10 de maio de 2011

Palácio das Laranjeiras

O “Palácio Farrobo”, mais conhecido por “Palácio das Laranjeiras”, está edificado na Quinta com o mesmo nome, onde se instalou, em 1905, o Jardim Zoológico. É uma construção seiscentista, restaurada e embelezada na primeira metade do século XIX.

Joaquim Pedro Quintela, 2º Barão de Quintela e 1º Conde de Farrobo, nasceu em Lisboa, no palácio de sua família, na Rua do Alecrim, a 11 de Dezembro de 1801, onde veio a falecer, a 24 de Setembro de 1869. Seus ascendentes eram das nobres e ilustres famílias dos Pereiras e dos Rebelos, fidalgos de linhagem. Seus pais foram o 1º Barão de Quintela e D. Maria Joaquina Xavier de Saldanha.

                           Conde de Farrobo                                         Palácio do “Barão de Quintela” na Rua do Alecrim

 

Era um entusiasta da monarquia constitucional e da causa de D.Maria II que muito lhe deveu, principalmente em auxílio monetário. A proclamação do regime absolutista em 1828 deu-lhe um grande desgosto.

O título de conde foi-lhe conferido por D. Pedro IV, tirado do nome de uma propriedade sua - Quinta do Farrobo, próxima de Vila Franca de Xira e uma das mais importantes dos arredores de Lisboa, onde teve palácio e teatro. Joaquim Pedro Quintela não foi uma figura banal do seu tempo e não pode separar-se da história da sumptuosa propriedade que lhe engrandeceu a sua personalidade de artista.

O “Palácio Farrobo” recebeu de si a divisa “OTIA TUTA”, isto é “Toda Prazeres”, os prazeres colhidos das manifestações artísticas. Rodeou-se de imensa grandiosidade e organizou sumptuosos festejos, de um viver opulento que deram origem à expressão popular «farrobodó», derivada do seu título nobre. Na sua época foi considerado um grande mecenas sobretudo da arte musical portuguesa e a quem todas as fantasias musicais eram permitidas.

                              Desfile de artistas do Teatro S. Carlos no exterior do Palácio das Laranjeiras, em 1918

         
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Cantor e excelente executante de orquestra, perito em trompa, Farrobo foi ainda presidente da Academia de Música e segundo empresário do Theatro Nacional de S. Carlos’, em 1838. A sua gerência tornou-se principalmente notável pelos artistas célebres que contratou, entre os quais se contavam os de maior renome de então.

A Quinta das Laranjeiras, denominada inicialmente Quinta de Santo António, pertencia no final do século XVII a Manuel da Silva Colaço, passando para a posse de Luís Garcia Bívar, em 1760 e, posteriormente, para Francisco Azevedo Coutinho. Foi a este último que a adquiriu o Desembargador Luís Rebelo Quintela em 1779, por 24 contos, herdando-a em 1802, seu sobrinho Joaquim Pedro Quintela, feito 1º Barão de Quintela, quatro anos mais tarde.

“Palácio das Laranjeiras”, e “Theatro das Laranjeiras”, anexo ao palácio

 

Jardins do Palácio

       

Porém, a edificação do palácio, em substituição das decrépitas casas existentes até então, esteve a cargo do Padre Bartolomeu Quintela, tio do 1º Barão. Deste modo, o palácio e quinta foram reconstruídos segundo a traça do Congregado do Oratório. Contudo, foi o 2º Barão de Quintela, 1º conde de Farrobo - o qual muito novo entrara na posse da enorme fortuna de seu pai e na administração do morgado de Farrobo - quem promoveu, no palácio das Laranjeiras, os melhoramentos e embelezamentos que pelo fausto e bom gosto, deram brado em Lisboa, durante a primeira metade do século XIX.

Mandou instalar iluminação a gás (20 anos antes dos bicos de gás terem chegado à iluminação pública). Construiu uma sala de mil espelhos e anunciou que, no palácio,existiam máquinas milagrosas, para fazer retratos pelo novo processo Daguerre. Mandou vir leões, tigres, panteras, papara exibir em jaulas, nas zonas iluminadas da quinta. Encomendou estátuas, bustos e fontes.

