2 de outubro de 2013

Maxim’s - Club dos Restauradores

O Club “Maxim’s”, propriedade de José Nunes Ereira, foi inaugurado em 1908 como “Club dos Restauradores”. Era em 1920 o expoente máximo da Lisboa elegante e boémia. Em forma de arrendamento, ocupou boa parte do “Palácio Foz”, antigo “Palácio Castelo Melhor, na Praça os Restauradores, em Lisboa.

Reclamo do “Maxim’s” na fachada do “Palácio Foz” com o “Central Cinema” e a “Pastelaria Foz”, entre outros

                                             1921                                                                                     1934

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O “Maxim’s”, foi o primeiro club a aparecer em Lisboa, com dancing, salas de jogo e roleta, bar e restaurante onde se podia comer pela madrugada dentro.

O “Club dos Restauradores” ou “Maxim's” e o “Clube dos Patos”, no Largo do Picadeiro ao Chiado, abrem portas antes da I Guerra Mundial como casinos, diversificando gradualmente os seus serviços de modo a conquistar mais público e, de certa forma, a camuflar a sua actividade original. Durante a Guerra mantêm-se abertos, a par de outras casas de jogo que proliferam na capital, alimentadas por novos-ricos ou estrangeiros refugiados em Lisboa. Contudo, segundo Reinaldo Ferreira, o “Repórter  X”, «o primeiro cabaré a sério - misto de clube, de dancing e de casino» seria o Palace Club”, inaugurado em pleno conflito, para encerrar pouco depois, em 1920

                                 Entrada                                                                     Salão de Jantar e Dancing

 

                                     Salão Nobre                                                     Salão Nobre utilizado como Sala de Jogo

 
fotos de Carlos Vasques (c.1922) in revista Contemporânea de Outubro de 1922

Em meados de Fevereiro de 1921, o grupo de estabelecimentos autorizados a estarem abertos das 0 às 4 horas, incluíam já o “Monumental Club”, o “Maxim’s”, o “Palais Royal”, o “Ritz Club” e o “Clube dos Patos”. Estes seis clubes continuavam a ter licença para encerrar apenas às 4 horas em meados de Março do mesmo ano.

Em 1920 as casas de jogo existentes em Lisboa eram:  “Maxim’s”, “Palace Club”, “Majestic Club”, “Regaleira Club”, “Ritz Club”, “Clube dos Patos”, “Bristol Club”, “Club Internacional”, “Palais Royal”, “Olympia Club” e o “Club Montanha”.

Acerca de clubs lisboetas do século XX, consultar o artigo neste blog no seguinte link: “Clubs Nocturnos de Lisboa”.

Os jogos de casino estavam proibidos em Lisboa.  O “Maxim’s” infringia a proibição e oferecia secretamente essa distracção a alguns clientes.  Era uma actividade exercida num local do Palácio Foz em que o acesso era demorado, bem longe da porta da rua e da escadaria monumental.

No primeiro andar, num corredor perto do topo da escadaria, havia um cubículo que durante algum tempo serviu de abrigo para um empregado que aí passava o seu tempo sentado numa cadeira e com uma mesa à sua frente, e estava ligado por um fio a uma campainha de alarme instalada na zona secreta do jogo.  A policia procedia a visitas frequentes, e quando os agentes chegavam ao local do «crime» já tudo tinha sido modificado. A própria mesa da roleta não estava visível, os clientes estavam sentados em sofás fumando, tomando bebidas e conversando descontraidamente, servidos por empregados que falavam uns com os outros baixinho…

Mas às vezes o dispositivo de segurança não funcionava bem e a policia descobria o disfarçe. E então o “Maxim’s” era imediatamente encerrado por tempo indeterminado.

                                               1922                                                                                   1926

       

A frequência dos clubes nocturnos variava, mas os mais elegantes seriam de facto o “Maxim’s” e o Bristol Club”. O primeiro era sobretudo procurado pela elite política e económica de Lisboa. A selecção à porta era apertada, mas o ambiente era frenético, muito por culpa dos surpreendentes jogos de luzes, comandados diariamente por um electricista, a partir da sua cabina de distribuição eléctrica.

1922

 

   

As festas do “Maxim’s” e do Bristol Club tornaram-se célebres pela animação que ostentavam durante o Carnaval:

«O Bristol Club, um dos mais afamados da capital, emprestando a Lisboa a nota elegante de uma cidade civilizada, com o seu dancing, festejou este ano o Carnaval com a graça e o brilhantismo que era de prever. O aspecto de um baile do Club Maxim’s, um dos mais animados e divertidos dos que se realizaram nos clubs lisboetas» in revista ABC de 1927

O “Maxim’s” depois de encerrado no início de 1929 para melhoramentos e não só … reabriria em 17 de Novembro de 1919. Apropósito o jornal “Diario de Lisbôa” escrevia: «Pois o Maxim's - que o Governo, e muito bem, escolheu para funcionar como dancing, nos termos da lei da regulamentação do jôgo - reabre amanhã.».

Em 1930 o que se salienta na imprensa em relação ao “Maxim’s”, continua a ser a distinção da sua clientela: «Os salões do Palácio Foz estiveram regurgitantes do que de melhor há em Lisboa, em nomes antigos com legendas nos melhores dos solares, na diplomacia, nas artes e nas letras.»

                                                 Etiqueta                                      Publicidade numa publicação estrangeira

        

Ficha de jogo

O “Clube dos Restauradores - Maxim’s”, terá encerrado definitivamente, a seguir ao Reveillon de 1939.

Último anúncio que encontrei do “Maxim’s”. Publicado no “Diário de Lisboa” a 30 de Dezembro de 1939

Já encerrado definitivamente ainda funcionou, esporadicamente, por períodos de alguns dias, com acesso vedado ao público, para servir banquetes de iniciativa privada, muito distanciados. As sobras, desses banquetes, revertiam a favor dos empregados - alguns deles já a trabalhar no Grande Casino Internacional”, no Monte Estoril.

Lembro, mais uma vez, que para mais informação acerca de clubs lisboetas do século XX, consultar o artigo neste blog no seguinte link: “Clubs Nocturnos de Lisboa”.

Bibliografia: foi ,também, consultada a Tese de Mestre em História Moderna e Contemporânea “Clubes Nocturnos Modernos em Lisboa: Sociabilidade, Diversão e Transgressão (1917-1927) de Cecília Vaz Santos (Setembro de 2008)

Nota: Muito agradeço a colaboração do Sr. Fernando Pinheiro, em alguns relatos históricos.

fotos in: Hemeroteca Digital, Colecções Senador, Museum of Gaming Story

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