30 de julho de 2011

Marinha de Guerra Portuguesa (6)

                                                        Corveta Afonso de Albuquerque, de 1884

                                  

                                                                      Canhoneira Pátria, de 1904

                                  

                                                                 Torpedeiro Mondego, de 1921

                                  

                                                                    Fragata Corte Real, de 1958

                                  

29 de julho de 2011

Gás da Companhia em Lisboa

Resultante da fusão entre a “Companhia Lisbonense de Iluminação a Gás” (1848) e a “Companhia Gás de Lisboa” (1887), constituíu-se a 10 de Junho de 1891, em Lisboa, a sociedade “Companhias Reunidas de Gás e Electricidade” (CRGE), para produzir e distribuir gás e electricidade.

                                      1942                                                                           1943

         

A CRGE toma posse de todas as instalações de produção e distribuição de gás existentes à data da sua constituição: as fábricas de gás da Boavista e de Belém, os gasómetros da Boavista, Pampulha e Bom Sucesso, e cerca de 400 000m de canalizações. O número de consumidores privados era à época, superior a 13 000, sendo o preço fixado para o gás de 45 reis/m3 e de 30 reis quando utilizado para o accionamento de motores.

A iluminação a gás inaugurou-se em Lisboa nas noites de 29 e 30 de Julho de 1848, com os primeiros 28 candeeiros. Ainda antes da assinatura do primeiro contrato para a iluminação a gás de Lisboa (1847), entre o governo e a “Companhia Lisbonense de Illuminação a Gaz”, já estavam arrendados os armazéns nos 2 e 3 da Praia da Boavista, para instalar a fábrica. O carvão era descarregado no denominado Cais do Carvão, ali junto, seguindo para a fábrica, onde era destilado em retortas. Seguiam-se depois operações de lavagem, arrefecimento, condensação e depuração, antes do armazenamento do gás nos gasómetros. Em 1852 existiam na Boavista cinco gasómetros e duas baterias de fornos totalizando 120 retortas

                                                             Fábrica de Gás da Boavista                                          

                                  

 

Expande-se a rede de canalização de gás para os concelhos de Oeiras, Cascais, Sintra (1899) e Setúbal (1903), tendo neste último adquirindo uma fábrica de gás aí existente.

Em 1915 a rede de gás está praticamente estabilizada, com uma capacidade de produção nas 2 fábricas que atingia 35 000 000m3/ano e 500km de canalizações; o número de consumidores aumenta para 36 700. Será no período da 2ª Guerra Mundial que se sentirá um significativo aumento dos consumos e do número de consumidores, apesar das dificuldades na obtenção de combustível, quando o Governo decidiu aplicar um plano de restrições aos consumos de energia eléctrica, deixando livres os do gás.

                                                                 Fábrica de Gás de Belém

                                   

 

Em 1938, a decisão do governo em celebrar o duplo centenário do Mundo Português (1140-1640-1940) com uma Exposição Monumental em Belém, veio acelarar a resolução do problema da transferência da Fábrica de Belém. Pretendia-se que os terrenos junto à Torre de Belém estivessem desocupados em 1940, tendo sido decidido construir uma nova fábrica, na zona oriental da cidade. No entanto, a nova fábrica de gás não pôde começar a produção em 1940, conforme previsto, pelo que se realizou a Exposição do Mundo Português com a fábrica junto à Torre de Belém em laboração.

A fábrica continuaria a funcionar em Belém até 1949, anunciando-se em Dezembro daquele ano a venda da sua estrutura e materiais em hasta pública, e, em 7 de Junho de 1950, registava-se fotograficamente a demolição das altas chaminés de alvenaria. A área desocupada pela fábrica foi transformada num jardim, conferindo à Torre de Belém um enquadramento mais digno e limpo.

                                      1910                                                                        1940

             

            
 
A localização da nova fábrica de gás na zona oriental, junto ao rio, com boas ligações ferroviárias e rodoviárias, permitiria um fácil abastecimento e uma eficiente distribuição dos subprodutos. Conforme acordado, o Estado entregaria às CRGE 39.000 m2 de terra na margem da Matinha, na zona oriental de Lisboa. Considerando a área insuficiente para a instalação da nova fábrica, as CRGE optaram por adquirir a Quinta da Matinha.

