30 de novembro de 2010

O Gelado em Portugal

Os primeiros gelados foram desenvolvidos pelos chineses há mais de 3000 anos. Misturavam neve com fruta e mel. E No Egipto os faraós ofereciam aos seus hóspedes sumo de fruta arrefecido com neve, introduzida numa taça de prata com paredes duplas.

Consta que foi Marco Polo , viajante italiano do séc. XIII, que introduziu na Europa o gelado, uma das maravilhas gastronómicas que tinha conhecido na China. A realeza e a aristocracia logo adoptaram os gelados de fruta como um prato de luxo.

Em 1550, um médico espanhol que vivia em Roma, de seu nome Blasius Villafranca, descobriu que era mais fácil congelar um alimento juntando nitrato de potássio, e mais tarde sal, à neve. Utilizando este método, os florentinos foram os primeiros a produzir gelados em larga escala.

O gelado terá chegado a Portugal na época da dinastia filipina. Faziam sucesso as bebidas nevadas, embora fosse difícil e caro trazer neve da Serra da Estrela para a corte de Lisboa. Por volta de 1715, já D. João V reinava, haviam inúmeros fabricantes de gelados na capital portuguesa.

O mercado de gelados em Portugal não dispunha de quaisquer regras, até que no ano de 1958 foi publicada a primeira legislação. Os poucos comerciantes de gelados, que até então faziam os gelados em casa, ou em pequenas áreas, para cumprir a lei, tiveram de requerer alvará.

Vendedor ambulante de  gelados, em 1908

   

Gelados “Esquimaux” da Fábrica de Gelados Sibéria

  

A partir de 1958 foi também proibida a venda ambulante de gelados em "barquilho" (gelados avulso), permitindo apenas gelado embalado. Como consequência desta legislação, iniciou-se o fabrico manual do gelado de pauzinho. Nesta altura eram exemplos de empresas pequenas produtoras de, a “Esquimó” em Lisboa e a “Gelados Globo” no Porto. Em 1959 a “Olá” (gelados) é adquirida pela joint venture com a Unilever, a partir da compra da “Esquimó” de Francisco & Trancoso.

Máquina de gelados de pauzinho, vendedor da “Olá” na praia, e vendedora ambulante em 1968

    

Em 1964 aparece o 1º gelado de cone em Portugal pela mão dos “Gelados Globo” do Porto. O gelado de cone foi inventado na Exposição Mundial de Saint Louis, em 1904. A história já é lenda nos Estados Unidos: a namorada de um vendedor de gelados enrolou o seu gelado numa bolacha, para o impedir de pingar, à semelhança do ramo de flores que tinha recebido do dito vendedor.

E proliferam as gelatarias , a Veneziana, Itália, Santini, Veneza, Conchanata, etc…. só para falar em Lisboa.

                                 Gelado de Cone                             Gelados e Cassatas “Itália” na Av. da Igreja em Alvalade

     

Fábricas famosas de gelados em Portugal: Sibéria, A Veneziana, Gelados Globo, Olá, Rajá, Camy,Nestlé, etc.

  

Cartaz de Carlos Rocha

Fotos in: Arquivo Municipal de Lisboa, Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

29 de novembro de 2010

Bilhetes Postais Antigos (2)

Bilhetes Postais do início do Século XX de propaganda a jornais da época.

                                                                       Postais de 1902                                                       

   

                              Postal de 1903                                                                    Postal de 1904

 

Fotos in: Biblioteca Nacional Digital

25 de novembro de 2010

Marinha de Guerra Portuguesa (4)

                                                            Corveta “Mindelo” de 1875

                             

                                                       Lancha Canhoneira “Macau” de 1901

                             

                                                Aviso de 2ª Classe “Gonçalo Velho” de 1938

                             

                                                         Draga-Minas “Graciosa” de 1955

                             

24 de novembro de 2010

Greve Geral …. em 1922

Excerto da 1ª página do jornal diário matutino, “A Batalha” de 7 de Agosto de 1922. O país estava a atravessar uma grave crise financeira, Prolongada que foi esta crise propiciaria 4 anos mais tarde o golpe de 28 de Maio de 1926, e a consequente implantação da Ditadura Militar.

