9 de junho de 2013

Casino de Sintra

“Casino de Sintra”, foi inaugurado a 01 de Agosto de 1924. Este Casino foi iniciativa da “Sociedade de Turismo  de Cintra, Lda.”, constituída em 29 de Julho de 1922 e cujo programa visava  proceder a melhoramentos  lúdicos, habitacionais, e munir de equipamentos e saneamento que redesenhariam o bairro da Estefânia, da vila de Sintra.

                               

                                            

                                 

O projecto, financiado, na sua maior parte, por Adriano Júlio Coelho, foi entregue ao arquitecto Manuel Norte Júnior. Com a sua construção concluída em 18 meses a 27 de Julho de 1924, o “Casino de Sintra” representava uma nova dinâmica de expansão urbana, iniciada em finais do século XIX com a construção da linha de caminho de ferro. O edifício era constituído por um salão de exposições, outro de bailes/festas e ainda um mais pequeno para leitura.

                    

                                  Casino de Sintra.14

 

                           4 de Agosto de 1924                                                                  24 de Agosto de 1924

                                    

No dia 2 de Agosto de 1924 o “Diário de Lisboa” escrevia:

«O elegantíssimo Casino - que ontem já nos deu um magnifico concerto - possue restaurant, dirigido por um maitre d'hotel estrangeiro, servido por creados especializados já lá fóra, e falando todas as linguas. Tem um bar, ao estilo americano dos grandes hoteis, um largo hall, sala de bilhar e de fumo, salões de concerto, e uma sala lindíssima de exposição. Ha em tudo um luxo discreto e amavel, um luxo que não oprime, e é sobretudo comodidade, bom gosto.
Não se jogará nunca ali. É essa a divisa da Sociedade, que tem á sua frente nomes prestigiosos, que visam apenas dotar Cintra com um belo melhoramento, e não explorar estrangeiros e portugueses.»

 

 

 

O “Casino de Sintra” teve o seu tempo áureo de 1924 a 1928. Durante anos, tempos de glória e glamour, foi espaço de recitais de poesia, de soirées dançantes, chás e jantares-concerto, comemorações oficiais ou entrega de prémios.

“Pouco durou esse Casino. Ficou mal situado e o Adriano Coelho não queria «batota»” José Alfredo Azevedo no Volume (bairros de Sintra). in Blog Rio das Maçãs.

1925 Casino de Sintra

                                                         

Era no “Casino de Sintra” que se realizavam os ensaios do Orfeão de Sintra, que chegou a ter duzentos elementos. Foi seu regente o maestro Luís Silveira. O Orfeão de Sintra terminou precocemente em 1926 ou 1927. O Casino esteve encerrado uns anos. Depois de reabrir, em 1935 foi encerrado de novo, em 1937, mas desta vez não foi desactivado, e ali decorreram depois inúmeros eventos e jogos florais, A partir de 1945 depois de reabrir, ainda beneficiou de um novo fôlego.

                                                                                            1947

                                

De referir que o “Casino de Sintra” ainda chegou a funcionar como cinema.

Depois de encerrado, foi comprado pela Câmara Municipal de Sintra em Fevereiro de 1954 por 800 contos, voltando a registar alguma pujança, com bailes e festas de Carnaval, nalgumas das quais participaram as artistas Simone de Oliveira e Maria José Valério.

 

                                   

 

                                              

fotos anteriores in: O Traço do Arquitecto na Paisagem Sintrense, Delcampe.net

Mais tarde  ali funcionaram a Escola Preparatória D. Fernando II  a Repartição de Finanças e a Conservatória do Registo Civil, até que, em 1996 se procedeu à recuperação do edifício com vista a transforma-lo no “Centro Cultural de Sintra”, nomeadamente com a implantação  de um espaço museológico destinado à Arte Moderna.

                                 

O “Centro Cultural de Sintra” foi Inaugurado a 17 de Maio de 1997, e durou enquanto o comendador Joe Berardo ali manteve parte do seu espólio, e que viria a retirar definitivamente em 2011. A partir daí as instalações ficaram subaproveitadas, acolhendo apenas as exposições do World Press Cartoon.

 

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