4 de junho de 2012

CTA - Companhia de Transportes Aéreos

Fundada em 20 de Janeiro de 1945, como “Sociedade Continental de Transportes Aéreos” é adquirida pelo grupo “CUF - Companhia União Fabril”  em Julho de 1945 e muda de designação para “CTA - Companhia de Transportes Aéreos”. No capital social desta nova empresa estavam presentes dos maiores capitalistas e industrias portugueses com António Champalimaud, Carlos Bleck, a família Sousa Lara, Manuel de Mello, Fernando Ulrich, etc. além da “Sociedade Geral de Comércio e Transportes”  pertença da CUF.

A sua frota inicial era constituída por um «Percival» Proctor V, e por três bimotores «DeHavilland» DH-89 Dragon Rapide adquiridos no Reino Unido. Estes aviões destinavam-se a assegurar as ligações aéreas entre Lisboa-Porto-Lisboa dáriamente excepto aos Domingos. Os vôos tinham partidas de Lisboa às 9h 30m e ás 15h 30m e a partir do Porto às 9h 30m e às 16h. Cada viagem custava 306$00 e o passageiro estava seguro em 200.000$00 na Companhia de Seguros Império (também pertença do grupo CUF).

«Percival» Proctor V

«DeHavilland» DH 89 Dragon Rapide utilizado pela CTA

«DeHavilland» DH 89 Dragon Rapide, na fábrica em Hatfield

    

A cerimónia do vôo inaugural Lisboa-Porto teve lugar em 2 de Dezembro de 1945, à qual presidiu o Presidente da República o Marechal Óscar Carmona. No vôo inaugural levantaram vôo para a cidade do Porto os quatro aviões que compunham a frota inicial como já foi descrita anteriormente. Levaram a bordo além das respectivas tripulações, o engº Espragueira Mendes subscretário de Estado das Comunicações, D. Manuel de Mello da CUF, tenente coronel Humberto Delgado, director do Secretariado da Aeronáutica Civil, Dr. Luiz de Sousa Lara, Carlos Bleck director da companhia, entre outros.

Inauguração do hangar da CTA no Aeroporto de Lisboa em 2 de Dezembro de 1945

Este vôo inaugural coincidiu com a inauguração do aeroporto de Pedras Rubras na cidade do Porto neste mesmo dia, para o qual rumaram as aeronaves. Até este dia os vôos com destino ao norte tinham que utilizar o campo de aviação de Espinho que existia desde 1935 e tinha sido construído pela Aeronáutica Militar.

Aeroporto de Pedras Rubras em 1945

 

«DeHavilland» DH-89A Dragon Rapide da CTA no seu hangar do Porto

Mais tarde são ainda adquiridos à Força Área dos Estados Unidos dois "Douglas C-47A", sendo a sua adaptação aviação civil sido feita por pessoal das Oficinas Metalomecânicas da CUF. A CTA vai construir toda uma infra-estrutura de apoio as suas rotas aéreas, para isso constrói hangares privativos nos Aeroportos de Lisboa e Porto, com oficinas , armazéns, operações de voo, equipamento de rádio, salas de pessoal navegante, cantinas etc. Nessa altura a CTA já empregava cerca de 70 funcionários.

"Douglas C-47A" fretado pelo importador de automóveis "C. Santos" para XIII Salão Automóvel do Porto

 

        

fotos in: Coisas da Aviação em Portugal, O Grupo CUF - Elementos para a sua História, Airliners.net

Desde o início da sua actividade em 2 de Dezembro de 1945 até 31 de Dezembro de 1946 os aviões da C.T.A., entre os quais os «Douglas DC-3 Dakota», adquirido mais tarde, tinham transportado 10.900 passageiros, em 261 horas de vôo.

Em 2 de Dezembro de 1946 assinala o seu 1º aniversário

Anúncio em 31 de Dezembro de 1946

Havia já planos de expansão delineados por fases, em 1946 o objectivo seria inaugurar uma carreira Lisboa-Madrid com um serviço diário, assim como ligações ao Ultramar, as chamadas Linhas Imperiais, e também ligações internacionais. Para essa expansão a CTA. já tinha nos seus planos adquirir 4 «Douglas» DC-4 "Skymaster" e também «Douglas» DC-6 aviões já de grande capacidade e com maior alcance aéreo. Mas todas as licenças solicitadas ao governo português foram sucessivamente recusadas.

A “CTA - Companhia de Transportes Aéreos”, foi liquidada em 1949 após a suspensão desta ligação Lisboa-Porto-Lisboa em 1947 consequência da criação da “TAP - Transportes Aéreos Portugueses” em 14 de Março de 1945.

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