30 de julho de 2014

Estação de C.F. do Estádio Nacional

A “Estação de Caminho de Ferro do Estádio Nacional”, parte integrante do complexo desportivo do Jamor projectado pelo arquitecto Miguel Jacobetty Rosa, era o terminal dum curto ramal ferroviário que ligava a estação da Cruz Quebrada (Linha de Cascais) ao Estádio Nacional no Vale do Jamor, orientado na direção do terminal Cais do Sodré.

 

Foi aberto à exploração - regulamentada pelo Decreto-Lei n.º 35867, de 18 de Setembro de 1946 - em 16 de Junho de 1944 (6 dias depois da inauguração do próprio estádio) e destinava-se a serviço eventual de passageiros em dias de eventos desportivos importantes, circulando comboios com partida da Estação do Cais do Sodré antes de cada evento e no sentido inverso depois de este terminado.

Passagem superior da Estrada Marginal sobre a linha entre o Estádio Nacional e a estação da Cruz Quebrada

Esta Estação tinha como principal característica, as arcadas que delimitavam todo o edifício. No eixo de simetria do edifício principal erguia-se uma torre que se destacava, afirmando a sua verticalidade no conjunto e fazendo lembrar as estações de caminho de ferro regionais. Esta torre era encimada com um telhado de 4 águas bastante inclinadas, um relógio e um cata-vento que relembravam o gosto mais tradicionalista da arquitectura portuguesa.

  

Porta da Estação de Caminho de Ferro do Estádio Nacional

O ramal do Estádio Nacional viria a ter serviço regular de passageiros entre 17 de Julho de 1950 e 1 de Novembro de 1979, aquando do encontro de futebol Portugal-Noruega, o seu último uso comercial. Foi desafetado ao domínio público ferroviário pelo Decreto-Lei n.º 92/85 de 1 de Abril de 1985, estando já na altura «em estado de completo abandono e degradação»

Esta Estação e o seu ramal, foram demolidos e no seu lugar foi construído o “Complexo de Piscinas do Jamor” que foi inaugurado a 1 de Outubro de 1998.

 

Acerca da história do “Estádio Nacional” consultar artigo neste blog no seguinte link: Estádio Nacional”.

Fotos in:  Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

3 comentários:

Paulo disse...

Lembro-me de, em míudo, ir com o meu pai para o Jamor e jogar à bola com ele no espaço antes ocupado pelas linhas e plataformas, já nesta altura um descampado de areia e cascalho. As arcadas sempre me despertaram curiosidade, com o seu chão atulhado dos restos das telhas desfeitas.

Mesmo depois de terem construído o complexo de piscinas, deveriam continuado a disponibilizar serviço ferroviário; seria uma maneira de diminuir a confusão de trânsito em dias de jogo e facilitar o acesso à zona durante as outras competições desportivas.

Nuno Coelho disse...

Gostei bastante do artigo, vou partilha-lo no meu blog www.guardafreio.blogspot.com

Júlio Campos disse...

Esta infraestrutura era do tempo onde as grandes obras eram pensadas com vista ao futuro.
Implantadas em espaços e servidas por meios logísticos adequados às funções e não de forma a servirem interesses espúrios de "Patos Bravos" que deram origem a estádios em plena 2ª circular a complicar a vida de todos os utentes e prejudicando os moradores, além da fonte de poluição, consequente do incremento do transporte individual provocado.
Bendita estúpidez institucional.