31 de janeiro de 2012

Palácio da Justiça de Lisboa

A decisão de construir o Palácio de Justiça de Lisboa datava já de 1958, mas só em 1962 os arquitectos Januário Godinho de Almeida , João Henrique de Melo Breyner Andresen foram encarregues de o desenhar. As obras começaram em 1967 a cargo da “Edifer - Construções Pires Coelho & Fernandes” (fundada em 1966) sendo os arquitectos responsáveis: Raul Lino (coordenador artístico) e José Luís da Cruz Amorim (mobiliário e estacionamento).     

                                                                      Maqueta do projecto inicial   

                              

Em 30 Setembro de 1970 foi inaugurado o Palácio de Justiça de Lisboa, tendo sido concluído seis meses antes da data prevista. O seu custo total ascendeu a 240 mil contos. 180 mil o dos tribunais cíveis ocupando uma área coberta de 4.215 m2, e 60 mil contos os dos Tribunais de Polícia e Execução de Penas que possui uma área coberta de 2.050 m2.

                                        Exteriores do Palácio de Justiça de Lisboa ( Edifício do Tribunal Cível )

                                

 

Do projecto inicial, concebido como um conjunto de 4 edifícios dispostos em torno de uma praça, sugerindo um amplo "Forum", constavam: os tribunais cíveis e criminais, os tribunais superiores e os tribunais de polícia e de execução de penas. Deste plano construiram-se apenas os edifícios do Tribunal Cível e dos Tribunais de Polícia e de Execução de Penas. A execução do projecto dependia da demolição do actual "Estabelecimento Prisional de Lisboa"; tal não foi efectuado.

  Edifício do Tribunal de Polícia e de Execução de Penas               Cantina e Bar na cobertura do Tribunal de Polícia

 

                                

                                                                      Entrada para o Tribunal Cível

 

                                 

 

                                

Do plano original foram construídos apenas os edifícios do Tribunal Cível e dos Tribunais de Polícia. Nesta data foram instalados no Tribunal Cível os serviços de 15 juízos cíveis e 7 varas cíveis, constituindo 22 núcleos. Começou logo a funcionar no dia seguinte, exceptuando o Tribunal de Polícia que só na 2ª feira seguinte.

Em 1971 foram executados diversos trabalhos no restaurante situado nos tribunais de Polícia e de execução de penas.

                                   

                                                    

Neste Tribunal podem-se observar várias obras de arte que o equipam tais como: 4 painéis da autoria de Jorge Barradas, executados em 1969, intitulados "A Justiça", "O Juíz de Fora", "O Código" e "A Balança"; 6 painéis da autoria de Júlio Resende alusivos "Sapiência", "Verdade", "Fortaleza", "Serenidade", "Temperança" e "Prudência". 6 painéis da autoria de Querubim Lapa, intitulados "Adão e Eva expulsos do Paraíso", "o Direito que possibilita a Paz entre os Homens e a suas glórias", "Criação de um Código", "a prática da Justiça apoiada no Direito", "Espírito da Ordem" e "Temperança".

Em 1971 procedeu-se à colocação, no topo central da Sala de Audiências da 4ª vara cível, de uma tapeçaria da autoria de Amândio Silva, alusiva a "João das Regras e a revivescência do direito".

                                    Amândio Silva, e a tapeçaria "João das Regras e a revivescência do Direito"

                                

   Querubim Lapa, e “Adão e Eva expulsos do Paraíso”                                 Júlio Resende, e “Prudência”

 

fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Ministério da Justiça

Actualmente o Tribunal Cível é constituiído por 17 varas e 10 juízos.

30 de janeiro de 2012

Hotel Infante de Sagres

O "Hotel Infante de Sagres", foi inaugurado a 21 de Junho de 1951, na Praça Filipa de Lencastre e era o primeiro hotel de luxo a ser construído na cidade do Porto. A sua construção iniciada em 1945, com projecto de 1943 do arquitecto Rogério de Azevedo e  que se destinava inicialmente a estalagem, foi da iniciativa do industrial e capitalista Delfim Alexandre Ferreira.

