18 de maio de 2014

“Casino Park Hotel” no Funchal

O “Casino Park Hotel” na cidade do Funchal na Ilha da Madeira foi inaugurado em 3 de Outubro de 1976. O projeto deste empreendimento hoteleiro, que incluía um Casino e uma Sala de Congressos, foi encomendado pela “Sociedade de Investimentos Turísticos da Ilha da Madeira”, propriedade da família António Xavier Barreto e presidida por José de Jesus Barreto, ao arquiteto brasileiro Óscar Niemeyer. Apalavrado em 1966, as obras só arrancaram seis anos depois em 1972, sob projecto definitivo do arquitecto portuense Viana de Lima, embora obedecendo à traça original do arquitecto brasileiro.

“Casino Park Hotel” em 1976

O terreno onde foi edificado este hotel tinha sido no final do século XIX um conjunto de três quintas:  “Quinta Vigia” propriedade de Mr. Bennett Stanford, “Quinta Bianchi”, de D. Virgínia Bianchi e a “Quinta Sant'Ana” de Mr. J. E. Gordon. Entretanto em 1905 era aberto na “Quinta da Vigia” o “Sanatório dos Marmeleiros” para doentes pobres. A 17 de Janeiro de 1907 abria o “Casino Pavão” e o  “Strangers’s Club” na Quinta Pavão.

“Casino Pavão” e “Stranger’s Club” na Quinta Pavão

 

 

 

Com o fim da à concessão alemã dos Sanatórios é construída em 1914 uma bateria marítima na “Quinta Vigia”. Nos finais dos anos 20 e 30 do século XX o Estado adquire  estas quintas e em 23 de Janeiro de 1936 o Ministério das Finanças cede, a título provisório, as 3 quintas à sociedade adjudicatária do jogo no Funchal e a  7 Fevereiro do mesmo ano tem lugar a  assinatura do contrato com a "Empresa de Turismo da Madeira, Lda", funcionando provisoriamente no “Casino Vitória”. Em 4 Julho de 1936  abre o “Casino da Madeira” na “Quinta Vigia”.

“Quinta Vigia” antes do Casino

 

“Casino da Madeira” na “Quinta Vigia”, terrenos que viriam a ser ocupados pelo “Casino Park”

 

Sexteto do “Casino da Madeira” na “Quinta Vigia”

Mas em 1939 é suspensa a concessão de jogo na Madeira, só reaberta  em  18 de Março de 1958. Em 15 de Julho de 1964, é celebrado contrato entre o Estado e a "I.T.I. Sociedade de Investimentos Turísticos na Ilha da Madeira" para a exploração do jogo na Madeira e a 21 Dezembro do mesmo ano é reaberto o “Casino da Madeira” num dos edifícios da Quinta Vigia, reformulado pelo arquitecto Júlio Simeão da Costa Alves

Em 11 de Dezembro de 1967 é cedido pelo Governo as Quintas Pavão e Bianchi, mediante aquisição pela “Sociedade da Quinta das Angústias” para o Estado. Em 1969 é firmado o contrato com o atelier do arquitecto Viana de Lima, do Porto, para a construção do empreendimento “Casino Park”, segundo projeto original de Óscar Niemeyer.

“Quinta das Angústias” actual “Quinta Vigia”

O contrato inicial com a empresa concessionária pressupôs a manutenção do parque das antigas Quintas Vigia, Pavão e Bianchi como público e daí a construção inicial do edifício do “Casino Park Hotel” em pilares e a passagem pública por debaixo do mesmo. Este hotel é considerada a maior obra de hotelaria em Portugal, com 221 m de comprimento e 24 m de largura, divididos em sete pisos. O conjunto situa-se no alto de uma falésia, com vista para o porto do Funchal, e é composto por um hotel, um casino e um centro para congressos.

Com o 25 de Abril de 1974, as obras de construção do “Casino Park” ficam paradas. Para além das greves, havia problemas de financiamento. O processo foi desbloqueado pela então Junta de Planeamento, em 1975, e conduzido pelo economista João Abel de Freitas, responsável pela pasta de Economia e Finanças, coadjuvado pelo engenheiro David Caldeira, membros da Junta liderada pelo General Carlos Azeredo. Finalmente, é inaugurado em 3 de Outubro de 1976.

“Casino Park Hotel” em 1976

Foram intervenientes nesta obra até 1999:

Arquitectos: Óscar Niemeyer e Viana de Lima; Engenheiros responsáveis: Fernando José F. Amorim, Henrique Rocha e José Lampreia; Decorador de interiores: Daciano Monteiro da Costa; Pintora artística: Lourdes de Castro (1980); Escultores: José Rodrigues (1970), Fernando Conduto (1970) e Lagoa Henriques (1999).

Quarto duplo decorado por Daciano Costa

      

O novo “Casino da Madeira” inserido neste projecto “Casino Park” só viria a ser inaugurado em 1 de Agosto de 1979. Como escrevi anteriormente, lembro que o antigo “Casino da Madeira” tinha sido inaugurado em 4 de Julho de 1936, em simultâneo com a criação da “Delegação de Turismo da Madeira”.

“Casino da Madeira” no complexo “Casino Park”

Depois de ter pertencido à cadeia Carlton, designado por isso mesmo de “Carlton Park Hotel”, foi adquirido em 1986 pelo Grupo Pestana, juntamente com o “Casino da Madeira” e o “Centro de Congressos”  ao ter adquirido a “I.T.I. Sociedade de Investimentos Turísticos na Ilha da Madeira". O “Carlton Park Hotel” passou a chamar-se “Pestana Casino Park” em 2007, tendo sofrido recentemente remodelações de interiores, por Jaime Morais, arquitecto também brasileiro, sem tocar na traça original deste ex-líbris da arquitectura madeirense.

“Carlton Park Hotel” no ano 2000

 

 

Renovado em 2007, o cinco estrelas “Pestana Casino Park” é um complexo turístico emblemático que inclui o “Casino da Madeira” e o “Centro de Congressos”. Rodeado por 15 mil m2 de jardim privado, o hotel dispõe de 340 quartos e 39 suites (incluindo suite presidencial), muitos deles com vistas para o Atlântico e baía do Funchal. A piscina panorâmica é um dos seus emblemas e os serviços incluem bares e restaurantes (nomeadamente o Panorâmico e o Sunset), centro de fitness, spa com piscina interior, jacuzzi, sauna, banho turco e tratamentos. No Casino, além de salas de jogos, há uma discoteca. 

“Pestana Casino Park”

 

 

 

O “Grupo Pestana” tem 10 hotéis no arquipélago da Madeira: os 5 estrelas Pestana Carlton Madeira, Pestana Casino Park, Pestana Grand, e os 4 estrelas Pestana Atalaia, Pestana Bay Ocean Aparthotel, Pestana Gardens Aparthotel, Pestana Miramar Aparthotel, Pestana Palms e Pestana Village Aparthotel, na Ilha da Madeira, e o recém inaugurado 5 estrelas Pestana Porto Santo.

fotos in: Funchal Antigo, Delcampe.net, Pestana Casino Park Hotel

1 comentário:

João Menéres disse...

Deslumbrante a vista sobre o restaurante para quem desce a escada em curva e logo tem o Atlântico como infinito cenário.
Mas, confesso, não apreciei o corredor dos quartos...