30 de novembro de 2012

Caminhos de Ferro Portugueses (1)

                          Abastecimento de carvão                                          Passagem de nível da Pedrulha, Coimbra

 

                           Lavagem duma carruagem                                    Comboio no Largo da Portagem em Coimbra

 

                 Ponte a caminho da Figueira da Foz                                                     Agulha efectuada

 

                                                                      Agulheiro na estação «Coimbra B»

 

fotos de Varela Pècurto in: Fundação Museu Nacional Ferroviário

29 de novembro de 2012

Cartazes Publicitários (9)

                                                                                          1917

                                  

                                                                                          1919

                                                

                                                             Cartaz de Abílio de Mattos e Silva em 1942

                                                 

                                                                                             1954

                                                 

Cartazes in: Biblioteca Nacional de Portugal, Almanach Silva

28 de novembro de 2012

28 de Maio de 1936 em Braga

Na madrugada do dia 28 de Maio de 1926, o General Gomes da Costa, chefiando a Junta de Salvação Pública, proclamou, a partir de Braga, que «A Nação quer um Governo forte que tenha por missão salvar a Pátria, que concentre em si todos os poderes para, na hora própria, os restituir a uma verdadeira representação nacional (...)».

                             

O plano militar era, saindo de Braga, conquistar o Porto e, com forças militares que saíssem de outras cidades (Santarém, Mafra, Évora...), marchar sobre Lisboa. A Marinha também aderiu. Entretanto, várias forças militares foram aderindo em todo o país, incluindo Porto, Coimbra e Lisboa. Na noite de 29 para 30 de Maio, o governo de António Maria da Silva demitiu-se. Na madrugada de 30 de Maio, foi o Presidente da República, Bernardino Machado que se rendeu, convidando o Almirante Mendes Cabeçadas a formar governo. A 6 de Junho de 1926, o General Gomes da Costa desfilou em Lisboa à frente das tropas.

              Dr. Oliveira Salazar, Almirante Mendes Cabeçadas, general Gomes da Costa e general Óscar Carmona

                              

As comemorações do 28 de Maio de 1936, e simultaneamente do X aniversário do golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, tiveram início a 26 de Maio de 1936, na cidade de Braga.

O comboio presidencial chegou às 10h e 58 m è estação de Braga. No comboio tinham viajado o Presidente da República general Óscar Carmona acompanhado pelo Presidente do Conselho Dr. Oliveira Salazar, o ministro da Marinha Contra-Almirante Américo Tomás, majores, generais da armada e do exército, e de outras individualidades civis e militares.

 

Na estação ferroviária de Braga aguardavam-nos, entre outras individualidades, os generais Schiapa de Azevedo, Gomes de Sousa, Lacerda Machado e Joaquim Malheiros, respectivamente comandantes da 1ª, 2ª,3ª e 4ª regiões militares, Casimiro Teles, vice-presidente da comissão de festas, general Daniel de Sousa, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e o general Alexandre Malheiro, comandante da Guarda-Fiscal.

Também se associaram ás boas-vindas membros da União Nacional, delegados das associações económicas, magistrados, funcionários superiores, clero e os representantes das 43 juntas de freguesia, de Lisboa, como o respectivo Conselho Central.

Organizou-se de seguida um cortejo automóvel para o Governo Civil de Braga «com centenas de automóveis, indo à frente as entidades de Braga, depois os comandantes das regiões militares, governador militar de Lisboa, comandante da 1ª região, a seguir o arcebispo de Braga e o clero da Sé (...). Num automóvel aberto seguiam os senhores general Óscar Carmona, dr. Oliveira Salazar e o governador civil de Braga, escoltados por um esquadrão de cavalaria 9.».

 

 

Após o almoço no governo civil, organizou-se um grande cortejo cívico, que desfilou perante os altos representantes da nação instalados numa tribuna artísticamente decorada, na Avenida dos Combatentes da Grande Guerra. Abria o cortejo a banda do Colégio de S. Caetano, seguindo-se as escolas primárias, os alunos das Oficinas de S. José, formações de escoteiros, agremiações desportivas, bandas de música, comissões da União Nacional de Barcelos, Bombeiros Voluntários de Braga, etc.