                                

                                                        

            

Na duas primeiras fotos pode-se avistar, no lado esquerdo, a “Garagem O Comércio do Porto”, também projecto do arquitecto Rogério de Azevedo, e concluída em 1932.

O "Hotel Infante de Sagres" foi inaugurado com grande pompa com um baile de gala no «Salão Luís XVI», onde actuaram duas orquestras. A decoração do hotel esteve a cargo de Artur Barbosa e os ornatos e decorações dos tectos e paredes pela firma Barganha & Irmão.

A data da sua inauguração, o “Hotel Infante de Sagres”, contava com 67 quartos, dos quais 37 com casa de banho privativa, sendo os restantes equipados apenas com bidé e lavatório. Na cave localizava-se a cozinha, a pastelaria, despensas, lavandaria, rouparia, vestiários do pessoal e casa de máquinas.

       

A sua decoração assentou no estilo Luís XV, exceptuando a grande suite de luxo do 1º andar em estilo Luís XVI e o Salão de Baile, sendo incluídas esculturas de Barata Feyo, telas de Abel Moura e de Artur da Fonseca, e vitrais de mestre Leone.

       

       

       

A gerência do "Hotel Infante de Sagres", ficou entregue Alexandre Soleiro sócio da sociedade arrendatária e proprietária “Ferreira & Filhos, Lda.”. Após a morte de Delfim Ferreira, seu filho Dr. Alexandre Ferreira deu-lhe continuidade.

        

                                             

                         

1951

fotos in: Repositório Aberto da U. Porto, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian   etiqueta in: IÉ-IÉ

Em Janeiro de 2008, o “Hotel Infante de Sagres”, foi comprado pelo grupo “Lágrimas - Hotels & Resorts”  do advogado José Miguel Júdice. Além de ter mudado ligeiramente a sua designação para “Hotel Infante Sagres” sofreu algumas obras de melhoramento ao nível dos quartos e também no seu aspecto interior, tendo sido mantidos todos os seus traços mais significativos. Presentemente o hotel, conta com 74 quartos e está incluido na cadeia de hotéis "Small Luxury Hotels of the World".

                                                    O “Hotel Infante Sagres” actualmente e seu novo logotipo

          

        
        fotos in: Hotel Infante Sagres

28 de janeiro de 2012

Canções Antigas (5)

Capas de partituras de canções, algumas do cinema e teatro de revista, do início do século XX.

                                  

                                  

                                   
                                    fotos in: Ephemera

27 de janeiro de 2012

Sociedade Central de Cervejas

Em 1934, nasce a “Sociedade Central de Cervejas” (SCC), fruto da associação da “Companhia Produtora de Malte” e “Cerveja Portugália”, da ”Companhia de Cervejas Estrela”, da “Companhia da Fábrica de Cerveja Jansen” e da ”Companhia de Cervejas de Coimbra”, e em 1935 o património da “Fábrica de Cervejas Trindade”, incluindo a sua cervejaria, é integrado na SCC. A produção de cerveja da “Sociedade Central de Cervejas” atinge 5,1 milhões de litros.

Antiga fábrica “Portugália” da S.C.C. na Avenida Almirante Reis, Rua António Pedro e Rua Passos Manuel, em Lisboa

 

Cervejaria “Portugália” na esquina da Avenida Almirante Reis com a a Rua Passos Manuel, em Lisboa

 

          Cerveja.1

                                               
 
A cerveja “Sagres” é lançada em 1940 aproveitando o momento histórico da realização da Exposição do Mundo Português, e após cuidadosos ensaios. No ano seguinte a “Imperial”, uma marca de luxo, surge no mercado pelas mãos da SCC, lançando um nome que viria a consagrar a cerveja de barril.

                                                                  Veículos de distribuição de cerveja   

                                                                           No início do século XX    

                                                         

                            1951                                                      1961                                                    1963

        

                                                                                           1971                                                                               

                                

Em 1947, nasce a “CUCA - Companhia União de Cervejas de Angola, SARL”, com um capital de 5 mil contos, subscrito pelas empresas do grupo SCC e pela CUFP. É o início da presença em África. O principal objectivo é a montagem de uma fábrica de cerveja em Luanda ou no Lobito.

