31 de dezembro de 2013

Nota aos Leitores

A partir de quinta-feira dia 2 de Janeiro de 2014, os futuros artigos cujas fotos sejam contextualizadas com apontamentos históricos, serão disponibilizados em formato PDF.


O documento PDF poderá ser baixado (download) clicando na imagem/link disponibilizada nos finais dos artigos em questão.

Certo que esta nova disponibilidade será do vosso agrado, estarei, contudo e como habitualmente, receptivo a eventuais reparos, críticas e sugestões dos estimados leitores.


Aproveito esta mensagem para desejar a todos os leitores, seguidores e amigos deste blog, um feliz Ano Novo de 2014  e umas Boas Festas.


José Leite

Antigamente (87)

Base Aérea das Lajes

“Junta Geral para a Desratização” no Funchal

«Packard» junto ao Hotel do Parque no Estoril em 1927

Seca do bacalhau na Figueira da Foz

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Delcampe.net

29 de dezembro de 2013

Pastelaria “Versailles”

Em 25 de Novembro de 1922 era inaugurada a "Patisserie Versailles", na Avenida da República, 15-A, no bairro da "Avenidas Novas" em Lisboa, e propriedade da firma “Antunes & Vinhais, Lda.” cujos sócios eram Salvador José Antunes  e José Monteiro Vinhais.

“Patisserie Versailles” nos anos 20 do século XX

              Salvador José  Antunes                                                       Anúncio em “A Capital”

        

A “Patisserie Versailles” ocupou a loja do edifício mandado construir, em 1919,  por João Antunes Lopes e projectado pelo arquitecto Manuel Norte Júnior. O edifício foi construído por José Tomás de Sousa.

No dia seguinte à inauguração o jornal “Diário de Lisboa” escrevia:

«É verdadeiramente notavel a nova casa de chá. Desde os lindos quadros do pintor Bemvindo Ceia, evocando os lagos maravilhososo de Versailles, até aos belos trabalhos de talha do construtor Fausto Fernandes, toda ela está rigorosamente no estilo de Luís XV.
A Patisserie Versailles, além de pastelaria, a cargo do conhecido pasteleiro madrileno Mariano Rey e do serviço de chá e de charcuterie, está plenamente habilitada ao fornecimento de qualquer serviço para fóra, para soirées, casamentos, etc. Assim qualquer pessoa que queira dar uma festa em sua casa será prontamente servida, sem as demoras que teria, não existindo no bairro tal estabelecimento.
O arquitecto Norte Junior, que delineou, de acordo com o sr. Salvador José Antunes, todo o plano, é digno dos maiores elogios. A «Patisserie Versailles» ficou sendo, de todos os estabelecimentos do genero, o melhor da capital e dos melhores da peninsula.»

1932

Exterior da “Versailles” e quarteirão na Avenida da República onde está inserida

 

Interiores da “Versailles” em 1978

 

O nome de “Patisserie Versailles”, manteve-se até 1926, ano em que foram proibidas designações com palavras estrangeiras. A “Versailles”, teve, desde início, fabrico próprio de bombons e de amêndoas, assim como vasto sortido de tabletes de chocolate, adquiridas nas melhores fábricas de chocolates do país.

«Este estabelecimento, além de pastelaria, de “charcuterie” e do serviço de chá, encarrega-se de qualquer serviço de casamento, “soirée”, etc. Basta para isso tocar para o 3219 Central.»

Edifício da “Versailles” antes da sua restauração em 1987

Em 1985 são efectuadas obras de alteração na pastelaria, adaptando a “Versailles”  a restaurante e salão de chá, com restauro das pinturas e ornamentação. Substitui os balcões por um corrido, e  instala de novas mesas e cadeiras na parte sobrelevada da sala, revestindo o seu pavimento com carpete. Cria, igualmente, novas instalações sanitárias, revestidas a mármore.

 

 

Detalhes da decoração interior

 

 

 

Em 1987 a proprietária do edifício, D. Angélica Nogueira das Neves,  transforma o mesmo em regime de propriedade horizontal, e em 2004 são efectuadas obras de recuperação da fachada principal, com reboco e pintura a amarelo, limpeza das cantarias e reparação dos gradeamentos.

     

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Lisboa, Pastelaria Versailles

20 de dezembro de 2013

Quadra Natalícia

Cá estamos em mais uma quadra natalícia, e mais um ano se passou …

Com estas fotos das iluminações de Natal em Lisboa nos anos 70, aproveito a oportunidade para desejar a todos os leitores, seguidores e amigos deste blog, que me têm honrado com a sua visita, um Feliz Natal e Festas Felizes.