Sofrendo sucessivos atrasos devido às dificuldades de abastecimento, criadas pela II Guerra Mundial que eclodira, a fábrica começou a sua laboração, em regime experimental, em  Novembro de 1943, sendo a sua capacidade de produção diária de 75.000 m3 de gás extraído da hulha. A fábrica seria oficialmente inaugurada a 8 de Janeiro de 1944, ocupando 4 dos 20 hectares conquistados ao rio.

                                                                 Fábrica de Gás da Matinha

                            

Os procedimentos incluiam 5 fases distintas: numa 1ª fase, após o descarregamento do carvão na ponte-cais e respectivo transporte por meio de vagonetas sobre carris até ao Edifício dos Fornos, o carvão era destilado em retortas verticais; na 2ª fase, de depuração, eram retirados ao gás o alcatrão, o amoníaco e o enxofre; numa 3ª fase, seria extraído o benzol; numa 4ª fase procedia-se à armazenagem do gás no gasómetro de 30.000m3; por último, a 5ª fase incluia os procedimentos necessários ao transporte do gás, que passava por compressores que lhe conferiam alta pressão, para ser distribuído na rede de 300mm.

 

Três postos depressores na cidade15 garantiam a redução da pressão do gás para níveis que permitissem a sua utilização. Estes postos depressores tinham o seu funcionamento continuamente registado no quadro geral de controle da fábrica.

Para além das instalações de produção, existiam na fábrica reservatórios de água, poços artesianos e dois sistemas subterrâneos de abastecimento de água, com a finalidade de assegurar o funcionamento normal e o serviço de combate a incêndios. Uma subestação eléctrica que garantia o funcionamento das instalações da fábrica e a sua iluminação, e também uma destilação de alcatrão (onde lhe seriam retirados subprodutos como benzol, óleos fenólicos, óleos pesados, naftalina, etc. e onde era produzido alcatrão para estradas).

Para consultar a história do gás butano (botija) em Lisboa, consultar post de 29 de Novembro de 2009 com o título: “Gazcidla” na etiqueta ‘Gás’

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

28 de julho de 2011

Canções Antigas (1)

Capas de partituras de canções, algumas do teatro de revista, do início do século XX.

                                           

                                           

                                             
                                                      fotos in: Ephemera

Fados Antigos (1)

Capas de partituras de fados, do teatro de revista, do início do século XX.

                                            

                                            

                                            
                                                        fotos in: Ephemera

27 de julho de 2011

Monte Estoril Hotel

Muito pouca informação tenho deste hotel, já desaparecido e que se situava no Monte Estoril, mas vale a pena recordá-lo.

O hotel original foi o “Grand Hotel D’Italie”, que começou por ser constituído apenas por um edifício, nos finais do século XIX, e que mais tarde foi ampliado sendo construído outro edifício contíguo. Este hotel em conjunto com o “Palácio Hotel”, no Estoril e o “Grande Hotel” , no Monte Estoril eram considerados os “must” da época.

                                                             “Grand Hotel D’Italie”  nos finais do século XIX                 

        

“Grand Hotel D’ Italie”, numa 2ª fase, já no início do século XX e propriedade de Petracchi Felice

                                       

Depois de nos anos 40 do século XX, ter sofrido alterações arquitectónicas, aumento de 1 piso para quartos, e de reformas interiores muda de nome para “Monte Estoril Hotel”. Este hotel a par com o “Hotel Atlântico” também no Monte Estoril, mas à beira mar, foram os preferidos dos espiões alemães durante a II Guerra Mundial, enquanto o “Grande Hotel” do Monte Estoril e o “Palácio Hotel” no Estoril eram os preferidos dos ingleses.

              “Monte Estoril Hotel”, numa fase inicial, vendo-se na 1º foto o “Grande Hotel”, por detrás deste

        

De referir que o hotel que se situava ao lado e ligeiramente atrás do “Monte Estoril Hotel”, é o ex- “Grand Hotel Estrade” de seu nome “Grande Hotel”. Á semelhança do “Monte Estoril Hotel”  mudou de nome após ter passado por grandes mudanças e transformações exteriores. Nas fotos seguintes podem-se ver as transformações a nível exterior do edifício. Este hotel ainda hoje funciona.

