1 de agosto de 2012

O Pai Tirano

"O Pai Tirano", realizado e produzido pelo cineasta António Lopes Ribeiro, considerado um dos melhores filmes portugueses de sempre, senão o melhor, estreou no "Cinema Eden" a 19 de Setembro de 1941. Foi rodado em película «Kodak» de 35 mm, com imagem de Perdigão Queiroga e montado por Vieira de Sousa no laboratório de imagem da "Lisboa Filmes". Foi distribuído pela "SPAC - Sociedade Portuguesa de Actualidades Cinematográficas, Limitada".

                                           

                                               No "Diário de Lisboa" em 19 de Setembro de 1941

                                           

                              

                                                         António Lopes Ribeiro e Vasco Santana

                               

Este filme teve com um orçamento de 850 contos (4.250 €) teve no elenco principal os seguintes grandes actores: Vasco Santana («Mestre» Santana), Francisco Ribeiro/Ribeirinho (Francisco Mega), Leonor Maia (Tatão), Graça Maria (Gracinha), Teresa Gomes (Teresa), Luísa Durão (D. Cândida), Laura Alves (Laurinha), Emília de Oliveira (D. Emília), Barroso Lopes (Lopes), Armando Machado (Machado) e Arthur Duarte (Artur de Castro).

                   Leonor Maia (1929 - )          Francisco Ribeiro (1911-1984)     Vasco Santana (1898-1958)

            

J. Matos-Cruz, in "Homenagem a António Lopes Ribeiro" escrevia:

«Fazendo uma breve reflexão pelo género mais popular do cinema nacional, e considerando a sua época áurea, facilmente se concluirá que “O Pai Tirano” é a comédia mais perfeita realizada entre nós. A experiência de “A Canção de Lisboa” de Cottinelli Telmo em 1933, gozando ainda dos privilégios introduzidos pelo sonoro, e da euforia relativa a uma produção cem por cento portuguesa, não teve correspondência nos casos isolados até aos anos quarenta – de um Leitão de Barros em “Maria Papoila” (1937) e “Varanda dos Rouxinóis” (1939) ou de um Chianca de Garcia em “Aldeia da Roupa Branca” (1938) – nem naqueles que se seguiram ao “Pai Tirano” – designadamente os filmes essenciais de Arthur Duarte –, pois em todos eles é possível detectar lapsos de continuidade, momentos mortos, referências envelhecidas, deslizes de interpretação, ou resvalam para estilos e modalidades que não os directamente em exploração. O único exemplo que poderia associar-se ao “Pai Tirano” é “O Pátio das Cantigas” – também produzido e supervisionado por António Lopes Ribeiro/Ribeirinho e Vasco Santana, intérpretes de ambos à frente de um elenco que, frequentemente, coincide nos dois filmes. Mas no “Pátio” subsistem as derivações ao carácter central, o que não sucede no “Pai Tirano”, pelo que em relação a este se constataria que é – apenas – enriquecido pela presença de António Silva (…).».

A acção do filme é passada em grande parte no interior dos "Grandes Armazens Grandela", e na "Perfumaria da Moda" ambos na Rua do Carmo em Lisboa onde são filmadas algumas cenas de exteriores. As restantes cenas são filmadas nos estúdios da "Tobis Portuguesa". É na Rua do Carmo, frente a uma montra do Grandela, que é filmada a única cena em que faz uma fugaz aparição o actor João Villaret fazendo o papel de um mudo vendedor de gravatas.

                                                                       Cenas da rodagem do filme

                            Cena na Rua do Carmo                                   Cena nos "Grandes Armazens Grandela"

 

        Cena dos «Grandelinhas» na Tobis                         Caracterização da actriz Graça Maria (Gracinha)

     

António Lopes Ribeiro foi o realizador, o produtor, director de produção, o argumentista e co-autor dos diálogos deste filme de 114 minutos, juntamente com Ribeirinho e Vasco Santana .O filme gira em torno da tempestuosa paixão de um jovem amador dramático e caixeiro nos "Grandes Armazens Grandela", Francisco Mega, por uma simpática empregada da "Perfurmaria da Moda", Tatão, cinéfila incondicional assediada por Artur de Castro, um cínico sedutor. O enredo conta também a história e peripécias dos ensaios do grupo dramático "Os Grandelinhas" na peça "O Pai Tirano - O Último dos Almeidas" «traduzido do francês por Inocêncio Fernandes Abreu».