  

                              

Terminado este desfile realizou-se a grande parada militar em que tomaram parte 5.000 homens, representantes de todas as unidades do país. Antes de começar o desfile o general Schiapa de Azevedo, comandante da 1ª Região Militar, passou em revista as tropas, indo depois colocar-se junto da tribuna presidencial.

Depois de terem discursado o General Schiapa de Azevedo, o capitão Lucínio Presa, governador do distrito de Braga, o Dr. Alberto Cruz, deputado, discursou por último o Presidente do Conselho Dr. Oliveira Salazar, cujo discurso foi radiodifundido pela "Emissora Nacional".

                               

 

Terminada a cerimónia no quartel de Infantaria 8, foram distribuídos donativos a numerosas famílias pobres e foi servido um jantar a 500 indigentes. No manhã do dia seguinte a comitiva presidencial chegaria à estação de Campanhã na cidade do Porto.

Em 28 de Maio de 1936 teriam lugar as cerimónias oficiais no Parque Eduardo VII da celebração do X aniversário do 28 de Maio de 1926.

                               

                               

Entretanto em Moçambique o 28 de Maio de 1936 era comemorado, também, pelos indígenas …

                                                         Cerimónia do batuque de guerra por indígenas

 

                               

fotos in: O Saudosista, O Blog da República, Biblioteca de Arte- Fundação Calouste Gulbenkian. Arquivo Nacional da Torre do Tombo

27 de novembro de 2012

Montras de Lisboa (1)

                                                                        "Antiga Casa José Alexandre"                      

                              

                                                                     "Ourivesaria e Relojoaria Torroaes"

                                                    

                                                                                     Casa "Quintão"

                               

                                                                                  Camisaria "Adão"

                                                 

                                                                                 "Papelaria Progresso"

                               

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Retrovisor

26 de novembro de 2012

Feitoria Inglesa

A "Feitoria Inglesa" ("Factory House", em inglês) é um imponente edifício neo-clássico, que abriga a associação de empresas britânicas de vinho do Porto. Está situada na antiga zona comercial da cidade do Porto, onde, no passado, os comerciantes de vinho do Porto tinham os seus negócios. O termo "Feitoria”, usado no seu sentido original, refere-se a uma associação ou estabelecimento de comerciantes ou empresários (conhecidos como "feitores”) que exercem a sua atividade num país estrangeiro. As feitorias eram essencialmente missões ou entrepostos comerciais, e muitas vezes eram utilizadas também pelos seus membros como clubes ou locais lúdicos. Os portugueses estabeleceram feitorias em África Ocidental no século 15 e, posteriormente, na Índia, Malaca, Antuérpia e noutros lugares. No século XVII, os ingleses construíram feitorias na Índia e os holandeses no Extremo Oriente. Foram várias as feitorias inglesas estabelecidas pela Europa. No início do século XVIII havia cinco feitorias inglesas em Portugal.

            

                         

A casa da feitoria começou a ser construída em 1785, na Rua do Infante D. Henrique, na cidade do Porto, ficando concluída em 1790. O projecto é atribuído ao cônsul John Whitehead e inspira-se no estilo neopalladiano inglês. A Rua Infante D. Henrique foi aberta nos finais do século XV por D. João I, e depois de concluída a "Feitoria Inglesa" passou a ser conhecida pela «Rua Nova dos Ingleses». Também aqui, ligados aos interesses do comércio internacional, se situavam os consulados dos Estados Unidos, da Argentina, da Costa Rica, da Holanda, da Venezuela e da Suécia.

                                                                                "Rua Nova dos Inglezes"

        

John Whitehead (1756-1822) nasceu em Ashton-Under-Lynne, no Lancashire, em 1726. Foi um homem de muitos interesses e talentos: arquitecto amador, engenheiro, cientista (astrónomo, matemático e investigador), bibliófilo (possuidor de uma vasta biblioteca) e cônsul da nação britânica. Residiu no Porto entre 1756 e 1802.

Na qualidade de cônsul desenvolveu uma relação de proximidade com João de Almada e Melo e exerceu uma grande influência na actuação da Junta das Obras Públicas e na introdução da arquitectura neopalladiana em Portugal, assim abrindo caminho ao neoclassicismo, que se assumiu como uma corrente contrária e alternativa ao tardobarroco ainda persistente no Porto, no final de Setecentos.