       

Loja de brinquedos em 1966

Informo que vou suspender a publicação de novos artigos no blog, até Domingo dia 29 de Dezembro, dia em que retomarei a publicação normal. Até lá , e mais uma vez, Boas Festas.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Portuguesa das Comunicações

19 de dezembro de 2013

O Correio em Portugal (17)

Ambulâncias postais e viaturas de distribuição

 

 

Funcionários dos CTT

   

E já agora, como estamos na época de Natal, não se esqueça …

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação Portuguesa das Comunicações

18 de dezembro de 2013

Banco Burnay

O “Banco Burnay” - ex “Casa Bancária Henry Burnay” & Cia” fundada por Henry Burnay e seu cunhado Ernesto Empis em 1875 - foi transformado em Banco em 24 de Outubro de 1925. Os seus principais accionistas eram a “Société Générale de Belgique”, o “Banque de l’Union Parisienne” e Raul Empis, tendo o cargo de Presidente do Conselho de Administração sido entregue a Roberto Burnay.

Sede do “Banco Burnay” na Rua dos Fanqueiros em Lisboa

Henry Burnay - 1º Conde de Burnay (1838-1909), por Ernest Borbes

Durante a crise de 1876 Henry Burnay ganhou muito dinheiro, tendo-se então transformado num dos mais poderosos accionistas do Banco Nacional Ultramarino. Ligado ao Comptoir d'Escompte francês, em 1879 era já um financeiro suficientemente conhecido para ser encarregado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, o progressista Barros Gomes, de contrair um empréstimo no estrangeiro. Cada vez que a situação do Tesouro português piorava, a sua importância crescia.

Durante a década de 1880 não parou. Investiu em praticamente tudo aquilo em que se podia investir, na linha de caminho-de-ferro do Porto a Salamanca em companhias de navegação, na viação eléctrica da capital, etc.

Apesar de ser a casa bancária o grande negócio de Henry Burnay, os seus investimentos abrangem os mais diversos sectores. De referir a participação na “Companhia dos Tabacos de Portugal”  fundada em 1844, e na metalurgia, funda em 1874 a “Empresa Industrial Portuguesa”, cuja vocação era a construção das grandes obras. Nesse ano ainda entra no sector dos lanifícios, tomando a seu cargo a “Companhia de Lanifícios de Alenquer”. No papel, detinha a “Fábrica de Vale de Maior” e a “Fábrica de Papel do Prado”.

1911

 

Em 1894 detinha a “Real Fábrica dos Vidros”, antes pertença dos irmãos Stephens, a “Empresa Vidreira Lisbonense” e uma fábrica de garrafas. Os sabões, através da “União Fabril”, passaram para as suas mãos em 1870 e visto que também detinha interesses na concorrente “Companhia Aliança Fabril”, inicia um processo de fusão donde nascerá, em 1898, a CUF - Companhia União Fabril. No imobiliário é da sua autoria o bairro Camões, mais conhecido pelo Bairro do conde Redondo.

Na imaginação popular, Burnay transformara-se no capitalista por excelência, judeu na origem, internacional nos contactos e dissoluto nos vícios. Em 1901, o jornal “A Paródia”, de Bordalo Pinheiro, retratava-o com uma enorme mão direita, onde aparecia desenhado o mapa de Portugal, enquanto na esquerda se via um banco de madeira, onde o banqueiro se preparava para meter o país que tão imprevidentemente o acolhera, acompanhado dos oportunos versos.

Em 1960, o Banco Burnay passa a deter a “Casa Havaneza”, fundada em 1865 e situada no Largo do Chiado em Lisboa, quando foi criada a “Empor - Empreendimentos Comerciais e Financeiros, SARL” cujo capital social era maioritariamente de Virgílio de Sousa.

No dia 31 de Março de 1960, António José Brandão e José Robert Callens, na qualidade de administradores do “Banco Burnay”, e Virgílio de Sousa, administrador delegado e em representação da “Empor” foram os protagonistas de uma nova escritura que visava a  transferência do negócio dos tabacos do Banco para esta nova empresa. A decisão teve por base uma exigência legal que impunha que as instituições bancárias abandonassem os negócios que não estivessem directamente ligados ao objectivo social.

Neste contrato define-se ainda que o espaço  no Largo do Chiado antes ocupado exclusivamente “Casa Havaneza”, passaria  a albergar, também, uma agência do “Banco Burnay”, pelo que o antigo espaço da “Casa Havaneza”, foi consideravelmente reduzido.

Em Março de 1961 é inaugurada a sucursal do “Banco Burnay” no Largo do Chiado em Lisboa, juntamente com as novas instalações da “Casa Havaneza”, ao lado, e inserida no conjunto arquitectónico.

Primitiva “Casa Havaneza”  ou “Maison Havanaise”, em foto de 1913 com o café “A Brazileira” a seu lado

Esta agência, construída pela empresa “Carlos Eduardo Rodrigues”, foi projectada pelos arquitectos António Azevedo Gomes e Francis Jules Léon, com esculturas de Jorge Vieira.