Em anexo ao “Palácio das Laranjeiras” o famoso “Teatro das Laranjeiras”, também chamado “Teatro Tália” . A sua sala dispunha de cerca de 560 lugares, possuía luxuosos camarins e um opulento salão de baile, de paredes revestidas com valiosos espelhos de Veneza. Foi aqui que se estreou a peça de Almeida Garrett “Frei Luís de Sousa”. Como o Conde de Farrobo era empresário do “Theatro Nacional de S. Carlos’”, trouxe a este “Teatro Tália” 18 óperas entre 1834 e 1853. Em 1862 um incêndio destruiu totalmente o interior e já não foi reconstruído, por as “finanças” do Conde de Farrobo estarem já depauperadas.

Interiores do Palácio das Laranjeiras

 

 

O Conde Farrobo em 1840 deixa a direcção do “Theatro de S. Carlos”, chegando mesmo a a alugar o seu camarote. Mas nunca deixou de trazer o ‘belo canto’, ao “Theatro Thalia”, até 1862 altura em que após uma remodelação este teatro arde completamente. As obras de reconstrução morreram à nascença devido ás já patentes dificuldades financeiras do Conde de Farrobo.

Já no último quartel do século XIX o palácio, cujo brilho iluminara a época e deslumbrara os contemporâneos, foi a leilão. O Conde de Farrobo estava à beira da ruína. Perdera uma importante demanda comercial, e nos últimos dias vivia duma pensão do Estado, tendo renunciado ao título. O seu empobrecimento determinou a venda dos seus bens em hasta pública. A morte poupou, no entanto a Farrobo aquela afronta.

 

Em 1869 o “Palácio das Laranjeiras” foi comprado pelo capitalista António Augusto Carvalho Monteiro, conhecido pelo “Monteiro dos Milhões”. Mais tarde em 1874, adquirido por um fidalgo espanhol, duque de Abrantes e Liñares, que o mandou novamente restaurar. Mas a 11 de Abril de 1877 foi comprado pelo comendador José Pereira Soares, que adquiriu também as Quintas contíguas das ‘Águas Boas’ e dos ‘Barbacenas’.

Em 1903, foi a vez do Conde de Burnay comprar o conjunto das quintas e do palácio cedendo, em 1905, os jardins da primitiva “Quinta das Laranjeiras” e “Águas Boas” ao Jardim Zoológico que, até então, ocupava um local no Parque da Palhavã.

Já propriedade dos Condes de Burnay, na revista “Ilustração”  em 1928

 

Os restantes espaços ficaram na posse da sua família até 1940, ano em que, para efeito de partilhas se procedeu à venda dos mesmos, tendo o ‘Palácio das Laranjeiras’  sido adquirido pelo Ministério das Colónias, para aí instalar o museu da Marinha. Desde então vários ministérios tiveram sede nas Laranjeiras sendo que, desde Abril de 2002, se instalou o Ministério da Ciência e do Ensino Superior, actualmente Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital, Biblioteca Nacional Digital

3 comentários:

Anónimo disse...

Pois é...deve ser lindissimo o Palácio das Laranjeiras...tentei ver o que me era possivel, no passado dia 29 de Março, entrei na portaria do Ministério e fui abordada por um fulano ( que de tão velho mais parecia um »figo passado») que não se quis identificar, pertencente à Securitas, que me proibiu de olhar através do muro para os jardins das traseiras do palácio...incrivel não é???? Teresa Caçador

Anónimo disse...

Li o livro Milionário de Lisboa que retrata a vida do Conde Forrobo que fazia a vida de um verdadeiro forróbado.

O Palácio das Laranjeiras lá está, servindo uns quaisqueres Serviços Públicos.

Jokka disse...

Agora que até os jardins do Palácio de São Bento estão acessíveis ao publico em geral ao Domingo qual a razão de continuar a impedir-se o acesso a este Palácio e ao seu jardim?