiram, também, ao eclipse alunas do Liceu de Aveiro.

Artigo publicado na revista “illustração Portugueza” acerca deste evento

 

Fotos publicadas na revista “Occidente”

 

A revista “Occidente” relatava:

«A totalidade do fenomeno não teve logar, conforme se prevêra na brochura publicada pelo observatorio da Tapada da Ajuda. Em Penafiel, deu-se o eclipse anular e a linha de centralidade passou cerca de trezentos metros ao oriente da igreja de Melhundos. Os centros do Sol e Lua coincidiram, ficando apenas visiveis os dois pontos luminosos situados um pouco acima dos extremos do diametro horisontal.»

A observação mais original ocorrida em Ovar foi, no entanto, realizada na estação principal portuguesa, localizada na quinta do Sr. João Bernardino, em S. Miguel. Nesta estação, ao lado dos principais instrumentos da expedição da Universidade, todos eles de dimensões modestas devido a longos anos de falta de investimento na astronomia nacional, encontrava-se um aparelho não habitual - uma câmara de filmar. Com esta câmara de filmar seria realizado aquele que é considerado o primeiro filme científico português.

Segundo o Comércio do Porto desse dia:

« (...) .o tenente snr. Nogueira Ferrão, habilissimo photographo-amador e que ultimamente se tem dedicado, com muito exito, á cinematographia, socio da União Cinematographica Limitada de que faz parte o Jardim Passos Manoel, esteve hontem em Ovar, adaptando o apparelho cinematographico ao telescopio da Universidade, com a auctorização e de combinação com o illustre dr. Costa Lobo. Assim, cinematographou todas as phases do eclipse.»

E a revista “Occidente” noticiava igualmente:

«O sr. Ferrão, distinto oficial do exercito, devidamente autorisado e de acordo com o sr. Costa Lobo, aplicou o seu excelente aparelho cinematografico com a luneta astronomica da Universidade, a reproduzir todas as fases do eclipse.
É esta aprimeira vez que tal trabalho no genero se faz no país e de alto valôr.
Na mesma ocasião o sr. M. Paul, do Jardim Passos Manuel, do Porto, fez uma fita cinematografica dos aspétos dos acampamentos das missões, que deu bom resultado.»

Entretanto em Lisboa a população observava o evento

Ainda o Eclipse na revista “Illustração Portugueza” de 13 de Maio de 1912

Neste dia de 17 de Abril de 1912, a produtora cinematográfica “Lusa Film” regista “O Eclipse do Sol em Lisboa”, às 11h38mn. Seria estreado por Raul Lopes Freire no Salão Central e no Chiado Terrasse”, em 11 de Maio do mesmo ano.

Bibliografia: blog “Artigos do Jornal João Semana

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Artigos do Jornal João Semana

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