                              “Grand Hotel Estrade”                                                             “Grande Hotel”

       

                                                       “Monte Estoril Hotel” , nos anos 60 do século XX

       

                                                                    Interiores do “Monte Estoril Hotel”

     

últimas 5 fotos in:  Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

Hoje o “Monte-Estoril Hotel”, já não existe, e o seu edifício foi transformado em edifício de apartamentos. Aqueles dois últimos pisos de apartamentos, acrescentados, e revestidos a chapa ……

                                        

                                                                            Publicidade em 1946

        

26 de julho de 2011

Escola Prática Comercial Raul Dória

A “Escola Prática Comercial Raul Dória” , foi um estabelecimento de ensino particular fundado na cidade do Porto a 30 de Novembro de 1902, por Raul Montes da Silva Dória. Vocacionada para o ensino técnico comercial, esta Escola teve início na Monarquia, passou pela Primeira República e veio até ao ano lectivo de 1963/1964. Instalada durante dois anos na rua do Bonjardim, rapidamente sentiu necessidade de mudar de instalações, o que ocorreu em 1904 para a rua Fernandes Tomás, onde veio a permanecer três anos, altura em que se fixou definitivamente no denominado Palácio das Lousas, na rua Gonçalo Cristóvão, a 9 de Outubro de 1907.

                Na Rua do Bonjardim …          Rua Fernandes Tomás …               …   e na Rua Gonçalo Cristóvão      

       

                 Vista lateral da Escola, no Palácio das Lousas                                  Corpo Directivo da Escola

  

Considerada a primeira Escola de ensino comercial na Península Ibérica, baseou-se em métodos de instituições europeias colocando a tónica no ensino prático, para o qual possuía instalações e material didáctico onde os alunos praticavam o que aprendiam na teoria. A finalidade da Escola Prática Comercial Raul Dória era suprimir as necessidades que se faziam sentir nas casas de comércio, dando-lhes conhecimentos práticos e técnicos de imediata utilidade.

Interiores da Escola onde foram criados cenários de instituições financeiras, administrativas e outras

  

  

Entre o conjunto dos cursos leccionados destacavam-se: Preparatório, Elementar/Empregado de Comércio ou Escritório, Complementar, Caixeiro-viajante, Colonial, Secundário/Superior de Comércio, Economia Doméstica e Guarda-Livros, sendo que este último, foi o curso mais frequentado. A Escola recebia alunos externos e internos, ministrava cursos nocturnos e por correspondência. Vista como um estabelecimento modelo, era preferida a nível nacional pelos que desejavam seguir a carreira do comércio. Desde o ano lectivo de 1910/1911 até ao ano lectivo de 1963/1964, a Escola obteve 8450 inscrições/matrículas, verificando-se uma maior procura de formação nesta Escola, durante toda a década de 1910 até ao ano lectivo de 1923/1924. (...)

1910

                Publicidade em 1908                             Ficha de Matrícula                            Revista “Guarda-Livros”, 1908

     

A “Escola Prática Comercial Raul Dória” fechou as suas portas no final do ano lectivo de 1963/1964, ao fim de 62 anos de actividade. Com o encerramento da Escola, o Palacete das Lousas que albergou a Escola durante 57 anos, foi demolido para dar lugar ao actual edifício do Jornal de Notícias, nas imediações da Trindade

A nova “Escola Profissional Raul Dória” iniciou a sua actividade em 1 de Outubro de 1990, com os cursos de “Técnico de Contabilidade”, “Técnico de Informática de Gestão” e “Técnico de Serviços Comerciais/Comércio Externo”. A Escola funciona actualmente na Praça da República, no Porto, junto ao Instituto Francês, tendo inicialmente funcionado na Rua Santa Catarina, e posteriormente, na Rua Fernandes Tomás,  e tem cerca de 200 alunos distribuídos por cinco cursos conferindo o diploma de fim de estudos secundários equivalentes ao 12.º ano e qualificação profissional de nível III (UE).

Sobre a nova Escola, os próprios familiares ficaram surpreendidos com a sua criação, pois não foram consultados, como esclareceria o neto de Raul Dória, Raul Narciso da Silva Dória, que a propósito escreveu::

«Aqui fomos surpreendidos, nós e o nosso pai, ainda vivo, com a publicidade feita à abertura da nova Escola. Como já tinham decorridos mais de 50 anos do desaparecimento do Avô e portanto o seu nome tinha caído “em domínio público” nada podíamos fazer. Entretanto, por contactos feitos com a Directora da nova Escola, viemos a saber tratar-se duma homenagem ao velho Professor, o que muito honrou a sua memória.».

fotos in: Hemeroteca Digital