6 de dezembro de 2012

Papelarias Progresso e da Moda

A "Papelaria Progresso" foi fundada por António Vieira em 1908 na Rua do Ouro 151-155, esquina com a Rua da Vitória em Lisboa. Anos mais tarde, no nº 161 desta mesma rua a "Papelaria Progresso" viria a abrir uma sucursal a que chamaria de "Boutique" nas antigas instalações da "Relojoaria Girassol", também propriedade de António Vieira.

                           Gravura de 1908                                                        "Papelaria Progresso" em 1957

 

                     "Papelaria Fernandes" (fundada em 1891) e "Papelaria Progresso" e o famoso BMW Isetta                     

                                

Em 1915 António Vieira funda a "Papelaria da Moda", também na Rua do Ouro 167-169, nas antigas instalações do depósito das "Águas de Vidago" em Lisboa. Esta papelaria, propriedade da empresa "Vieira & Cª." viria a ser, a partir de 1935, importadora e representante para Portugal das canetas "Parker". A partir dos anos 50 do século XX passaria a importação desta marca de canetas, a ser feita por outra empresa da família a "Vialga - Representações SARL" sediada na Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa.

                                                                     "Papelaria da Moda" em 1915

                                

                                                                             Anúncio de 1935

                  

  

A "Papelaria da Moda" , viria a sofrer obras de remodelação de interiores, em 1948 sob projecto do engenheiro Francisco Silva Mata. Em 1968 seria alvo de outra intervenção desta vez pelo arquitecto Raúl Ferreira.

Maria Violante Vieira e Maria Antónia Vieira Gagean sucederam a seu pai António Vieira, o fundador, à frente das "Papelarias Progresso", da "Papelaria da Moda", e do escritório Vialga, representante de diversas marcas como a "Parker", "Ronson" e outras. Maria Violante Vieira afastou-se da gerência nos anos 70 do século XX, para se dedicar exclusivamente ao Comité Português da UNICEF.

Em 1961 as  instalações da "Papelaria Progresso" foram profundamente remodeladas, tanto no exterior como no interior, sob projecto do arquitecto Francisco da Conceição Silva. O logotipo da "Papelaria Progresso" foi da autoria do designer Manuel Rodrigues.

                         Frente para a Rua do Ouro                                               Lateral na Rua da Praia da Vitória

 

 

                                  1949                                                                 Anos 60 do século XX

         

  

 

Depois de ter encerrado em 31 de Dezembro de 2003 essa metade do prédio foi adquirido pelo “BES - Banco Espírito Santo” que por sua vez alugou o r/c da antiga “Papelaria Progresso” à “Papelaria Fernandes”, aquando do seu processo de encerramento de lojas para escoarem os artigos que tinham noutras lojas e armazéns.

                                                        Stand na "FIL - Feira das Industrias de Lisboa"

                              

 

Por outro lado a "Papelaria da Moda" ainda existe, já tendo passado por três gerações da família Vieira e propriedade da firma "Papelarias António Vieira, Lda.".

                             

Nota: as fotos da "Papelaria Progresso", foram gentilmente cedidas pela D. Vera Pereira, (blogue "Retrovisor"), assim como alguns apontamentos históricos, o que muito agradeço.

fotos in: Retrovisor, Estação Chronographica, Hemeroteca Digital, Arquivo Fotográfico da CML

9 comentários:

Manuel Tomaz disse...

Êsta postagem tem para mim um efeito muito especial. Fui estabelecido nesta rua, mesmo em frente a êstes estabelecimentos. Assisti à agonia final da Papelaria Progresso, mas também ao declínio lento, nos últimos anos, dos outros dois estabelecimentos. Fica a memória!
Os meus cumprimentos,
Manuel Tomaz

José Leite disse...

Caro Manuel Tomaz

Grato pelo seu comentário.

Por acaso não me sabe informar em que ano encerrou a Papelaria Progresso?

As suas instalações foram depois adquiridas pela Papelaria Fernandes.

Esta última, se já não encerrou, também em agonia há uns anos.

Cumprimentos

José Leite

João Celorico disse...

Caro José Leite,

Estas eram 3 papelarias que eu, como muito boa gente, frequentava com assiduidade. Tempos em que, ali, havia de tudo!
O curioso é que eu nunca tinha "visto" o Isetta como outra coisa que não fosse italiano. O Goggomobil é que seria o alemão. Vivendo e aprendendo...

Cumprimentos,
João Celorico

José Leite disse...

Caro João Celorico

O Isetta foi um carro de desenho italiano e que foi fabricado, sob licença, em Espanha, Bélgica, Alemanha, Brasil e Reino Unido.

Iso Isetta (1953-1956)
BMW Isetta (1955-1962)
VELAM Isetta (1955-1958)
Romi-Isetta (1956-1961)

Que existia um Isetta da BMW eu já sabia porque um sócio do meu pai no início dos anos 60 teve um, e eu cheguei a andar nele.

Cumprimentos

José Leite

José Couto Nogueira disse...

O meu primeiro carro foi um BMW Isetta mais comprido,de quatro lugares, muito feio por sinal. A BMW, que estava quase falida, começou um processo de renovação "por baixo", isto é, pelas cilindradas mais pequenas, usando os motores das motos. O Isetta que se vê na foto tinha um motor de 300ccm, o meu,o tal maior, um motor flat twin de 600ccm. Depois lançaram o BMW 700, já com aspecto de carro e, finalmente, o 1500, com motor novo, uma linha que foi evoluindo até aos de hoje.
Num outro registo, conheci bem os Gagean; e os meus pais eram sócios da Artex, na Rua Nova do Almada, uma papelaria também muito conhecida na época. A Artex acabou com o incêndio do Chiado.

Anónimo disse...

Acabei de adquirir (na Livraria Chaminé da Mota - Porto)um lindissimo pequeno livro de postais (12) a preto e branco recordação de Lisboa e Cintra com o autocolante da Papelaria Progresso Paes Lda (só não sei de que altura é (caso saibam agradeço) 5cm x 9cm.

Cumprimentos

Rui Gonçalves

Al_jb disse...

O meu pai (Arquitecto Henrique Brando Albino), se não estou enganado, foi a primeira ou segunda pessoa a comprar uma Isetta, assim que chegou a Portugal.
Existe inclusivamente, uma fotografia com a minha mãe e irmão mais velho, ao lado da mesma.
Seria muito possível que o exemplar da fotografia, fosse o mesmo veiculo....seria, digo eu!

Melhores cumprimentos
João Brando Albino

Fernando Sanz disse...

Caro José Leite a Papelaria Progresso encerrou em 2005 e tal como afirmam na noticia nunca pertenceu à Papelaria Fernandes. Depois de ter encerrado essa metade do prédio foi adquirido pelo BES que por sua vez alugou o R/C da antiga papelaria Progresso à papelaria Fernandes, aquando do seu processo de encerramento de lojas para escoarem os artigos que tinham noutras lojas e armazéns, até mesmo na estação da Cp de sete rios e rossio tiveram lá umas bancadas com esse fim. Como tal posso afirmar que as instalações da antiga Papelaria Progresso nunca foram da Papelaria Fernandes mas sim do BES e continuam a ser até hoje 22 Abril 2013

José Leite disse...

Caro Fernando Sanz

Grato pela correcção. Pelo que vejo fui induzido em erro, de onde retirei essa informação.

Já procedi à rectificação.

Mais uma vez os meus agradecimentos e os meus cumprimentos

José Leite