13 de dezembro de 2011

Estação do Cais do Sodré

Depois de em 1895 ter sido concluída a “Linha de Cascais” com a abertura à exploração pública do troço entre Cais do Sodré e Alcântara - Mar, em 1917 a "Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses" arrenda a “Linha de Cascais” à "Sociedade Estoril", com a condição de que o sistema de tracção passe a ser o eléctrico.

A 15 de Agosto de 1926, foi da primitiva estação em madeira do Cais do Sodré que partiu a primeira composição a tracção eléctrica, na inauguração da electrificação da “Linha de Cascais”.

Inauguração da tracção eléctrica entre Lisboa e Cascais, a partir da Estação do Cais do Sodré

Automotora eléctrica belga “Baume & Marpent” da “Sociedade Estoril”  em 1928

Primeiro comboio a vapor na ligação entre Lisboa e Cascais partindo da Estação do Cais do Sodré

Antiga estação do Cais do Sodré em madeira e carruagens antigas

 

Construída entre 1926 e 1928 pela empresa "Estoril-Construtora" baseado no projecto de arquitectura modernista do arquitecto Porfirio Pardal Monteiro, e projecto de estrutura de betão do engenheiro Augusto Vieira da Silva, esta nova “Estação do Cais do Sodré”, foi inaugurada em 18 de Agosto de 1928.

«Inaugurou-se hoje o sumptuosos e moderníssimo edifício da estação de caminho de ferro do Cais do Sodré, sucessor do barracão deplorável que durante longos anos nos insultou com o espectaculo miseravel da sua presença. (…). A'quela barraca de onde partiam as velhas locomotivas em que o carvão - e a lenha durante a guerra - se queimavam lançando faulhas sôbre os passageiros e palas margens da linha, sucede-se um palacio monumental de onde rompem celeres as auto-motoras que com luxo e velocidade servem a linha belíssima dos Estoris»

Inauguração da Estação, pelo General Carmona com o empresário Fausto de Figueiredo à sua esquerda

  

Podia-se ainda ler no “Diário de Lisboa” a propósito da inauguração: « Regozijemo-nos com o melhoramento que vem contribuir para o Portugal Maior que tanto se perconisa e agora se começa esboçando».

Esta primeira obra pública de influência Arts Déco do arquitecto Pardal Monteiro, veio substituir a velha em madeira em serviço desde o prolongamento da linha Cascais-Alcântara Mar em 4 de Setembro de 1895, depois de, inicialmente em 1889, ter sido inaugurada a exploração pública do troço entre Pedrouços e Cascais.

Nova Estação de Caminho de Ferro do Cais do Sodré

  

Seu enquadramento com a Praça Duque de Terceira

                                                                                    Átrio da Estação

                                                                                       Interior da Gare

Linhas e catenárias da Estação do Cais do Sodré no início dos anos 50 do século XX

Cabine de Controle em 1940

Como referi no início, a “Sociedade Estoril”, do empresário Fausto Cardoso de Figueiredo, torna-se concessionária da «Linha de Cascais» em 1917. Anos mais tarde já dono do Casino do Estoril, Termas do Estoril (futuro Hotel do Parque), e Palácio Hotel, o caminho de ferro era um veículo de desenvolvimento dos seus negócios, para um melhor acesso ao Estoril e Cascais por parte dos turistas europeus. Consegue, ainda, que o importante comboio «Sud-Express», já durante a II Guerra Mundial, passasse a fazer a ligação Paris - Estoril.

Em 28 de Maio de 1963 a cobertura da gare da “Estação do Cais do Sodré”, em betão armado e construída em 1960, desabou sobre a gare, fazendo 49 mortos e cerca de 61 feridos. Durante os trabalhos de remoção dos escombros e limpeza da gare, foi a “Estação de Alcântara-Mar” que a substituiu provisóriamente.

Desastre em 28 de Maio de 1963

Fachada da “Estação de Caminho de Ferro do Cais do Sodré” actualmente

Átrio da Estação

fotos in: Hemeroteca Digital, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian (Estúdio Mário Novais), Arquivo Municipal de Lisboa

5 comentários:

Ricardo Moreira disse...

Alguma vez foram publicados os resultados do inquérito que, com toda a certeza, se seguiu ao desmoronamento da cobertura? Sempre li a história do desmoronamento da cobertura, mas nunca descobri em parte alguma a que se ficou a dever o desastre, se a erro de concepção, se a erro de execução ou outro motivo.

José Leite disse...

Caro Ricardo Moreira

Muito agradeço o seu comentário, com muita propriedade, mas não consigo responder-lhe à sua pertinente questão.

Cumprimentos

José Leite

João Filipe disse...

Pelo que me contava o meu Avô que foi Fiscal da Sociedade Estoril, e que escapou por alguns metros à queda da cobertura (tinha acabado de transpor as portas da gare para o hall da estação),a queda da cobertura deveu-se a terem, quando da construção, prendido os cabos das catenárias (que anteriormente estavam presos em postes) à placa de betão, o esforço de tracção contínuo dos cabos na placa acabou por a fazer descolar da parede da estação e tombar. A Placa não tinha sido calculada para esse esforço de tracção.

rcunha disse...

Creio que foi aberta uma investigação criminal cujo processo foi instruído pela Polícia Judiciária de Lisboa.
Não sei qual o desfecho

Um ex-Liceu Pedro Nunes disse...

Bom dia,
Um colega de turma do Pedro Nunes escapou do acidente por alguns minutos, porque já nas portas do Liceu corri para lhe dizer que se tinha esquecido do relógio no vestiário do ginásio (a propósito: alguém me consegue dizer a que horas ocorreu o desabamento?). Pois ele hesitou mas voltou para trás, comentando entre dentes:"... vou perder o comboio". Sorte a dele!(se leres este comentário, diz 'olá!'). Ah, aproveito para cumprimentar o Pedro Viana Botelho, autor do projecto de remodelação da estação e que foi meu colega de turma nos dois primeiros anos no 'Texas'.