                        

                                    clicar para ampliar                                                 foto in: Alamanaque Republicano

23 de novembro de 2010

Estabelecimentos Comerciais de Lisboa (2)

                                                                 Casa da Sorte, no Rossio

                           

                                                      Casa das Manteigas, na Rua da Prata                  

                                               

                                         Panair do Brasil e PAN AM, na Praça dos Restauradores

                                             

                                                     Cabeleireiro, na Praça dos Restauradores                            

                                 

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian

22 de novembro de 2010

Propaganda no Estado Novo (2)

                                                           Em 1949 o “Nacional-Sindicalismo”

                                       

                                                                     Em 1962 um “Manifesto”

                                       

panfletos in: Ephemera

21 de novembro de 2010

O Apito e a Segurança em Lisboa

Retirado do “Roteiro do Viajante no Continente e nos Caminhos de Ferro de Portugal”, publicado em 1865 por João António Peres Abreu, em Coimbra pela Imprensa da Universidade, transcrevo um texto em que se aconselha o viajante a adquirir um apito para sua segurança, ao visitar a cidade de Lisboa.

" O viajante que,chegando a Lisboa comprar um apito, e o trouxer sempre comsigo, póde-se reputar em completa segurança. A razão é muito simples.
Se por acaso é aggredido e toca o seu apito, ouve logo tocar outros em diversas direcções. A polícia corre ao ponto aonde tocaram, para cumprir com o seu dever, e o povo corre tambem para o mesmo sítio, a fim de saber o que foi.
Como são os que correm, convergindo a um centro, fórma-se uma rede, de que o aggressor difficultosamente escapa.
Prevenimos por isso algum travêsso, que se lembre de tocar por brincadeira, para não cahir em tal, porque tem toda a probabilidade de ir dormir ao quartel municipal.”

De referir que o texto foi transcrito fielmente, pelo que poderá observar o português escrito da época.

19 de novembro de 2010

Estações de Caminho de Ferro (3)

                       Estação do Pinhão                                                          Estação de Vilar Formoso

 

                 Estação de Oliveira de Azeméis                                                  Estação de Tondela

 

                    Estação de Farminhão                                                           Estação de Viseu

 Estação de Viseu

17 de novembro de 2010

Maluda

A pintora Maria de Lourdes Ribeiro mais conhecida por Maluda, nasceu em 1934 em Pangim no Estado de Goa na, então, Índia Portuguesa. Viveu desde 1948 em Lourenço Marques (Maputo) em Moçambique, onde começou a pintar e se formou. Como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian, viveu em Paris entre 1964 e 1967, e Suiça e Londres entre 1976 e 1978.

                                                                            Auto-retrato

                                               

A sua obra abraça vários géneros, incluindo retratos, serigrafias, tapeçarias,  painéis murais, ilustrações e selos de correio, mas o principal da pintura de Maluda está muito voltado para a síntese da paisagem urbana e rural. Em 1989 recebeu o prémio mundial para o melhor selo.

                                                              Selos das Fortalezas da Madeira

              

Depois de, em 1967 instalar-se definitivamente em Lisboa, três anos mais tarde instala a sua casa-atelier na Rua das Praças, em Lisboa, onde viveria até à data da sua morte.

Em 1969 inaugura a primeira exposição individual na Galeria do Diário de Notícias, em Lisboa, então considerada local de grande prestígio, onde expõe vários óleos sobre Lisboa.

                                       Cabo Espichel                                                           Évora

                      

A partir de 1978 dedicou-se ao tema das “Janelas”, e pinta 39, iniciando pela Janela I de Évora.

                                  Janela I de Évora                                         Janela XXXVIII (Elevador da Bica)

                             Janela.38 

Em 1994 recebe o prémio “Bordalo Pinheiro” atribuído pela Casa da Imprensa, e no âmbito da “Lisboa Capital da Cultura”, realiza uma grande exposição individual no Centro Cultural de Belém em Lisboa.

Durante a sua vida efectuou 24 exposições individuais, e as suas obras estão na posse, por exemplo, da Fundação Calouste Gulbenkian, passando por colecções particulares, instituições do Estado, tanto em Portugal como no estrangeiro.

Morre em 10 de Fevereiro de 1999.

“Vim do Oriente, onde nasce a luz; passei por África, onde aprendi a amar a vida; cheguei à Europa, onde estudei pintura na cidade das luzes; depois fixei-me em Lisboa. Gradualmente refiz o percurso labiríntico em direcção à luz. Cada passo revela, à sua maneira, esse jogo de sombras e de luz que é a vida e a morte, a sabedoria e a ignorância. Eu pinto. É uma aventura que não troco por nenhuma outra.”