“Banco Burnay”  e “Casa Havaneza” no Largo do Chiado

 

 

 

Actualmente estas instalações são ocupadas por uma agência do BPI

Com sede na Rua dos Fanqueiros em Lisboa, tinha outras sucursais, além desta na Boa-Hora, Avenida de Roma, Lumiar, São Sebastião e na Estrela. Na cidade do Porto tinha uma filial na Avenida dos Aliados e outra na Rua Sá da Bandeira. Também presente na Amadora, Pêro Pinheiro, Setúbal e Santarém.

Cheques do “Banco Burnay”

ChequeCheque.1

                                 1926                                                                                        1947

 

                                        1960                                                                                           1966

    

Em 1966 a frase publicitária era: “Banco Burnay - Venha a ser também o seu Banco”

Em 1967, nasceria o “Banco Fonsecas & Burnay” resultado da fusão entre o “Banco Burnay” e o “Banco Fonsecas, Santos e Vianna” criado em 1937 a partir da “Casa Bancária Fonseca, Santos & Vianna” fundada em 1861.

O “Banco Fonsecas & Burnay” seria dirigido, entre 1967 e 1974, por Fausto Figueiredo, José Corrêa d’Oliveira e Pedro Figueiredo. O seu crescimento foi de tal forma acentuado que rápidamente levou à aquisição do “Banco Regional de Aveiro” (fundado em 1920), tendo-se seguido a aquisição da “Pancada, Morais e Cia” (fundada em 1921), e anos mais tarde o Banco do Alentejo” (fundado em 1875), a última entidade regional que sucumbiu à constituição dos grandes grupos económicos nacionais que entretanto se tinham criado em Portugal.

                                           1910                                                                                       1925

 

                                          1946                                                                                       1966  

  

“Bancomat” na agência do Largo do Chiado e já pertença do “Banco Fonsecas & Burnay”

O sistema “Bancomat” funcionava da seguinte forma: Começava por ler o número de conta do cliente na banda magnética do cartão que era introduzido na ranhura própria e, a seguir, o código que o cliente marcava no teclado. Igual ao procedimento nas actuais máquinas “ATM” .Depois do cliente marcar a importância que pretendia levantar, o processador da máquina estabelecia, através de linha telefónica, comunicação com o servidor central do Banco e era este que autorizava, ou não, a retirada do dinheiro. Com o saque autorizado o processador accionava os mecanismos que iriam disponibilizar as notas.

O cofre de um “Bancomat” possuía várias gavetas de metal, cada uma com notas de valores diferentes. Um sistema de correias de borracha retirava, então, uma nota de cada vez de dentro das gavetas até totalizar o valor solicitado, mas antes de saírem, as notas passavam por um sensor óptico que procurava possíveis erros.

        

Centro Mecanográfico do “Banco Fonsecas & Burnay”

 

Cheques do “Banco Fonsecas & Burnay”

Para a sucursal de Aveiro do “Banco Fonsecas & Burnay” foi comprada uma “Caixa-móvel” que não era mais que uma carrinha da marca inglesa “Morris” transformada em mini-agência bancária.

“Caixa-móvel”

  

«Estacionávamos no centro das povoações, abríamos a carrinha, entrávamos no Café da Praça e anunciávamos:- Meus senhores, somos do BFB e podemos transportar as vossas transferências e depósitos para o Banco. Não é preciso deslocarem-se! Estes circuitos em Aveiro, não tão arriscados como na Guarda, constituíam um trabalho igualmente complicado por exigir uma grande dose de coragem para atacar também caminhos perigosos, por vezes debaixo de condições de tempo adversas, e também uma elevada dose de perseverança e firmeza de ânimo perante as dificuldades de uma tarefa de resultados nem sempre proveitosos». in blog: Confraria dos Cágados Folgados

O “Banco Fonsecas & Burnay” acabaria por ser adquirido pelo pelo “BPI - Banco Português de Investimento” (1985), no início do segundo trimestre de 1991.

  

«A banca era um assunto demasiado sério para estar entregue a bancários. Tenho saudades de quando os bancos em Portugal tinham nome de gente, os clientes se vestiam a preceito para pedirem um empréstimo ou a reforma de uma letra, as sedes eram revestidas a madeira, couro e latão, o chefe de uma agência era um cavalheiro, os porteiros e contínuos usavam farda e ninguém levantava a voz. (…)

(…) Tenho saudades do Fonsecas Santos & Viana, do Burnay, do Borges & Irmão, do Pinto & Sottomayor, do Português do Atlântico do Sr. Cupertino de Miranda, do Pinto de Magalhães, do BIP do Sr. Jorge de Brito, do Totta & Açores, do Mello, do Bank of London & South América e até de alguns cambistas de boa memória. Tudo bancos onde trabalhava gente de palavra de honra e de um só aperto de mão. Que não usava dr. ou engº como nome próprio. Gente que hoje quase já não há. Restam os Espírito Santo. Valha-nos a Santíssima Trindade.» Joaquim Letria in "24 horas" 8-08-2007.

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Arquivo Municipal de Lisboa, Hemeroteca Digital, Confraria dos Cágados Folgados, Retrovisor