21 de fevereiro de 2011

Hidroeléctrica do Alto Alentejo

Nos primeiros anos do século XX, o Governo concedeu alvarás para produção de energia eléctrica, tendo surgido por todo o País pequenas empresas produtoras de energia:centrais térmicas e de queda de água.

A primeira concessão foi atribuída por Alvará Régio do Rei D. Carlos de 14 de Fevereiro de 1907: "pelo qual foi concedido o aproveitamento da água do Rio Lima, fazendo uma derivação no sítio da Costa do Fajo, Freguesia do Lindoso, Concelho de Ponte da Barca".

Em 1908, foi dada a primeira concessão de uma bacia hidrográfica na sua globalidade, a do rio Alva na Serra da Estrela, à Empresa Hidroeléctrica da Serra da Estrela.

             Empresa Hidroeléctrica da Estrela em 1909 …                  … e num anúncio de 1968                   

             

Em Lisboa, surgiram as centrais de corrente contínua da Boa Vista e da Junqueira, e a rede de tracção eléctrica. (ver post de A Electricidade e Central Tejo em Lisboa’)

A empresa ‘Electro-Moagem de Riba-Coa’, cuja concessão é datada de Julho de 1939, no Rio Tâmega, fornecia Pinhel e a Companhia Hidroeléctrica do Varosa abastecia Lamego e Peso da Régua. Os municípios de Fafe e Amarante assumiram directamente a produção de energia eléctrica por aproveitamento de quedas de água, com a Central de Santa Rita e a Central do Olo, respectivamente.

A Companhia Hidroeléctrica do Coura, surgida em 1912, construiu a Central de Covas. Entre 1914 e 1919, as CRGE (Companhias Reunidas de Gás e Electricidade) constroem, em Lisboa, a Central Tejo, uma central termoeléctrica com uma potência inicial de 10 000 CV, enquanto a ‘Electra del Lima’ constrói a Central do Lindoso (1915-1919), com um aproveitamento hidroeléctrico de 20 000 KW de potência.

Em 1925 surge a Hidro-Eléctrica do Alto Alentejo: empresa constituída com a finalidade de criar e levar energia mais barata não só a algumas populações do distrito de Portalegre, mas também a indústrias da região. O Eng. José Custódio Nunes, natural de Póvoa e Meadas, cedo conseguiu compreender a necessidade de aproveitar as grandes torrentes de água que nos meses de Inverno engrossavam o caudal da Ribeira de Nisa, transformando toda esta força em energia eléctrica.

                                                     Interior da Hidroeléctrica do Alto Alentejo

 

A Hidroeléctrica do Alto Alentejo constrói as centrais de Póvoa (1927), Bruceira (1934), Velada (1935) e Foz (1939).

                     Diagrama do sistema de distribuição da Hidroeléctrica do Alto Alentejo afixado na 2º foto acima

                                               

No fim de 1928, o sistema produtor era constituído por 395 centrais, a maior parte delas ligadas a unidades fabris e apenas cinco tinham potência superior a 7 000 CV.

Em 1945, nasce a Hidroeléctrica do Cávado (HICA) e a Hidroeléctrica do Zêzere (HEZ), e, em 1947, constitui-se a Companhia Nacional de Electricidade (CNE), com o objectivo de interligar os vários sistemas produtores à tensão de 150 KW.

Como consequência, a partir de 1950, ano de inauguração da Central de Pracana no rio Ocreza, entram em exploração grandes centrais como a de Castelo de Bode e Venda Nova (1951), a de Belver (1952), Salamonde (1953), Cabril (1954), Bouçã e Caniçada (1955) e Paradela (1958). Entram, também, em exploração várias linhas de alta tensão, designadamente a introdução do escalão de 220 KV.

Pracana, central de albufeira equipada com três turbinas Francis (verticais) que são alimentadas pelo rio Ocreza. Pertence actualmente à EDP Produção. Iniciou a sua produção em 1951 pela mão da empresa Hidroeléctrica do Alto Alentejo (HEAA) e conta com 41 MW de potência instalada. Situa-se junto ao lugar de Zimbreira, freguesia de Envendos, concelho de Mação.

                                                          Barragem de Pracana, em Mação, de 1950

                                     
Belver, central de fio-de-água equipada com seis turbinas Kaplan (as cinco primeiras verticais e a última horizontal) que são alimentadas pelo rio Tejo. Pertence actualmente à EDP Produção. Iniciou a sua produção em 1951 pela mão da empresa Hidroeléctrica do Alto Alentejo (HEAA) e conta com 80,7 MW de potência instalada. Situa-se no lugar de Foz da Ribeira das Eiras, freguesia de Ortiga, concelho de Mação.

                                                             Barragem de Belver, em Gavião,  de 1952

                                       

Castelo de Bode, central de albufeira equipada com três turbinas Francis (verticais) que são alimentadas pelo rio Zêzere. Pertence actualmente à EDP Produção. Iniciou a sua produção em 1951 pela mão da empresa Hidroeléctrica do Zêzere (HEZ) com 139 MW de potência instalada, tendo passado posteriormente para a propriedade da Companhia Portuguesa de Electricidade (CPE). É um aproveitamento emblemático que marcou uma nova época de política energética em Portugal aquando da sua inauguração. A central foi remodelada pela EDP em 2004, contando agora com 159 MW de potência instalada. Situa-se no lugar e freguesia de São Pedro de Tomar, concelho de Tomar.

           Barragem de Castelo de Bode, no concelho de Tomar, inaugurada em  21 de Janeiro de 1951

 

fotos in: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

                                                                            Anúncio em 1934

                            

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