Maluda na revista “Galeria de Arte” nº 5 de Julho/Agosto de 1996

Outras obras desta pintora, minha preferida, têm vindo a ser publicadas na etiqueta “Maluda”

15 de novembro de 2010

Instituto Pasteur de Lisboa

Louis Pasteur (1822-1895), foi um cientista francês, que se destacou pelas suas importantes descobertas científicas nas áreas da química e medicina. A ele se deve a vacina contra a raiva, e o processo de “pasteurização” de alimentos e principalmente do leite. É considerado um dos 3 fundadores da microbiologia juntamente com Ferdinand Cohn e Robert Koch. Entre 1877e 1887 Pasteur descobriu três bactérias responsáveis por doenças nos homens: estafilococos, estreptococos e pneumococos.

A propósito do Centenário, em 1922,  do seu nascimento

A pasteurização reside basicamente no fato de se aquecer o alimento a determinada temperatura, e por determinado tempo, de forma a eliminar os microrganismos presentes no alimento. Posteriormente estes produtos são selados hermeticamente, evitando assim uma nova contaminação. O "Institut Pasteur" de Paris foi fundado em 1888, onde Pasteur trabalhou até à sua morte em 1895, e onde está sepultado num mausoléu decorado em estilo bizantino que lembram suas realizações.

                             Louis Pasteur                                                         “Institut Pasteur” em Paris

 

O "Instituto Pasteur de Lisboa", foi fundado por Virgínio Leitão Vieira dos Santos em 1898, que estava ligado ao negócio de vinhos em Salvaterra de Magos. Inicialmente instalado numa sobreloja da Praça Luís de Camões, chamava-se inicialmente “Laboratório Pasteur”. No início apenas importava produtos do "Institut Pasteur" de Paris, que entretanto tinha sido fundado 7 anos antes, sendo depositário de todos os soros e vacinas do "Institut Pasteur" e do "Instituto de Vacinacion Animal" de Paris, comercializando igualmente leveduras seleccionadas de todos os vinhos portugueses e estrangeiros, artigos de higiene, leites puros esterilizados e medicinais.

Nos primeiros meses de 1903, o Instituto transferiu-se para a Rua Nova do Almada, onde se montaram alguns laboratórios.

                      Instituto Pasteur na Rua Nova do Almada                         Publicidade a um Antiseptico Nasal

       

A actividade principal consistia então na venda de instrumentos cirúrgicos e material hospitalar, muito do qual era fabricado numas oficinas construídas de ferro e vidro, na rua D. Pedro V. Em 1907, quando eram directores os médicos Mark Athias e Azevedo Neves, o instituto possuía quatro secções:  Secção de fotografia, compreendendo tratamento pelo método de Finsen e pelos raios X, serviço de pensos, exame de doentes pelos raios X,  Secção de análises clínicas, industriais e agrícolas,  Secção de bacteriologia e Secção de farmácia e produtos esterilizados.

«Comercial Fargo D6» de 1936 , carro de distribuição do Instituto e interior do Laboratório do Instituto

 

Comercializava igualmente, aparelhos e instrumentos para laboratórios de química, bacteriologia e farmácia, os instrumentos cirúrgicos, as instalações de salas de operações, os produtos enológicos e os aparelhos para análise de vinhos.

Farmácia e salas de exposição de artigos hospitalares

   

 

Em 1916, o Instituto possuía uma farmácia, na rua do Ouro em Lisboa

 

 Foram criadas instalações em Coimbra e no Porto

                            Em Coimbra, na Rua Visconde da Luz …              no Porto, na Rua dos Clérigos

  

Em 1958 foram inauguradas as novas instalações dos "Laboratórios do Instituto Pasteur de Lisboa", na Av. Marechal Gomes da Costa em Lisboa.

Artigo publicado na revista Ilustração Portuguesa, em 1923

Stand na "Feira das Indústrias Portuguesas" na Junqueira em 1957

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Hemeroteca Digital 

Nos anos 60’s o "Instituto Pasteur de Lisboa" associou-se aos Laboratórios Wyeth de Filadélfia

Anúncio de 1913

Presentemente o "Instituto Pasteur de Lisboa - Virginio Leitão Vieira dos Santos & Filhos S.A.", está sediado em Miraflores.