Entre 1765 e 1780 acompanhou e executou obras integradas no programa almadino de renovação arquitectónica e urbana do Porto. Foi um dos principais responsáveis pela escolha de John Carr para o projecto do "Hospital de Santo António". Teve um papel decisivo na edificação do primeiro e único cemitério protestante do Porto (1787-1788). Ficou ligado às obras na Praça da Ribeira, da Capela de Nossa Senhora do Ó e da Praça de S. Domingos.

                                  Dia em que o Rei D. Manuel II foi almoçar à Feitoria, em 8 de Novembro de 1908

                                      

Relatos da época atribuem-lhe fama de excêntrico e até mesmo de bruxo, por possuir um laboratório e um observatório privados, providos de microscópios solares, onde terá ensaiado um pára-raios por si inventado e realizado experiências nas áreas da câmara escura e da electricidade. De qualquer modo, foi uma figura muito apreciada pelos seus compatriotas e respeitado entre os portugueses. Sabe-se que em 1785 vivia na Rua de São Francisco.

John Whitehead morreu no Porto a 16 de Dezembro de 1802. A Feitoria Inglesa determinou que seria sepultado no centro do cemitério protestante da cidade, onde se ergueria um monumento em sua homenagem, o qual foi executado cerca de 20 anos depois.

A mais antiga feitoria inglesa no Norte de país, datada do século XVI, localizava-se em Viana do Castelo. O primeiro regulamento da "Factory House of Oporto" surgiu em 1727.

No interior desta "Feitoria Inglesa" são de salientar a formosa escadaria, com a respectiva clarabóia, a sala de baile e a monumental cozinha. Situada no último andar, esta cozinha ainda conserva todo o equipamento original e a baixela primitiva. A Feitoria Inglesa dispõe, ainda, de uma vasta biblioteca e um espólio notável, com mobiliário Chippendale, porcelanas e faianças de qualidade.

                 

          

          

Pode relacionar-se este edifício com outros edifícios da cidade que sofreram a mesma influência, nomeadamente o edifício do Hospital de Santo António e o Edifício onde está instalado o Museu Nacional de Soares dos Reis
 
Outros símbolos da presença britânica na cidade do Porto são o "Oporto Cricket and Lawn Tennis Club", fundado em 1855, e a "Oporto British School" que, fundada em 1894, é a mais antiga escola de estilo britânico no continente europeu.

                                        Publicação de 1983                                               Publicação por ocasião do Bicentenário

          

                 Distribuição dos convidados na mesa                    Foto dos participantes no jantar do Bicentenário da Feitoria

          

Na foto anterior, (entre parêntesis ano de associado):

Sentados da esquerda para a direita: Paul Symington (1983), Peter Cobb (1980), Ian Sinclair (1975), Alastair Robertson (1969), Robin Reid (1962), Michael Symington (1955), Dominic Symington (1992), Ian Symington (1958), James Symington (1964), Gordon Guimaraens (1975), António J. Filipe (Membro Honorário), Peter Symington (1975), Nick Heath (1984)

De pé da esquerda para a direita: Henry Shotton (Membro Executivo), Euan Mackay (2008), Johnny Symington (1989), Jim Reader (1988), Johnny Graham (1986), Natasha Bridge (2010), Adrian Bridge (1997), Rupert Symington (1994), Joe Alvares Ribeiro (2009), Charles Symington (1998), William Graham (Representante da delegação estrangeira), David Guimaraens (1997).

Atualmente, os negócios não se realizam na Feitoria, sendo o edifício usado pelas casas de vinho do Porto e membros da "Feitoria Inglesa" sobretudo como um lugar para receber os seus convidados. Com o seu ambiente masculino, a tradição cumpre-se ao almoço todas as quartas-feiras. Trata-se de um "buffet" mais ou menos informal antecedido por um Porto Branco, acompanhado por um vinho do Douro e seguido de Vinhos do Porto, Tawnies e Vintages. O Porto Tawny limpa o palato e as atenções concentram-se no Porto Vintage, que é sempre servido "mascarado" (rótulo oculto), da esquerda para a direita. Segue-se a discussão tentando os presentes identificar a casa produtora e o seu ano Vintage. Os jantares são bem mais formais.

                                                                            Fotos actuais da "Feitoria Inglesa"

        

        

        

fotos in: Bocas Foleiras - Picareta, Do Porto e Não Só, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, The Courtauld Institut of Art