                                                         Título do filme no genérico da película

                            

    

    

João Bénard da Costa escreveu a propósito deste filme em "Histórias do Cinema":

«Para além dos méritos do script - O Pai Tirano - é basicamente um filme de argumento - três actores geniais: Ribeirinho, Vasco Santana e Teresa Gomes - ajudaram poderosamente a levar este curiosíssimo exemplo de teatro filmado e de filme teatral (o argumento funciona tanto sobre a representação de uma peça como sobre a oposição teatro/cinema no interior da representação que a envolve) à quintessência do género. O resto (...) é uma questão de timing e aí chapeau para Lopes Ribeiro, na melhor prestação da sua carreira.»

«A melhor história original do cinema português», acrescentaria Manuel Moutinho in Diário da Manhã, 23, Agosto, 1952.

                                  Cenas gravadas no interior dos "Grandes Armazens Grandela"

                      

                                     Cena no interior da "Perfumaria da Moda" com Arthur Duarte

                            

               No jardim da Rocha do Conde de Óbidos e ensaio do grupo «Os Grandelinhas» na Tobis

                       

A lista completa do elenco foi a seguinte:

Arthur Duarte, Vasco Santana, Emília de Oliveira, Luísa Durão, João Villaret, Henrique de Albuquerque, Regina Montenegro, Teresa Gomes, Armando Machado, Joaquim Prata, Leonor Maia, Francisco Ribeiro (Ribeirinho), Barroso Lopes, Eliezer Kamenesky, Graça Maria, Laura Alves, Reginaldo Duarte, Pereira Saraiva, Manuel Correia, Nelly Esteves, Idalina Oliveira, Seixas Pereira, Júlia Assunção, Zeca Fernandes, Alice Rodrigues, Mário Fernandes, Manuel Correia, Maria Celeste Leitão, Maria Pinto, Mário Fernandes, Sofia Santos, Carlos Barros, Henrique de Albuquerque e Artur Rodrigues. 

                                   Anúncio de 1943 à SPAC, empresa distribuidora de "O Pai Tirano"

                               

fotos in: Instituto dos Museus e da Conservação, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Biblioteca Nacional de Portugal, Hemeroteca Digital

10 comentários:

Rufino Fino Filho disse...

ENCONTREI, POR PURO ACASO, O SEU BLOG. É UM CONSOLO SABER QUE HÁ AINDA QUEM GOSTE DESTE PAÍS E DA SUA HISTÓRIA, SEJA ELA EM QUE CAMPO DE ACTIVIDADE FOR. MUITO OBRIGADO PELOS MOMENTOS DELICIOSOS QUE USUFRUO TODOS OS DIAS!

José Leite disse...

Caro Rufino Filho

Muito grato pelas suas amáveis palavras.

Como estamos num artigo sobre cinema, será coincidência o nome que pelo qual se identifica na Google de "Rufino Fino Filho" ser proveniente de outro grande filme português "Pátio das Cantigas"?

Cumprimentos

José Leite

Margarida Elias disse...

Para mim é o melhor filme português.

José Leite disse...

D. Margarida Elias

Acompanho-a na sua análise.

Não sendo um estrondoso filme cómico português penso que foi o mais bem estruturado, e num filme dar uma grande lição de teatro através dos ensaios do grupo "Os Grandelinhas".

As grandes actrizes e actores intervenientes contribuiram decerto para a confirmação da qualidade do argumento, e da mestria do realizador António Lopes Ribeiro

Os meus cumprimentos

José Leite

Paulo Topa disse...

Muito fixe. Vou pôr no meu facebook.

José Leite disse...

Caro Paulo Topa

Agradecido pelo seu comentário

Cumprimentos

José Leite

Rufino Fino Filho disse...

CLARO QUE É UMA HOMENAGEM AO MELHOR FIME PORTUGUÊS DE TODOS OS TEMPOS E A UMA PLEIADE DE ACTORES QUE NUNCA SERÁ IGUALADA.

José Leite disse...

Caro Rufino

Uma época do Cinema Português, que nunca mais se repetiu nem se repetirá.

"Leitaria Estrela D'Alva" de Rufino Fino Filho ...

Bem recordado com uma belíssima ideia. Parabéns

Os meus cumprimentos

José Leite

Graça Sampaio disse...

De todos os meu preferido. Já o vi e revi dezenas de vezes.

Muito obrigada.

Laura Garcez disse...

Nasci mais de uma década depois da realização deste filme, mas julgo que também muitos daqueles com quem partilho as mesmas opiniões serão de gerações diferentes. Portanto, apesar de muita coisa que tenho lido sobre este filme (e outros do género) por parte de aspirantes a cinéfilos intelectualiódes, acho que este é o melhor filme português (género comédia romântica) e, sem dúvida, o meu preferido.