                                                                              Fábrica de cerveja “Cuca”

             

A SCC em 1960, compra a Luso, a água mineral mais antiga de Portugal, e em 1963 o poeta José Carlos Ary dos Santos cria o slogan que se tornou famoso: "Cerveja Sagres, a sede que se deseja".

                                                     Garrafas da cerveja “Sagres” desde 1940  até 2007

                                        

Em 1943 tem início a exportação de cerveja, primeiro para Gibraltar, depois para os Açores e Territórios Ultramarinos (Angola, Cabo-Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe, Timor, Goa, Macau e, pontualmente, Moçambique). Cerca de 70 mil litros anuais são vendidos aos barcos estrangeiros que aportam a Lisboa.

                         Recriação do rótulo primitivo da Sagres de Exportação          Lata da Sagres de Exportação

                                   

Entretanto em 1965 a exploração fabril das associadas passa a ser exercida directamente pela “Sociedade Central de Cervejas”, e a administração decide avançar com o projecto de uma nova fábrica. Depois de vários estudos e prospecções, são adquiridos 35 hectares em Vialonga (Alverca), assegurando o abastecimento da futura fábrica com água do Rio Alviela, idêntica à utilizada pela Dortmund, então uma das melhores cervejas do mundo. Todo o projecto é liderado pelo administrador Beirão da Veiga. Ainda nesse ano, a SCC adquire uma participação na Empresa de Cervejas da Madeira, Lda e na João de Melo Abreu, Lda.

Em 22 de Junho de 1968, o Chefe do Estado Almirante Américo Thomaz, inaugurou em Vialonga, a nova fábrica da “Sociedade Central de Cervejas”, que no seu género era uma das maiores da Europa e a mais moderna e bem apetrechada do Mundo.

        

A nova unidade fabril destinava-se a substituir as fábricas que aquela Sociedade administrava em Lisboa - Portugália e Estrela. O novo complexo fabril ficou implantado em Alverca, que como já foi referido anteriormente, devido à proximidade do canal do Rio Alviela, que abastecia Lisboa e cuja água era considerada como a melhor do Mundo para o fabrico da cerveja.

        

        

Na construção intervieram 25 empresas e mais de mil operários, num investimento total de 365 mil contos (1,82 milhões de euros) dos quais somente 15% foram gastos com material importado..

Quando da sua abertura os silos permitiam um armazenamento de 20 mil toneladas de cevada e malte. As caldeiras desenvolviam uma produção de mais de meio milhão de litros por dia. Eram 24 os tanques de fermentação com uma capacidade de 100 mil litros cada, e 96 os tanques de adega, de 80 mil litros cada. Numa segunda fase  a capacidade passaria para o dobro. A nova fábrica - com cerca de 500 operários - dispunha ainda de um conjunto de cisternas de água implantado numa área de 4.000 m2, com uma cubicagem de 13 milhões de litros.

        

        

Inicialmente esta fabrica produzia as cervejas “Sagres”, “Cuca” e “Skol”  e refrigerantes da “Schweppes” .

                                                 Publicidade exterior em azulejo pintado, nas estradas do Algarve

                     Schweppes Schweppes.5

A potência instalada num total de 7.8 MVA nos postos de transformação, era superior à da cidade de Santarém e da vila de Torres Vedras juntas, em 1968.

Quanto à sala de enchimento, totalmente automatizada, tinha quatro linhas de cerveja, com um ritmo de enchimento de 110 mil garrafas por hora, e duas de refrigerantes, para 40 mil garrafas por hora. A sala de conferências - adaptável  a cinema e teatro - possuía 450 lugares. O refeitório tinha capacidade para servir 500 refeições simultâneamente, ao preço de 16$00 (8 cêntimos) embora os funcionários pagassem apenas 5$00 (2,5 cêntimos) com direito a dois pratos, duas cervejas, pão, fruta e doce.

        

A fachada maior da Fábrica de Vialonga é da autoria de Eduardo Nery,  artista plástico português, que tem registada uma vasta obra ligada à arte pública, em azulejo, tapeçaria, mosaico, vitral e desenhos de grandes pavimentos em calçada. Também do mesmo autor são os pavimentos a preto e branco no interior da Fábrica, a decoração em faixas horizontais nas paredes do edifício dos silos e ainda um projecto desenhado para uma das casa de caldeiras. Estas, e outras obras de Eduardo Nery, são admiradas por arquitectos e críticos de arte, designers e por pessoas do meio artístico, tanto em Portugal como no estrangeiro.
 
Em 1969 termina a política de condicionamento industrial que vigorava desde 1931, abrindo espaço para a autorização de novas fábricas de cerveja. Assim, são constituídas a “Cergal – Cervejas de Portugal, SARL”, a “Copeja”, em Santarém (onde é produzida a marca “Clock” ) e a “Imperial”, em Loulé, onde é fabricada a marca “Marina”.

Em 1973, os principais accionistas da SCC constituem a “Parfil – Sociedade de Gestão de Participações Financeiras”, com o objectivo de gerir as participações noutras empresas, incluindo as da própria cervejeira. O capital social é aumentado para 550 mil contos, sendo pela primeira vez lançadas acções da Empresa à subscrição pública. Das 250 mil novas acções, 5 mil (representando 0,9% do capital) destinam-se aos trabalhadores e 50 mil (9,1% do capital) são vendidas ao público em geral. A Parfil fica com 60%, a Portugália com 12,6%, a Estrela com 12,6%, a Coimbra com 3%, e a Jansen com 1,8%.

                                       

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Central de Cervejas

Após a revolução de 1974, e por recomendação do Conselho de Revolução, o Estado intervém na empresa, em 1975, sendo nomeada em 21 de Março deste ano uma Comissão Administrativa. A 30 de Agosto de 1975 a SCC é nacionalizada. Nesse ano, a SCC vendeu 185 milhões de litros de cerveja e entrou em funcionamento a fábrica do Catujal, para a qual foi transferida de Vialonga a produção de refrigerantes.

Mais tarde , em 1977, as cinco empresas cervejeiras do continente, mediante uma operação de fusão, são agrupadas em duas: a “Centralcer – Central de Cervejas EP” englobando a “Sociedade Central de Cervejas” e a “Cergal” ; e a “Unicer”, que une a CUFP, a Copeja e a Imperial. A Centralcer herda um passivo acumulado da “Cergal” de mais de 600 mil contos (3 milhões de euros), dos quais 347 mil contos (1,7 milhões de euros) se referem a Imposto de Transacção (hoje IVA) que a Empresa tem de liquidar ao Estado.

Em 1990 a cerveja “Sagres” completou 50 anos. O capital da Centralcer é totalmente privatizado, constituindo esta a primeira operação de privatização a 100% feita em Portugal. O Grupo Empresarial Bavaria adquire uma participação no capital da “Centralcer – Central de Cervejas, S.A.”, tornando-se um dos principais accionistas.

                                      

Em 2009 a  “Sociedade Central de Cervejas e Bebidas” lança "a primeira cerveja portuguesa com rolha de cortiça". Em garrafa de 75 cl, trata-se de uma edição comemorativa de Sagres Bohemia Reserva 1835, e ao mesmo tempo celebra um acordo com a Casa Real Portuguesa, através da Fundação Dom Manuel II, o qual reafirma a prerrogativa da cerveja Bohemia como fornecedora oficial da Casa Real Portuguesa, uma parceria inédita em Portugal recuperando esta tradição. As tês cervejeiras que estiveram na génese da SCC já tinham sido agraciadas por alvará régio com o honroso título de “Fornecedor da Casa Real”. Neste âmbito a cerveja Sagres Bohemia vai passar a incluir nas suas embalagens a designação de fornecedora da Casa Real Portuguesa, uma novidade exclusiva no panorama das marcas cervejeiras nacionais e que vem reforçar o posicionamento desta marca no segmento Premium das cervejas Portuguesas